Intimidade
10 Entre segredos e mentiras
"O segredo é o espaço para o homem viajar nos seus desejos... A mentira é o refugio para o covarde e a cova dos seus medos..."
Ela podia sentir a luz do sol em seu rosto, o calor também... Sabia que seu corpo estava despertando, mas não queria abrir os olhos. Estava tão bom...
Não estava em sua cama, também sabia disso. Sabia portanto que não era um sonho. O cheiro dos lençóis, o contato do tecido com sua pele, tão diferente, a maneira como seu corpo afundava no colchão.
Tudo era diferente.
Ela sabia que a noite passada tinha sido muito, muito real, e exatamente por isso, não queria abrir os olhos. Abrir os olhos significava sobretudo encarar Rony e ter que lidar com todos os sentimentos contraditórios que ele lhe fazia sentir.
Teria que lidar com o desejo e a vergonha.
A sua respiração se alterou no mesmo instante em que ela sentiu que não era mais só a luz do sol que tocava seu corpo. Quando ela sentiu os beijos de Rony em sua pele ficou impossível não se mover.
- Oi… Bom dia…
— Já é dia?
Ele riu.
— Infelizemente.
— Eu estou… Onde acho que estou?
— É… Está sim.
— Que bom. Me deixe sonhar um pouco mais.
— Não é um sonho bela adormecida e eu quero que você acorde.
— Não... Me deixa aqui. Quietinha.
— Hermione... Por favor — Ele espalhou mais beijos pelas suas costas – Eu quero beijar você.
— Já está beijando.
Dizer aquilo de olhos fechados, era muito mais fácil.
— Mas eu quero beijar sua boca... E se você colaborar, outros lugares.
Ela riu baixo.
— Você não cansa?
— Não... Com a companhia certa.
Ela virou em seus braços e ele não esperou, beijou sua boca lentamente. Havia um carinho quase puro naquele beijo, era o primeiro contato envolvendo algum tipo de afeto entre os dois.
- Não consigo…
— O que?
— Largar sua boca…
— Não larga.
Ele sorriu com os lábios colados aos dela. Mas o beijo só durou alguns segundos, ela o afastou e o olhou.
— Quer dizer, larga sim.
— Ah Hermione...
— Só por um momento Rony, nós... Precisamos conversar.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Conversar?
— Claro que sim, precisamos decidir como faremos... Isto.
— Isto?
— É Rony... Isto... Esta... Este... Deus, sequer sei como chamar.
— Nosso caso?
— Rony!!!
Ela parecia realmente chocada.
— Romance?
— Rony, eu não estou brincando!
-Eu também não, eu só estou tentando achar um nome adequado para... Bem... Isto. Não estamos namorando, estamos?
— Não! – ela foi bem enfática – Concordamos em nada de vínculos sentimentais.
— Então? Não podemos chamar de romance, tem que ser caso.
— Que seja! – Ela disse parecendo afetada pelo poder daquelas palavras.
— O que você quer decidir?
— Como isso vai continuar Rony?
Ele acariciou seu rosto.
— Se você concordar, exatamente deste jeito. Nos encontramos nos sábados, as sete horas, aqui e passamos a noite juntos.
— Esta casa é sua?
Ele fez uma careta quase imperceptível.
— Não. É de um amigo.
— Então acho que deveríamos arranjar outro lugar... Eu... Me sentiria melhor.
— Eu.. Tenho um pequeno apartamento na Brompton Road. Ele... Não é tão confortável quanto esta casa, por isso...
— É seu? O apartamento?
— Sim.
— Então está perfeito.
— Então, sábados, as sete, no meu apartamento?
— É... Eu acho que é.
Subitamente ela sentiu as faces esquentarem de vergonha, ele segurou seu queixo e a beijou.
— Fica linda corada.
Ela riu.
— Preciso de um banho. Tenho que ir embora
Ele olhou o relógio e descobriu sem nenhuma alegria que também precisava ir. Então levantou resignado.
— O banheiro, é ali– Ele apontou uma porta branca – Tem toalhas limpas e uma banheira, se quiser usar. Eu pretendia tomar banho com você, mas... – Ela fez uma expressão de espanto instantânea e ele riu – É, foi isso que eu pensei. Podemos deixar para sábado que vem.
