Intocável
1 Único - Intruso
Notas iniciais
Enfim, essa é one mais longa que eu fiz sem lemon, e mesmo assim eu acho que as coisas aconteceram rápido demais ç3ç Eu acho que nao consegui deixar bem claro os sentimentos do Matt e do Mello tb, mas espero que gostem mesmo assim *w*
Fic nao betada pq minha beta tá cheia de provas e eu nao resisti a postar rçrçrçrçr
Bem, é isso ♥
Boa leitura ♥
Era uma tarde nublada, mas Matt gostava de dias assim, combinavam com seus sentimentos. Eram palavras bastante anormais para pessoas de sua idade, mas quem disse que Mail Jeevas era uma criança muito normal?
Com cinco anos de idade, já tinha morado em mais orfanatos do que conseguia contar, ou seja, era novo na Wammy’s House.
Não sabia o porquê de estar ali, afinal, era um orfanato só para crianças superdotadas, crianças realmente geniais. O garoto tinha feito alguns testes e tinha quase certeza que não tinha se saído muito bem, não que ele tivesse visto os resultados, mas convenhamos, uma criança que só ficava jogando vídeo game não conseguiria tirar uma nota muito alta, certo?
Pois é, essa era a lógica do pequeno Mail.
Sem falar que era a explicação mais decente que achara para todos os garotos – e algumas garotas – estarem implicando tanto com ele.
Matt realmente odiava aquilo tudo. Se sentia um intruso. E ele não estava ali há nem um dia!
Ele odiava se sentir não aceito como estava acontecendo. Na real, odiava se sentir sozinho. Ele já não tinha grandes objetivos, – por “grandes objetivos”, na sua mente (não tão) infantil, significava achar seus pais, afinal, essa era a meta de todas as criancinhas que conhecera. Ele sinceramente achava aquilo algo desnecessário e irrelevante. Sempre que falava aquilo para os outros, se sentia menos aceito ainda.
Poxa, ele só tinha cinco anos, a vida deveria ser mais fácil e parar de complicar.
Ou será que era ele quem complicava tudo?
Suspirou triste com o rumo que seus pensamentos estavam tomando, por que ele não conseguia pensar em coisas mais felizes?
Escorou-se no tronco de uma árvore, deixando suas costas deslizarem calmamente sobre o caule, até seu traseiro encontrar o chão. Tirou o seu game boy do bolso do seu grande e grosso casaco, ficando emburrado. Provavelmente logo os idiotas iriam o achar e ficar chateando-o.
Ah sim, vamos a um breve resumo sobre o dia de Matt até aquele instante: Depois de conhecer o orfanato e seu aposento, – tendo a notícia “agradável” que teria um colega de quarto – esbarrara com um dos grandalhões que gostava de bater nos outros; e ao dar uma resposta não muito educada para a outra criança, levou um soco e uma ameaça de morte se não corresse. Disparou em direção ao jardim com o guri em seu encalço, ele parecia ser mais burro do que ele. Ótimo, poderia ter uma pequena vantagem. Fingiu que ia para o lado da pracinha, se escondendo atrás de um arbusto enquanto observava o garoto correr para o local. Perfeito, ele com certeza ficaria algum tempo tentando acha-lo no meio de tantas pessoas. Se dirigiu ao lado contrário de onde o garoto havia corrido, logo achando um lugar quase vazio, onde se encontrava naquele momento.
—Uh? Então é você que é o garoto que todos estão comentando? – Levou um susto, afinal, a frase foi dita contra seu pescoço. Olhou para o lado, se deparando com um garoto que parecia ter mais ou menos sua idade, possivelmente era alguns poucos anos mais velho. O garoto tinha cabelos louros num corte chanel. Estava com uma calça de moletom escura e um casaco preto tão grosso quanto o seu. Em uma de suas delicadas e brancas mãos segurava uma barra de chocolate pela metade. – O que está fazendo aqui?
—Eu estava cansado de ficar ouvindo os outros me zoarem, então comecei a andar pelo jardim e por acaso achei esse lugar. – resolveu que o melhor seria mentir, mesmo não sendo total mentira. — E o que você faz aqui?
