Into the Potterverse
17 Extra 2 (Universo Jilian)
Muitos poderiam dizer que era uma loucura organizar um casamento no meio de uma guerra, mas Jilian discordava. Casamento era um momento de celebração, um momento de esperança por um futuro melhor, um momento em que poderiam distrair os seus pensamentos do que estava acontecendo lá fora.
De quantas pessoas estariam morrendo.
De quais seriam os próximos passos dos Comensais da Morte.
Até aquele momento as coisas estavam tranquilas. O Ministério da Magia ainda existia, apesar de ser inútil em combater a ameaça. Harry ainda estava em Privet Drive 4, ainda estava seguro.
Era uma pena que ele não pudesse estar presente.
E, bem, Fleur e Bill concordavam sobre o seu ponto de vista sobre casamento, ou não estariam organizando um para dali a algumas semanas.
Porém, o casamento de Remus e Tonks seria mais discreto.
Só ela sabia o que tinha passado para fazer aquele cabeça dura parar de ser tão teimoso. Toda aquela ladainha de “sou velho demais, sou pobre demais e sou perigoso demais”. Era uma sorte que tivesse Sirius para ajudá-la naquele plano, apesar de ter demorado mesmo assim.
Ele ainda decidiu se infiltrar entre os lobisomens no ano anterior, deixando todos enlouquecidos: ela, Sirius e obviamente Tonks.
Lembrava-se da noite em que a auror foi para Hogwarts atrás de Dumbledore depois de escutar os boatos de um ataque em um acampamento de lobisomens. Elas ficaram juntas aguardando um tempo angustiadas por notícias.
Mas agora aquilo tinha acabado.
Todos estavam bem e ficaria tudo bem no final.
Estava distraída ajeitando um vaso de flores quando escutou um sussurro em seu ouvido:
— Você está mais linda do que no Baile de Inverno.
— Dois passos de distância, ou meu pai vai dar um chilique — Jilian o alertou, apesar de estar sorrindo.
— Acho que não só seu pai.
Ela olhou para trás de onde Cedric estava, vendo Sirius olhar suspeito para os dois, enquanto tomava um gole de vinho lentamente.
Ele devia se achar dentro de “O Poderoso Chefão”.
— Um dia eles se acostumam — ela deu de ombros.
Era uma pena que não pudesse ter suas amigas por perto, mas pelo menos tinha conseguido convencer seu pai a deixar que convidasse Cedric.
Ele provavelmente se arrependeria disso.
— É uma sorte que eu não saiba ler pensamentos — ele disse.
As coisas eram um pouco complicadas.
Quem dizia que idade não fazia diferença, não sabia do que falava. Bom, pelo menos quando uma das partes estava em Hogwarts, a idade fazia muita diferença.
Era difícil passar tanto tempo comunicando-se apenas por carta, mas aquele seria o seu último ano escolar e então eles poderiam se ver todos os dias, se ela decidisse entrar para o Ministério. Se ele continuasse lá também. Não achava que criaturas mágicas eram a sua paixão a ponto de querer permanecer no mesmo departamento de seu pai.
Mesmo assim as coisas pareciam distantes demais de acontecerem.
— Não posso dizer o mesmo — Jilian sorriu.
Ela deu uma boa olhada no padrinho de Harry antes de puxar o namorado para um beijo.
Cedric às vezes era comportado demais.
— Queria ter tido coragem para fazer isso no Baile de Inverno — ele murmurou para ela, que riu em resposta.
— Bom, pelo menos você teve coragem para me convidar — ela deu uma piscadela para ele — Vou ver como a noiva está.
Pôde ver os senhores Weasley conversando com Kingsley em um canto.
Apesar de toda a máscara de descontração, sabia que todos ali estavam em alerta e tensos. Não que pensassem que os Comensais da Morte descobririam daquela cerimônia e atacariam, mas precaução nunca era demais.
Basicamente, alguns colegas da Ordem e os filhos Weasley estavam ali.
