Into a New World
2 Narnia - Seres Mágicos
- Telmarinos não são hóspedes! São bárbaros, inimigos! – Nisso, Justin levantou-se, e foi para o cômodo em que os dois seres conversavam, com um objeto longo na mão, caso o atacassem. Assim que apareceu, viu que o primeiro ser era um anão. Assim que o anão o viu, sacou um punhal e avançou em cima do garoto. Justin se defendeu, e andou para trás, derrubando uma panela com sopa e o segundo ser, fazendo um enorme barulho.
- Trumpkin, controle-se, ou serei obrigado a sentar em sua cabeça novamente! – O segundo ser disse para o anão, que se recolheu, fazendo um grunhido. – E você, telmarino, demorei uma manhã inteira com essa sopa!
- O... O que é você? – Justin perguntou.
- Um ser racional reconheceria um texugo! – O ser respondeu, irritado.
- Texugo?
- É, telmarino, um texugo! – O ser pequeno e de barba respondeu, irritado.
- Não sou telmarino. – Justin se defendeu. – Sou narniano, eu e minha irmã.
- A menina? – O anão perguntou.
- Sim. Aonde ela está?
- Dormindo, mas... Como posso saber se não é uma emboscada, telmarino?
- Já disse que sou narniano!
- Como pode provar? – Justin colocou a mão no bolso e tirou o colar que Aravis o dera. Em seguida, mostrou para o texugo, que observou o objeto, lisonjeado.
- Pela juba do leão! Então, o que um narniano estaria fazendo em territórios telmarinos?
- Eu e minha irmã fomos encontrados por telmarinos há muito tempo. Então, nos criaram entre eles.
- Fascinante...
- Agora, cadê minha irmã? Posso vê-la, não?
- Claro, só... – O texugo não conseguiu terminar de falar; Jazmyn apareceu atrás deles, e disse, numa voz sonolenta:
- Mas que barulhada foi essa? – Ao olhar seu irmão de pé, acordado, seus olhos castanho-claros brilharam. – Justin! Você não morreu!! – Ela abraçou o garoto com força, e ele retribuiu. Assim que os dois se separaram, Justin perguntou para o texugo:
- De onde esse colar vêm, texugo? Você sabe?
- Se não estou enganado, esse é o brazão real de Nárnia. Somente gente da realeza o tem.
- Como assim? Quer dizer que nós... – Jazmyn disse, mas não conseguiu terminar a frase.
- Vocês são filhos de um dos reis ou rainhas de Nárnia? Talvez.
- Espere, reis e rainhas? Existe isso?
- Sim, aqui, pelo menos, sim. Grande Rei Pedro, Rei Edmundo e Rainhas Susana e Lúcia são irmãos.
- Que legal... – Jazmyn balbuciou.
- Precisamos ir, Sr. Texugo. Vamos procurar nossos pais. – Justin disse.
- Como vão achá-los? – O texugo perguntou.
- Eu não, sei, dou um jeito. – Justin disse, independente.
- Pelo menos deixe-me ir com você. Eu sei como vocês podem descobrir quem são seus pais. E, aliás, não deve conhecer Nárnia, se foi criado em Telmar! – O garoto tentou rebater, mas era verdade. Só sabia localizar os lugares de Nárnia que via em livros na teoria.
- Está bem, aonde poderemos encontrar nossos pais?
- Cair Paravel. Se forem mesmo da nobreza, saberão quem são seus pais.
- Bom, é uma boa idéia... – Justin disse.
- É mesmo… — Jazmyn concordou. – Mas… O que é Cair Paravel?
- É o castelo onde vivem os Reis e Rainhas de Nárnia. – Dessa vez, Justin respondeu. – Fica perto da foz do Grande Rio. Podemos ir pelo Veloz, e chegaremos lá bem rápido.
- É um bom caminho.
- Eu tenho uma pergunta: Existem seres mágicos aqui? Naiádes, Dríades, faunos?
- Sim.
- E Aslan? – O texugo se impressionou, e perguntou:
- Como sabe tanto de Nárnia? Não foi criado aqui!
- Histórias. Vejo em livros, e algumas, Aravis me contava.
- Telmarino informado... – O anão disse.
- Já falei que sou narniano! Texugo, pode nos levar até Cair Paravel?
- Claro, seria uma honra ajudar membros do meu povo. – Jazmyn sorriu, mas o texugo alertou:
-Eu devo alertar-lhes o seguinte: Nárnia está quase entrando em guerra, precisaremos tomar cuidado. Há guerreiros de Jadis por todo o lado.