Ela sorriu agradecida, embora a idéia a agradasse muito, ainda estava muito inibida. Precisa de um pouco de tempo para se acostumar com aquilo tudo.
Hermione tomou um banho rápido, não podia demorar para chegar em casa. Joseph não ficava quieto muito tempo, mesmo com a babá. Assim que se desse conta que a mãe não tinha dormido em casa começaria a fazer perguntas.
As perguntas de Joseph eram um problema.
Apesar de rápido, o banho foi relaxante. Agradeceu a si mesma a sua organização exagerada, por causa dela e da bolsa que cabia tudo o que ela queria, ela estava usando roupas limpas.
Ela percebeu que Rony não teve a mesma sorte, mas tinha que admitir... Ele ficava uma delicia molhado vestindo só a calça do dia anterior.
Ele a viu e estendeu a mão.
— Hermione, eu lembrei de uma coisa... Outra coisa que precisamos conversar.
Ela segurou sua mão e sentou na beira da cama a convite dele.
— O que?
— É sobre ontem... Você lembra que... Quando... Quando nós transamos a primeira vez nós...
Ele parou um pouco e respirou fundo.
— Sim… Lembro.
Ele estava visivelmente tenso.
— Pois é. Nós... Precisamos... Nós não usamos proteção.
Ele a viu mudar de cor no mesmo instante.
— Hermione? Hermione?
Ela não sabia quanto tempo ele a havia chamado, estava preocupada demais lembrando, que outro fruto de aventuras em sua vida seria o caos.
Não que não considerasse Joseph um milagre. Era seu filho, ela o amava, mas ter um filho fora do casamento não era um paraíso. Ainda podia ouvir a voz de Victor.
“Sua vadia... Você e Boot queimarão no inferno”
Terêncio Boot... Ele não tinha qualquer culpa sobre suas atitudes levianas, fora apenas mais uma vitima do destino dela.
— Rony, eu preciso ir...
— Mas Hermione... A gente precisa falar disso. Acho que você é adulta o suficiente para entender que aquilo trás conseqüências.
— Não... – Ela disse sem pensar. O coração pequeno, o desespero tomando conta. Ela precisava ir embora, já estava ficando sem ar com as lembranças que açoitava a sua cabeça.
“É seu filho... Victor”
“Meu filho? Com estes olhos? Com um vizinho de olhos azuis como a água do lado? Acha que eu sou idiota?”
— Hermione...
— Não há riscos.
— Como você sabe?
Ela engoliu seco, precisava mentir.
— Estou protegida.
- Está?
— É... Estou... Eu... A gente ia, eu sabia que... A gente... Então tomei... Rony, por favor, precisamos falar disso?
— Eu só queria... Ter ...
— Eu tenho certeza — Ela levantou e pegou a bolsa – Preciso mesmo ir.
— Espera... Hermione...
Ele a segurou pelo braço.
-Rony... Por favor...
— Um beijo. Só quero um beijo de despedida.
Ela o beijou apressadamente. Todo o tesão havia se esvaído com a tranqüilidade. Não conseguia mais sentir-se estável. Precisava sair dali e respirar um pouco de ar puro. E precisava fazer um teste de gravidez, urgente.
Ele ainda tentou segurá-la, mas ela se desvencilhou e saiu apressada alcançando logo a porta. Soltou um beijo apressado e desapareceu, deixando Rony, perdido em pensamentos.
…
Alguns dias havias se passado e Gina não teve qualquer noticia de Harry além das flores que recebera no mesmo dia em que deixara a casa dele. Estavam acompanhadas de um cartão que dizia:
“Adoro acordar sozinho depois de uma noite selvagem. Me conhece bem ruiva. Não podia ser mais perfeito. H.P.”
Claro que o cartão estava carregado de ironia e sarcasmo, eram bem o jeito dele, mas parece que ela havia ferido mais seu ego do que podia supor ao deixá-lo dormindo sozinho, pois desde então ele não havia mais procurado-a.
Estava começando a ficar inquieta, mesmo a contragosto e não encontrava meios de convencer a si mesma que não se importava.