Ela riu sozinha quando captou um pensamento proposital de Ginny dirigido a ela. Tanto a ruiva quanto Hermione amavam ficar implicando com ela por causa de Cedric, mas a nascida trouxa não pôde estar presente. Ainda estava na casa de seus pais, mas se uniria aos outros para a transferência de Harry de Privet Drive.
Seu pai tinha a proibido expressamente de participar, mas Rony também tinha sido e participaria mesmo assim. Talvez o problema fosse o lance do rastreador, já que ela só se tornaria maior de idade no final de julho.
Nessas horas imaginava o quão bom seria ser avaradora como Amber.
Como seria que elas estariam enfrentando aquela guerra?
Bateu na porta do antigo quarto de Tonks antes de entrar.
— Ele ainda está lá? — a noiva perguntou.
— Nymphadora, fique quieta! — Andrômeda estressou-se, tentando ajeitar o seu vestido.
— Não me chame de Nymphadora, mamãe! — Tonks protestou.
— Como espera que te chamemos agora? — Jilian implicou com ela — É a mesma coisa que alguém me chamar de Potter, ninguém sabe se está falando comigo ou com Harry.
— Ah, cale a boca.
Mas ela pôs as mãos nas bochechas, tentando impedi-las de ver o seu sorriso.
— Sim, ele ainda está lá — ela respondeu atrasada à sua pergunta — Eu deveria assegurá-lo de que você ainda está aqui.
— Quer levar o meu sapato? — Tonks ofereceu.
Andrômeda fechou a cara no mesmo instante.
Elas estiveram brincando nas últimas semanas sobre como o salto branco que ela emprestou para a filha parecia uma arma letal de tão fino que era.
Todo mundo tinha certeza de que a mulher cairia de cara no chão assim que começasse a caminhar em direção ao altar.
— Oh vamos, Nymphadora, você consegue — a mais velha insistiu.
— Eu não posso mesmo calçar as minhas botas?
Jilian saiu do quarto assim que escutou o som de ultraje de Andrômeda.
Sabia que no final das contas ela calçaria uma sapatilha e ninguém nem notaria os seus pés por baixo do longo vestido.
Sirius estava, é claro, debochando da cara do amigo.
— Você ainda está aqui? Que ótimo! — exclamou Jilian, assim que entrou no quarto em que ele estava se arrumando.
— Eu não deveria... — Remus murmurou.
— Se você deixar a minha prima no altar, eu juro por Deus, Remus John Lupin... — Sirius o ameaçou.
— Pai, você está lindo! Ela está linda! Vocês são o melhor casal que eu já conheci — ela pôs a mão em seu braço, dando um abraço de lado nele.
— É mesmo?
Antes que Sirius começasse a provocá-la por causa de Cedric, ela movimentou a varinha para silenciá-lo.
— Lia — Remus a repreendeu.
— Eu estou aqui para representar os meus pais — ela disse, olhando-o através do espelho — Eles devem estar comemorando muito de onde estão por você estar se permitindo viver.
Ele não respondeu.
Ela tirou o feitiço silencioso de Sirius antes de sair.
O casamento nem tinha começado e ela já estava quase borrando a maquiagem.
A festa foi inesquecível. Era o primeiro casamento que Jilian presenciava e ela decidiu que aquela seria a sua lembrança mais feliz, a que alimentaria o seu patrono por um bom tempo.
Gostaria que Harry estivesse lá para ver aquilo.
A parte mais engraçada da festa foi quando o buquê parou nas suas mãos. Ela e Ginny gargalharam muito ao ver as reações de Cedric, Remus e Sirius, os últimos dois parecendo estar a ponto de matar o seu namorado.
— Obrigada por tudo, Jil — Tonks a abraçou no final da festa.
— Conte comigo para o que precisar.
E ela precisou uns meses mais adiante, quando descobriu estar grávida. Mas tudo tinha dado certo no final. Os Lupin eram uma linda e unida família. A sua família. E ela não permitiria que ninguém tocasse neles, nem Bellatrix, nem o próprio Voldemort.
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