Intimidade
13 All Fall Down
“Whenever your world starts crashing down. That's when you'll find me”
Joseph olhou o estranho de cima abaixo por três vezes. Ele sabia que o mais correto a fazer era fechar a porta na cara do individuo e gritar por sua mãe. Quantas vezes já tinham repassado aquela situação de risco de sequestro?
Talvez sequestro fosse um pouco demais, mas ele sabia que não devia falar com estranhos, porém, aquele estranho em particular, não conseguia lhe parecer amedrontador. Ele não tinha vontade de correr e se esconder na despensa como quando via Victor.
— Oi, muito prazer, meu nome é Joey, mas você já sabe disso, por que você acabou de dizer meu nome. Eu não te conheço, mas você me conhece e isso é estranho. Minha mãe tá lá dentro, ela vai sair e eu não devia estar aqui falando com você.
Rony quase riu. Se a sensação de ansiedade e agonia não fosse tão intensa ele teria gargalhado.
— Eu sei que não, por isso você vai fechar a porta e ir lá chamar a sua mãe para ela vir me atender. É o mais correto, não é?
Joey riu.
— É. Você não é um sequestrador, não é?
— Não, não sou. Sou um colega de trabalho da sua mãe e estou aqui para falar com ela sobre o trabalho.
— Ok. Vou chamar a mamãe. Não vou te convidar para entrar senão eu passo um mês sem jogar videogame e sem assistir Pokémon e nem vou poder ficar no MSN então vai ser ruim, ai você espera ai mesmo que ela não demora tá?
— Tá bom.
Rony estava definitivamente encantado com o garoto que tinha acabado de conhecer. Joey fechou a porta, mas em seguida abriu-a de novo.
— Ah e... Rony... Né? – Rony afirmou com a cabeça – Não diz para ela que eu abri a porta, tá?
— Pode deixar. Vai ser nosso segredo.
— Segredo? Tipo o segredo de Clark Kent?
— É, tipo o segredo de Clark Kent.
— Hum, tá.
Ele fechou a porta, mas tornou a abrir.
— Rony...
— Oi.
— Minha amiga Camila, diz que só amigos tem segredos.
Rony riu.
— Então somos amigos, não é?
O garoto pareceu pensar um pouco.
- É... Acho que sim. Isso é legal, não é? Por que eu nunca tive um amigo do seu tamanho.
— Nem eu, um do seu.
— Isso é bom?
— Isso é ótimo.
O garoto abriu um sorriso genuíno.
— Vou chamar a mamãe.
Desta vez a porta se fechou definitivamente.
Cinco minutos depois a porta se abriu, com um pouco mais de força do que ele estava acostumado a ver. Hermione surgiu na sua frente.
Bem vestida, com os cabelos presos no alto da cabeça e a maquiagem inacabada.
Ela parecia estar se arrumando demais para quem ia apenas pegar a bolsa de volta numa lanchonete.
— Oi.
— Rony?!
— Eu.
— Você...
— É. Eu.
— Mas... – Ela parecia perplexa e incapaz de articular uma frase inteira com sentido – O que faz aqui?
— Vim devolver sua bolsa.
— Mas, aqui?
— É a sua casa, não é?
— Eu... Eu... Rony... Nós combinamos...
— Eu sei o que combinamos, eu posso entrar ou vamos discutir isso na porta de sua casa, na frente do seu filho de... Quantos anos ele tem?
— Quatro – Ela respondeu automaticamente.
— Isso.
— Não.
— Não o que? Não tem quatro anos?
— Tem.
— Tem ou não tem?
— Vocês estão discutindo? – O pequeno Joey perguntou do sofá.
— Não! – Eles responderam em uníssono.
— Você está me deixando confusa – Hermione disse, passando as mãos no rosto.
— Eu que estou confuso. Você não sabe a idade do seu filho?
— É claro que sei, não seja ridículo.
— Então seja coerente.
— Sim, ele tem quatro anos, e não, não vamos discutir isso ou qualquer coisa que seja na frente do meu filho.
— Então eu posso entrar?
— Entrar?
— Ou você prefere sair?
— Sair? Rony pare de me confundir.
— Você está se confundindo sozinha. Tenho uma proposta. Estou aqui, não precisamos ir a lugar nenhum, eu entro, nós conversamos e eu vou embora.