—Bem, digamos que aqui é meu “lugar secreto”. Quase ninguém vem nessa área, não sei o motivo disso. Então eu gosto de vir aqui para relaxar, ou fugir de algum sermão. — Sorriu amarelo, fazendo Matt curvar seus lábios num mini sorriso. – Qual o seu nome?
—Matt, e o seu?
—Mello.
Mello. Mello. Mello. Mello
Já havia escutado esse nome em algum lugar, naquele mesmo dia...
Ah sim!
“Mello irá adorar socar esse ruivo.”
A frase foi murmurada enquanto estava visitando alguma ala qualquer do orfanato.
Olhou com o canto dos olhos para o garoto ao seu lado e torceu o nariz, enfiando seu game boy novamente no bolso. Se apoiou no chão e levantou-se, sem nem olhar para a cara do garoto.
—Hey, onde está indo? – Indagou o loiro franzindo suas finas sobrancelhas.
—Não preciso de mais alguém para me bater, foi para isso que você veio aqui, não? – Murmurou irritado, ouvindo o loiro gargalhar. – O que foi?
—Bem... Os boatos correm tão rápido assim? – Mello falava entre risos, fazendo Matt ficar tão vermelho quanto seu cabelo. – Quase sempre brigo com as pessoas; e quase nunca apanho, isso é um fato. Mas eu não vou bater em você. Por algum estranho motivo eu acho você legal. Vem, se senta aqui, quero ser seu amigo. – Falou timidamente, dando um sorriso reconfortante em direção ao ruivo.
O que?
Mello queria ser seu... Amigo?
Repetiu aquela frase alguma vezes em sua cabeça, logo sorrindo abertamente. Voltou à árvore e se sentou ao lado do garoto, sem nem se importando se fosse apenas uma simples mentira.
Logo começaram um novo assunto, e Matt se divertiu falando com o garoto como há muito tempo não fazia.
Realmente, eles poderiam ser grandes amigos.
MxM
Mello estava deitado em sua cama, encarando o teto.
Ele deveria estar orgulhoso, afinal, o seu plano dera certo.
...
Não, isso era mentira.
Não era isso que ele queria. Mello simplesmente se esqueceu do simples fato que sua vida não era um filme de romance, então Matt nunca ficaria correndo atrás dele para sempre. Todavia, foi por isso que ele criou o “plano”, se é que aquilo poderia se chamar de plano. Ele só queria se afastar de Matt por fazê-lo sentir coisas tão estranhas, alguma espécie muito louca de “afeição”.
Então o plano poderia melhorar tudo. Eles iriam ficar separados e não se veriam mais. Pouco a pouco o sentimento iria sumindo, sem dor nenhuma.
Isso, antigamente, parecia algo genial.
Mas agora estava tudo pior. Doía cada vez mais e realmente precisava ficar perto do outro garoto.
O tal do plano era simplesmente ignorar o seu amigo, sendo frívolo com ele e dobrar seu tempo com Near, assim teria alguém para se distrair.
Por dois dias, o ruivo tentou agir normalmente, sempre perguntando o que estava acontecendo com o viciado em chocolates, mas depois de um tempo, ao ver que o louro estava o evitando e passando tempo demais com Near, desistiu de tudo.
Então nas semanas seguintes ele quase nunca via o ruivo, sendo que dividiam o quarto. Só o via de madrugada, quando se levantava para tomar água ou ir ao banheiro, já que o garoto dormia mais tarde e acordava mais cedo que si.
Era tudo o que ele queria. Mas, por que doía tanto?
Bagunçou os cabelos e levantou-se da cama. Como o esperado, Mail não estava mais ali. Suspirou, pegando uma muda de roupa qualquer e rumou ao banheiro. Fez sua higiene matinal, se vestiu e penteou seus cabelos. Pegou algumas barras de chocolate e enfiou-as em seu bolso, como já passara do meio dia, havia perdido o horário do almoço.
Rumou em direção à sala de brinquedo, adentrando-a grosseiramente. Near, como esperado, estava ali no centro da sala, montando um quebra-cabeça.
