Intimidade

5 Fantasmas


"Entre o sonho e o desespero… Sucessão de cenas incoerentes. Praga chamada medo..."

Era cedo pra considerar Londres uma casa, um lar, mas Hermione já se sentia assim. Três meses haviam se passado desde a mudança brusca de Leeds e ela se sentia como se sempre houvesse pertencido àquele lugar.

Já tinha uma rotina. Transferira todos os seus projetos anteriores para outros funcionários da filial onde trabalhava, não queria nenhuma ligação com Leeds, queria entrar de cabeça nessa nova vida que chegava.

A instalação em Londres foi rápida, a empresa cuidara de tudo pessoalmente e com uma agilidade incrível. Em quatro dias, ela já estava em seu novo apartamento, e seu filho devidamente matriculado na escola local. Também não havia encontrado muitas dificuldades para arranjar uma governanta, alguém com paciência suficiente para cuidar de Joseph.

Hermione já havia assumido também, alguns pequenos projetos para cuidar, enquanto esperava as ultimas burocracias de seu maior desafio serem resolvidas. Estava ansiosa com este projeto, seria algo único em sua vida.
Enquanto vagava pela sala vazia, onde em pouco tempo estaria funcionando uma sala de massagem, ela só conseguia pensar no quanto se sentia bem, ali, longe de tudo, longe dos problemas e dos medos. De todos os seus medos.

Era sua folga, e ela estava no supermercado, com o filho. Joseph andava na frente, saltando entre os brinquedos, tentando desesperadamente encontrar uns novos quebra-cabeças, Hermione andava distraída, buscando os suprimentos necessários para sua cozinha e os alimentos dietéticos de Joey e não percebeu a movimentação atrás de si.

— Esse seu filho... Está cada vez mais... Parecido com o estúpido do pai.

Ela congelou, no lugar em que estava e na posição que estava. A voz grave com o sotaque acentuado e arrastado era inconfundível. O pavor rasgou seus olhos e eles petrificaram. Dizem que na hora da morte toda sua vida lhe passa diante dos olhos. Assim também é na hora de enfrentar seus medos, a única diferença é que não é a sua vida que você vê quando o medo te prende e sim todos os seus maiores pesadelos.

- Victor... – Ela disse com a voz fraca, sem sequer virar. Não precisava olhar para saber quem era, não precisava por que jamais esqueceria aquela voz, principalmente naquele tom.

— Desta vez, você foi muito ousada Hermione. Me deu muito trabalho e custou muito dinheiro te achar.

Ela permaneceu parada, o corpo todo trêmulo de medo, sem condições de reação.

— Você continua linda sabia? – Ele continuou falando – Precisamos conversar com calma meu amor, precisamos... Resolver estas coisas... Mas não se preocupe, nós... Teremos tempo.

Ele se afastou um pouco de modo a deixá-la com espaço para se virar, neste exato instante, Joey corria pelos corredores do supermercado em direção a mãe.

— Hey mãe, podemos levar isso aqui?

Ele mostrou um saquinho de jujubas coloridas.

— Vem com adesivos.

O garoto dizia todo animado antes de ver quem estava parado em sua frente, no mesmo instante em que viu Viktor Krum, o garoto empalideceu.

— Mãe...

— Está tudo bem Joe, está... Tudo bem...

— Oi Joey – Viktor disse olhando o garoto com uma expressão estranha – Como está problematicozinho?

O menino andou dois passos para trás.

— Mal educado como sempre hein? Quer jujubas? Doce? Deixou de ser doente?

— Viktor, deixe-o em paz. Meu filho... Não — Hermione disse num rompante de coragem.

— O filhinho da mamãe não, hein? Eu me lembro bem – Ele se aproximou mais de Hermione e ela encostou nas prateleiras – Ouça bem Hermione, não adianta, tentar fugir de mim... Não adianta correr de mim, eu sempre... Sempre vou achar você.

Ela continuou apenas encarando-o.

— A gente se vê, meu amor.

Ele depositou então um beijo leve nos lábios dela, e saiu andando como se nada tivesse acontecido.

Hermione sentiu as pernas falharem, mas se forçou a ficar de pé. Pelo seu filho que já parecia muito assustado.

— Mãe... – Joey a chamou baixo – Ele vai voltar?

Hermione viu o medo nos olhos do filho e aquilo lhe cortou o coração.

— Não meu anjo, ele não vai voltar.

Ela disse ajoelhando-se e abraçando o garoto, sua cabeça doendo, e o coração sofrendo com os pulos acelerados.

— Quero ir para casa mãe.

— Sim... Sim amor, vamos para casa, venha, vamos para casa.

Ela soltou o carrinho e desistiu das compras, pegou apenas alguns suprimentos de extrema necessidade e se apressou na hora de pagar. Quando estivesse mais calma e se sentisse segura, telefonaria e pediria a domicilio.

Segurou a mão do menino e saiu do supermercado às pressas. No caminho até o taxi olhou em volta diversas vezes como um animal amedrontado esperando ser atacado. Sentiu-se como um fugitivo.

O terror recomeçara.

...

Rony andava de um lado para o outro, já esperava o telefonema de Shacklebolt por um dia inteiro e ainda não havia tido uma resposta. Seu projeto estava parado há três dias à espera do novo decorador e o prazo estava ficando apertado por isso.

O dia estava chegando ao final, quando o telefone tocou, ele nem mesmo tinha esperanças que seu chefe lhe telefonasse mais naquele dia.

— Weasley.

— Senhor Weasley, ligação do senhor Shacklebolt na linha 2.

— Pode passar.

Segundos depois a voz baixa de Quim Shacklebolt soou na linha.

— Ronald!

— Quim! Que bom ter noticias suas. Alguma novidade?

— Sim, sim, a espera acabou. Nosso novo decorador já chegou e está pronto pra começar. Teremos uma reunião de urgência hoje, para apresentá-lo a equipe. Achei que seria melhor, diante do atraso, 9 horas está bom para você?

