Intimidade

19 Olho por Olho


"O dinheiro não traz felicidade — para quem não sabe o que fazer com ele"

- Corta essa Hermione! Conta outra! Não tem como você negar isso, não nestas condições.

— Você não é o pai do Joey.

— EU SOU SIM! Por que você está mentindo? Por que? Tá, tudo tão claro, claro como água.

— Não Rony! Não é você... Você acha que está tudo claro, mas não é bem assim. Pare para pensar. Eu jamais... Jamais, deixaria que você se aproximasse do meu filho se quisesse esconder a paternidade dele.

— Mas ele tem quatro anos.

— Eu sei.

Ele estreitou os olhos.

— Um exame de DNA desmente você fácil.

- Não, ele vai desmentir você.

— Hermione...

— Eu topo um exame.

Ele parou de falar e ficou encarando-a.

Se ela estivesse blefando ganharia milhões no poker, pois estava blefando muito bem. Se ela topava um exame de DNA assim era por que tinha certeza.

— Você tem certeza?

— Que topo o exame ou que ele não é seu filho?

— Ambos.

— Tenho.

— Mas ele tem quatro anos.

— Eu sei disso.

— Hermione... Veneza...

— Rony pelo amor de Deus.

Ela virou os olhos e esfregou o rosto.

— Então você mentiu para mim, de todo jeito você mentiu para mim, por que você disse que o Victor não sei de onde não era o pai dele.

— Ele não é.

Rony parou, de boca aberta como alguém que ia perguntar alguma coisa, mas esqueceu.

— Então...

— Há outro homem Rony... Quero dizer... Houve... Outro...

Ela baixou os olhos. As faces rubras, claramente envergonhada.

— Quem?

— Não começa.

— Quem é ele Hermione?

— NÃO RONY!

— ME FALA!

— NÃO! NÃO INTERESSA! NÃO IMPORTA.

— Importa para mim.

— Por que? Por que é importante? Que diferença faz? Isso aconteceu há quatro anos e teria sido o pior erro de toda a minha vida se não fosse o Joey, a consequência disso tudo. É o maior remorso e o maior dilema que eu carrego aqui dentro – Os olhos dela encheram de lágrimas e começaram a rolar pelo rosto – Eu cometi um erro, eu pago por ele todos os dias quando olho para o ser que mais amo no mundo. Não é castigo suficiente? Eu não posso errar?

— Eu... – Ele parou de falar e tentou encontrar as palavras – Eu não quis...

— Até ontem, você nem imaginava que ele pudesse ser seu filho. Gostava menos dele por isso Rony? E de mim? Que diferença fazia?

— Nada mudou. Eu não disse que mudou.

- Então por que importa? Por que você está me machucando desse jeito? Me lembrando da minha desonra... Da minha falha...?

— Eu não... Eu não sei... Eu pensei que... Eu quis ser o pai dele — As ultimas palavras saíram baixas e num tom rouco. Mais lágrimas rolaram do rosto dela.

— Queria?

— É... Quero dizer... Quem não queria? Olha só aquele garoto, ele é... Incrivel.

— Eu adoraria que fosse você Rony... De verdade... Eu... Eu... — A voz dela falhou e os soluços tomaram conta. Ela escondeu o rosto entre as mãos e chorou. Antes que seu corpo arriasse sem forças, ela o sentiu amparando-a. Abraçando-a, dando-lhe conforto.

— Shh... Já passou... Não chore... Vamos esquecer isso, ok? Vamos... Passado é passado, ele não importa. Eu fui um idiota, me desculpe...

— Eu queria... Você é tão incrível com meu filho, tão perfeito...

— Eu sei... Mas não interessa de verdade quem é a mula biológ... Digo, o pai biológico do Joey, ele tem você... E bem, ele tem a mim. — Ela o olhou, os olhos nublados pelo choro.

— Ele tem?

Rony sorriu.

— Com certeza.

...


Gina ficou algum tempo encarando Michael, sem saber na verdade o que dizer. Como ele sabia? Como ele podia saber qualquer coisa sobre Harry? Mas ela decidiu que não perderia um tempo precioso para Colin com maiores explicações. Ganharia tempo e depois inventaria uma desculpa. Rony seria uma desculpa perfeita. Pelo menos era o que ela achava.

— O que? — Disse para ganhar tempo. Michael respirou fundo e levantou do sofá calmamente.

— É com o dinheiro de Harry Potter, do estelionatário Harry Potter, que vamos tirar Colin da cadeia?

— Sinceramente Mike – Ela empinou o queixo – Estou pouco me fodendo de onde vem o dinheiro, o que me interessa é tirar Colin de lá.

— Que linguajar é esse Gina? Aprendeu com Potter também?

— Como é?

— Eu fico realmente impressionado. Como você pôde ter descido tão baixo? Harry Potter? Logo ele?

— Michael, eu sei que Harry Potter tem milhares de acusações, mas precisávamos do dinheiro, precisávamos rápido, eu não podia me dar ao luxo de divagar sobre a culpa ou não culpa...

— CULPA OU NÃO CULPA? Você está se ouvindo Ginevra? Você tem noção das asneiras que está dizendo?

— Acho melhor você falar baixo.

— Meu Deus do céu, você entrou no tribunal para acusar este homem, como assim você não divaga sobre a culpa dele.

— Colin precisa de nós.

— E VOCÊ PRECISA DE ÉTICA!

- COMO É QUE É MICHAEL CORNER?

— Meu Deus do céu. Você é uma ADVOGADA, por Deus Ginevra você está no caso CONTRA este homem, que porra você está fazendo na cama dele?

Gina estacou. Não por medo, não por receio, ela não era mulher de dar satisfações nem a si mesma, mas a surpresa a chocou. Ela abriu e fechou a boca e as palavras não saíram, Michael aproveitou e continuou o discurso.

— Já pensou na SUA CARREIRA quando a imprensa descobrir? Já pensou nas consequências do caso, caralho Gina, você pode perder o emprego. O que está acontecendo com você?

— Você está louco Michael, só pode.

— Eu estou louco? Eu estou louco? Olhe na minha cara, olhe nos meus olhos e me diga que você não está transando com ele — Gina o encarou, a expressão desafiadora continuou em seu rosto, mas ela não desmentiu.

— Como você sabe?

A expressão de Michael mudou de raiva para derrota.

— A noiva de Potter fez questão de me ligar e dizer que vai acabar pessoalmente com sua carreira se você não se afastar dele. E agora você confirmou a veracidade da historia dela. Meu Deus Gina... Quão baixo você desceu?

— Devagar Mike... — Mas ele parecia estar falando consigo mesmo agora. Ele falava e andava em direção dela, mas sem encará-la.

