Notas iniciais
-- A versão do Kamui é essa aqui >.

‘’Eu nunca passei um dia sem sorrir.’’

...

— Capitão,parece que houve um problema na maquina. Desculpe, mas parece que a gente vai ter que aterrissar num planeta para concertar o problema. – Diz um homem que trabalha para mim.

— Está bem, só não demorem muito. Tenho meus assuntos para resolver – Eu digo com o meu sorriso de sempre no rosto.

Eu saio da sala de comandos e vou andando até meus aposentos e então quando eu chego lá Abuto está me esperando

-A-TRA – SA – DO — Diz ele – Sabe quanto tempo eu fiquei esperando? Quase 1 hora! Isso é muito tempo. Estava fazendo o que? Estava no banheiro? Estava coçando a bunda? – Em um piscar de olhos a minha mão está no pescoço dele e ele já estava aponto de morrer asfixiado. Eu retiro a mão do pescoço dele e sem retirar o sorriso do rosto eu vou andando até a porta, eu pego o meu guarda- chuva e saio do quarto e sei que Abuto está logo atrás de mim.

— Eu estava na cabine de comandos. Vamos parar em um planeta porque houve problema no navio – Eu digo – Vou sair quando o navio estiver na terminal. Eu preciso de ar, não consegui dormir bem ontem e estamos entrando na temporada de chuva. – Enquanto eu falo vou andando até a saída. Com o silencio que fica sinto que o navio já está pousando e quando as portas se abrem o Abuto volta a falar.

— Capitão – Ele começa — Em que planeta eles pousaram?

— Abuto, em qual planeta tem ferramentas que podem ajudar a concertar um navio espacial ? – Eu pergunto olhando para ele e sem tirar o sorriso do rosto.

— Bem, pelo que me passa na cabeça agora, só existe um. Terra – Ele fala quase cuspindo na minha cara quando ele pronuncia a palavra ‘’Terra’’

— Você acertou Abuto. Parabéns, parece que finalmente o seu cérebro chegou no level de uma criança de 12 anos – Eu digo já saindo no navio

Chegando lá a lua já estava presente e um festival estava acontecendo. Mesmo eu tentando ignorar eu não conseguia, não importa para onde eu olhasse sempre tinha crianças. Então vou andando retamente sem nem saber para onde eu estou indo, e então de uma hora para outra a chuva começa a cair. Agora já era, toda vez que essa temporada do ano chega e me lembro. Do dia em que eu a deixei.

Para começar a história, eu nunca fui planejado. Minha mãe me teve porque a família dela acreditava em destino e acreditava que eu podia ser forte, eles tinham razão. Com ela foi diferente, eles tiveram ela porque eles a queriam. No dia em que ela nasceu eu decidi que a odiaria, mas acabei não conseguindo. Ela tinha uns 3 anos quando eu percebi que não conseguiria odiar ela. Ela estava com a capa amarela de chuva de sempre e com o guarda chuva e tinha acabado de chegar em casa, estava ensopada e tinha trazido algo com ela, um coelho. Ele tinha o nome de Sadaharu, não durou duas noites e Sadaharu tinha sido morto por ela. Ela chorou rios, até a minha mãe não aguentava mais, e foi nesse dia que eu falei com ela pela primeira vez.

— Ei, ele morreu, mas você não precisa fazer esse escândalo todo. – Eu falei – Olha, existem milhares de coelhos por ai. Amanhã eu procuro um para você!

Os olhos dela se encontraram com o meu e pela primeira vez eu vi que tínhamos os olhos da mesma cor, azuis como o céu. Ela me olhou furiosa e então quase berrou:

— Idiota! O que você acha que vai acontecer com ele? Ele vai morrer do mesmo jeito que o Sadaharu. É tudo culpa dessa força, eu não queria ter nascido uma Yato !!!!! – Ela disse

No momento em que ela disse isso a minha mãe apareceu e se sentou ao lado dela e ficou fazendo cafuné nela, sorrindo.

Quando ela disse aquilo parte de mim queria mata-la. Somos Yatos, a nossa força é nossa marca. Odiar a nossa força é desonroso.

Porém, outra parte de mim a entendia. Não poder amar algo fraco porque sabe que vai morrer. Não poder viver uma vida normal com alguém sem mata-la ou machuca-la...É uma vida bem difícil.