— Sim, quanto antes melhor, estamos mesmo com o prazo apertado.

— Ótimo, então. Até as nove Ronald.

Quando Shacklebolt desligou o telefone, Rony fez uma nova chamada.

O telefone tocou varias vezes até cair na caixa.

"Oi aqui é o Rony, deixe seu recado".

— Gina... Olha só, houve um imprevisto e eu não vou para casa, terei uma reunião, é mais viável ficar aqui. Talvez Harry apareça, portanto, tente não matá-lo ok? É só deixá-lo jogar e ele fica quietinho. Te amo.

...

O som estava ligado no ultimo volume e Gina não ouviu o telefone tocar, sequer prestou atenção na secretária eletrônica. Estava muito satisfeita com as entrevistas que fizera pela manhã. Começaria seu curso de direito criminal e se formaria com louvor.

Sabia que seria cansativo, mas não se importava, ela queria isso com todas as forças. Estava dentro de um dos casos mais importantes da cidade, tudo se encaminhava para a perfeição.

Ela girou o corpo ao som da musica, era envolvente, ela gostava daquele tipo de som. Jogou em cima da cama as peças que havia escolhido para se encontrar com Michael.

Sorriu sozinha.

Talvez matassem as saudades. Ela estava num dia bem propício para namorar. Estava com saudade, não necessariamente de Michael, sentia falta do contato masculino, da sedução. Havia meses que beijara um homem pela ultima vez.
Não estava apaixonada por Mike, talvez nunca tenha estado, mesmo quando namoraram, mas isso era o menos importante.

Michael era o tipo de homem com quem Gina gostava de estar. Inteligente, engraçado, educado. Ele a fazia sentir-se bem, bonita e desejada, ela não sentia falta de amar, mas sentia falta de contato.

Esta era a melhor parte de se envolver com Michael Corner. Sem laços, sem cobranças, ela tinha o melhor dele, apenas o melhor, não precisava perder tempo com as partes chatas.

Harry chegou ao apartamento de Rony e entrou com as chaves que tinha. Apesar de todo o dinheiro que tinha, àquelas horas, sozinho no apartamento do amigo, era o único momento em que ele se sentia em paz. Era também a única maneira de não ser achado. Ninguém sonharia que o poderoso Harry Potter passava suas tardes livres no apartamento de dois quartos de um arquiteto de classe média.

Ele entrou, seguiu para cozinha, pegou uma bebida e colocou o jogo no console do vídeo game, era sempre a mesma rotina. Ele já estava começando a jogar quando ouviu um barulho vindo do quarto.

Pensou imediatamente que era Rony. Não havia esquecido de Gina, mas o costume de seu melhor amigo morar sozinho foi superior e ele esqueceu de considerar a presença dela.

— Depois o folgado sou eu. Rony Weasley a essa hora em casa?

Ele soltou o joystick no sofá e foi em direção ao quarto de Rony, a porta estava entreaberta, mas o aposento estava vazio.

Ele franziu o cenho sem compreender muito bem o que estava acontecendo, achou que tinha ouvido alguma coisa, ou que talvez Rony tivesse deixado alguma coisa ligada dentro do quarto, um rádio talvez.

Mas segundos depois o barulho persistiu, mas vinha do aposento seguinte, um pouco mais para o fim do corredor.

Ele andou até lá devagar, sem fazer barulho, como um gato ladino. Havia aprendido muita coisa durante a sua adolescência nas ruas de Londres e Brighton, onde havia nascido. Um lugar muito bonito, mas pouco recomendável para se viver, uma das coisas que aprendera foi a passar desapercebido.

A porta estava aberta o suficiente para se ver boa parte do quarto. Os barulhos continuavam, mas ele não via movimentação alguma, estava quase entrando para verificar se havia algum ladrão quando o barulho de uma peça de roupa sendo jogada em cima da cama o fez recuar. Ele pôde ver um vestido estendido na beira da cama. Depois outra peça fora estendida sobre o móvel.

— Que merda! Como faz falta outra mulher em casa — A voz de Gina soou de dentro do quarto — O que eu faço agora?

Ele esperou calado, tentando ouvir se havia mais alguém com ela, mas pelo visto ela estava falando sozinha.

Ele recostou-se na porta e teve acesso a vista do espelho. Então e ele a viu. Ela estava de toalha, os cabelos ruivos, ainda mais vermelhos por estarem molhados só se viam alguns fios, pois o resto estava preso em uma outra toalha. Ela olhava freneticamente para as peças jogadas na cama, como se tivesse um grande dilema pela frente.

As pernas seminuas chamaram a sua atenção e ele sentiu uma forte vertigem no corpo que começou “de fora para o centro”, como ele costumava descrever a sensação de excitação que começava em pontos exteriores do corpo como braços e pernas e se concentravam na virilha.

Estava acostumado a sentir aquilo, mas não daquele jeito. Não daquela maneira tão intensa.

Gina andava de um lado para o outro na frente da cama, remexendo as peças de roupa que havia jogado lá. Harry continuou recostado na porta, olhando o reflexo dela no espelho. A respiração dele alterou quando ela segurou um vestido preto e colocou em frente ao corpo, quase ameaçando tirar a toalha, como se fosse prová-lo.

Ele se forçou a regular a respiração, se Gina não tivesse tão distraída ele teria sido descoberto. Não era do feitio se entregar tão facilmente, mas aquela mulher estava mexendo com a sua libido, muito mais do que lhe era normal.

Ele a viu sumir dentro do banheiro e voltar segundos depois vestida em um minúsculo conjunto de calcinha e sutiã de rendas pretas.

— Que merda é essa? – Ele sibilou para si mesmo quando uma gota de suor correu pelo seu rosto. Só então percebeu que estava tremulo e suado, e visivelmente excitado.