— Eu sei que você gosta do Coll, eu também gosto... Mas isso?

-Melhor parar agora Mike.

Finalmente ele a olhou.

— Eu nunca pensei que você fosse capaz de se vender por isso.

O som do tapa foi audível em todo o ambiente. Michael massageou o rosto, mas a raiva ainda estava em seus olhos.

— É esta sua defesa?

— Não preciso de defesa Michael Corner, não estou cometendo um crime.

— Está sendo antiética, indiscreta, para não dizer maluca...

— Segure a porra da sua língua dentro da porra da sua boca antes que eu lhe acerte o outro lado. Não pedi sua opinião, aliás, não pedi a opinião de ninguém, sou uma mulher livre, independente e maior de idade, TRANSO COM QUEM QUISER! Se quiser me despedir vá em frente! Agora se me der licença estou indo à delegacia, espero que você saia do seu mundinho e venha tirar Colin daquele lugar nojento.

Ela pegou a bolsa e caminhou para a saída.

— Gina!

Ela parou.

— Se eu não contar ao meu pai, Cho Chang contará.

— Foda-se você e ela também. Não vou deixar que ninguém. NINGUÉM MIKE, se meta na minha vida. NÃO DEMORE!

...

Draco Says:

-Namorar escondido não é nada fácil...

Nev_ Says:

-Cara, isso é coisa de adolescente.

Draco Says:

-Não fode Nev, não é tão simples assim.

Nev_ Says:

-Draco, vocês são maiores de idade, não faz o menor sentido viverem feito Romeu e Julieta.

Draco Says:

-São os pais dela cara.

Nev_ Says:

-Essa implicância não faz o menor sentido amigão. Nada haver.

Draco Says:

-Eu que o diga brother.

Nev_ Says:

-Olha Draco, eu acho sinceramente que vocês deviam conversar, e se acertar, eu acho que vocês devem... Morar juntos, isso não vai dar certo por muito tempo.

Draco Says:

-Eu estava pretendendo falar com ela... Estou esperando o momento certo, não quero que ela pense que eu só quero que ela venha por que eu não estou mais aguentando namorar escondido. Quero que ela saiba que é por que eu quero ela como minha mulher.

Nev_ Says:

-Haha, relaxe, você é o cara mais absurdamente meloso que eu conheço, vai tirar de letra.

Draco Says:

-Vai se foder Longbottom.

Nev_ Says:

-Depois do trabalho cara, tô cheio de coisa para fazer.

Draco Says:

-Nerd é foda.

Nev_ Says:

-Pelo menos não sou Romeu, a Luna tá morando comigo.

Draco Says:

-Não precisa apelar
¬¬

Nev_ Says:

-Haha, relaxe, não vou apelar agora, até por que eu estou saindo, preciso ir no fórum, rolou um problema com Colin, mas espero você sexta no Royals, ai sim vou te trollar. Até mais cara.

Draco Says:

-Vai nessa vagabundo.

Draco fechou o MSN e girou a cadeira ficando de frente para a janela. Queria tanto que ela viesse morar com ele. Que formassem uma família, que ficassem juntos sem medo.

Ele a amava, e aquele amor era... Tão... Forte que o agoniava, ele não sabia como lidar com aquilo, aquela dependência doía. Ele fechou os olhos um segundo e sorriu quando ouviu o barulho do carro dela se aproximando. Ele conhecia os sons.

Ele ouviu o barulho da chave virando na porta e depois o barulho dela abrindo. Ele gostava que Astoria se sentisse em casa, tivesse uma chave, entrasse e saísse a hora que quisesse. Eles se olharam e ela se aproximou dele.

— Bom dia meu amor.

— Bom dia minha vida.

Ele levantou e a abraçou. Eles se encararam e ela tocou seu rosto, olhando nos olhos dele.

— Dray... Eu tenho medo de não demonstrar o suficiente o quanto você é importante para mim Draco, meu histórico de relacionamentos me descreve como fria e insensível, mas eu não quero ser assim… Não com você. Sou louca por você e quero que saiba disso. Se nunca fui carinhosa ou sensivel o bastante com alguém é por que nunca estive apaixonada, não antes de você. Quero que saiba que eu te amo. Quero que tenha certeza todos dias, da hora que acordar à hora que for dormir, que eu sou sua e que isso nunca vai mudar. Ás vezes eu acho que não digo ou não mostro o suficiente Draco, mas eu te amo tanto. Te amo muito.

Ele sorriu e os olhos umedeceram.

— Você... Não deve... Você... Eu não sei o que dizer — Ela sorriu e o coração dele doeu. Parecia idiotice, aos olhos de muitos parecia pieguice, mas era verdade. Doía. E era uma dor que ele queria sentir para sempre.

— Não diz nada. Só me abraça — Ele a olhou, os olhos brilharam com as lágrimas contra as quais ele lutou para não cair. Então quase vacilando e perdendo o controle, ele a abraçou.

- Eu não sei o que eu faria sem você Tori.

— E por que você precisa pensar em ficar sem mim?

— Não sei… Eu… Só… Às vezes eu não consigo evitar pensar.

— Dray olha para mim. Eu sei que eu não sou nem de longe a mulher que você merece…

— Astória…

— Me deixa falar amor, por favor. Sei que eu não sou doce ou carinhosa o suficiente, ou pelo menos não acho que seja, mas… Olha nos meus olhos Dray, olha para mim. Eu te amo, e isso não significa que eu sinto um tesão extraordinário por você ou que é por que eu gosto da sua companhia… É bem maior que todos estes clichês .

— Você é perfeita.

— E você fica lindo, todo emocionado e sem palavras — Ele deu um beijo curto e leve nela.

— Minha mãe me ligou.

— Uau! Foi? E ai?

— Ela está vindo. Quer conversar comigo. Deve estar chegando na verdade.

— AGORA?!

— A qualquer instante — Ele sorriu.

— E VOCÊ NEM PARA ME AVISAR DRACO?

— Ué, por quê?

— Como assim por quê? Você quer, meu Deus do céu, vocês homens definitivamente são o caos. Vou trocar de roupa. NÃO! Vou tomar um banho. Segure-a. Entretenha-a. E me espere.

— Por que você está histérica?

— EU NÃO ESTOU HISTÉRICA DRACO... Estou só... Ansiosa. Me deixe ir, espero que tenha algo que preste para eu vestir.

Draco a viu sumir quarto adentro e sorriu. Ela era um tornado, um tornado que havia mexido com toda sua vida pacata, regrada e tediosa. Poucos minutos depois a campainha tocou e ele atendeu. Estava um pouco ansioso também, sentia saudade da mãe, muito embora estivesse aliviado em viver longe das neuroses dela.