Mas para poder dizer isso em voz alta para ela era muito difícil. A única coisa que eu disse foi aquilo...

— Você é estúpida? – Isso fez com que ela e minha mãe olhassem para mim surpresas – Somo Yatos, vivemos para matar e machucar. Se você não é aguenta com certeza é muito fraca – Eu dei um sorriso sarcástico. – Fraca... É, essa palavra realmente te descreve. Vou chama-la assim agora, se é que eu vou falar com você de novo. – Depois que eu disse isso eu peguei o guarda-chuva e sai em direção à porta. Eu ouvi a minha mãe me chamando e também a ouvi chorando, mas mesmo assim eu sai.

Eu fui no lugar onde eu sabia que eu podia relaxar e ao mesmo tempo treinar. No topo da ‘’montanha’’ que morávamos. Dava para ver a cidade toda de lá, e era o lugar mais perto do céu. Começou a chover e mesmo assim eu não estava usando o guarda-chuva. Eu queria ver o céu, e esse era o único jeito de vê-lo, já que nosso ponto fraco é o Sol.

Olhar para o céu me lembrava de uma palavra ‘’LIBERDADE’’ uma palavra deveria desaparecer do meu dicionário, já que eu nunca vou ter. Vou crescer, vou cuidar da minha mãe que é muito doente e vou caçar alienígenas como o meu pai. Essa será a minha vida, suspiro e quando vou voltar a pensar na vida eu ouço barulho de alguém correndo. Eu olho para trás e vejo-a, ela não estava mais chorando, na verdade ela estava tentando não chorar mais. Ela estava olhando para mim segurando um pote de arroz com uma mão e segurando o guarda-chuva com a outra. Eu não estava mais com vontade de zombar da cara dela então só fiquei ali, sério. Ela respirou fundo e foi andando até a minha direção, largou o pode de arroz no meu colo e colocou o guarda-chuva no chão numa direção que não chovesse em mim. Ela pegou o meu guarda chuva, o abriu e saiu andando. Quando ela estava andando para ir embora ela falou:

— Se quiser mais arroz, a mami disse que tem. E se você quiser o seu guarda- chuva vai ter que me pedir desculpas!

Quando ela disse aquilo eu comecei a rir ela se virou nervosa e começou a reclamar

— Ta rindo do que, heim??? Só por causa disso só vou te devolver o guarda-chuva se você comprar alguma coisa boa para comer junto com o arroz. – Eu ri mais ainda. Eu me levantei e fui andando em direção a ela, ela estranhou e logo ficou em posição de luta. Ela sabia alguma coisa, isso ai me interessava, mas naquela hora eu só passei por ela e no momento em que eu passei por ela, eu passei a minha mão nos seus cabelos alaranjados, que nem o meu. Eu estava sorrindo naquela hora, mas na minha mente eu REALMENTE estranhava. Por que eu fiz aquilo? Aquilo demonstrou alguma coisa? Eu só fiz aquilo por a achei interessante. Interessante. É exatamente o que eu achava dela naquela época interessante. Então eu decidi que daquele dia em diante eu começaria a prestar mais atenção nela para ver o porquê eu a achava interessante.

Uma voz familiar me chamou a atenção e me fez parar de sonhar acordado. Quando eu percebi a festa já tinha acabado e duas pessoas estavam procurando alguma coisa onde tinha ocorrido a festa

— Hey, Gin-chan eu não to achando nenhuma moeda. Eu só to achando comida desperdiçada no chão. Gin-chan é feio comer as coisas que você acha no chão? – Uma das duas pessoas perguntou.

— É claro que é! – O outro respondeu

— Já era.. – A primeira falou já mastigando alguma coisa.

As duas pessoas estavam debaixo de uma mesinha onde tinha comida. Não dava para ver os seus rostos mais as suas vozes eram realmente familiares. A dela eu já tinha percebido quem era, e pelo nome também já sabia quem era a segunda pessoa. Geralmente eu já estaria lutando com o samurai-san, mas com essa temporada de chuva, eu não queria fazer nada. Nem relembrar essas lembraças eu queria, mas elas apenas vinham sozinhas. Então eu sai dali e percebi que um deles tinha me visto. Não me importei apenas sai dali num piscar de olhos. Então, voltei a me lembrar da história...