Uma coisa a qual Harry poderia se gabar até aquele dia era o controle que tinha sobre si mesmo. Não era homem de “pensar com o pênis”. Tinha uma vida sexual muito ativa, porém era sempre ele quem possuía o controle de tudo.
Nunca havia se deixado guiar pelo poder de sedução de uma mulher, era justamente o contrario o que acontecia. Em geral, elas que perdiam a cabeça por ele, e cometiam loucuras. Mas aquela ruiva em questão estava parecendo querer testar sua força de vontade.

Ela estava tão concentrada que não o viu entrar.

— Se for sair com um amigo, use o amarelo, mas se for um amante, não pode ser outro a não ser o preto.

Gina tomou um susto tão grande que no impulso caiu sentada na cama, com uma expressão amedrontada e a mão no peito.

— Filho da puta! Que susto!

Ele sorriu de uma maneira sacana.

— Desculpe... Eu só queria ajudar. Que boca suja Jessica Rabbit.

— O que você está fazendo aqui? Como você entrou aqui?

Harry a encarou com uma expressão divertida e andou até a penteadeira que ficava na lateral da cama, a mesma pela qual ele havia visto o reflexo dela.

A velha mania de remexer nos objetos.

— Que parte do “eu sou amigo do seu irmão” você ainda não entendeu?

— A parte do “desde quando Rony anda com babacas?” Ainda não está muito clara para mim.

Ele gargalhou.

— Muito espirituosa.

— Você ainda não me disse como entrou aqui.

Ela levantou e andou até a mesa de cabeceira, quando começou a abrir a gaveta sentiu algo batendo levemente em sua cabeça.

Olhou para trás e viu uma pequena bolinha de papel amassada no chão. Logo identificou como o cartão de visitas de Michael Corner.

— Mas o que...

— Não perca seu tempo pegando a arma, você sabe que não vai atirar. Vai sair com Michael Corner, o advogado?

Ela pegou o cartão amassado do chão e empinou o nariz.

— Vai me dizer que é amigo do Mike também?

— Ah não... Não mesmo. Mas qualquer pessoa que leia jornais sabe quem é Corner.

— Você sabe ler?

Ele riu mais alto e apanhou um porta-retrato da mesinha.

— Acho que sei, vamos fazer um teste. A marca da sua lingerie é Victoria's Secret

— Seu desgraçado! Você estava me espionando?

— Você estava com a porta aberta.

— Eu estou na minha casa!

— Tecnicamente eu também, afinal Rony sempre diz, “sinta-se em casa”.

Sem pensar, Gina pegou um peso de papel que estava em sua cabeceira e jogou nele.

— Ei! Você sabia que existem tratamentos para pessoas violentas. Isso é doença.

— Eu não sou violenta com todo mundo, apenas com invasores. Como entrou aqui?

- Eu tenho a cópia da chave, isso deveria parecer obvio já que eu entro aqui a hora que quero. Você não é muito inteligente, não é?

— Seu palhaço! Saia do meu quarto!

Ele sorriu de lado e virou o porta-retrato que estava na mão.

- Quem é a gostosa? – Gina arqueou a sobrancelha – A morena gostosa eu quis dizer?

— Alguém que nunca olharia para um palhaço libertino como você, sai daqui!

Ele pareceu não lhe ouvir. Sua expressão sequer se alterou.

— Vocês não se parecem.

Ele virou outro porta-retrato.

— É claro que nos parecemos! Por pouco não nascemos gêmeos. Tem gente que nos confunde!

- Não, não se parecem. Rony é feioso. E você é mais pálida.

— Pálida é a tua mãe.

— Você nem conhece minha mãe.

O sorriso sacana no rosto dele era o que mais a irritava.

- Nem faço questão de conhecer. Se você saiu dela, boa coisa não deve ter sido.

Ele se aproximou mais um pouco, ficando próximo a ela.

— E quanto a você? Violenta deste jeito, sua mãe é o que? Pugilista?

— Não fala da minha mãe seu imbecil. Cai fora daqui! Já te mandei sair!

Desta vez ela gritou, muito alto por sinal, mas não prestou atenção em como ele estava perto.

Harry a encarou sério. Não havia mais o traço de ironia em seu rosto. A distancia entre eles era mínima agora.

— Você é muito abusada sabia garota? Eu já disse uma vez, não me dê ordens, ninguém me dá ordens.

Ela riu com deboche.

— Você invade minha casa, me espiona, entra no meu quarto sem ser convidado e a abusada sou eu. Enquanto você estiver em meu território, eu dou quantas ordens quiser.

— Não, não dá não – Ele finalmente acabou com o espaço entre eles – Eu não gosto que me dêem ordens, e sempre que isso acontece, eu puno quem o faz, como farei com você se cometer este erro novamente.

— Como é que é?

— O que você ouviu. Me dê uma nova ordem e eu lhe mostrarei o erro que cometeu.

Gina estreitou os olhos, as faces vermelhas pela raiva.

— Some... Daqui... Seu... Idiota...

Harry sorriu de lado, um riso perigoso, um riso particular.

— Eu avisei ruiva. Não me dê ordens ou eu calo sua boca.

E então ele a beijou de surpresa.

Foi tão inesperado que nos primeiros segundos Gina não reagiu e isso deu a Harry tempo suficiente para agir. Ele a envolveu prendendo os dois braços dela entre os dele e a deitou na cama.

No instante seguinte, quando recobrou-se do susto, ela tentou se soltar, mas o peso e a maneira como ele lhe segurava tornou esta uma tarefa difícil. Os lábios possessivos que tomaram os dela, tornaram a tarefa praticamente impossível.

Aos poucos as sensações tomaram conta de Gina. Era como se ela conhecesse o gosto daqueles lábios, como se fosse viciada neles.

Aos poucos a resistência que ela tentava inutilmente impor cedeu, até que os braços correram para os lados e ela se deixou beijar, deliciando-se com as sensações.

O beijo passou de possessivo a faminto e os lábios duelavam numa cadencia corrida. As línguas se chocavam como se um quisesse provar para o outro que desejava mais.

Sem notar, ou sem conseguir controlar o impulso, Gina tirou a camisa de Harry numa velocidade recorde e os toques se tornaram ainda mais intensos.