— Mãe!

Ele a abraçou. A recepção por parte dele foi calorosa, mas a retribuição dela foi fria. Ela estava com cara de poucos amigos. Entrou devagar, com classe e aparente desprezo. Olhou em volta.

— Olá Draco.

— Como você está mamãe?

— Como Deus permite — Ela respondeu com secura – Você parece ter esquecido que tem mãe.

— Ah mãe, pelo amor de Deus, não seja dramática.

— Agora é drama que uma mãe queira um pouco de atenção de seu filho? Estes tempos modernos são a perdição — Draco rolou os olhos – Como tem vivido Draco? O que tem feito?

— Estou bem mãe.

— Está?

Astoria vinha saindo, apressada e ansiosa, tentando arrumar-se o máximo que podia, animada com a possibilidade de finalmente conhecer alguém da família de Draco.
Principalmente tratando-se da mãe. Mas parou na porta e ficou quieta ouvindo, quando sentiu a tensão entre os dois.

— É aqui que você está vivendo Draco? — Narcisa disse com tom de nojo.

— Mãe…

— É nestas condições que está vivendo agora, foi para isso que saiu da nossa casa?

— Prazer em vê-la também mãe.

- Não estou brincando Draco. Acha que gosto de vê-lo nestas condições? Olha esta casa, parece um quarto de fundos.

— Eu a acho bem aconchegante se quer saber.

— Aconchegante? Isto? Como pode dizer uma asneira dessas depois de ter vivido na sua casa.

— De que adianta um casarão onde não se tem paz.

— Não seja ingrato Draco.

— Então não seja soberba mãe. Eu gosto daqui. Estou feliz aqui.

— Não posso demorar – Ela disse remexendo a bolsa – Meu carro está abastecendo no posto da esquina e eu tenho um chá com Miss Umbridge hoje. Venha comigo até o posto, preciso de sua ajuda.

— Mãe...

— Então agora nem ajudar sua mãe com o carro você pode mais?

Draco esfregou o rosto entre as mãos.

— Não... Claro que posso, preciso apenas, pegar minha carteira.

— Vou na frente, deixei meu celular no carro e preciso falar com Miss Umbridge. Estou lhe esperando.

Ela não esperou, saiu como se mal pudesse esperar para ficar longe da casa.
Astoria então saiu do quarto. Ele não precisou dizer nada para que ela soubesse que aquilo o tinha entristecido.

— Sua mãe é alterada, não é?

— Complicada — Ele aceitou o abraço que ela ofereceu.

— Não fica triste.

— Não vou ficar. Preciso ir até o posto…

— Eu sei, eu ouvi. Não demora?

— Não demoro, prometo.

Ele lhe deu um selinho.

— Amor... Antes de você ir... O pessoal quer ir ver Real in Rio... Vamos?

— Hoje? Que pessoal?

— Na verdade daqui a duas horas... Alguns amigos meus... Vamos amor?

— Amigos? Aqueles? Da festa?

— Alguns da festa, outros do curso, que importa? Vamos ver o filme amor.

— Ah Tori... Não sei não.

- Ah vamos Dray?

— Não sei não Tori, não sei se é uma boa ideia.

— Por favor, deixa de ser bobo.

— Mas você sabe que eu…

— Por favor Draco.

— Tá bom, amor, tá bom, então vamos.

— Vamos mesmo?

— Sim, vamos sim. Tenho que ir agora.

— Então faz assim, vou na frente, ok? Para encontrar o pessoal.

— Ok. Te ligo quando chegar lá, tá?

— Tá. Te amo viu?

Ela o esperou sair e comemorou do jeito dela.

...

Draco chegou ao lugar e telefonou como havia combinado. Eles acertaram para que ele comprasse os ingressos e a encontrasse na praça de alimentação ao lado do cinema.
Ele estava distraído enquanto caminhava em direção à lanchonete onde tinham combinado de se encontrar, mas reconheceu a voz dela quando ouviu.

— Dray! Vem aqui amor — Draco terminou de comprar as entradas e se aproximou dela sem olhar para cima, estava conferindo os assentos.

— Peguei cadeiras do fundo amor, acho que são mais...

— Dray, olha para mim.

Ele levantou os olhos.

— Que foi?

— Olha quem eu encontrei! – Ela disse sorrindo – Este é o Carl, lembra que te falei dele? Carl, este é o Draco, meu namorado.

Draco observou o rapaz magro e de meio sorriso à sua frente estender a mão num cumprimento, mas não conseguiu retribuir de imediato. Ficou encarando o homem por longos segundos, olhos vidrados e expressão fechada, enquanto uma conversa antiga com Astoria vinha em sua cabeça.

“Você é ciumenta?”.

“Quando eu gosto da pessoa, sim. Eu tenho um amigo chamado Carl, e eu era apaixonada por ele. Uma das minhas melhores amigas deu em cima dele na minha frente, quase surtei com ela”.

Draco estendeu a mão devagar, era como se estivesse mesmo desafiando o rapaz, travando uma batalha com ele.

“Eu tenho um amigo chamado Carl, e eu era apaixonada por ele.”

A voz dela ecoava em sua mente como se estivesse sendo repetida em seu ouvido.

-Dray... Dray... DRACO! — Ele sentiu um leve choque na cabeça e soltou a mão do homem, por um momento pareceu que estava segurando forte demais – Você está bem?

— Estou... Bem...

— Legal te conhecer Draco. Da ultima vez que a vi, Tori só falava de você.

Ele apenas sorriu de lado. Um riso rápido e sem vontade.

Ele não era assim, e sabia que não era. Normalmente faria amigos sem o menor problema, mas Carl o incomodava, como se fosse um inimigo em potencial. No fundo, Draco sabia que eram apenas fantasmas que ele próprio criava, mas não conseguia evitar olhar o homem a sua frente e querer socá-lo.

Sem conseguir evitar ele abraçou Astoria. Mas não foi um abraço qualquer, foi um abraço de posse, ele a rodeou completamente como se quisesse dizer sem palavras: “É MINHA”.

Beijou a base do pescoço dela e depois de satisfazer um pouco seu ego vendo-a tremer como um coelhinho assustado, levantou a vista, quase de maneira esnobe.

-Ela falou de você também... Umas poucas vezes, Charles...

— Carlton...

— Que seja.

Carl riu sem graça.

— Então... Não quer ver o filme com a gente Carl?

Astoria tentou amenizar o que parecia ser um fiasco de encontro.

— Ah não... Não... vou encontrar umas pessoas aqui. E tenho certeza que vocês não precisam de uma vela.

— Ah Carl...

Mas Draco não a deixou continuar.

— Com certeza brother, você é esperto.