— Não acho uma boa ideia.
- Por que? Seu marido está em casa?
Hermione arregalou os olhos.
— Eu não sou casada, você sabe disso.
— Do mesmo jeito que não tinha filhos?
— Eu nunca te disse que não tinha filhos.
— Mas nunca mencionou um.
— Eu não tinha obrigação de mencionar.
— E eu acho que ele está escutando tudo. Se não há um homem para voltar para casa o que te impede de me deixar entrar?
— Eu... Oh cristo! Entre.
...
Rony ainda se sentia um estranho no ninho, sentado no único e enorme sofá de couro da pequena sala de estar. Joseph parecia muito à vontade com a sua presença, pois continuava a mover o bonequinho na tela sem lhe dar a menor atenção. Minutos depois Hermione voltou à sala, trazendo café, estava tão formal que mais parecia um robô programado para servir.
— Açúcar?
— Ah... Não. Não, obrigado.
— Gosta de leite? Algo misturado?
— Não, obrigado, eu tomo puro mesmo.
Ela estreitou os olhos.
— Você não tem o hábito de tomar café, não é?
— Não, na verdade, não tenho.
— Deve se encher de refrigerante...
— Na maioria das vezes eu como na rua então é mais pratico...
— Deve comer um monte de porcaria.
— Eu morava sozinho até pouco tempo, o que você quer? Não é tão fácil assim cozinhar coisas saudáveis sabia?
— É uma questão de saúde.
— É uma questão de tempo.
— Quando você tiver que ficar internado num hospital terá todo o tempo do mundo.
— Hermione, eu realmente não vim discutir isso.
— Não creio que tenhamos que discutir nada.
— Acho que você precisa me dar algumas respostas.
Hermione tencionava responder, mas não pôde, antes que pudesse dizer alguma coisa, Joey virou-se e falou:
— Mamãe não pode te dar respostas Rony.
— O que?! – Eles disseram em uníssono e o menino continuou tranquilamente.
— Mamãe não pode dar as respostas, por que quando eu pedi para ela me dar as respostas da minha atividade ela disse que isso era cola, e é feio colar, você tem que fazer sozinho.
Ambos abriram a boca, mas não havia o que dizer... Uma vontade muito grande de gargalhar aflorou em Rony, mas ele não o fez, o garoto estava tão sério que parecia até falta de respeito contradizê-lo.
— Sua... Mãe... está certa Joey, eu não me expressei bem, ela precisa... Corrigir uma questões.
O menino sorriu.
— Ah tá, corrigir ela sempre corrige. Minha mãe é muito inteligente, sabe?
Hermione ficou rubra, principalmente depois que Rony sorriu e piscou para ela.
— Eu sei sim, sabe Joey, é por isso que eu precisei vir aqui, para ela me ajudar com estas... Questões.
— Sei... Ela vai te ajudar, mamãe devia ser professora.
— Er... Joey... Você quer ligar para Mia?
— Eu posso?
Os olhos do menino se iluminaram.
— Pode.
— Posso passar uma hora?
Hermione passou a mão no rosto, já calculando o prejuízo desta hora.
— Pode amor. Pode sim.
— OBA!! – Ele levantou num pulo – Rony, você vai vir mais aqui, né?
Rony riu.
— É... Eu acho que... Sim. Vou não vou Hermione?
— Deixa mãe?
— Joseph, vai ligar para sua amiguinha vai amorzinho.
O menino saiu em disparada, talvez por medo que ela mudasse de idéia, afinal conseguir uma hora no telefone com a permissão de Hermione, era um presente.
— Menino esperto, hein? A garotinha, já é namorada?
— Ah... Não... Quero dizer não sei, eles são grudadinhos sabe? É muito bonitinho e... – Ela falava sorrindo, como se não percebesse que eles estavam tensos minutos antes — Espere... Não mude de assunto.
— Eu não mudei de assunto nenhum, aliás, nem começamos a falar, mas poderíamos, que tal você começar me explicando por que não me disse que tinha um filho?
— Isso é grosseiro.
— Não, não é. E não mude de assunto.