Não conseguia esquecer a noite com Harry Potter. Cada segundo passado estava tão vívido em sua memória como se tivesse acontecido à minutos atrás.
— Não! – Ela bateu o telefone pela quarta vez consecutiva àquela manhã – Não vou ligar para o Rony, não vou pegar o telefone daquele cafajeste e não vou ligar para ele como uma tiete desesperada. Dane-se ele.
Ela levantou e começou a andar de um lado para o outro.
Havia ingressado na LCC associados à poucos dias, o que mais queria era concentrar-se e desempenhar o seu trabalho da melhor maneira possível, mas Harry não saía da sua cabeça.
Começou a vasculhar a estante de livros a esmo, sem procurar de fato um algo para ler, eram apenas movimentos automáticos enquanto pensava em maneiras de matar Harry sem ceder a vontade de usá-lo antes. Estava tão perdida que se assustou com as batidas na porta.
— Cacete! – Ela sussurrou para si mesma, levanto a mão ao peito e massageando-o rápido – Entre!
— Com licença senhorita Weasley, aqui está o dossiê que me pediu.
— Ah, obrigada Mary pode... pode deixar ai em cima da mesa.
— A senhorita está se sentindo bem? Está meio pálida...
— Estou bem... Obrigada... Só estou um pouco cansada
Ela forçou o sorriso e a mulher retribuiu. Gina se aproximou do documento e o abriu.
- Certo. Com licença senhorita...
— Espere Mary. Está incompleto.
— Perdão?
— O dossiê está incompleto. Onde estão as fotos do caso?
— Ah... Desculpe-me, eu já ia esquecendo. O senhor Corner me pediu para informá-la de que as fotos estão sendo substituídas por outras mais recentes, chegarão em alguns dias. Ele sugere que a senhorita veja os arquivos do processado.
Gina forçou um novo sorriso.
— Claro. Obrigada.
— Mais alguma coisa senhorita?
— Não Mary, você pode ir.
A mulher sorriu e saiu. Gina bateu na mesa.
— Mas que merda! Odeio trabalhar sem fotos. Como vou olhar a cara do cretino que vou mandar para jaula? – Ela bufou – Vamos lá Gina, hora da pesquisa.
Ela folheou o documento onde estava escrito com letras garrafais na capa.
“Harry James Evans” – Berkley – 1995
— Até nome de bandido ele tem. Oh meu Deus Gina, onde você foi se meter?
O telefone tocou e ela atendeu distraída no dossiê.
— Weasley...
— Que sexy!
Voz dele teve o mesmo efeito que uma rápida descarga elétrica em seu corpo. Como um dos choques que levamos no dia a dia, que não são fortes o suficiente para machucar, mas deixam o coração acelerado e o corpo cheio de adrenalina. Ela respirou fundo antes de falar, não queria parecer afetada.
— Potter...
— Recebeu minhas flores?
— Claro. Junto com seu cartão gentilíssimo.
Ele riu baixo.
— Que bom que gostou. Liguei para saber quando podemos nos encontrar?
— Acho que a pergunta certa deveria ser, se eu gostaria de lhe encontrar, não acha?
— Acho que já podemos deixar de lado o fingimentoe pular esta parte Jessica, tivemos uma noite de sexo maravilhoso, eu estou louco para encontrar contigo e sei que você também está então por que não deixamos o blá blá de lado e paramos de perder tempo? Que horas eu posso lhe buscar?
— Você é muito presunçoso Potter. Por que tem tanta certeza que eu quero te ver?
— Eu tenho.
Ele disse simplesmente.
- Ah é? – Ela sentiu a raiva queimar a garganta – Me dê um motivo para tanta certeza.
— Não vou realmente discutir a tradução dos seus gemidos pelo telefone, mas posso adiantar que eles significaram “quero te ver de novo” várias vezes. E não perca seu precioso tempo mandando eu me foder.
— Tenha um bom dia Potter.
Ela desligou o telefone e começou a resmungar entre dentes.
— Quem ele pensa que é? Quem ele acha que eu sou? Que filho da puta esnobe e grosseiro. Até parece que eu fiquei gritando “quero te ver de novo”. Que ódio!
A porta abriu-se de repente.