Astoria arregalou os olhos por alguns instantes. Carl deu um sorriso murcho e Draco ficou muito sério. Então Astoria sorriu tentando transformar aquilo numa brincadeira.

— Draco tem muito bom humor Carl, mas é claro que você pode vir conosco.

— Ah eu sinto muito Tori, não vai dar mesmo, eu tenho realmente compromisso.

— Que pena.

— A gente marca um outro dia.

— Você promete?

Draco arqueou a sobrancelha.

— Prometo. Foi muito bom te ver, e muito bom conhecer você Draco. Vamos marcar alguma coisa — Ele apenas acenou afirmativamente e sem muita vontade. Depois de mais uns poucos minutos se despedindo do amigo, Astoria foi para junto de Draco, que em certo momento tinha se afastado sob a desculpa de atender o telefone.

- Posso saber o que diabos foi aquilo Draco?

— Aquilo o que?

— Não se faça de idiota!

— O que foi que eu fiz?

— Aquilo é jeito de tratar o Carl?

— Tratei o Carl de que jeito? – A voz saiu carregada de asco quando ele pronunciou o nome do homem.

— Não me venha com essa. Você quase o expulsou.

— Nada disso, ele só disse uma coisa certa e eu concordei. Não tô afim de vela mesmo.

— Não seja ridículo Draco. Carl é meu amigo, a gente não se vê há um tempão.

— Pois mande ele matar um porco e convidar para um churrasco.

Astoria estreitou os olhos.

— Vai ficar agindo como moleque? Vai mesmo? Ótimo, então façamos um trato, me procure quando quiser conversar como o homem com a idade que você tem. Até lá, fique brincando de caça-fantasmas sozinho.

Então ela lhe deu as costas e saiu. Saiu irritada e pisando duro. Não foi muito longe, eles estavam num cinema, ela simplesmente entrou no banheiro feminino, achando que estava segura, tentando fugir dele e da raiva que sentia naquele momento.
Mas ela notou muito rápido que estava enganada e que o fato de ser um banheiro feminino não a protegia em nada, quando Draco entrou e trancou a porta.

- Você tá louco? Isso é um banheiro feminino.

— Não me diga.

— O que você quer Draco?

— Quero que você me explique exatamente por que se irritou com a minha reação.

— Como assim explicar? Você quase mordeu o Carl e sem motivos.

— Sem motivos? Ver você se derretendo para o seu ex não é motivo?

— AHH NÃO SEJA BABACA DRACO! Primeiro, eu não estou me derretendo para ninguém, segundo Carl nunca namorou comigo, foi apenas uma paixonite...

— Tô ME LIXANDO, sabia? Tô me lixando se ele foi uma paixonite, um namorado, um marido, o que for, por que... Por que... Não sei por que também! Só sei que ver você com ele, ver... Eu... Eu... – Ele passou a mão no rosto buscando controle – Eu tô com ciúme. Tá? Fiquei mesmo com ciúme desse... Desse... Cara e...

— Já chega Draco! Já chega!

Não era aquilo que ela queria gritar, nem era gritar que ela queria, se fosse obedecer as vontades que lhe acometeram naquele instante ela o teria agarrado. Mas era um pouco demais entender que estava excitada com o ciúme dele.

Ciúme sempre lhe deu raiva, era o cumulo da infantilidade na opinião dela. Mas com Draco estava sendo diferente, era bonito e afrodisíaco vê-lo irritado com ciúmes do Carl.

Uma vontade insana de provocá-lo brotou, mas ela decidiu que aquela não era a melhor hora para fazê-lo, então tentou apenas conter aquela avalanche de desejo que teimava em queimar entre suas pernas.

— Chega nada, não chega nada. Será que você não percebe que ficam todos estes urubus te cercando, o tempo todo? Que porra é essa? Eu tenho mesmo que ficar calado?

O útero dela pareceu dissolver.

— Você não sabe o que está dizendo, não tem ninguém me cercando Draco, pelo amor. Você está vendo coisas.

— Não tô nada, você pode até não perceber Tori, mas um homem sabe quando o outro cara tá com má intenção na mulher pelo olhar.

Ela riu.

— Ah é mesmo? Agora eu sou burra ou cega? Por que para não notar um cara dando encima só sendo um dos dois.

— Nem um, nem outro, você só não tem olhos atrás para ver como eles olham a sua bunda.

Ela cravou as unhas nas palmas das mãos tentando conter o tremor que a força na voz dele lhe causava.

— Acho melhor colocarmos um ponto final neste assunto agora... É melhor enquanto nós não estamos...

— Brigando? Não já estamos? E não vamos colocar um ponto final na historia até você entender que é, eu tenho ciúme de você. Tenho muito ciúme de você. Por que você é minha e eu sou mesmo um filho da puta possessivo e medroso e tenho medo de te perder.

— Dray... — Ela ia dizer alguma coisa, mas as palavras falharam quando ele se aproximou, impondo toda a presença que possuía no momento.

— Você é minha Tori. Fico realmente penalizado de todos esses idiotas que deixaram uma mulher como você escapar entre os dedos, mas eu não vou cometer o mesmo erro. Não vou. Você é minha agora e vai ser minha para sempre. Eles se fuderam, não vão mais ter você. Eu não vou deixar.

Ele não esperou para saber se ela gostou ou não gostou de sua resposta, simplesmente a beijou prensando-a na parede com vontade.

— Draco...

— Não vou deixar... – Ele a fez recuar até o limite da parede então agarrou seu braço e puxou-a para si – Não vou deixar...

O fim da frase foi um protesto estrangulado, misturado com o som do choque dos lábios e o gemido abafado que ela proferiu quando ele a beijou. E foi fácil se perder...

No pecado do ato, na ansiedade do corpo, no perigo do momento...

Astoria também não conseguiu tomar o controle de si mesma, ainda que soubesse que o lugar não era apropriado, que a maneira não era a mais correta e os motivos eram preocupantes, ainda assim ela também não conseguiu se conter.

Quando as mãos de Draco seguraram-na firmemente nas costas, trazendo-a para si, sem chance de protesto, as suas também ganharam vida, puxando-o no pescoço para aprofundar o beijo, para torná-lo mais duro, mais faminto, mais violento e nem por isso menos gostoso.

Parecia certo... Tão certo... Nunca pensou que a raiva pudesse proporcionar tesão, era mais uma das descobertas que estava fazendo com Draco Malfoy... Geralmente quando tinha estes sentimentos ruins se afastava das pessoas, sentia raiva, irritação, queria distancia, mas com Draco... Com Draco era tudo tão diferente... Qualquer emoção atingia picos elevados de tensão, e tudo sempre terminava em desejo.