— Como você soube do Joey? – Ela começou a falar e parou de repente pondo a mão sobre os lábios percebendo que havia falado demais – Não podemos conversar aqui, ele pode ouvir. Venha, vamos lá para cima.
- Vamos?
Ele riu e ela estreitou os olhos.
— Nós vamos conversar Ronald!
— Unhum, sei.
Eles começaram a andar juntos.
— Como você soube do Joseph?
— Como você supõe? Acha que eu contratei um detetive?
— Isso não é engraçado e eu não acho que você tenha razões para estar com raiva.
— Ah não? E se você descobrisse que eu tenho filhos?
— Isso não era da sua conta Rony, você mesmo disse, sem laços, sem perguntas. Não era isso mesmo?
— Acho que isso passa um pouco dessa conta, você não concorda?
— Acho que o que passa um pouco da conta é você mexer na minha bolsa.
Ele inspirou forte.
— Não foi bem assim que as coisas aconteceram.
— Ah não? Então o DVD simplesmente pulou e rodou sozinho?
— Também não. O que aconteceu foi que eu derrubei suas coisas sem querer Hermione e o seu DVD se misturou nos meus, eu tive que procura-lo.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Você mente pior que o Joseph.
— Não estou mentindo. Sei... Que é parece... Sei que é... Eu não estou mentindo Hermione!
— Suponhamos que não Ronald. Suponhamos que você esteja dizendo a verdade. O que exatamente quer que eu diga? Eu não vejo por que eu precisava te contar sobre meu filho.
— Por que você disse que era solteira?
— E eu sou.
— E este menino é o que? Produção independente?
— Ronald...
— Eu quero saber quem é o pai dele e se vocês ainda tem alguma coisa juntos.
— Não extrapole, você tinha dito que as regras eram...
— Danem-se as regras. As regras mudaram, a regra agora é... Quem é esse cara Hermione?
— Quer se acalmar?
— Me acalmarei quando você me disser. Quem é ele? Vocês são casados, divorciados, enrolados? Como é que...
— Pare já com isso Ronald Weasley, quem pensa que eu sou? Uma puta?
Ele engoliu o ar e se engasgou.
— Eu não disse isso.
— Mas me perguntar se eu não chifro um possível marido com você todo santo sábado não é a mesma coisa?
- Eu... Eu... Desculpe, eu não sei o que... Deu em mim, eu...
— Senta Rony. Vou contar o que você quer saber.
— Não. Não, você... Não precisa eu...
— Senta Ronald.
— Ok.
A conversa durou menos de uma hora. Hermione procurou resumir muito e esconder todos os detalhes sórdidos de sua vida com Victor Krum.
— Então este é o pai do Joey?
Rony perguntou com uma foto de Krum nas mãos.
— Não.
Ele a encarou.
— Não?
— Não – Ela repetiu olhando para o chão – Ele não é... Joey... Foi... Um deslize.
— E quem é o pai?
— Não quero falar sobre isso.
— Mas...
— Não! Rony! Chega! Não quero falar mais sobre o passado, você já sabe o que queria saber.
Eles passaram alguns minutos em silencio. Sem nem ao menos encararem um ao outro.
— Como ficamos? — A pergunta partiu dela.
— Como assim?
— Eu tenho um filho e isso pareceu te perturbar muito, como ficamos?
— Não fiquei perturbado com o garoto. Alias, grande garoto – Ela riu e encarou o chão – Eu só precisava saber se...
— Se eu tinha um homem?
— É.
Desta vez ele encarou o chão.
— Eu tenho.
Ele a encarou. Levantou a vista tão rápido que poderia ter ganhado um torcicolo.
— Que?
— Você seu bobo.
Ele sorriu.
— É?
Ela mordeu os lábios e se aproximou dele devagar, segurou sua camiseta e encostou o corpo no dele.
— Com quem eu durmo todos os sábados?
Ele sorriu e mordeu os lábios também.
— Não me olha assim…
— Por que?
— Por que eu não vou resistir…
— Essa é a idéia.
— Não posso transar com você aqui.
Ele beijou-lhe o pescoço.
— Não?
— Não.
— Por que?
— Por que... Por... Não sei... Me beija?
Ele a beijou longamente.