— Acho que começamos com o pé esquerdo Ginevra. Vamos tentar de novo.
Harry Potter estava de pé em frente a sua mesa.
— O que diabos está fazendo aqui?
Ele riu de lado quando a viu perder a cor.
— Adoro causar este tipo de reação. E bem, eu estava muito perto daqui quando bateu o telefone na minha cara.
— Eu... Eu... saia daqui Potter, estou trabalhando.
— Claro que saio. Não quero atrapalhar – ele rodeou a mesa e a puxou pelo braço até que ela ficasse completamente de pé – Só me dizer a hora.
- Não vou sair com você.
— Ah sim, você vai. Vamos lá Gina, não me faça ter que chantagear você de novo. Odeio insistir.
— Então não insista.
Ele chegou mais perto dela e falou muito próximo a sua boca.
— Eu realmente adoraria ruiva, mas infelizmente não é só você que não consegue dormir a noite.
— Eu não...
Mas ele não a deixou falar. Colocou as mãos entre seus cabelos, puxou para si e a beijou.
— Me diga a hora.
— Não gosto de ser pressionada Potter — Ela disse respirando forte.
— Eu também não Ginevra, mas não consigo me sentir livre desde que deixou minha cama. Não sou muito sutil, nem tenho muito jeito para ser cavalheiro isso é um fato, mas estou lhe dizendo da maneira que sei que quero você. Não costumo insistir depois do primeiro fora.
— Devo supor que por conta disso sou uma mulher especial?
— É, Deve sim.
— Estou emocionada.
Ele a trouxe mais perto de si.
— E eu excitado. Pode me dizer a hora para te buscar, ou podemos matar esse tesão agora mesmo, aqui.
Ela sentiu suas entranhas se torcerem e seu ventre esquentar de uma maneira absurdamente rápida, mas manteve-se firme.
— Não vou transar com você aqui.
Ele riu de lado.
— Então quando posso te pegar?
— Quando você me convidar para sair como se deve. Agora volta para o seu carro, espere quinze minutos, eu desejo me recompor e ligue novamente fazendo o convite correto. Então podemos ver o que acontece.
Ela sentiu seu braço ser apertado pela mão dele e o viu morder o lábio inferior, abrindo as narinas perigosamente. Sinais universais de impaciência, mas de repente ele relaxou o aperto e sorriu.
— Tudo bem Gina. Como quiser. Aguarde minha ligação.
Então, ele simplesmente deu as costas e saiu.
Gina arriou na cadeira respirando fundo. Tinha certeza de que Harry não ligaria e não estava feliz por isso.
Foi a coisa certa a fazer.
Ela repetira muitas vezes, mesmo não conseguindo sentir-se melhor. Ela não podia deixá-lo dominar a situação daquela maneira. Ou acabaria como Cho Chang ou as tantas outras mulheres feridas por ele.
Mas quinze minutos exatos depois seu telefone tocou.
— Weasley...
— Gostaria de sair comigo hoje a noite Gina Weasley?
Ela gostaria de não ter rido. Gostaria que seu estomago não tivesse formigado, gostaria de não ter enrolado as pernas uma na outra para conter a excitação que a voz dele causou em seu corpo e gostaria ainda mais de não ter recusado transar com ele em sua mesa.
— Olá Harry. Eu adoraria.
— Que ótimo. Que horas posso pegar você?
— Oito horas seria perfeito, mas não estarei em casa, então você pode passar aqui no escritório.
— Você vai reavaliar minha proposta?
— Que proposta?
— De transarmos no seu escritório?
— De jeito nenhum!
Ela tentou não rir e se odiou pelas imagens que se formaram em sua cabeça.
— Que pena. Isso vai ser interessante sabe Gina?
— Isso o que?
— Essa briga para domar você.
Ela gargalhou. Não conseguiu não gargalhar.
— Vai sonhando. Você é muito canalha Harry, até nome de canalha você tem.
— Qual o seu problema com o meu nome?
- Nenhum tirando o fato de que estou prestes a processar um Harry James por fraude entre outras coisinhas. É a sua cara.
— Tenho um nome comum minha cara.
— De fato tem. Estive pesquisando fotos para achar o rosto do meu processado e adivinhe quantos Harry James eu encontrei só em York? Quarenta e três.