Em segundos ela estava prensada, entre a parede gelada do banheiro e o corpo fervente de Draco, os lábios já inchados, vermelhos e ainda assim grudados aos dele, as mãos nos cabelos loiros finos, bagunçando-os, maltratando-os com puxões.

Ela queria machucá-lo, queria muito, era uma vontade quase... Tão sádica quanto... Mas quanto mais ele gemia abafado em sua boca entre a dor e o tesão, mais ela queria marcá-lo, puni-lo.

Pelo que?

Pela dor descontrolada no ventre dela, pela quentura quase infernal que açoitava seu corpo, pelos tremores incontroláveis e a necessidade animalesca que ela sentia em ficar nua e ser penetrada. Estava num banheiro publico, haviam acabado de brigar, e agora ela só queria ser possuída, só queria que ele a tomasse com tanta fúria quanto o corpo dela emanava.

Ela mudou a posição, encostando-o onde estava anteriormente, e abriu-lhe a camisa, descendo a boca pelo queixo, pescoço, até chegar em seu peito, aplicando ali mordidas fortes, que deixariam marcas por dias.

Draco sentia tudo dentro de si comprimindo e expandindo num frenético pulsar intenso, como se cada órgão do seu corpo estivesse desenhando uma coreografia igual. Puxou-a de volta para encostá-la na parede.

As mãos masculinas ansiosas buscaram os botões da blusa enquanto ela não teve paciência para tanta delicadeza e desceu a camisa pelos ombros dele, de qualquer maneira, quase rasgando.

Eles não conseguiam ficar quietos, não conseguiam ir mais devagar, rolavam pela parede trocando de lugar como se movimentar-se com aquele desespero pudesse aplacar um pouco daquela loucura.

O sutiã dela subiu sem sair do corpo, a calça dele caiu no chão sem ser retirada das pernas. Ele cansou de lutar com ela pelo lugar e a prensou definitivamente na parede, levantando sua saia até a cintura enquanto as mãos dela escorregavam pela cintura até as partes mais baixas para acariciá-lo sobre a cueca.

Ela parou o beijou quando a mão cobriu o pênis excitado, olhou-o e sorriu de uma maneira tão provocante que ele pulsou sob a mão dela. Então ela apertou seu membro excitado. O ventre dele ardeu e seu corpo ganhou vida, ele se moveu contra a palma da mão dela mesmo sabendo que não conseguiria alivio daquele jeito.

— Quero... — Ele disse abafado, ansioso, quase asfixiado.

— Vem.

Ele queria, muito, queria muito penetrá-la, mas a vontade de prová-la se sobrepôs e ele largou sua boca, descendo a língua num caminho desgovernado pela sua pele.

Lábios... Queixo... Garganta... Colo... Demorou-se mais nos seios. Se perguntasse a Draco qual a parte do corpo dela que mais amava, ele engasgaria para responder por que não conseguia decidir, a única coisa que sabia era que gostava muito dos seios dela. Muito.

Astoria tinha seios fartos, muitas pessoas o descreveriam como grandes, ele o descrevia como perfeitos. Perfeitos para o tamanho das suas mãos, e a intensidade de suas ideias. Ela desceu as mãos em sua bunda e apertou-a antes de traze-lo para si, seus sexos se chocaram e eles sentiram pulsar.

— Você disse que queria... — Ela disse rouca.

— E quero...

— Tá demorando Dray...

— Eu só... Estou...

— Vem... Vem Dray, vem.

Ele sorriu de lado, um riso meio safado meio satisfeito e a puxou para si, sentou-se num apoio ao lado da parede e a trouxe consigo, sem lhe dar qualquer chance de concordar ou discordar. Ele apenas a puxou e a fez sentar em seu colo penetrando-a.

Ela gemeu abafado por que no instante em que o sentiu entrar desceu a cabeça em seu ombro e afundou os dentes em sua carne. Sentiu-o sair e entrar de novo, bem devagar.
Sua excitação escorreu entre suas pernas.

— Ai.. Dray... Mais... Mais...

Ele obedeceu.

Afundou-se mais forte, mais forte segurando a cintura dela para estabelecer o ritmo dos movimentos. Fazia com que ela subisse e descesse encima de si, sem que o membro rígido deixasse completamente o interior dela. A respiração dele era abafada, entrecortada e audível. A dela eram gemidos finos e arrítmicos. Ela segurou seu rosto e ele sua cintura. Os movimentos continuaram mais tensos, intensos, aumentando à medida que as respirações se alteravam mais e mais.

Ela deitou a cabeça em seu ombro, apertando-se completamente ao corpo dele, sentindo o calor insuportável que antecedia seus orgasmos se formando em seu ventre. Sua parede vaginal começou a pulsar frenética e deliciosamente e ela não conseguiu evitar um gemido longo, similar ao miado de uma gata.

Os dedos dele apertaram a carne da sua cintura no momento em que ele sentiu o pênis inchar e latejar, ficaria uma marca, provavelmente uma marca arroxeada por causa da força da pressão, mas ele não pôde evitar, a dor e o tesão misturados eram fortes demais, o orgasmo veio violento. O que veio a seguir foram inevitáveis rajadas quentes e fortes segundos depois ela mordeu-o no ombro tentando em vão suprimir o gemido que anunciou seu orgasmo.

Eles ficaram largados, na mesma posição, um tempo depois que os movimentos cessaram. Não disseram nada, apenas os sons das respirações e o bater frenético dos corações se faziam audíveis, cada um do seu jeito.

Como se as palavras não fossem necessárias.

Algum tempo depois Astoria levantou-se, sem olhá-lo. As faces avermelhadas, cor que podia ser atribuída ao ato sexual recente, mas Draco sabia que não era só isso. Ela estava furiosa e envergonhada, com ele e consigo mesma.

Ela começou a pegar as roupas do chão e vesti-las desajeitadamente. Ele vestiu as calças e abotoou a camisa de maneira torta, viu-a pegar a bolsa jogada no chão e tentar ajeitar os cabelos sem sucesso, desistindo e prendendo-os num rabo de cavalo.

— Tori...

— Nem vem Draco. Vamos embora. Quem sabe em casa a gente converse — Ela disse isso e saiu, o salto açoitando o piso de mármore, denunciando sua irritação. Ele apenas sorriu. Depois daquilo, como não sorrir?

...

Astoria entrou em casa primeiro. Ela tinha feito a viagem de volta inteira calada, mesmo que Draco tivesse, por uma ou outra vez, tentado uma conversa.

Bateu a porta mesmo sabendo que ele entraria logo em seguida. Draco estava tentando decidir se estava mesmo se divertindo com aquilo ou se começava a ficar preocupado. Eles não tinham tido uma discussão tão intensa até então.

