Intocável

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Oi, primeiramente, se você está lendo isso e pretende ler a história a seguir, obrigada pela preferência, espero que goste e volte sempre!Enfim, não quero enrolar muito, esse capítulo é explicativo, pra introduzir vocês na história que vai se iniciar e etc...e como o prólogo é bem curto, resolvi postá-lo junto com o primeiro capítulo, então, aí está.Boa leitura!

PRÓLOGO

Algumas coisas acontecem por uma razão que fica clara, outras acontecem sem que a razão faça ao menos parte do processo. Fique estabelecido que a razão aqui não se prende ao significado de motivo apenas, mas, além disso, ao significado de julgar, raciocinar, racionalizar e pensar ao tomar uma decisão. Portanto, entende-se que, algumas coisas acontecem sem uma razão (referindo-se ao motivo) e além disso, prosseguem sem que a razão (referindo-se ao raciocínio) faça parte da tomada de decisões decorrentes dessa coisa.

Quando Snape acordou em sua cama, ao lado de uma de suas alunas e percebeu que a envolvia em seus braços, ele soube de imediato que essa era uma das coisas onde não há razão, um dos momentos onde a razão falha e se esvai, sem deixar rastro. Um momento, basta isso para que uma série de eventos desencadeie e uma história comece.

Essa história começou antes do momento em que Snape acordou ao lado de sua aluna. Antes desse momento, outros momentos aconteceram para que esse acontecesse.
Confuso? Talvez. Mas lembrem-se, a razão está perdida.

***

Às vezes as pessoas demoram para perceber algo que está bem a sua frente. Severus Snape demorou para perceber que havia uma aluna ali parada, bem à sua frente. Ela o encarava, sem dizer nada, como se esperasse que ele falasse primeiro, e que sentindo fazia isso? Uma vez que Snape estava em sua sala de aula, de onde não saía havia horas, e portanto ela fora até lá?

Aquilo estava começando a incomodá-lo, não que ele fosse um homem difícil de se incomodar, mas os olhos grandes e azuis da garota o encarando fixamente, deixaram-no desconfortável, então ele finalmente falou, perguntando em seu tom comumente frio, beirando a grosseria:

– Posso ajudá-la, senhorita...?

– Hã...Becrux! — a menina deu um salto, assustada com a quebra do silêncio, ela já estava ali para havia cinco minutos, afinal — Rowan Becrux.

– Becrux. Certo. Posso ajudá-la?

– Érrr...pode? — ainda um pouco hesitante, estendeu para Snape um pedaço de pergaminho que tinha em mãos, e continuou, tímida — é a redação sobre o efeito dos ovos de fada se usados em grande quantidade numa poção, o senhor pediu...

Ela foi interrompida por Snape, que puxou o pergaminho de suas mãos e olhou-o rapidamente.

– Se me lembro bem, senhorita Becrux, essa redação foi pedida na semana passada.

Ela olhou para baixo, de modo que os cabelos loiros extremamente lisos caíram em seu rosto.

– Eu sei, professor, me desculpe. Aconteceram algumas...coisas e eu não pude entregar.

– E será que eu posso saber que coisas foram essas, senhorita Becrux, que são tão importantes a ponto de lhe impossibilitar de escrever uma simples redação de cem linhas? — Snape perguntou. Seco e cético.

Rowan abaixou a cabeça ainda mais, fechou os olhos com força e respirou fundo, depois voltou ao normal, tirou o cabelo do rosto e olhou diretamente para a expressão fria e um tanto sádica do professor.

– São assuntos que, com todo o respeito, eu não quero falar sobre, professor.- ele arqueou quase imperceptivelmente as sobrancelhas.

– Bem, se você não pode, ou não quer, tentar me explicar o porquê do atraso, talvez não haja um motivo, não é mesmo? E se não há um, talvez tenha lhe passado pela cabeça que eu possa não querer corrigir, ou sequer aceitar isso. — ele disse levantando o pergaminho em suas mãos.

– Eu esperava...espereva que o senhor pudesse entender, professor. Desculpe, foi tolice.

A garota se virou para ir embora, deu um passo e antes que pudesse dar outro ouviu Snape dizer:

– Acho que está esquecendo algo. — ele se referia a redação, a qual estendia de volta para ela.