— É... Uma verdadeira lástima. Se eu pudesse ter escolhido, teria me chamado de Napoleão ou Lancelot, mas meu pai quis Harry então... Paciência. Você encontrou o individuo?
— Não, infelizmente é uma lista muito longa. Mas se tratando de um bandido, quem sabe você não o conhece, certo?
— Terei que olhar minha lista de amigos, te digo a noite.
Gina riu.
— Preciso trabalhar Potter, diferente de você, eu não consigo tudo emprestado.
- Até a noite Holmes de saia. Bom dia.
Gina largou o aparelho sem conseguir conter o bom humor. Mas quando largou o aparelho celular no banco ao lado, Harry não parecia muito feliz.
...
O tempo parecia ter passado para o resto do mundo, mas não para Draco e Astoria.
A verdade é que não parecia que se conheciam há apenas um mês e sim por uma vida. Era incrível como eles tinham tanto em comum e uma química perfeita.
Desde o primeiro encontro no The Burns eles não paravam de se falar. Telefone, email, chat, redes sociais e todos os meios possíveis eram utilizados por eles. A ansiedade de estarem próximos só aumentava a cada dia.
Tornaram-se mais que amigos. Confidentes, o apoio um do outro, escandalosamente em pouquíssimo tempo. Era muito difícil para os amigos de longa data de ambos acreditarem na velocidade da proximidade dos dois. Mas eles não se importavam. Estarem juntos já havia se tornado uma necessidade.
Draco prostrou-se em frente ao espelho depois de um banho de quase uma hora. Estava ansioso. Depois de um mês eles finalmente tinham “um encontro”, ou pelo menos assim ele achava.
Ela o havia convidado para uma festa. “Seja meu acompanhante”, foram as palavras que ela havia usado. Ele adorara aquilo.
Riu sozinho quando lembrou da ultima conversa que tiveram.
“ — Draco?
- Oi. Eu estava pensando em você agora.
Ela sorriu do outro lado da linha.
— Eu também. Na verdade, eu quero te contar uma coisa? E pedir outra.
— Estou ouvindo.
— Estou escrevendo uma nova canção para um comercial, é um jingle natalino. Você poderia fazer os arranjos?
— Fazer… A musica com você?
— Isso mesmo.
Ele sorriu abobadamente do outro lado da linha como se alguém pudesse ver, como se ela pudesse vê-lo.
— Eu vou adorar".
Foi a primeira vez que trabalharam juntos, duas semanas depois que se conheceram, dali em diante, mesmo com o pouco tempo se consultavam para tudo.
“- Abra seu email.
- Astória?
— Vamos Draco! Abra seu email — Ela parecia muito empolgada – Em primeira mão para você. Se vazar eu te mato”.
Ela tinha lhe mandado as musicas do single de Natal que havia gravado. Não havia mostrado a ninguém até então.
E ele se sentia o cara mais especial do mundo. Astoria não era uma superstar, mas era melhor que todas que Draco já tinha visto. Ele não conseguia entender muito bem do que servia seus conselhos, se ela era tão perfeita no que fazia, mas se sentia honrado, lisonjeado e feliz, por ela procurá-lo.
A sensação era meio inexplicável. Desde que a havia visto cantar pela primeira vez, Draco sentiu uma admiração muito forte, algo muito parecido com o que ocorre com um fã e seu ídolo. Só que não havia só a paixão pelo que ela fazia, havia também um respeito muito grande. Por também ser musico, Draco avaliava o trabalho dela de uma maneira muito diferente e achava simplesmente fantástico o que ela conseguia fazer.
Fazer parte daquilo vinha sendo magnífico.
Acabou de se arrumar e saiu para encontrá-la.
A festa estava lotada de gente. Draco gostou de conhecer a maioria delas, os amigos de Astoria no geral eram o que podia se denominar de “loucos legais”. A única parte ruim da noite foi ter conhecido três "ex-namorados”. Embora ele ficasse repetindo para se mesmo que não fazia diferença, a vontade de acabar com a raça dos três fora quase incontrolável.