Mello caminhou até algum canto, meio afastado do albino sem o dirigir uma palavra. Não estava a fim de implicar com o garoto, só não queria ficar sozinho. Ultimamente era isso que ele fazia para não ficar perto de Matt; se sentava na salinha e ficava observando o garoto de olhos negros montar seu quebra-cabeça, sem nenhuma emoção. Ele passava boa parte de suas tardes ali, viajando em seus devaneios e às vezes dormindo.
—Até quando você vai ficar negando que gosta do seu amigo e ficar aqui, me enchendo o saco? – Falou a voz do garoto albino sem nenhuma emoção, ainda concentrado no seu jogo.
—Eu nem converso com você. – Retrucou, tirando uma barra de chocolate do bolso, abrindo-a brutalmente.
—Sua presença me incomoda, mas não é sobre isso que estamos falando. Eu sei que você gosta do Matt, então desista desse plano... Ah, por falar em plano, ele é uma merda. Esperava mais de um sucessor do L... – Murmurou pegando suas cartas, havia acabado de resolver seu novo quebra-cabeça.
—Huh? Como você sabe do plano? Está me espiando, nuvem escrota? – Falou nervosamente, nunca perdendo a pose debochada.
—Você fala – e baba – enquanto dorme, Mello. Vá logo atrás dele e me deixe em paz. Isso aqui não é novela, o destino não irá fazer nada por você. Se você realmente quiser algo irá ter que correr atrás.
—...Desde quando você se importa com os outros? – Retrucou calmamente, se levantando do seu canto e chutando a base do castelo de Near, fazendo as cartas se espalharem ao seu redor. – Obrigada.
—Não me importo com os outros, só com você, Mello. – Murmurou para si mesmo, esperado que o loiro não tivesse ouvido. Juntou as cartas espalhadas e voltou a monta-las distraidamente.
MxM
Mello sentia-se tão ridículo. Levou lição de moral de um pirralho basicamente sem emoções, afinal, até o albino sabia do que estava sentindo e ele não.
Então... Aquele sentimento que sentia para com o garoto ruivo era saudades da sua companhia?
Qual é? Mihael Keehl não podia se apaixonar tão facilmente, não pelo seu amigo.
Nesse momento, vários flashes invadiram sua mente. Todos os momentos que estiveram juntos, desde os 5 até esses abomináveis 14 anos, estavam ali, passando pela sua mente. As brigas, as brincadeiras, as conversas, os jogos... Os sorrisos que o ruivo direcionava para ele.
Merda. Merda. Merda. Merda.
É, o albino tinha razão. Ele estava apaixonado, na real, ele sabia disso há séculos, só não queria admitir. Fez o plano pelo medo do sentimento não ser recíproco... Fez o plano porque tinha medo de Matt. O ruivo tinha tudo de si para ele, tudo. Isso era no mínimo assustador.
Mas como Mello ficava?
Balançou a cabeça e apressou o passo, acabara de admitir isso para si mesmo, não era hora para ficar fazendo tantas perguntas.
Notou que na parte de fora pequenos pingos de chuva começavam a cair. Ótimo cenário.
Finalmente chegou à porta da frente e correu em direção a um determinado ponto. Se Matt não tivesse ali, tinha certeza que não acharia mais o ser ruivo.
Não conseguiu deixar de sorrir. Às vezes as coisas realmente aconteciam rápidas, não fazia nem meia hora que o albino havia falado consigo mesmo e já tinha o feito admitir esse sentimento.
O esbranquiçado era realmente objetivo, e Mello, burro.
MxM
Matt estava sentado ao pé de uma árvore, escorando suas costas no tronco. Estava encolhido, com suas pernas contra o seu corpo. Seu vídeo game estava repousado no topo de seus joelhos.
Por mais que estivesse passando com facilidade pelas fases do jogo, aquilo era a última coisa em que ele estava prestando atenção.
Sua mente estava vagueando, a todo custo tentando não pensar num certo loiro.
Desde aquele dia em que supostamente viraram amigos, ele sentia coisas estranhas em relação ao outro garoto, quando era pequeno achou que era uma admiração boba, já que o louro sempre o protegera e brincava consigo.