Depois daquele dia era como se ela tivesse mudado a minha vida. Nós procurávamos coisas perto de nossa casa juntos, ficávamos olhando o céu juntos e cozinhávamos com a mãe juntos. Parecia que eu realmente estava feliz, mas será que isso estava certo? ‘’Yato serve só para estar no campo de batalho, Yato machuca aqueles que estão ao seu redor, Yato serve para ficar sozinho’’Era isso que eu pensava quando eu ia dormir. Sim, eu só estava fazendo isso para ver o porque e a achava interessante, mas eu ainda não sabia. A única coisa que eu tinha percebido é que talvez eu não a odiasse tanto assim..

No dia seguinte eu sai cedo e fui treinar, sabia que o meu pai voltava hoje e sabia que ele queria lutar. Preciso ficar mais forte. Era isso que eu pensava, mas naquele dia tinha alguma coisa que tinha esquecido só não sabia o que era. Muitas pessoas vieram lutar comigo naquele dia, fiquei até tarde lutando. Fui elogiado por alguns que antigamente se consideravam os melhores, e foram deles que eu ouvi sobre os piratas do espaço, Harusame. Eu achei muito interessante, ser o rei dos piratas, ser o mais forte... Eu por que eu não poderia ser? ‘’Porque você tem sentimentos por ela’’. O meu subconsciente disse, mas isso com certeza é uma baboseira. Só fracos tem sentimentos, eu não sou fraco.

Estava voltando para casa quando começou a chover, e ela não saia da minha cabeça. ‘’Isso é a prova do seu sentimento, Kamui. Você é fraco..’’ meu subconsciente falou de novo, ou quero dizer, minha parte Yato.

— Eu.. Não sou fraco – Eu falei parando de andar e ficando nervoso.

Continuei andando para casa, nervoso. Quando cheguei lá deparei com uma cena muito interessante. Havia um bolo super mal feito com uma vela e estava escrito ‘’Baka-Aniki, Parabéns’’. E ela estava dormindo em cima da onde estaria o ponto de exclamação. Eu acabei rindo da cena, tinha esquecido completamente que era meu aniversário.

— Kamui-kun faça silencio. Ela ficou quase a tarde toda preparando o bolo, ela deve estar muito cansada. – A minha mãe disse do seu quarto, que era no cômodo ao lado da entrada.

— Desculpe, mas é interessante que ela não tenha comido o bolo esse tempo todo – Eu falei soltando uma risada. Eu fui andando para o quarto da minha mãe e quando cheguei lá percebi que ele estava em casa. Umibozu. Fiquei um pouco calado para não transparecer a minha surpresa, mas acabei não conseguindo fazer isso.

Quando eu olhei para a minha mãe e percebi que ela estava mais pálida que o normal, sabia que alguma coisa tinha acontecido. ‘’Deve ter sido a doença crônica dela..’’. Corri até onde a minha mãe estava deitada, e sem um pingo de respeito comecei a berrar, esquecendo que os outros estavam dormindo.

— MÃE, O QUE HOUVE? – Eu gritei. No meu primeiro grito o meu pai já tinha se despertado e antes que gritasse comigo viu a aparência da minha mãe e ficou preocupado também.

— Querida, o que houve? Foi uma decaída? Por que eu não percebi isso antes? – Ele falou olhando para o chão. Eu não sabia o que falar, estava desesperado. Por que diferente do meu pai, ela sempre esteve ao meu lado. Sempre cuidou de mim, sempre me deu carinho e atenção. Eu a amava e me importava com ela, ela era a única pessoa que eu tinha que proteger.

— ISSO É TUDO CULPA SUA! SE VOCÊ TIVESSE FICADO AQUI, SE VOCÊ ESTIVESSE COM A GENTE, TALVEZ ISSO NUNCA TERIA ACONTECIDO – Eu falei. Pronto, agora até ela tinha acordado, que legal.

— Mami, Papi, Baka-Aniki... Vocês sabem que horas são? – Ela perguntou calmamente coçando o olho. Quando ela viu a mãe, ela logo correu até a minha mãe, deu a volta e sentou do outro lado dela, perto do Umibozu.