Aquele era um sentimento completamente novo. Draco jamais havia se envolvido com alguém o suficiente para sentir ciúmes, mas com Astoria ele quase não conseguia controlar.
A parte boa foi que ela não desgrudou do seu lado, nem um só minuto. Ele não sabia exatamente se era por que ela sabia que ele se sentiria deslocado ou por que ela realmente queria estar ali, mas era perfeito tê-la só para si.
A certa altura da noite, Astoria parecia meio alta. Mais alta que de costume. Era lindo vê-la soltinha, rindo a vontade, mas as coisas estavam um pouco fora do controle.
Eles estava dançando juntos agora, mas ela estava perto demais.
— Você tem olhos lindos Draco.
Ele sorriu sem graça.
— Você também tem.
Ela sorriu, mas no instante seguinte estreitou os olhos como se tivesse com raiva.
- Odeio mulheres atiradas.
— Como assim?
— Aquelas vagabundas ali no canto da escada não param de olhar para você.
Draco olhou de esguelha duas moças que aparentemente estavam olhando para todos os lugares possíveis.
— Você está vendo coisas.
— Não tô não. Elas estão te encarando. Odeio esse tipinho.
Ele tentou não sorrir.
— Acho que você bebeu demais.
Ele tirou a taça das mãos dela.
— Não Draco, não bebi.
— Bebeu sim. Já chega né?
— Eu posso mandar elas irem embora, faço isso num instante, só um segundo.
Ela andou dois passos e ele a segurou no braço.
— Não senhora. Esta festa é importante para você, não vai brigar por bobagem.
Ela sorriu.
— Cuidando de mim Malfoy?
Ele tossiu nervosamente.
— Não é para isso que servem os amigos?
— É. Tecnicamente é.
Ela o olhava com tanta intensidade que o estava deixando com calor.
— Tori... Acho melhor você tomar um banho, descansar um pouco e depois você volta. O que acha?
Ela sorriu de lado.
— Ótima idéia.
Draco avisou as pessoas mais próximas e levou Astoria para o andar de cima. Certificou-se de deixá-la segura no banheiro e ficou esperando do lado de fora.
Ela tomou banho e pareceu um pouco mais sóbria quando deixou o banheiro, mas não quis voltar para festa.
“Vamos ver um pouco de TV, estou cansada”.
Ele aceitou.
Um erro.
Viu ela espreguiçar-se na cama vestida apenas com uma camisa enorme... Dele.
Uma camisa que ela havia tomado emprestada na ultima vez que se encontraram no The Burns. Um acidente com um vinho fez com que ela necessitasse trocar de roupa.
Agora ela estava ali, com uma camisa verde que lhe cobria muito mal a metade das coxas, com os cabelos molhados, deitada de um jeito que não mostrava nada, mas deixava tudo para a imaginação. Passou a mão no rosto com impaciência e tentou se concentrar no seriado que acabara de começar.
Ele sentou na beirada da cama, mas sentiu um puxão repentino no meio do corpo. Os braços de Astoria envolveram a cintura dele e Draco sentiu-se ser puxado para cima, para bem perto dela, sentado entre suas pernas abertas. Sentiu-se tenso, nervoso, ela o abraçou e sussurrou em seu ouvido:
— Está longe demais de mim. Gosto de você assim, pertinho.
Ele riu baixo, sem graça, o coração disparara. O perfume dela começava a nublar seu juízo.
— Gosto muito desse episódio — Ela disse trocando a posição dos braços, um continuou circundando sua cintura a outra subiu as costas — roçando perigosamente o tecido, causando uma queimação estrondosa em Draco, e parando atrás de sua cabeça, acariciando os cabelos dele distraidamente — É muito engraçado, não acha? — Ele só conseguia prestar atenção às unhas raspando seu couro cabeludo.
Draco remexeu-se ainda mais tenso e tossiu.
— É... É sim. Muito.
— É... Gosto particularmente da atuação da Courtney Cox, está perfeita. Ela é muito boa, não é?
Ela apoiou a cabeça em seu ombro e roçou, sua respiração açoitou a nuca e a resistência de Draco. Ele tremeu levemente.
— Sim... Cox... Boa... — Ele sentiu a ponta do nariz dela roçando sua nuca engoliu seco — Muito, muito boa.
