Intimidade

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Apreciem o texto ♥

Nós temos muito medo da intimidade. Não aprendemos como usá-la, como desfrutá-la.

Talvez, ainda pequeninos, o primeiro "não" da mãe -- depois, do pai, dos avós, de todas as outras pessoas, em quem confiávamos como provedores de "sins", tenha-nos assustado, além de descortinar um mundo onde nada era exatamente como pensávamos. Em cheque quedaram nosso poder, nossa vontade, nossos caprichos.

Durante a infância, tantos confrontos, tantos embates, tantas frustrações. A professora, os companheiros na escola, os amiguinhos na rua, os primos... E o amor por todos a ter lições de insegurança e -- o pior -- de agressividade.

Na adolescência, o caos. "Sins" que são "nãos", "nãos" que são "sins"... E um imenso "talvez" a nos preceder cada passo. A busca de aprovação, a busca de acolhimento, a busca do amor. E mais sofrimento, em face das indefinições, das dúvidas, das conquistas que se tornam fracassos de uma hora para outra.

Depois, os embates dos relacionamentos, que começam muito bem e, com o tempo, degradam-se. As palavras doces se tornam palavrões. E os gestos mansos se tornam ameaça de se revelarem justamente o contrário da carícia.

De repente, não dialogamos mais com parentes, colegas de trabalho, vizinhos, companheiros. Nossa atitude é de prevenção, de desconfiança, de más interpretações.

A intimidade, digo-lhe com firmeza, não é a presunção de total liberdade para humilhar, ferir ou magoar o outro. Sequer para supor que, por uma graça sobrenatural, somos superiores aos nossos pares. (Se não nos dermos as mãos, em quaisquer circunstâncias, enfraquecemos, definhamos, morremos a pior morte da vida, que é a solidão, o isolamento, o distanciamento de quem pretendemos amar.)

Resumindo, intimidade não é para escrachar, com palavras e atitudes feias ou grosseiras. É, acima de tudo, para sofisticar o relacionamento, esquentar o sexo e aprofundar os laços de afeto.

E tenho dito!

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