– Acho que não preciso mais dela. Se puder ao menos jogar fora, eu ficaria grata. — o tom que Rowan usou ao dizer essa frase diferia de como tinha falado até agora, em poucas palavras trocadas, ela já ficou extremamente irritada com o comportamento de Snape. Agindo como se fosse a pessoa mais inteligente do universo, carregado de arrogância e superioridade, quem ele pensava que era?

"Seu professor. Que certamente tem mais poder do que você. E que poderia te dar uma detenção nesse exato momento só pelo fato de você respirar. Também um dos caras mais esquisitos e assustadores que existem." pensou.

– Seu tom insolente não me fará corrigir a redação, senhorita.

– Eu não...esqueça, acho que me expressei mal. — e dessa vez se virou e foi embora sem ser interrompida, saiu da sala escura e fria na qual tinha aula de poções e foi para o Salão Comunal de sua Casa, no sétimo andar, ela era uma Grifinória.

***

O escritório de Dumbledore era um lugar grandioso, em todo o sentido da palavra, era grande no tamanho, de fato, e mais do que isso, era belo, majestoso, bastava olhar ao redor para saber que ele não pertencia a qualquer um, mas à alguem importante e imponente.

Snape no entanto não gostava de estar ali, aquele lugar para ele era associado a problemas, afinal, sempre que era chamado e tinha de comparecer até ali, algum problema tinha de ser resolvido ou algo não estava bem. Ou as duas coisas. Geralmente as duas coisas.

Estava esperando já havia dez minutos. Vinte. Meia hora. Dumbledore às vezes passava dos limites. Meia hora naquele escritório, andando de um lado para o outro, vez ou outra sentando-se e observando Fawkes, a fênix, enquanto pensava no motivo que o levara até ali daquela vez. Estava a ponto de bufar pela décima vez num período de cinco segundos, quando a porta se abriu e os olhinhos fundos por trás do óculos meia-lua o encararam. Dumbledore chegara.

– Boa noite, Severus! — o velho sorria despreocupadamente, como se o fato de Snape ter ficado meia hora esperando-o não significasse nada, e talvez não significasse.

Dumbledore era um homem de muitos sorrisos, mas de todos os seus sorrisos, aquele era o que Snape mais detestava, aquele que parecia não se importar com absolutamente nada, como se a vida fosse perfeita. E havia um motivo específico para odiá-lo, a vida não era perfeita. E toda vez que Albus Dumbledore sorria aquele sorriso, passava a sensação de pessoa mais feliz do mundo, e Snape não sabia o que era felicidade havia muito tempo.

– Está uma bela noite, não é mesmo? Realmente bela. — Dumbledore olhou para o céu através da grande janela de seu escritório, Snape não respondeu. — Sabe, Severus, as vezes coisas que não esperamos acontecem e nos impedem de realizar outras coisas. Hoje, por exemplo, enquanto eu vinha pra cá, encontrei um aluno primeiranista sentado no corredor, muito interessado no livro que estava lendo, tanto que demorou para notar minha presença... — o velho diretor pausou, e encarou o homem todo de preto à sua frente. Snape não estava entendendo onde Dumbledore queria chegar com aquilo, mas ele continuou — quando percebi que ele lia Os Contos de Beedle, o Bardo, não pude deixar de comentar o quanto gosto de Babbit, A Coelha, e ele me disse que seu favorito era O Coração Peludo do Rei, com isso iniciamos uma conversa sobre o livro, e quando percebi, já haviam se passado vinte minutos, veja só — riu — e lembrei-me de que eu o havia deixado esperando, por sorte, você me esperou, perdoou meu atraso, e está aqui me ouvindo falar.

Snape ainda estava confuso. Do que diabos Dumbledore estava falando? Outra coisa que detestava eram seus rodeios para falar, seus discursos gigantescos para chegar finalmente no que importava. E o diretor ainda não havia terminado, continuou falando.

– Vejo que ainda não entende meu ponto, Severus. Você poderia ter ido embora, poderia ter saído dessa sala quando percebeu que eu estava atrasado, mas não o fez. Você aceitou meu atraso, por que não pôde fazer o mesmo à respeito da Senhorita Rowan Becrux hoje mais cedo?

Silêncio. Snape finalmente começou a entender, era sobre a aluna, aquela que mais cedo havia tentado lhe entregar uma redação fora do prazo, e ele não aceitou. Era sobre aquilo que Albus Dumbledore falava. O que não entendia era o motivo de Dumbledore tê-lo chamado para falar sobre aquilo, redações atrasadas nunca foram motivo para tal.