Entretanto, conforme começou a crescer e os hormônios aparecerem cada vez mais, notou que era uma coisa muito além daquilo. Chegara a essa conclusão quando começou a ter sonhos nada castos com o outro garoto. Vergonhoso, não?
É, depois de um tempo teve que admitir que gostava do rapaz.
Ele era um dos principais motivos que mantinha o jovem ruivo ali. Ele se sentia realmente excluído naquele local, sentia-se como se fosse um intruso.
No final, as coisas não mudaram quase nada nos últimos nove anos em que esteve ali.
Mas tudo estava bem, se pelo menos tivesse a amizade do loiro. Possivelmente com o tempo ganharia seu amor...
Tudo começou a piorar quando entrou um novo garoto na Wammy’s House, um rapaz tão branco como uma nuvem; seu nome era Near.
Mello desenvolveu uma rivalidade nada saudável com o rapaz, ao ponto de só falar e pensar nele.
Na mente enciumada de Matt, o amigo se apaixonara por aquele pirralho sem emoção.
Mas tudo bem, afinal, eles ainda seriam amigos. O ruivo não se importava, só queria manter Mello perto de si o máximo possível.
E mais uma vez, errado.
Fazia algumas semanas em que Mello havia mudado sua atitude para com si. Sempre o ignorava, cortava seus assuntos e passava tempo demais com o albino.
Oh, tudo bem.
Matt não iria ficar correndo atrás de Mello, sabia que o rapaz nunca gostaria de uma pessoa sem graça como ele. Só ia se machucar cada vez mais.
Por isso, passou a evitar o máximo possível encarar o outro – por mais que às vezes ficasse o observando dormir – e passava o dia todo jogando vídeo game, raramente até lia, naquela mesma árvore em que começou a falar com o outro garoto.
Por que tudo tinha que estar relacionado à Mello?
Sentiu algumas gotas molharem seus cabelos e olhou para o céu, notando que havia começado a chover.
Guardou seu game boy, não queria que uma de suas principais distrações parassem de funcionar. Se encolheu ainda mais, estremecendo ao sentir as gotas tão gélidas contra sua face. Mas não iria sair dali. Não queria entrar, não queria encarar ninguém, afinal, ele era apenas um garoto indesejado. Ele sabia que desde que chegara naquele local ninguém, isso mesmo ninguém, queria sua companhia.
Só Mello. Maldito garoto louro que invadia sempre seus pensamentos.
Riu sem humor, afinal, nem Mello queria mais sua companhia. Que coisa mais patética.
Ouviu passos não muito longe de si, mas não moveu um músculo. Aqueles passos determinados e fortes, conseguia até ouvir os resmungos. Tinha uma breve noção de quem era.
Os passos pararam, mas mesmo assim Matt continuou na mesma posição, ignorando a pessoa que estava o encarando.
—Olhe para mim, por favor... – Ouviu a voz sussurrar, um tanto quanto fragilizada. Cerrou os olhos, aquele com certeza era Mello. Havia acertado totalmente seu palpite, não que isso fosse uma coisa boa.
Lentamente se levantou com, encarando o garoto encharcado a sua frente.
—O que você quer? Cansou de Near? – Retrucou Matt indiferente, se levantando do local onde estava sentado. O loiro começou a encarar os próprios pés, havia ido ali com o intuíto de resolver tudo, mas não sabia o que dizer. Ele tinha magoado o amigo, então teria que ser delicado. Sim, delicado.
Mas como raios faria isso se era a personificação da brutalidade?
Suspirou fundo, o primeiro passo era pedir perdão:
—Me desculp... – O loiro não conseguiu concluir sua frase, pois foi interrompido por um baque em sua cara que o fez cambalear e cair de bunda no chão. – Doeu...
Mello olhou para cima, se deparando com Matt ainda com os punhos cerrados.
Ele havia o acertado um soco. Wow.
