Notas iniciais
Tudo me pertence.

Eu precisava tragar em você todo o meu medo, até não sobrar nada além de suor e saliva.


Eu precisava ser carne e sentir sua fome de luz e fogo.


Ver a veia do seu pescoço pulsar ao meu simples toque áspero, como feltro.

Ter você na ponta da língua e na veia errada da alma.

Eu sentia meu corpo desfalecer e reinar como um astro longíquo nas suas mãos receosas e pálidas e soberanas, a aspereza do dia, presente nelas e meu líquido seminal que escorria pelo seu alvo pescoço adornando seu colo e suas pernas e tudo, nos enroscamos como pequenos animais recém nascidos, pulsando como o mar que rebenta na areia e lambe suas pernas de noite, levando seus suspiros de manhã.


Ver seus olhos através de um véu de choque, frêmito, insanidade.


Seus dedos repuxando,torcendo os fios dos meus cabelos, largando o mundo ali.


Descobrindo o mundo ali, estando em suas mãos, à sua mercê.


Vingando e tendo por fim a dor. Quem agora está nas mãos de quem?


Sentindo a dor e o frêmito físico, ultrapassando a verdade mortal,indo além dos Andes e do Oxigênio.

Respirando e sabendo que poderia ser a última respiração da minha vida e sorrindo internamente,tão insuspeitavelmente feliz por isso, tão completo ,no pequeno círculo da vida particular, tão gloriosamente acima e além de todos os outros.


Exaltando a vida em seus olhos.


Sentindo todas as guerras humanas em seu toque pornográfico e homérico, sujo e impróprio.
Saindo pela boca, todos os gozos de todas as prostitutas romanas e egípcias.


Sentindo a carne arder, formigar e querer um som tão humano e inevitável.


Voar pelo infinito apenas olhando os finos raios de suor deslizarem pela linha da sua testas e sentir sua respiração desregulada a invadir meus ouvidos, entrar pela minha cabeça e dominar todos os meus sentidos, já atordoados e por fim intoxicado pelo seu cheiro de uísque escocês, dormir com os olhos nas constelações que brilham nos seus olhos de amêndoa e canção.


Mais.

Notas finais
Por hoje é só.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!