— Dray você tem um perfume... Tão... Tão... Bom... Dá vontade de...
Ela mordeu-o nas costas.
Ele arqueou um pouco e sentiu os lábios dela roçarem o tecido da blusa subindo em direção ao seu pescoço. Ela raspou os dentes na pele do pescoço e em seguida lambeu o local com a ponta da língua.
Draco fechou os olhos e prendeu a respiração, ela estava fazendo tão pouco, entretanto...
Sentiu as mãos dela entrando lentamente por debaixo de sua camisa, então ela o puxou para si e o fez encará-la, mordendo sua bochecha, perto da boca. Perto demais.
Ele congelou olhando-a... Tão linda...
Ele não sabia exatamente o que achava mais bonito nela. Se eram os olhos achocolatados, o sorriso ou as covinhas que se formavam sensualmente quando ela sorria.
A única coisa que ele tinha certeza era que o conjunto da obra o tinha preso na palma da mão.
Ela o encarou sorrindo então o beijou.
Não foi um beijo de cinema, sequer foi de língua, foi um selinho. Um selinho leve e demorado. O suficiente para que ele pudesse sentir o calor dos lábios dela.
— Tori... O que está fazendo?
— Não está vendo?
— Astoria... O que é isso?
— Já te arranhei... Te mordi... Te beijei... Tenho que desenhar Draco?
A garganta secou, tanto que doeu quando ele engoliu. Ela não se despiu, apenas abriu os botões da sua calça e aproximou-se dele tocando-o no peito, por cima da camisa com a unha.
— Quanto tempo mais eu tenho que esperar Draco?
Foi o limite para ele.
Tanto tempo. Tanto tempo desejando aquilo. Aquele tipo de proximidade, aquele tipo de calor, aquele tipo de sensação. Quase tanto tempo quanto o gasto em construir sua resistência.
Agora ela estava ali, tão perto, mais perto que nunca antes... Não havia por que lutar contra. Ainda assim, se tentasse ele não conseguiria vencer esta luta.
-Ela está alterada – Uma voz soou em sua cabeça.
-Foda-se, preocupe-se com isso depois – Uma segunda soou mais forte e venceu a batalha.
Ele mal pode registrar os próprios movimentos quando segurou seu rosto e a beijou.
Tivera muitas fantasias beijando Astoria, mas nenhuma delas chegara perto do que aconteceu quando seus lábios se encontraram e as línguas se tocaram.
Uma explosão. Seria a expressão que melhor descreveria aquele descontrole que tomou conta deles. Era como se ela também viesse sonhando e guardando tudo aquilo. Ela o agarrou e correspondeu o beijo com tanto fervor quanto o recebia.
Estar vestindo apenas uma camisa grande era um ponto contra a resistência e um ponto a favor da situação geral.
Ela sentou nas próprias pernas e ele inclinou-se pressionando mais seus lábios, fazendo-a retroceder e encostar no espelho da cama. As mãos desceram incontroláveis, e se perderam por dentro da camisa, fazendo o caminho contrario. Subindo e encontrando livres, completamente nus, os seios dela.
- Ai... Dray...
Se ela soubesse como a luxúria dentro dele queimou como larva fervente com aquele gemido...
Ele pressionou as mãos nos seios dela, eram tão perfeitos, ele soube só de senti-los entre seus dedos. Astoria prendeu as unhas em sua nuca por dentro do cabelo e arranhou.
— Tira... Minha... Roupa...
Ela pediu aos sussurros e as mãos dele agiram por impulso. Tirou a camisa que ela vestia com um único puxão. A visão era digna de um infarto. Perfeição não descrevia o que ele estava contemplando.
A batalha seguinte foi para despi-lo, já que ela estava seminua aos seus olhos.
Ele tirou a camisa quase rasgando-a no processo, enquanto ela se ocupava em livrá-lo da calça. Logo estavam igualmente despidos.
Ele a puxou para si para mais um beijo quente e a deitou na cama sem quebrar o contato, deixando uma de suas mãos correrem do seio para baixo... Para tocá-la por cima do tecido da calcinha... Para masturba-la ainda vestida.
— Porra Draco... – Ela praguejou.