—Você não entende, não é? Isso é como se fosse um castelo. Você é o amado príncipe, que mesmo tendo um temperamento horrível e violento é admirado pelos seus súditos. Near é sua amada princesinha, que invade seus pensamentos e irá te levar para um “felizes para sempre”. E eu? Ora, eu sou somente um empregado sujo, um patife, um indesejado. Ninguém suporta minha presença, eu sou o cara que todo mundo olha com nojo. Eu sou o cara que as pessoas olham dizem que nunca irá ter um “feliz para sempre”, como se eu não tivesse qualquer tipo de sentimento. Mas o pior de tudo é que eu sou o cara que ama o principezinho podre.
Mello encarava o outro rapaz estático, que atirava aquelas palavras com uma frieza que o louro jamais imaginaria que existisse nele. Era assim que o garoto se sentia? Tinha que admitir, era um tanto deplorável. Mas não era de todo uma mentira, por algum motivo ninguém gostava do ruivo, Mello era seu único verdadeiro amigo e havia realmente o abandonad... Espera.
Matt era apaixonado por si?
O que?
Ele acabara de dizer isso, não?
Não acreditava que o sentimento era recíproco. Sentiu uma felicidade o invadir, ficou feliz ao ponto de sorrir. Ia abrir a boca para desmentir o fato de Near, mas da mesma não saiu nenhum ruído, não ao encarar o rapaz em sua frente.
Matt estava chorando.
Podia não parecer, mas Matt nunca demonstrara sentimentos assim, nem nunca havia chorado. Pelo menos não na sua frente.
—Do que você está rindo? – Suspirou triste, olhando para o céu, sentindo cada vez mais as gotículas molharem mais forte sua face. Não acreditava que finalmente conseguira desabafar, mas o sorriso de Mello o quebrou. Por que ele tinha que sorrir? Era preferível ele o socar, esfregar seu rosto no chão, o chamar de inseto e de todos os xingamentos existentes.
Mas não.
Ele deu um sorriso.
A porra de um belo sorriso que mostrou todos os dentes.
Ele estava feliz com sua tristeza, que empolgante.
—Vá embora, pesadelo loiro. Isso é que nem quando nos tornamos amigos, é tudo por pena. Eu não preciso da sua pena. Volte para sua coisa branquela e não me encare mais. Espalhe para todo mundo que eu sou gay, não ligo em ser motivo de chacota, afinal, eu já sou.
Virou-se de costas para Mello, limpando os resíduos das lágrimas dali. Não entendia o porquê de falar aquilo, só vazou de sua boca. Como todas aquelas outras verdades. Não sabia se era o momento oportuno, mas não aguentava mais guardar para si.
Colocou a mão por cima do peito. Realmente, doía mais do que imaginara.
Começou a andar, mesmo não sabendo para onde iria. Talvez falaria com alguém para o tirar dali, ou fazer algo ruim o suficiente para ser expulso...
Mello, por sua vez, ficou encarando o garoto por um tempo e deu um sorriso de canto com a ingenuidade do mesmo. Matt sempre fora o pior dos pessimistas.
Ele não se importava com as palavras cruéis que o garoto havia jogado para cima de si, afinal, ele tinha razão. Mello era de alguma forma, podre.
Mas quem não era?
Se levantou meio zonzo, massageando de leve sua bochecha. Desde quando o garoto havia ficado tão forte? Balançou sua cabeça, não era hora para ficar pensando em coisas tão sem noção.
Andou rapidamente em direção ao seu amado – sentia-se tão estranho falando coisas desse tipo – e deu uma rasteira no mesmo. O garoto caiu com um ar surpreso, e antes de conseguir esbanjar qualquer reação violenta, sentiu seu corpo ser levantado e posto nos ombros do outro, que estava marchando em direção ao seu “lar”.
Mello estava carregando-o que nem um saco de batatas, rindo loucamente da reação de Matt.
—Porra Mello, me solta, sua vadia loira. – Berrava Matt enquanto se debatia. Em resposta, o loiro levou sua mão até seu traseiro, dando uma leve apertada no local. O ruivo trincou os dentes, aquele garoto estava implorando para morrer.
—Se acalma ai, por favor. Não estou a fim de cair. – Respondeu simplesmente, o que fez o ruivo parar. Realmente, iria doer bastante se caíssem. Mas por que ele tinha que continuar com a mão ali?