As mãos que ele antes usava para prende-la agora exploravam o corpo quase livre de roupas. Gina prendeu as unhas nos cabelos pretos bagunçados e eles trocaram de posição. Agora ela estava por cima, ela comandava a ação.

As pernas seminuas enroscaram-se no jeans escuro da calça dele e os braços e mãos se confundiam entrelaçados uns entre os outros, perdendo-se nos fios de cabelo.

Não havia espaço, nem vontade de parar. Eles se beijavam cada segundo à frente com mais voracidade, mais fome, mais vontade. Eles se perderam um no outro. Esqueceram o que estavam fazendo, onde estavam e que podiam ser pegos a qualquer instante, esqueceram o mundo.

Gina sentou em seu quadril sem descolar os lábios dos dele, eles pareciam estar caindo de um precipício e o beijo parecia a corda que os segurava.

Harry correu as mãos que estavam emaranhadas no meio dos cabelos ruivos para baixo e acariciou o quadril, subindo devagar até o fecho do sutiã. Brincou com o elástico e ouviu um gemido abafado dentro de sua boca. O corpo respondeu ficando ainda mais rígido e mais tenso.

As coisas estavam fora de controle e não dava sinais de mudança. Ele estava quase abrindo o fecho do sutiã dela quando o telefone tocou.

O toque do celular soou como uma sirene de alta freqüência no ouvido de ambos, como um alarme de perigo tão alto que eles se separaram num pulo.

Gina saiu de cima dele, levantou-se da cama, espantada com as próprias reações. Recolheu-se como se houvesse tomado um choque ou sofrido uma queimadura.

Eles se encararam sem palavras alguns segundos enquanto o toque do telefone soava insistentemente.

Harry pareceu ser o primeiro a se recuperar.

Virou-se e ajeitou a calça que já estava com o botão aberto, em seguida pegou o aparelho que havia recomeçado a tocar em cima do criado-mudo e estendeu-lhe.

— Não vai atender?

Ela ainda o encarou como se não entendesse o que ele estava dizendo, ou não entendesse absolutamente nada do que estava acontecendo ali, mas pareceu se recuperar em pouco tempo assumindo a postura altiva e arrogante de antes.

Tomou-lhe o telefone da mão e atendeu olhando diretamente em seus olhos.

— Olá Mike.

Harry estreitou os olhos diante do tom de voz dela.

— Estou me arrumando... Meia hora... Claro, eu acho que...

Ela havia dado as costas a Harry para falar com Michael, mas surpreendeu-se ao ver seu celular ser tirado da sua mão.

— Mas o que...

Harry havia desligado o aparelho.

— O que você fez?

- Meia hora? Você não vai sair daqui em meia hora para lugar algum, não vamos conseguir terminar o que começamos em meia hora.

— Não seja ridículo! – Ela explodiu – Aquilo... Isto... Não vai... Não vamos terminar porcaria nenhuma, foi um erro...

— Você não vai sair daqui depois de me provocar desse jeito.

— O que? – Ela sentiu o sangue ferver – Eu provoquei você? Voce entrou no meu quarto, você me agarrou e...

— Você correspondeu.

— Seu cretino!

— Não vai se excitar comigo pra curtir com Corner.

— Seu desgraçado, filho da puta...

Ela tentou bater no rosto dele, mas Harry foi mais rápido e a segurou no pulso.

— Eu não faria isso se fosse você.

O celular recomeçou a tocar.

— Me dá meu celular...

— Não! Não é bem assim ruivinha...

— Harry, me dá o telefone...

— Só se você disser ao Corner que não vai poder sair.

Ela riu alto.

— De jeito nenhum. É um encontro profissional muito importante e mesmo que não fosse, quem você pensa que é pra me dizer o que fazer?

— O homem com quem você estava na cama ainda agora.

— Seu... – O telefone recomeçou a tocar e ela respirou fundo, forçando o autocontrole – Deus, eu não tenho tempo para isso. Harry presta atenção, o que aconteceu aqui foi um... sei lá uma loucura ok? E eu não vou continuar com isso, além do mais Rony deve estar chegando e se você conhece meu irmão um mínimo que seja sabe que se ele chegar e o vir aqui, a ultima imagem que verá é a mão dele.
Harry riu pelo nariz, mas não respondeu.

— Além de tudo isso, Mike ficará preocupado se eu não atender e virá aqui, portanto, eu acho melhor você se apressar e sair.

— Acha que eu tenho medo do seu namoradinho?

— Mike não é... Ah dane-se você seu crianção. Saia daqui ou eu vou chamar a policia.

— Ou eu posso atender o telefone e explicar ao Corner por que ele está sendo dispensado.

- Não se atreva! Não vou dispensar uma reunião importante, você se acha demais. Agora por favor, seja razoável para a idade que tem e me devolva o telefone.

Ele a encarou alguns segundos e estendeu o aparelho, mas quando ela foi pegar ele puxou de volta.

— Você tem razão, estou sendo irritante.

Ela rolou os olhos.

— Mas eu devolvo o telefone e não digo nada ao Corner se você concordar em jantar comigo amanhã.

— Chantagem agora?

— Chantagem é uma palavra muito forte Jessica Rabbit, vamos dizer que é uma negociação.

O telefone recomeçou a tocar insistentemente e Gina se preocupou com a reação de Michael.

— Ok, ok, vamos fazer o seguinte, eu te ligo e ai decidimos certo? Agora...

— Não. Você aceita, e eu te devolvo o telefone. Você não aceitar e eu falo com o Corner sobre a linda tatuagem que você tem na virilha, o que me diz?

— Eu digo que você é... Mas que droga. Tudo bem, agora me dá esse telefone.

Ele sorriu e entregou o aparelho que ainda vibrava a ela.

— Mantenha sua boca fechada, ou adeus jantar.

Ele sorriu e estendeu as mãos num sinal de redenção.