As consequências haviam sido deliciosas, mas ela parecia genuinamente irritada. Ele entrou com calma, ia puxá-la e acalmá-la. Pedir desculpas, pelo que tinha feito.
Ouviu um barulho do quarto, pareciam portas batendo e coisas sendo jogadas. Quando ele cruzou a porta, viu que ela estava com uma mala aberta e estava pegando algumas coisas.

— O que tá fazendo Tori?

— Vou dormir nos meus pais Draco, e passar um tempinho por lá. Vou precisar disso aqui.

— Tori... Por quê?

— Por que? Por que? – Ela jogou as roupas na cama – Por que você é um desgraçado Draco. Por que você... Você me deixa louca, nos dois sentidos! Você viu o que você fez?

— Depende... Antes ou depois do banheiro? — Ela jogou uma peça de roupa nele.

— VAI SE FODER DRACO! — Ele se aproximou e antes que ela pudesse notar ele a prendeu em seus braços.

— Sai daqui! — Ela gritou, mas ele apenas sorriu e beijou o pescoço livre dos cabelos que estavam amarrados ainda no mesmo rabo-de-cavalo feito às pressas. Sorriu mais ainda quando a viu arrepiar-se inteira.

— Não... Você não quer que eu saia, e você não vai a lugar algum.

— Não... Draco... Eu vou... Sim… — Ela gaguejou enquanto ele respirava muito perto do seu pescoço, tentando parecer firme.

- Não vai não... Do que você tá com raiva?

— E você... Ai caralho pára! Você ainda pergunta seu cínico? – Ele mordiscou de novo o pescoço dela – Pára, filho da puta.

Ele riu.

— Por quê? Diz…

— Por quê? Você viu como foi estupido com o Carl?

— Humhum, vi sim.

— Idiota... – Ela balbuciou já mais fraca – Você... E depois... Você... Meu Deus, aquilo era um banheiro percebeu?

— Humhum, percebi.

— DE UM SHOPPING!!

— É... Foi delicioso não foi? — Ela o olhou, um misto de concordância e perplexidade.

— Você é um… — Mas ele não a deixou terminar.

— Ah, cale a boca Astoria.

Então a beijou.

O rabo-de-cavalo meio torto foi desfeito pelas duas mãos dele que se embrenharam entre os cabelos dela. Os movimentos de Astoria foram meio automáticos. Ela passou a mão pela cintura e subiu-as abraçando-o por completo.
Era assim com ele, como nunca havia sido com nenhum outro. Parecia haver um comando dentro dela, um comando ao qual ela nunca desobedecia.

Por um momento tudo o que tinha acontecido se esvaiu da mente dela.

A única coisa que existia era ele e suas mãos quentes e trêmulas entre seus cabelos. Ele e o corpo rígido pressionado contra o seu. Ele e aquele cheiro único que parecia o mais poderoso dos afrodisíacos. Ela o apertou entre os braços, o beijo ficou mais forte, as respirações se tornaram audíveis.

A realidade se chocava contra o desejo.

— Draco...

— Não fala...

— Não Draco...

— Tori… Por favor não fala, vem cá vem, me beija...

— Eu quero...

— Então beija...

— Mas não... Podemos... Ai... Resolver tudo… Com sexo…

— Ah podemos sim Tori.

— Ai meu deus...

As palavras saiam embaralhadas, por causa do beijo, da respiração entrecortada. A ansiedade que o ato de fazer amor com ele, lhe causava, a expectativa de que ele a deitasse naquela cama e a consumisse do jeito que só ele sabia.

— Não... Nós...

— Conversaremos... Depois…

— Não... Tá certo isso... — Ele beijou-lhe o pescoço e mordiscou a pele fina, causando-lhe tremores.

— Oh pelo amor de Deus Astoria, eu estou excitado ao limite, pare de falar. Eu prometo que conversamos depois. Então ele cobriu a boca dela com a sua novamente. Eles se beijaram por muito tempo, sem separar as bocas, parando por milésimos de segundos, apenas para tomar um pouco de ar.

Ele a virou de costas, prendendo-a em seus braços como na posição que estavam antes. Beijou o pescoço, a mandíbula. As mãos desceram pelo corpo dela, demorando brevemente nos seios, onde ele acariciou devagar, apertando-os, massageando-os, incitando os mamilos com as pontas dos dedos, mesmo por cima da camisa.

Uma das mãos se ocupou em continuar excitando seus seios, enquanto a outra desceu, abriu o botão da saia, folgou-a e deixou-a cair um pouco, aproveitando o espaço para que sua mão entrasse na calcinha dela.

- Ai Drayzinho.

— Shh, só um pouco Tori... Só um pouco. Eu quero sentir o quanto eu te deixo louca, deixa eu senti deixa, morena, deixa, por favor.

Astoria queria ser forte e negar, mas já não estava mais no controle de seu corpo ou dos seus batimentos cardíacos que disparavam cada vez mais.

— Eu deixo. Eu deixo, me toca, Dray, me toca gostoso como só você sabe, vem.

— Eu amo... Essa calcinha, e amo ainda mais o que está dentro dela.

— Draaaacooo — Ela sibilou quando o dedo dele resvalou em seu clitóris já molhado. O pênis duro, roçando em suas costas.

Ele a masturbou, por longos minutos, devagar... Sem alterar o ritmo, nem dos dedos, nem dos beijos. Mesmo que os gemidos dela teimassem em pedir exatamente o contrario. Astoria ora pedia, ora xingava coisas ininteligíveis, balbuciava palavras soltas e tentava a todo custo ficar de pé.

— Gostosa... — Ele sussurrou no seu ouvido e sentiu que ela tentava se virar – Shh, quietinha minha menina...

— Dray... Por favor... Eu quero te tocar também — Ele fechou os olhos com força e soltou o ar, quando sentiu, que ela, mesmo sem mudar de posição, enfiou a mão por dentro das suas calças, alcançando e encobrindo com a mão o sexo duro e pulsante.

— Ai... Puta que pariu!

- Machucou amor?

— Não, é gostoso, é muito gostoso... Continua... Con... Tinua... — Ela fechou a mão com mais força e ele gemeu mais alto.

— Gosto... De...Te tocar...

Foi quase um susto para ela, quando sentiu os próximos movimentos que ele fez, tirando sua mão de dentro das calças, girando-a de frente e levando-a para cama. Tão de repente que ela deixou escapar um grito baixo e fino.

- Draco... — Os olhos dele estavam alterados, escurecidos e meio vidrados.

— Quero... Você... Seu gosto... Quero chupar você agora.

Puxou a saia e a calcinha juntas, deixando-a nua da cintura para baixo. E subiu em seu corpo, tentando controlar-se ao máximo. Abriu a blusa, mas não a tirou, deixou-a apenas aberta com os seios à mostra e beijou-os.