Continuou a andar, sem nem ligar para os olhares chocados que os outros habitantes da casa os lançavam. Havia alguns que até tiravam foto. Não era normal ver o “valentão” carregando a “escória da Wammy’s” por ai, ainda mais com uma mão completamente boba.
As crianças daquele orfanato eram realmente gentis, não eram?
Mello riu pelo nariz. Por mais que Matt o comparasse com um príncipe, ele estava longe de ter essa imagem, mesmo que as pessoas do local realmente o respeitasse como se ele realmente fosse um. Mas isso era óbvio, ninguém queria puxar briga com um loiro maníaco por chocolate. De todos os valentões que existia ali, Mello sem duvida era o líder deles. E consequentemente, o pior.
Rapidamente, Mello adentrou o quarto em que dividiam e jogou o ruivo em cima de sua cama, que era a parte de baixo da beliche.
Mello sentou-se ao lado de Matt e o encarou sério.
—Mas que di...?
—Temos que conversar, Matt. – Cortou a frase do outro, encarando-o no fundo dos seus olhos. – Pegue uma muda de roupa e vá se trocar no banheiro. Seu corpo está tão molhado quanto o meu, eu vou me trocar aqui. Não vou tirar os olhos de você, não quero que fuja.
Matt semicerrou os olhos, pronto para dar uma resposta nada educada. Mas para que? Naquele momento não iria ajudar em nada e não queria mais confusão.
Por fim, suspirou e foi em direção à sua parte do roupeiro, pegando sua típica camisa listrada e uma calça jeans preta. Foi pro banheiro resmungando algo inaudível. O chocólatra tinha quase certeza que era um “vá se foder”.
Quando ouviu a fechadura do banheiro estralar num “click”, tirou rapidamente suas vestes e as jogou no cesto de roupas sujas, logo procurando uma toalha pra se secar. Colocou um de seus pijamas secos, e por cima do mesmo um grande moletom que havia ganhado de L no seu último aniversário. Sentou-se em sua cama, brincando com seus dedos. Estava realmente nervoso e feliz, muito feliz. Ele nunca conseguiria acreditar que o sentimento era recíproco, sempre achara que essas coisas de namoro eram quase que sonhos utópicos ou mentiras. Mas, depois de ouvir Matt se declarar – mesmo que de uma forma estranha e não muito direta – teve certeza que não era mentira.
Logo ouviu a porta ser aberta e de lá sair o ruivo, que se sentou ao seu lado o encarando.
—Vai rir de mim agora?
—Por que eu faria isso?
—Por que não faria? – Respondeu irônico, já estava começando a se irritar com aquilo. Qual era o problema de Mello? Precisava se enrolar tanto para dar um fora? E seu pessimismo o atacara novamente.
—Por isso. – Se inclinou em direção ao ruivo, colando os lábios num simples selinho. Mello não era bom em palavras, sempre fora impulsivo. Achava que não havia forma melhor de demonstrar seus sentimentos.
Separou-se de Matt tão rápido quanto se aproximou, olhando com expectativa para o ruivo.
Vendo que o ruivo ainda estava sem reação, rolouás os olhos e retomou sua fala:
—Me desculpa por tudo, sério. E-Eu fiz aquilo tudo de te ignorar porque eu estava com medo... – Falou suspirando fundo, corando ao notar que Matt o encarava como se quisesse saber mais, finalmente saindo do transe. A mente de Mail estava em branco, sempre teve tanta certeza que Mello o daria um fora... Mas ainda havia uma imensa chance.
—Medo do que?
—De... De... Me apaixonar por você, mais do que já estava... – Falou num fio de voz, olhando para os próprios pés por conta da vergonha. Mello se sentia uma pessoa deplorável por ter aquelas reações, esse era o lado ruim de não saber controlar suas emoções.
—E-Então você gosta de... Mim? – Matt murmurou apontado para seu rosto, ainda estranhando isso. Ele nem se importava com o que acontecera antes, quer dizer, com o quão triste havia ficado há pouco tempo.