— Mike! Tá! Tá tudo bem sim desculpa. É que eu precisei atender uma pessoa na porta e me enrolei com o celular acabei desligando, demorou mais do que eu previ... Ok, eu... Acho melhor eu te encontrar lá, vou demorar um pouco ainda... Ok... Ok... Beijo.

Quando ela o encarou de novo ele tinha um sorriso sacana no rosto.

— Ele sempre foi babaca assim mesmo?

— Não fala do Mike, você nem o conhece.

— Tudo bem ruiva, eu não quero irritar você. Temos um jantar afinal de contas.

— Meu nome é Gina e eu estou indo jantar com você por que você é um porco chantagista, agora, por favor saia do meu quarto, alias, saia da minha casa, eu quero me trocar.

Ele consultou o relógio com um ar prepotente.

— Eu vou... Eu realmente tenho que ir. Ah... Se o encontro é de negócios, eu iria com o verde, mas amanhã, comigo você pode usar esse vermelho sexy.

— Vai se foder.

Ele se aproximou da porta e piscou pra ela.

- Você tem um beijo incrível Jessica.

Uma vontade insana de sorrir veio e ela tentou segurar, mas não conseguiu impedir que a sombra do sorriso aparecesse em seu rosto. O que só serviu para aumentar o ar irônico de Harry.

— Já disse que meu nome é Gina.

— Mas vamos combinar que Jessica é mais bonito, né? Opa!

Ele se abaixou bem a tempo de evitar que um massageador de madeira lhe acertasse a testa.

— Estou ansioso por amanhã – Ele piscou pra ela – Acredite, vai ser inesquecível.
Ela lhe mostrou o dedo médio e ele saiu sorrindo.

Ela se cobriu com o robe que estava pendurado ao lado da cama e olhou da porta. Ouviu o barulho da porta principal fechando e foi se certificar se ele realmente tinha saído.

Quando teve certeza dele ter ido, arriou no sofá, tentando lutar contra a vontade de rir cada vez que a imagem do beijo lhe vinha à mente.

Andou até o quarto xingando-o e praguejando contra ele, mas quando deixou o apartamento, estava com o vestido verde.

...

Ela ouviu saudações vindas de todos os lugares da mesa, e só então seus olhos percorreram cada assento observando os rostos de seus novos colegas de trabalho. O sorriso permaneceu no rosto até seus olhos encontrarem os de Rony.

Então ela também paralisou.

Seu sorriso morreu e seu coração disparou. Como que uma epidemia ela ensurdeceu como se tivesse em estado de choque, só voltou a si quando sentiu a mão de Remo Lupin em seu ombro.

— Senhora Granger? Está tudo bem?

Ela piscou algumas vezes antes de encará-lo e entender o que ele havia perguntado.

— Está... Está... Me chame de... Hermione.

Lupin sorriu.

— Certo Hermione, pode sentar-se. Precisamos trabalhar pessoal! — Ele bateu as mãos uma na outra – Pauta numero um...

...

A reunião durou pouco para os padrões das reuniões normais, até pela hora a qual havia sido solicitada. Como não houveram grandes interrupções e a maioria da equipe já estava inteirada do assunto, o principal foi apenas levantar dados e prazos para que Hermione ficasse a par da situação.

Ao fim de uma hora e meia, eles havia encerrado.

Lupin terminou a apresentação do ultimo slide e agradeceu como sempre fazia.

— Eu gostaria de dar esta reunião como encerrada e mandar todos vocês embora para casa descansar, mas vou ter que pedir para você ficar um pouco mais Hermione. Você precisa da análise da planta inicial e dos slides do projeto para começar a trabalhar. Preciso de um relatório inicial em dois dias.

— Sim, senhor – Ela respondeu baixo, ainda sob o efeito do olhar duro e insistente de Rony.

— Ótimo, ótimo, estamos com o prazo apertado. Os outros estão dispensados. Tenham todos uma boa noite – As pessoas começaram a organizar suas coisas e saírem da sala. Rony que permanecera alguns segundos imóvel, começou a fazer o mesmo bem devagar

– Mas que droga! Não estou com as chaves da biblioteca. Rony! Você poderia fazer o favor de entregar os projetos à Hermione?

Rony apenas levantou os olhos e encarou seu chefe, enquanto Hermione se moveu tão rápido que quase machucou o pescoço. Se Lupin não estivesse de costas, teria notado o quão assustada ela ficou.

— Eu...

— Obrigado – Ele disse sem esperar — Vai me fazer um grande favor, Dora está uma pilha hoje, Teddy anda dando trabalho com os dentes que estão nascendo. Boa noite aos dois.

Sem dar qualquer chance para replica de nenhum dos dois, Lupin saiu da sala deixando um completo e sufocante silencio.

Por algum tempo, Rony não se moveu. Continuou olhando-a quase sem piscar.

Hermione estava muito nervosa, principalmente pela maneira insistente com que ele a olhava, uma maneira de dizer, sim, eu lembro de você! Mas o silencio, quase tão insuportável quanto o olhar, persistia.

Quando ela terminava de colocar os últimos documentos dentro da pasta Rony afastou a cadeira na qual estava sentado, mas não levantou, apenas tamborilou os dedos na mesa antes de falar.

— Então... Jane... Ou seria Hermione? Do que eu devo lhe chamar senhorita Granger? É Granger não é?

Ela o encarou tensa, o coração aos pulos... Então ele também lhe reconhecera.

— Eu... Eu realmente não...

— Não sabe do que eu estou falando? – Ele finalmente levantou e começou a andar vagarosamente em torno da mesa – É uma atitude muito comum, uma resposta muito comum também. Devia saber disso.

— O senhor...

— Senhor?

Ele deu um sorriso sarcástico. Havia algo queimando dentro dele, algo que nem ele sabia explicar. Não conseguia entender por que estava com tanta raiva, apenas por que descobriu que ela lhe dera um nome falso.