- Jadis? A feiticeira Branca?
- Exato.
- Mas, ela não havia morrido?
- Havia um portal que a trazia de volta á nossa realidade. Alguém abriu esse portal, e ela voltou, querendo novamente dominar nosso reino.
- Hum.
- Partiremos de manhã. Está escuro, não podemos sair agora. – O garoto e a garota concordaram.
-------- No dia seguinte.... --------
- Bem, qual é o plano, senhor Texugo? – Jazmyn perguntou para o texugo, que arrumava mantimentos numa cesta. Sabia quanto tempo iriam ficar embrenhados na floresta? Era bom se prevenir.
- Chegarmos em Cair Paravel até a próxima lua cheia, e não sermos mortos por guerreiros de Jadis.
- Ah... – Ela virou-se, e foi ver como estava o irmão, que limpava a espada com dificuldade, ainda suja de sangue do bárbaro que matara na noite anterior. Com os olhos brilhando, ela perguntou:
- Como você está, Justin?
- Vou sobreviver. – Ele disse.
- Espero que sim. – Ela comentou, rindo. Justin sorriu, iria dizer algo, mas ouviu um barulho de um galho se quebrando.
- O que foi isso? – Ele perguntou, virando-se para o lugar de onde ouviu o barulho.
- Entrem! – O texugo disse, pegando um punhal. – São eles! – Justin arregalou os olhos, e mandou Jazmyn entrar na toca. O barulho de galhos se quebrando aumentou. Estava mais perto.
- O que vai fazer, garoto? – O texugo perguntou.
- Eu vou ajudá-lo! – Justin disse, sacando sua espada.
- Saia daqui, vai acabar sendo morto! – O anão disse, com raiva, sacando uma pequena espada, e se pondo em posição de guerra. – Vão nos atacar!
- Eu não vou deixar amigos na mão!
- Deixe de ser solene agora, garoto, entre! São guerreiros de Jadis, vão nos matar!
- Quem é guerreiro de Jadis, Trumpkin? – Uma voz perguntou. Justin abaixou a espada, confuso, e um ser metade bode, metade humano, apareceu por entre as árvores.
- Tumnus?! Pensamos que era...
- Guerreiro de Jadis? Percebi. Quem é o da espada?
- É um telmarino. – O anão respondeu.
- Já falei que sou narniano!! – Justin respondeu, irritado. O texugo tomou a frente, e disse:
- Tumnus, este é Justin.
- Eu sou Sr. Tumnus, Justin. – O ser disse para Justin.
- Ahm... Me desculpe a pergunta, mas... O que é você?
- Ora, eu sou um fauno! – O ser respondeu. – E você? É um filho de Adão?
- Quer dizer humano?
- Sim.
- Sou. – Neste instante, Jazmyn apareceu novamente, e perguntou:
- Os guerreiros de Jadis já foram embora?
- Nem chegaram aqui... – Justin respondeu. Jazmyn se encantou com o ser. Tumnus se apresentou para a menina, e logo os dois agiam como se fossem melhores amigos.
- E então, o que vocês fazem em Nárnia? Não foram criados em Telmar? – Tumnus perguntou.
- Viemos pra cá fugindo. Nossos pais de criação nos contaram que somos daqui antes de morrer. – Justin respondeu secamente. – Precisamos ir para Cair Paravel.
- Cair Paravel? Eu moro lá, sou conselheiro real! Espere, por que precisa ir para lá?
- Por que precisamos saber quem são nossos verdadeiros pais. – Justin respondeu. – E, esse colar nos diz que somos da realeza. – Justin indicou o colar em seu pescoço, e Tumnus disse:
- Posso ver isto?
- Claro. – O garoto entregou o colar a Tumnus, que pôs-se a observar o objeto de ouro. Atrás do pingente, estavam gravadas as seguintes palavras:
Pertence á príncipe Corin, filho de Rainha Lúcia, do Reino de Nárnia.
Tumnus entregou o colar a Justin, perplexo. O garoto perguntou o que havia acontecido, e Tumnus inventou uma desculpa esfarrapada. Depois, perguntou se aquela não era a hora certa para irem para Cair Paravel.
- Os guerreiros estão no acampamento, eu vi enquanto vinha para cá.
Sr. Texugo concordou, juntamente com Jazmyn e Justin, e assim foi feito. Em minutos os dois humanos e os três seres estavam caminhando pela floresta, com cuidado.
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