Ela suspirou, seus olhos reviraram e se fecharam. Astoria já havia tido outras experiências sexuais, boas, excitantes, mas nada se comparava a tudo o que Draco a fazia sentir, nem a maneira como seu corpo reagia a ele.
Ele desceu os beijo, pela barriga, lambendo seu umbigo, demorando alguns segundos lá, até chegar bem no meio das suas pernas. Ele desceu mordiscando sua coxa direita, lambendo-a, provocando Astoria até o limite do que ela podia suportar.

— Draco... Por favor...

Ele desceu um pouco mais, mordeu de leve, chegou muito perto de onde ela desejava, a respiração dele açoitava seu desejo pulsante e pareceu levar uma eternidade até que ele decidisse acabar com a sua agonia e mergulhasse a língua dentro do sexo dela.

Astoria se contorceu e pareceu criar um novo idioma.

A língua dele traçava o desenho de uma serpente, se locomovendo rápido e desordenadamente, Astoria sentia todo seu sexo pulsando, como se estivesse prestes a explodir.
O orgasmo estava muito próximo, a dor muito forte. Ela agarrou nos lençóis da cama tentando controlar os solavancos do seu corpo, então a campainha soou alto, alto demais em seus ouvidos.

Eles tentaram ignorar, mas a campainha foi mais insistente do que Astoria conseguiu suportar. Ela se moveu e ele a segurou.

— Não... Deixe tocar…

— Amor…

— Deixe…

Ela voltou a deitar a cabeça no travesseiro e sentir as delicias da lingua dele em seu clitoris, mas a campainha ainda soava lá fora.

— Não dá Draco... Assim... – Ela se afastou dele e desceu da cama cambaleando – Não dá... Se for... Importante.

— Astoria...

— Se for urgente?

Ele esfregou o rosto irritado enquanto ela vestia-se às pressas. Ela saiu do quarto, tentando normalizar os cabelos e a respiração e ele chutou o guarda-roupas.

— PORRA DE CAMPAINHA! VOU ARRANCAR ESTA MERDA!

Astoria abriu a porta no exato momento em que ele gritou isso audivelmente.

O garoto que estava na porta arregalou os olhos.

— Eh... Tori... Desculpa...

— Cody... O que foi?

- Er… Hoje… Er digo… Matt me pediu, para te avisar que precisa de você no Burns hoje e ele me disse que eu não voltasse até te achar por que era muito importante e aquela senhora ali olha – Ele apontou uma mulher na casa da frente, apoiada no muro – Me disse que você estava ai, então eu pensei que você estava dormindo, eu não queria acordar você, mas, eu precisava te dar o recado...

— Tudo bem Cody, tudo bem, The Burns hoje, que horas?

— Nove.

— Otimo, nove. Volte lá e diga ao Matt que eu estarei lá, e que se ele voltar a mandar você aqui antes das seis da noite, eu vou cortar o pau dele fora, agora vá.

O menino tornou a arregalar os olhos e depois saiu correndo.

Ela fechou a porta e encostou-se nela, tentando achar força nas pernas para voltar para o quarto, mas nem precisou. Draco estava na sua frente. O mesmo olhar faminto, brilhando.

Ele andou até ela sem dizer nada, apenas arrancou-lhe a saia que ela tinha vestido as pressas, então a encostou na porta, forçando sua perna entre as dela e a beijou.

— Vamos voltar...

— Não.. Aqui mesmo… — Ele forçou o sexo contra o dela, e Astoria gemeu mais alto.

— Ai...

— Caralho, preciso... Aqui não… Eu… Caralho, vem comigo.

Ele a pegou nos braços.

Draco a carregou, meio desorientado pela casa, procurando um lugar para deitá-la, o caminho mais curto foi o da cozinha. Ele a apoiou na mesa e abriu a camisa que ela vestia arrebentando todos os botões.
Deixou-a nua e a deitou na mesa, beijando seu corpo com uma vontade redobrada.

- Ai, ai, meu Deus Draco!

— Preciso amor... Entrar em você.

— Entra! Entra agora por favor... Agora — Ele tirou a própria calça e em seguida a penetrou sem esperar.

— Puta que pariu Dray! — Ela gemeu alto, enquanto ele sibilou agoniado.

As penetrações já começaram fortes, desordenadas, apressadas. Ela se agarrou a ele com o corpo todo.

O orgasmo voltou a dar sinais dentro dos dois, mas Astoria queria mais, queria tudo daquela transa, as vontades dentro dela se misturaram e se confundiram, então de repente explodiram.

Ela aproveitou o momento em que ele ergueu o corpo e montou em seus braços, subiu nele rápido, encaixando os braços em seu pescoço, as pernas em sua cintura, ele cambaleou por ter sido pego de surpresa, e a virou apoiando-a na parede, sem se desconectar dela nem por um segundo.

O sexo dele estava próximo de uma erupção vulcânica, quente, pulsando e completamente inchado. Ele continuou a penetrá-la na parede, sem descanso.

Astoria gemia, sem controle, arranhando-o, puxando seus cabelos, mordendo-o. Ela puxou-lhe os cabelos e o mordeu forte. O corpo dela arqueou de um jeito que os fez se afastarem da parede, Draco perdeu o controle e eles caíram. Ela caiu por cima.

Eles se encararam uns instantes, ambos os olhos faiscando desejo, e em seguida gargalharam.

— Oh meu amor, eu te machuquei?

- Não pequenininha tô bem. Tô bem, não pára, não pára. Vem... Vem para mim, vem...

Eles se beijaram de novo. Desta vez mais lentamente. De olhos abertos. Encarando-se, declarando-se com os olhos.

— Eu te amo Draco.

Ele acariciou seu rosto.

— Eu te amo pequena. Você é minha... Só minha, minha mulher... Minha dona. Me cavalga, vem.

Astoria fechou os olhos, enquanto ajeitava-se e deixava que ele deslizasse dentro dela. Guiou-o até o mais fundo que conseguia.

— Ai Dray...

— Me cavalga meu amor — Ela ergueu o corpo ficando quase sentada e arranhou-lhe o peito.

— Deus..

— Vem comigo Astoria...

— Eu... Ai... Dray... Eu estou... Quase... Lá — Ela gemeu, aumentando o ritmo dos movimentos. Ele segurou sua cintura e estabilizou os movimentos.

— Vem comigo amor vem.

Ela fechou as mãos em seu peito e o arranhou. Ele grunhiu. Draco havia descoberto com muita surpresa que gostava de sentir dor durante o sexo. Com Astoria. Ela havia sido a única mulher a despertar-lhe esta fantasia. Ele gostava de ser arranhado, mordido... Só por ela.