Era de se esperar que agisse deste jeito, afinal eles nunca haviam se visto antes. Era para ter sido apenas uma noite e ele deveria estar agindo igualmente, comportando-se como se nunca houvessem se visto na vida.

Mas ele não conseguiu. Não conseguiu conter a chuva de sensações que tomara conta do seu corpo e da sua mente, no instante em que ela entrou naquela sala e sentiu raiva disso. Sentiu raiva de não conseguir controlar as próprias reações e vê-la tão calma, tão pouco afetada.

Sentiu raiva por saber que não conseguia de fato tirar aquela estranha da cabeça e que não conseguiu fazer isso por quatro anos.
Ele deveria apenas dar as costas aquilo tudo, mas não pode. Uma força que ele não soube identificar e muito menos controlar o impulsionou a agir, da maneira mais agressiva e intimidadora que conseguia.

— Por que está me chamando de senhor? Você sabe meu nome.

Ela recuou dois passos quando ele se aproximou um pouco.

— Eu... Não...

— Não era você? Não é? Naquele dia, no baile? É isso que você vai dizer? Que não era você naquele maldito baile, e que não foi com você que eu transei aquela noite?

A respiração dela alterou. À medida que ele falava as cenas daquela noite voltavam como se tivessem acontecido na noite anterior. Hermione sentiu o peito pesar, o ventre contrair e uma umidade há muito esquecida se formar entre as pernas. Sentiu os joelhos quase cederem diante de uma resposta tão imediata e assustadora e segurou-se na mesa.

— Então façamos o seguinte... – Ele se aproximou mais e ela recuou até bateu no criado mudo atrás de si. Rony avançou contra ela deixando um espaço mínimo entre os dois. Parecia um predador, pronto para aterrorizar e abater sua presa – Me deixe ver suas costas...

Ela franziu o cenho.

— O que?

— Suas costas... Você... A Jane... Tem uma marca, um sinal nas costas que parece uma pequena flor. Me deixe ver suas costas e se você não tiver esse sinal... Eu lhe acompanho até a delegacia para que faça uma queixa formal de assédio sexual contra mim.

Hermione paralisou. Ele não lembrava apenas dela. Lembrava de cada parte do corpo dela, e aquilo era tão absurdo que a fez sentir-se nua diante dele. Faziam quatro anos, como aquele homem ainda lembrava de um detalhe tão mínimo quanto aquele sinal?

— Está me assustando...

— Desculpe – Ele disse suavemente, com um tom tão baixo quanto perigoso – Não é minha intenção. Então, vai me deixar ver?

— Claro que não vou lhe deixar ver parte alguma do meu corpo – Ela levantou a cabeça e tentou parecer segura, mas ele riu, e aquele sorriso irônico quase a fez desabar. A pressão que aquela proximidade exercia entre eles era quase insuportável. Ela não se sentia daquela maneira com ninguém a não ser com aquele estranho.

— Como se eu nunca tivesse visto... – A voz saíra fraca na primeira frase, fraca e carregada de ironia, mas no instante seguinte ele se fez ouvir mais alto – Vamos lá Jane, ultima chance de me dizer a verdade. Ultima chance de parar de negar, eu sei que é você.

O espaço entre eles não passava de alguns centímetros.

Ela tremeu, e o que mais lhe perturbou é que não foi de medo.

Rony sabia que estava cometendo um erro. Estava agindo como um maluco, violento e intimidador, mas não conseguia recuar, não conseguia sair de perto dela. O coração batia como um louco e o corpo estava todo tenso, tão tenso quanto a boca estava seca.

— Por favor, senhor...

Ela tentou, mas não obteve sucesso. Ao vê-la resistir aquilo que ele mesmo não conseguia, Rony perdeu a cabeça e deixou o corpo assumir.

— Tudo bem Jane, vou fazer você lembrar de mim.

E sem dar qualquer chance de resposta ou fuga, ele a segurou entre os braços e a beijou.

Ela não respondeu no primeiro momento, sua reação foi de defesa. Por puro instinto ela levou as mãos ao peito dele e tentou empurrá-lo. Instinto e costume. Um corpo acostumado a reagir a tentativas de choque sexual não desejado, reagia por si só. Mas ele era grande demais, forte demais para ela, e conseguiu se manter no mesmo lugar.

Os lábios se encontraram, e no primeiro momento o cérebro dela registrou picos de pânico. Os movimentos de Rony eram muito familiares. O puxão, a pressão dos lábios, a rudeza e a exigência dos movimentos.

Mas no momento seguinte, quando o gosto da boca dele imperou sobre o medo, o corpo dela relaxou como se o tivesse reconhecido. Como se o tivesse detectado uma parte de si mesma.

Ela sentiu a língua pedir passagem entre os lábios cerrados e não foi capaz de negar. Mesmo a cabeça gritando desesperadamente que não, o corpo reagia sozinho.

As mãos que estavam no peito para empurrar de repente agarraram a camisa e torceram o pano, e a respiração forte e amedrontada se tornou rápida e irregular.

Então ela o retribuiu, com igual fome, igual necessidade. As bocas se uniram em um combate excitante de línguas, um beijo longo. As mãos que antes afastavam agora o puxavam contra si com força, quase como se quisesse transpassá-lo. Ele segurou-lhe a cabeça com as duas mãos. Duas mãos tão grandes que contrastavam completamente com a delicadeza das proporções do corpo dela.

A língua dele passeou em seu lábio inferior e ela gemeu, um gemido abafado pelo beijo intenso.

A mesma mão grande que desajeitadamente tentava acariciar a pele do rosto pequeno, seguiu caminho por sua nuca e se embrenhou nos cachos castanhos que segundos antes estavam presos em um coque.

Ele levou os dedos até uma certa altura acima da nuca e em seguida fechou-os puxando levemente os fios que ficaram presos na palma da mão. Ela gemeu mais alto.

Cada toque lhe era familiar, mas agora a sensação não era ruim, não era de pânico, era como se estivesse revivendo quatro anos atrás, o único momento de prazer livre desfrutado na vida.