Ele apenas sorriu e pressionou mais a mão afundando um pouco o dedo dentro dela, forçando ainda por cima do pano, causando um atrito gostoso entre o tecido e o clitóris.
— Não devíamos... Estar fazendo isso...
Ela o olhou numa mescla de determinação e incredulidade, e estreitou os olhos.
— Pare e eu te mato.
Ele pressionou mais seu clitoris como resposta.
— Você está me enlouquecendo... Draco... — A voz dela estava rouca e manhosa causando frisson em seus ouvidos.
— E você a mim...
Ele afastou a calcinha com uma parte da mão, e a beijou no mesmo minuto em que afundou um dedo dentro dela.
O gemido... Quase um grito se perdeu em sua garganta.
— Mais... Rápido... Acelera... — Ela pedia de maneira engrolada e abafada pelos beijos e ele atendeu, colocando o dedo o mais fundo possível.
Ela arqueou o corpo e rebolou contra ele.
— Meu Deus... Mais Draco...
— Quero você... Agora Tori... — Ele a soltou por um momento muito rápido, a despiu e se despiu por completo, depois debruçou-se por cima dela sendo recebido por um abraço de suas pernas – Quero agora.
— Entra em mim... Agora.
Ele o fez.
Com um único e potente movimento ele entrou todo nela.
— Ai puta que pariu...
Era tão excitante ouvi-la xingar quanto vê-la nua. Ele saiu por completo de dentro dela e voltou a penetrá-la da mesma forma. Astoria resfolegou e ele acompanhou, a respiração pesada completamente descontrolada.
— Draco... Eu....- Ele fez de novo. Ela prendeu o grito e soltou um gemido longo – Eu vou gozar...
Ele deitou mais o corpo por cima do dela e alcançou seu ouvido.
— Goza comigo... Vem comigo minha musa, vem...
Ela se prendeu nele, completamente, com braços e pernas e ele iniciou os movimentos, mais rápidos, mais intensos e ininterruptos.
A preenchendo completamente e penetrando-a seguidas vezes sem sair de dentro dela.
Astoria prendeu as unhas nas suas costas, tão forte que machucou, a dor só lhe trouxe mais prazer.
— Draco.... Cacete... Que gostoso... Mais rápido... Mais forte... — Ela falava sem parar e isso o excitava mais e mais.
— Vem comigo... – Ele sussurrou – Quero sentir seu tremor quando seu orgasmo chegar.
Ele a penetrou cada vez mais rapido esquecendo a diferença entre seus tamanhos, esquecendo a preocupação em não machucá-la.
— Draco… Não… Pára…
E pela primeira vez, em toda sua vida, ele perdeu o controle.
- Ai...
Ele aumentou mais a força dos movimentos, mais, mais e mais e então eles gozaram... Juntos... Como se fosse possível sincronizar o orgasmo.
Ela chiou como uma gata manhosa no mesmo momento em que ele afundou a cabeça no seu pescoço e gemeu abafado, penetrando-a mais forte e em intervalos mais distantes...
O orgasmo fora tão intenso que parecia não parar.
Quando finalmente o corpo adormeceu, ele rolou de lado, lutando contra a asfixia que sentia, lutando para acalmar o corpo e pedindo que seu pênis não continuasse ereto como se ele fosse um mutante que não aliviava depois de atingir um clímax. Odiaria assustá-la na primeira vez.
— Meu Deus... – Ela soltou as palavras junto com a respiração – Esta foi... A melhor... — O resto da frase ficou suspensa no ar.
Ele sentiu que o corpo podia até relaxar, mas o coração ficaria em seu concerto de heavy metal por um bom tempo.
— Tori... – Ele disse quando conseguiu – Eu... Não devia...
— Se você sugerir que não devia ter se aproveitado de mim por que eu estava bêbada, corto essa belezinha ainda ereta fora Draco.
Ele corou.
— Não... Não quis dizer isso... Eu... Eu quis... Eu...
Ela se forçou a rolar e ficar sobre ele, encarando-o, roçando os corpos desnudos.
— Cala a boca e me beija.
Ele não conseguiu fazer mais nada além de obedecê-la.
"Não há segredos que o tempo não revele"
Jean Racine
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