— Eu... não estou tão ruim assim. Não precisa ficar assim, Kamui – Disse a minha mãe. Eu me virei de costas para ela e fui andando até a porta parando bem na entrada pensando ‘’E agora?? E se ela morrer?? Qual será o sentido de um ficar aqui, se a pessoa a qual eu protegia não vai mais estar aqui?...Não tem nenhum.’’ Eu pensei. No momento em que eu comecei a pensar assim um sorriso diferente brotou nos meus lábios. ‘’Se ela não estivesse mais aqui, não haveria mais nenhum motivo de eu viver nesse lugar. Eu poderia ter um vida que eu realmente mereço. A vida de rei... Rei dos Yatos.’’. ‘’É agora Kamui, se você não provar para eles que você é forte mesmo, você nunca vai sair desse lugar..’’ Meu subconsciente falou.

Fui andando em direção ao Umibozu que tinha mudado de lugar e agora estava de costas para mim. Há muito tempo atrás havia uma tradição que falava sobre superar os seus pais provando que era forte. E que a única forma de mostrar a sua força era matando o seu pai. Agora ele será... a minha presa

....

Foi por pouco, se ele não tivesse virado na mesma hora, ele já estaria morto, mas ele virou. Ele virou e um braço dele voo, ele ficou nervoso, ele me bateu, eu cai de cara no chão e então comecei a sangrar. Eu estava sangrando. Eu tinha certeza que ia morrer, eu tinha fracassado isso era o mínimo que ele podia fazer, me matar.

Eu esperei, mas a única coisa que eu recebi em troca foi barulho de chuva e choro.

— Papi, não machuca ele. Ele não fez por querer, ele só está nervoso.. – Eu reconheci a voz, era ela falando. Eu realmente tinha sido salvo por uma garotinha como ela. ‘’Que desprezível, Kamui. Você está fraco a ponto de ser salvo por uma garotinha estúpida. ’’. Eu não sou fraco, e hoje eu provei isso quer ele querendo ou não.

Me levantei e então coloquei o mesmo sorriso que estava antes no rosto e comecei a rir.

— Até mesmo o grande Umibozu tem suas fraquezas, né? – Eu perguntei limpando o sangue da minha testa e tentando tirar do meu cabelo, mas acabei deixando. Percebi que o vermelho me caia bem. – Yatos não podem ter fraquezas. Se vocês tem, isso só quer dizer que meu lugar não é aqui – Eu falei ainda sorrindo. Peguei o guarda-chuva e sai de casa. Sabia exatamente para onde ir, para o único homem que talvez entendesse o que ‘’força’’ significa, o mais forte dos yatos, Housen.

Os meus pensamentos foram interrompidos quando eu ouvi som de gente correndo.

— Hey! Para onde você vai? Vai deixar a mami lá, assim? – Eu sabia, era ela.

— A mami vai morrer a qualquer momento, não há o que se preocupar. – Eu falei ainda virado. Ainda bem que eu estava virado, falar sobre a mami me deixava triste.

- Há sim!! O Papi não para em casa, a mami está doente. Aniki, eu não quero ficar sozinha de novo. Fica aqui – Ela falou. Eu abri um sorriso e virei só um pouquinho para que ela visse que eu não me importava.

- Ficar aqui? Com você? Não, obrigada. Eu não tenho mais o que proteger, mami vai morrer não importa o que eu faça. Então, deixe eu te dizer uma coisa antes de ir embora. Eu não me interesso por gente fraca – Eu falei me virando e indo embora.

EU TE ODEIO, BAKA-ANIKI. ODEIO!!! VOCÊ VAI VER. UM DIA EU VOU FICAR FORTE E VOU ATRÁS DE VOCÊ!!– Ela falou enquanto chorava.

Enquanto eu ia andando o som do choro dela ia embora e apenas a chuva ficava. Quando cheguei na casa dele, ele me aceitou de braços abertos. Fiquei mais forte, não tinha fraquezas.

Depois de um tempo a minha mãe morreu, eu tentei suportar, mas às vezes as lagrimas ainda vencem.

São dias como esses que me fazem lembrar dela. É por isso que eu não gosto da chuva, porque esse é o único jeito que me faz lembrar que antigamente eu protegia alguma coisa, me faz lembrar que antigamente eu era fraco..

Ah? Por um momento ‘ela’ me passou pela cabeça. Irônico, não? Mesmo eu tendo vivido com ela, eu nunca a chamei pelo nome.

Talvez.. Eu nunca a chame.

Notas finais
Eai, gostaram?? Comentem, pleases !!! Kisses :*