Hermione soltou a camisa e enlaçou os dois braços em sua cintura. A outra mão livre de Rony rodeou sua cintura, trazendo-a mais perto de si e eles eram quase um só.

— Não era você? – Ele disse sussurrando, a voz grossa e embargada pelo desejo – Não era você mesmo? Então como teu corpo me reconhece como se eu o tivesse marcado?

— Rony... — Ela sibilou e ele sorriu entre o beijo.

— Eu sabia que era você.

Com a mão que estava na cintura, ele a ergueu com bastante facilidade e a fez sentar-se na pequena mesa que estava atrás sem parar de beijar. Hermione sentou no móvel e o acomodou entre as pernas, a saia de pano mole não foi obstáculo para que a posição se tornasse tão erótica quanto perigosa.

As mãos dela se encontraram atrás da nuca, as unhas penetraram os cabelos ruivos, trazendo-o mais para si, como se a distancia ainda fosse muito grande.

— Eu quero você Jane – Ele disse subindo a mão de encontro a um de seus seios e ela gemeu – Eu quero você agora.

Estava quente. A sala... Os corpos... Estava tudo muito quente. Eles se beijavam quase com loucura, como se cada dia dos últimos quatro anos tivesse deixado uma marca profunda de saudade.

Ela estava quase entregue, quase rendida, exatamente como da primeira vez. Ele a tinha na palma da mão. Até que um barulho de algo caindo do outro lado da porta a fez voltar a si.

Impulsionada pelo susto e aproveitando que ele estava desprevenido, ela tornou a colocar a mão em seu peito e juntando o pouco de força de vontade que tinha, o empurrou.

— Não! Meu Deus não. Não pode acontecer.

Hermione saltou do móvel tão rápido quanto um gato e pegou a pasta na mesa afastando-se dele indo em direção a porta. No primeiro momento, ainda atordoado pelo desejo Rony não reagiu.

— Jane...

— Não! Isso não vai acontecer.

Ela disse e disparou através da porta. Rony apenas a viu sair, completamente desnorteado, mas a confusão só durou alguns segundos, até que ele conseguisse reagir mais rápido, e quando conseguiu, o corpo gritou mais alto que a razão, que lhe dizia para deixar ela ir embora.

— Uma porra que não vai.

Hermione caminhou apressada, sem olhar para trás, tentou parecer normal, o mais normal que pôde, respirou com alivio dobrado quando viu que o elevador havia chegado e estava vazio, entrou rapidamente, nem prestou atenção se estava subindo ou descendo. Apertou o botão do térreo e encostou no espelho, fechando os olhos para soltar a respiração presa desde o momento em que saíra da sala de reuniões.

Ouviu a porta do elevador fechar e se sentiu segura, até sentir a presença de alguém perto dela. Abriu os olhos e para seu desespero, estava sozinha com Rony, dentro do elevador.

- Saia daqui... Por favor saia...

— Não posso Jane... Nenhum de nós dois vai sair daqui até que isto esteja resolvido.

Ele encostou na parede lateral do elevador, esticou o braço de lado e desconectou o cabo da câmera. Em seguida, tirou um isqueiro do bolso, acendeu e encostou no detector de fumaça.

De repente o elevador parou, ficou escuro e uma sirene muito alta começou a tocar.

— Santo Deus! O que você fez?

Ele guardou o isqueiro no bolso do paletó e tirou, jogando no chão. Avançou contra ela que se encolheu toda no espelho.

— Temos cerca de vinte minutos até que a segurança descubra que é um alarme falso e todo o sistema eletrônico do prédio volte a funcionar.

— Mas... Eu...

Ele a beijou. Foi um beijo rápido, mas com poder suficiente para fazê-la tontear.

— Você quer... Eu quero... Vai acontecer.

Ele a beijou de novo.

Hermione estava assustada, mas acima de tudo estava excitada, tão excitada quanto aquela noite em Veneza, excitada de uma maneira que quase havia esquecido que podia ficar. Aquele estranho a fazia entrar em piloto automático, fazia seu sistema entrar em circuito.

— Você quer?

Ele segurou os braços dela. Era tão diferente... Ele a obrigava de uma maneira subliminar, ele simplesmente parecia apertar os botões certos e tomar o controle do seu corpo, sem exercer qualquer força bruta para dominar.

— Quer?

Voltou a perguntar, a boca colada na dela que já estava seca e trêmula por antecipação.

“Não adianta negar”.

Algo gritava dentro dela com uma necessidade faminta.

— Quero.

Ele sorriu de lado e os olhos brilharam. Foi impossível não sorrir de volta.

— Dezessete minutos...

Ele disse e então a beijou de novo, e aquele foi o ponto de partida para a loucura que começou.

O beijo não foi lento. Foi rápido, desesperado, ansioso e faminto. Não havia tempo e nem disposição para esperar, de nenhum dos dois lados.
Hermione agarrou nos cabelos ruivos e apertou-os entre os dedos, arranhando a nuca com as unhas grandes.

Rony levou as duas mãos ao blazer do terninho que ela usava e começou a desabotoá-los com pressa.

— Senti falta... Não sei como... Não sei por que...Mas senti.

— Shhh – Ela baixou as mãos e começou a abrir a camisa dele também, enquanto ele lhe subia a saia. – Não fala... Não fala.

Eles voltaram a se beijar, parecia que se a cadência do beijo fosse rápida demais, aplacaria um pouco daquela fome imensa.

— Não — Ela segurou sua mão quando ele tentou tirar a blusa já desabotoada – Deixe assim.

Ele não discutiu, apenas levou as mãos as costas dela e desabotoou o sutiã, dando espaço para que suas mãos pudessem brincar com os seios dela.

— Ah... Rony – Ela gemeu, encostando a cabeça na parede.

Ele subiu uma perna dela ao redor da cintura e roçou o corpo, fazendo com que ela tomasse conhecimento de sua excitação.

— Mais rápido.