— Mais Dray... Ai… Eu… Vou… Ai Dray… Ai, ai, ai, caralho, caralho…

Ela deixo o corpo cair sobre ele de novo, encaixando-se, aumentando os movimentos do quadril, rebolando desgovernadamente, ouviu-o grunhir um pouco mais alto, apertá-la com muita força e aumentar a penetração e quase rugir quando gozou.

Ela sentiu o prazer quente espirrando e espalhando dentro dela e depois escorrendo em sua conexão com ele, não suportou mais, e deixou-se gozar. Tão forte, tão forte, que pensou que nunca mais acabaria.

Olhou-o por um momento. Ele estava de olhos fechados e era tão perfeito. Tão perfeito para ela. Astoria sabia que nunca conseguiria entender aquele amor. A dimensão, ou a composição dele, mas não queria saber, não importava, tudo o que importava era tê-lo. Tê-lo para sempre.
E ela o tinha.

Ele abriu os olhos e a encarou.

- Eu te amo Dray — Ela sibilou.

— Eu te amo minha vida. Vem cá, me abraça.

O mundo voltou a existir e eles se deram conta de que estava chovendo.


— Estamos no chão — Ela disse enquanto o abraçava.

— É, estamos...

Eles riram

— Não consigo levantar amor. Estou com frio.

Ele arqueou a sobrancelha.

— Não precisa, me espere, dois minutos.

Ele levantou com dificuldade e foi até a sala, voltou com um cobertor que estava sobre o sofá. Cobriu-a e depois ajeitou-se embaixo dele com ela em seu peito.

— Venha, fique aqui comigo.

— Eu te amo...

Ela fechou os olhos.

— Eu te amo para sempre Tori.

Ele os fechou também.

...

Harry havia saído da reunião exausto. Não que tivesse qualquer dificuldade em conduzir seus negócios e sim por que considerava seus sócios homens maçantes e cansativos. Harry os considerava homens burros e atrasados. Nem todos os PHD’s que carregavam no currículo o faziam pensar diferente.

Eles eram lentos, radicalmente padronizados, pareciam ter implantado um chip com coordenadas que seguiam a risca. Não tinham um pingo de instinto nem coragem, a única coisa que neles que interessava a Harry era o dinheiro.

Ele não tinha nada, nem mesmo o segundo grau, saíra do orfanato antes de completar qualquer grau respeitável de estudos. Mas tinha faro... E era isso que era preciso.

Para que um monte de números idiotas que sempre davam errado no final. Os negócios eram uma selva, e você tinha que viver de acordo. Ou era presa ou predador. Harry sempre teve as garras e os dentes. Era por isso que tinha apenas 32 anos e bilhões a mais que todos aqueles velhos retardados que se achavam o máximo por fumar charutos e falarem japonês.

Harry não entendia uma palavra em japonês, mas tinha negócios bilionários em Tókio.

Ele estalou os ossos do pescoço movendo a cabeça de um lado para o outro e depois fez a mesma coisa com os dedos. Precisava relaxar. Precisava de Gina. Assim que resolvesse as ultimas pendencias da reunião passaria na casa dela e a levaria para jantar. Depois eles fariam...

Ele interrompeu o pensamento e disse em voz alta.

— Depois teremos diversão — Falou em tom forte e claro para si mesmo, como se quisesse afirmar que aquilo que eles tinham era mesmo só diversão.

Pegou uns papeis em cima da mesa e começou a jogá-los de lado.

— Chato... Chato... Chato... Muito, muito chato… — Ele jogava um papel a cada palavra – Chato demais... Chato ao quadrado. Nossa, chato para caralho, já chega. Preciso transar — Ele pegou o telefone e discou para recepção.

— Me ligue com Gina Weasley. Rápido.

E enquanto esperava folheou os últimos documentos, até que o penúltimo papel, menor que os outros e com menos linhas escritas chamou sua atenção.

— Senhor Potter a senhorita Weasley encontra-se atualmente incomunicável.

Mas Harry não respondeu, os olhos estavam presos à folha.

— Senhor Potter? Senhor?

Ele baixou o telefone devagar e recolocou no gancho enquanto relia as linhas da folha. Em seguida pegou o telefone de novo e discou para recepção.

— Encontre Gina Weasley, e encontre-a agora.

Meia hora depois o telefone tocou, ele ainda estava relendo a mesma folha, sua expressão era dura, fria, mas havia um traço de perplexidade em seus olhos.

— Potter.

— Senhor Potter, a senhorita Gina Weasley vou identificada, estou passando o endereço para o seu computador agora.

Harry olhou de esguelha a tela.

— Otimo. Mande tirar o carro, sem motorista.

— Mando algum segurança?

— Não – Ele foi enfático – Eu vou sozinho.

...

Colin entrou no apartamento pequeno e mobiliado, pousou a única mala que trouxe no chão. Gina entrou em seguida.

— Não é o melhor lugar do mundo Coll e nem é a mansão ao qual você está acostumado, mas é o que dá para sua mesada e meu salário pagarem.

— É ótimo Gi.

— Vamos ficar aqui por enquanto Coll, até você resolver as coisas com seu pai. Eu queria mesmo sair da casa do Rony, eu sei que ele não leva a Hermione lá em casa por que eu estou lá.

Colin sorriu.

— Vamos nos virar aqui, não é?

— Claro que vamos linguiça.

— E o Mike?

— O que tem Michael?

— Ele vai surtar quando souber que você veio morar comigo e não com ele.

Gina riu.

— Falando assim parece que troquei ele por você seu mongol. E Mike não manda na minha vida.

— Sempre brava em Ginevra?

— Sempre. Olha tem dois quartos e são praticamente do mesmo tamanho, você pode escolher o que quer.

— Ah qualquer um.

— Então vou ficar com este mais perto do banheiro, ok?

— Ok.


Gina sorriu.

— Vou guardar minhas coisas — Ela pegou a mala e andou alguns passos.

— Gina...

— Oi Coll.

— Por que você tá fazendo isso?

— Como assim por que retardadinho? Por que eu te amo.

Ele sorriu sem jeito.

— Mas eu sou culpado Gina...

— Mas não importa Colin. Você não é marginal, e eu sei disso.


— Eu também te amo — Ele respondeu. O brilho nos olhos diferente. Ela sorriu de volta e segurou a mala com mais força.

A campainha tocou. Gina continuou indo para o quarto, enquanto Colin atendeu a porta. Ela estagnou com a voz que ouviu.

— Chame Gina. Diga que Harry Potter está aqui.


"Olho por olho, e o mundo acabará cego"

Mahatma Gandhi