Foi um beijo diferente dos outros que costumavam trocar. Normalmente os beijos eram quentes e apaixonados, cheios de desejo, mas este veio com algo mais. Algo com um gosto familiar de posse, de um laço mais forte que a simples luxuria.
Ele a segurou na cintura e beijou devagar, devagar demais para coincidir com todo o desejo que ele estava sentindo.
As mãos dele subiram, até encainxarem-se em seu cabelo, perdendo-se nos meio-cachos castanho alourados dela. Hermione gemeu em sua boca, um pouco alto demais para o lugar.
O beijo era doce, muito doce, lento, era para ser romântico, mas ainda assim, causava-lhe uma onda de desejo muito forte.
- Hum...
Ele riu.
— Que foi?
— Não podemos... Meu filho...
— Eu sei – Ele sussurrou contra sua boca – Ele é muito esperto.
— Esperto demais... Às vezes até demais.
Eles começaram a andar, sem romper o beijo, sem afastarem os rostos.
— Acho... – Eles arriaram no sofá ao lado da cama – Que deveríamos parar.
— É... Eu também acho... Mas... Eu quero Rony.
Ele riu de novo, era ótimo quando ela deixava o acanhamento de lado e agia com luxuria, ela ficava ainda mais desejável.
- Você quer o que morena?
— Não faz isso Ron...
— Fazer o que?
— Não me pede para dizer.
— Por que não?
— Por que eu não consigo dizer.
Ele encostou a boca no ouvido dela.
— Mas me deixa excitado sabia?
Ela fechou os olhos com força, decidindo entre morder os lábios e sorrir.
— Não faça isso, Ronald... Não podemos... E se ele entrar e ver...
— E se eu não te despir?
— Não? Não despir?
— Não.
— Mas como vamos... Se você não...
— Tsc... Tsc... Que imaginação limitada Mione.
Ele a beijou no pescoço e colocou as duas mãos em suas pernas, por baixo da saia do vestido e as subiu trazendo o pano consigo, despindo-a no processo. Chegando em sua cintura, ele parou e apertou-a forte, ela gemeu baixo e olhou em direção a porta, nenhum barulho, nenhuma sombra passando em baixo da porta Joey devia estar distraído. Santa Camila.
— Pára de brincar Rony, o que você... Ah.
Ela parou de falar, esqueceu de reclamar, esqueceu até mesmo de respirar quando as duas mãos dele seguraram seus seios e roçaram o mamilo com os polegares. O peito dela inchou e murchou três vezes consecutivas sem intervalo.
— Ron...
— Dá para sentir? – Ele roçou o pênis duro nas coxas dela – Sente como está complicado? Como está difícil segurar o desejo? Eu estou assim desde que você ligou.
— Ai...
— Gosto quando você geme...
Ela arqueou a cintura, em busca de mais contato.
— Ron...
— Gosto quando você pede.
— Não... Rony... Você está me deixando louca.
- Bom — Ele levantou seu sutiã e roçou os mamilos mais forte – Muito bom.
— Não... – A negativa saiu sem força e estrangulada — Nada bom com crianças perto...
— Para mim... Parece muito gostoso.
Ele trouxe o vestido mais para cima e capturou um dos mamilos entre os lábios.
Instantaneamente Hermione tapou a boca com a mão. E se não tivesse sido rápida o suficiente para fazer isso, certamente teria gritado.
O gemido abafado pareceu surtir efeito direto em Rony, já que ele roçou o corpo contra o dela e parecia ainda mais duro que antes.
Enquanto lambia um de seus seios, ele desceu a mão sem cerimonias e colocou por dentro de sua calcinha, tocando-a no sexo muito molhado. Hermione o mordeu no ombro.
Ele a masturbou com a ponta do dedo no clitóris e ela rebolava quase que desesperadamente contra o toque.
— Se continuarmos assim, eu vou gozar na roupa, para você... Pode até ser cômodo, mas para mim vai ser complicado.
— Hum... Ron... – Ela continuou chocando o corpo contra seu dedo, sentindo os deliciosos tremores do orgasmo se aproximando – O que sugere? Mas sugira rápido, pelo amor de Deus.
A resposta dele foi intensificar os movimentos dos dedos. Hermione cravou as unhas em suas costas.
— Rony... Eu não vou aguentar...