Ela pediu e ele concentrou as duas mãos embaixo da saia, apenas para rasgar o fino pedaço de pano e livrar-se daquele incomodo.

Hermione estava tão descontrolada quando ele. Pouco lhe importava se a qualquer momento a luz poderia voltar e o elevador poderia funcionar. Seu novo chefe poderia lhe ver, eles poderiam ser demitidos, presos. Mas nada disso importava.

Ela abriu o botão da calça dele e desceu o zíper, depois largou-o e ficou olhando como se quisesse dizer com os olhos o que a boca não tinha coragem.

— O que você quer?

Ele tentou incentivá-la e depois a beijou na bocas, prendendo seu lábio inferior entre os dentes e puxando delicadamente. Ela fechou os olhos e gemeu.

— Agora...

— Agora o que?

— Por favor Rony...

Ele sorriu e a beijou novamente. Eles não tinham muito tempo, mas ele queria deixá-la um pouco mais excitada.Em uma das mãos ele segurava a perna dela em torno de sua cintura, e a outra ele usou para afagar seu seio. Ela reagiu abrindo a boca e soltando um grunhido fino. Rony desceu a boca e a fez substituir sua mão, Hermione gemeu mais alto.

Ele lambeu o mamilo devagar, como se fizesse de propósito para enlouquecê-la.

— Rony... Rony...

Ela sussurrava o nome dele diversas vezes sem intervalos, como se aquilo fosse a única coisa que seu cérebro conseguia processar.

A mão que estava em seu seio e fora substituída pela boca, desceu em língua reta, na ponta do dedo indicador em direção ao seu sexo. Quando finalmente chegou ao seu destino e tocou seu ponto mais sensível, ela quase gritou.

— Meu Deus! Rony! Mais... Por favor...

Ele pressionou seu clitóris com a ponta do dedo e fez alguns movimentos circulares. Ela abriu a boca buscando o ar e depois mordeu o próprio lábio em busca de controle.

— Não temos tempo... Mas quando tivermos... Eu judiar muito de você Jane...

— Ron...

Ele retirou o dedo e finalmente o substituiu pelo que ela mais desejava.

Rony subiu mais sua perna e a penetrou com uma única investida. Ela gritou e cravou as unhas nas costas dele com tanta força que rasgou o tecido da camisa e lhe arranhou a pele.

— Mais...

Ele se movimentou uma vez com força e rapidez, pressionando-a mais contra a parede. Hermione encostou a cabeça em seu ombro e virou o rosto o suficiente para poder ver a imagem refletida no espelho. Era erótica demais, quase pornográfica e aquilo a excitou em uma escala monstruosamente maior.

— Jane...

A voz dele saiu estrangulada, como se houvesse sofrimento no ato da cópula. Rony parecia usar de todas as forças que tinha para conseguir se controlar.

— Rony eu... Eu

— Sim... Eu sei...

Ele investiu contra ela mais uma vez, e outra vez com a mesma força, com a mesma intensidade, mais uma e outra vez até que a perna que estava em sua cintura se fechou contra ele e a pulsação orgástica envolveu seu sexo, foi impossível segurar.

Então ele se deixou gozar.

Os gemidos dados ao mesmo tempo, se misturaram e se tornaram ainda mais audíveis pelo fim da sirene de advertência, que havia silenciado.

— Rony... Rony... Eles vão...

- Shhh... Temos mais alguns minutos até que o elevador volte a funcionar. Acalme-se.

Ele levou ainda alguns segundos para conseguir desconectar-se dela. E quando se afastou quase cedeu ao impulso de beijá-la de novo. Hermione estava descabelada, com os olhos semicerrados, lábios inchados e maravilhosamente desejáveis, mas ele sabia que não poderia.

Vestiu o paletó e fechou-o por cima da camisa aberta. Fechou o cinto e passou a mão nos cabelos ruivos ajeitando-os, enquanto espiava pelo espelho Hermione fazer a mesma coisa.

Percebeu o quanto ela estava corada, e achou que ela ficava ainda mais bonita daquela forma. Quando ela terminou de se vestir e ajeitou os cabelos de maneira desajeitada ele se aproximou, segurou seu rosto e sorriu.

Ela se mostrou apreensiva, mas ele lhe beijou os lábios.

— Não. Não recue de novo, não faz o menor sentido a esta altura do campeonato.

— Sei que não – Ela disse sem encará-lo – Mas...

— Eu entendo que você esteja... Tímida, não é a melhor maneira de se promover um reencontro, mas não há necessidade de ficar arisca.

— Não estou arisca.

Neste instante as luzes acenderam e o elevador começou a andar. Hermione pressionou a bolsa contra o peito e se aproximou da saída, mas Rony segurou-lhe o braço.

— A porta vai abrir, as pessoas vão ver...

— Precisamos conversar.

— Não é o melhor momento.

— Não. Mas terá de haver um.

Ela começou a ficar nervosa. Obviamente se alguém os visse conversando não acharia estranho, afinal todos ali eram colegas de trabalho, mas a culpa imperava em sua cabeça e ela via as coisas numa proporção muito maior.

— Rony por favor...

— Diga que vamos nos ver de novo. Diga que não vai fugir... Por favor.

— Eu trabalho aqui Rony, eu não vou fugir, isso não faz sentido.

— Vai falar comigo?

O elevador chegou ao térreo.

— Sim, eu vou.

A primeira sinalização soou.

— Sua palavra?

— Minha palavra.

Ele a soltou e as portas se abriram. Hermione saiu tão apressada que se não houvesse um tumulto intenso pelo alarme de falso incêndio, ela teria sido notada.

Rony ficou parado, olhando ela sair, até que a porta se fechou de novo. Ele apertou o andar de sua sala e recostou no espelho, fechou os olhos buscando reviver cada segundo do que tinha acontecido ali.

Ele sabia que ela podia sumir de novo, sabia que a palavra podia não significar nada, mas seu coração dizia que aquilo só tinha começado.

"O desejo sexual de um homem é muito mais convicto do que a sua própria essência"