– Professor Dumbledore, acho que quem decide o que vou aceitar ou deixar de aceitar, sou eu. E, quando falamos de algo que pedi em minha aula, na qual eu leciono e sou especialista, cabe a mim deixar ou não que uma redação seja entregue. Esse tipo de decisão não é de governo do senhor.

Severus Snape não era do tipo que dizia "com todo respeito" no começo ou final de frases ácidas. Ele simplesmente dizia.

– De fato, não é. As decisões tomadas durante as suas aulas e que dizem respeito aos seus alunos são inteiramente suas. Mas existem casos onde pessoas tem de interferir e não deixar que uma injustiça aconteça. Esse é o caso aqui...

O olhar sábio por trás dos oculos encontraram e encararam os olhos negros e frios, como se estivessem silenciosamente se desafiando, decidindo de quem seria a palavra final.

– Sabe, Severus... A mãe da senhorita Becrux estava grávida, e na semana passada a criança ia nascer, mas como eu lhe disse agora a pouco, imprevistos acontecem, e nem sempre são tão agradáveis como encontrar um garotinho com um livro.

Pausa. Agora Dumbledore estava chegando aonde queria, aonde planejava chegar desde que começou seu discurso introdutório, e Snape estava aflito com a tensão criada por todo o diálogo anterior.

Maldito seja, começa suas conversas sorrindo como se tudo estivesse bem, só para depois esparramar as más notícias, ele sempre faz isso. A cabeça de Snape estava prestes a explodir.

– O pai de Rowan matou a mulher, e consequentemente, o bebê. Os assassinou em sua própria casa, usando a maldição imperdoável da morte. Depois ele mesmo chamou o Ministério da Magia até o local, onde o encontraram em estado de choque ao lado do corpo, os que estavam lá disseram que ele parecia absurdamente atordoado e fora da realidade, como se tivesse saído de um transe. Ele foi levado à Azkaban, e a mulher enterrada no dia seguinte. Rowan foi avisada no mesmo dia do ocorrido e levada da escola até o Ministério para que pudessem analisar sua situação, antes, é claro, foi acompanhada até o enterro da mãe.

O corpo de Snape estava paralisado, digerindo o que acabara de ouvir. Dumbledore, que permaneceu parado enquanto falava, finalmente se movimentou, andando, com as mãos atrás do corpo e parando a poucos metros dele.

– Como pode ver, professor, acho que isso é motivo o suficiente para que ela possa atrasar uma redação, me admira muito, inclusive, que ela tenha sequer se dado ao trabalho de fazê-la, dadas as circunstâncias. É normal também que a menina não queira falar sobre o assunto, por isso sinto que tenho o dever de fazê-lo. E fiz. Ainda assim, é da sua aula que estamos falando, portanto a decisão ainda cabe à você. Isso é tudo, tenha uma boa noite, Severus.

E dizendo isso, Dumbledore virou-se e foi até Fawkes, acariciando-a e agindo como se aquela conversa nunca houvesse ocorrido. Snape permaneceu estático por alguns segundos antes de caminhar rapidamente até a saída, com a capa esvoaçando atrás de si. Antes de sair, no entando, não resistiu em perguntar:

– O senhor disse que o Ministério analisou a situação da aluna, qual era? Quero dizer, como ela vai ficar após isso tudo?

Severus podia jurar que viu a boca fina do diretor mover-se um pouco, num quase-sorriso.

– Como ela vai ficar, só o tempo irá dizer, eu receio. O Ministério chegou a conclusão de que não há o que fazer, uma vez que a menina está a quatro meses de completar sua maioridade bruxa e não tem nenhum parente vivo do qual se saiba. O que resta à ela é terminar suas atividades escolares em Hogwarts, por ora, e depois, bem...torço para que ela consiga ter uma vida normal.

Nenhuma reação se formou no rosto de Snape, e dessa vez, quando virou para sair da sala, não parou mais, seguiu na direção das Masmorras, onde ficavam seus aposentos, caminho que conhecia tão bem que seguia quase cegamente, um vulto negro flutuando pelos corredores de pedra.

Notas finais
Oi de novo. Primeiro capítulo devidamente postado, e se você está lendo isso aqui, espero que tenha lido o capítulo e tenho que perguntar, o que você achou? Gostou? Odiou? Vai lá nos comentários e me fala, que eu vou adorar saber!Sugestões, críticas (construtivas), dúvidas, elogios, não-elogios, podem deixar tudo isso nos comentários, por favorzinho. Espero que tenham gostado!