Mello, por sua vez, acenou a cabeça afirmativamente, apertando a barra de seu moletom cada vez com mais força.
—B-Bem, mais cedo você me comparou com um príncipe, até ai tudo bem, mas eu não tenho uma princesa, e ela nunca seria Near. – Fez um careta, arrancando um pequeno sorriso de Matt. – Entretanto, tem uma pessoa que eu sempre quis que fosse minha princesa; e ela é você. – Murmurou tudo de uma vez, tendo vontade de cavar um buraco no chão, que de tão fundo dar um “olá” para o diabo. Sim, ele estava agindo como uma pessoa patética, mas não se importava com aquilo.
—E-E-Eu? – Gaguejou Matt, dando um beliscão no braço. Precaução é tudo. Num impulso, atirou seu corpo contra do loiro, abraçado o fortemente, só para ter certeza que ele não fugiria. – Mas é claro, você ainda tem dúvidas?
—Então... Somos namorados?
—Obviamente.
—Era só o que eu precisava saber. – Com calma, segurou o queixo de Matt, fazendo-o encarar. Lentamente se aproximou do outro, selando seus lábios. O ruivo rapidamente pediu passagem, a qual foi concedida sem delongas. Trocaram um beijo calmo e de certa forma, romântico. Suas línguas se acariciavam amorosamente, fazendo um calor tomar conta de Mello e Matt, principalmente naquela região. Logo intensificaram o beijo, Matt levou as suas mãos ao pescoço de Mello, rodeando o mesmo, puxando-o pra cima de si.
Mello caiu em cima do corpo do gamer um pouco surpreso, nunca achara que Matt iria tomar atitudes daquele tipo. Instintivamente, introduziu uma de suas mãos dentro da camisa do garoto, acariciado sua pele levemente. Sentiu os pelos do outro se eriçarem, tanto por causa do carinho quanto pelo choque da mão gelada de Mello em sua pele quente. Ele arranhava levemente seu tórax, fazendo-o suspirar baixinho.
Matt desceu uma de sua mão em direção ao traseiro do chocólatra, enquanto a outra arranhava levemente sua nuca. Ele começou a apertar a região, o que fez Mello gemer um pouco alto de prazer. O ruivo apertava sua bunda não muito forte, nem muito fraco, mas sim de uma forma inteiramente erótica, o que fazia o rapaz se perguntar onde o garoto havia aprendido a fazer aquilo.
Quando o ar fez falta, se separaram e o loiro saiu de cima do ruivo, que pediu desculpas pelo ataque repentino. Mello só acenou com a cabeça, não se arrependia de nada, muito pelo contrário, mais tarde queria sentir mais daquelas carícias.
Por fim, puxou o garoto excluído para o seu colo e entrelaçou seus dedos branquelos com os fios de cabelos avermelhados do outro rapaz, fazendo um leve carinho.
—Vamos jantar? – Falou gentilmente, ouvindo o outro rapaz soltar um muxoxo de reprovação, se encolhendo contra o seu peito. – Vamos Matt, desde quando você é um pirralho mimado?
—É que eu não estou com fom... – Antes de terminar a frase, sua barriga roncou, fazendo o outro rapaz rir.
A contragosto, Mail se levantou e o mandou calar a boca, dizendo para irem logo.
Mello deu de ombros e entrelaçou sua mão na do ruivo, saindo porta a fora. Era 19:30, o refeitório estava recém começando a servir a janta.
Olhou com o canto dos olhos para o gamer ao seu lado, deixando um sorriso escapar. Não acreditava que estava, bem, namorando.
Lembrou-se de Near, por mais que odiasse admitir, tinha que agradecer ao albino.
...
Tch, ele que se foda, tinha coisas mais interessantes a fazer. Sorriu malicioso, apertando mais forte a mão do seu ruivo.
Mello com certeza não era um rapaz religioso, mas estava rezando para a noite ser longa.
Notas finais
Sério pessoas, preciso da opinião de vocês sobre essa joça lol
Críticas, xingamentos e elogios são muito bem vindos, então fale comigo ♥ ~le carencia~
Enfim, é só ♥
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