Então de repente ele saiu de cima dela, trazendo-a consigo no instante seguinte, deitando-a na beira da cama com um pouco de violência. Com uma rapidez surpreendente ele tirou-lhe a calcinha e jogou em algum canto, com a mesma rapidez abriu as próprias calças vestiu um preservativo e ajeitou-a debaixo de si penetrando-a de uma vez.
— Ah meu Deus, ah meu Deus... — Ela chiou o mais baixo que pôde.
— Desculpe, desculpe... Não posso esperar.
— Não espera... Por favor não espera.
Ele se moveu dentro dela. Nada delicado. Movimentos bruscos, fortes, intensos, ininterruptos.
— Rony...
Ela fechou as pernas em sua cintura, fechando ainda mais o contato.
— Hermione eu não... Aguento mais...
Ela segurou seu rosto pelo queixo com uma das mãos. A unha delicada roçou seu lábio inferior.
— Não? Não aguenta?
— Ah...Não...
— Então goza em mim.
Rony sentiu aquelas palavras. Sentiu em cada canto do corpo, pareceu simplesmente fazer as coisas acontecerem de maneira instantânea. No segundo seguinte ele gozou.
Forte. Muito forte.
Ele enterrou o rosto no pescoço dela, buscando abafar o gemido, que mais parecia um urro animal, e a penetrou com mais força, muito mais força.
Hermione cravou as unhas nas costas dele e sentiu o calor do gozo contigo pela camisinha, sentiu as pulsações do sexo masculino dentro de si e deixou-se gozar. Ele sorriu e segurou-lhe o queixo.
— Foi muito bom, devíamos fazer mais vezes.
— Quem sabe?
— Quem sabe? Hum, talvez você saiba, quer que eu descubra se você sabe?
Ele tentou agarra-la e ela se esquivou sorrindo.
— Rony não! Não. Pára já com isso.
Ele a puxou delicadamente pela cabeça e beijou.
— Conversamos amanhã?
— Sim, amanhã...
— Vou... Sentir sua falta.
— Eu também.
Eles trocaram um beijo lento e então ele se afastou um pouco da porta, com intenção de caminhar até o carro.
— Rony! – Ele a olhou – Me manda SMS?
Ele piscou.
— Com certeza.
Hermione esperou o carro partir para entrar na casa. Só eles não perceberiam que a regra que servia para evitar compromissos não lhes cabia mais, que o limite havia sido ultrapassado e que ambos estavam agindo como adolescentes apaixonados.
…
Gina estava tão nervosa que o dia nem bem havia amanhecido e lá estava ela de pé. Era sua primeira participação em um caso de júri popular e mesmo estando apenas para adquirir experiência, sem ter uma participação mais efetiva no caso, ela estava uma pilha de nervos.
O motivo principal era o objeto da acusação.
Naquela manhã Harry Potter era o centro das atenções de todo o país. Não que não o fosse durante o resto do ano, mas naquele dia em questão, todos os meios de comunicação do país estavam voltados para ele.
Ele não havia lhe retornado na noite anterior, e agora, todas as bancas de revista noticiavam o quão relaxado e tranquilo ele estava.
— Filho da Puta! Egocêntrico! Desgraçado! Descarado! Canalha! Cafajeste! Miserável…
— Gina?
— O que?
— Tá tudo bem?
Só então ela se deu conta de que estava resmungando em frente a uma banca de revistas no meio da rua…E que Neville estava parado ao seu lado.
Gina havia acabado de sair de casa e em cada esquina que passara, havia visto o rosto de Potter em sua frente, sorrindo tranquilamente na festa beneficente o qual tinha participado, com Cho Chang ao seu lado em quase todas elas.
— Ah... Nev... Tá... Tá tudo bem...
— Quem você tava xingando?
— Eu.... Eu... O... Ned Beatty.
— Quem?
— O Beatty... O... Urso.
— Urso?
— Toy Story 3...
— Você tá xingando um urso de desenho animado?
- Ele é um vilão Nev... Esquece, as vezes parece que você não teve infância.
— Eu tive Ginny, mas... Ela acabou alguns bons anos atrás, sabe?
— Ah, vai se danar Nev.
— Posso ir me danar depois do julgamento? Por que olha, estamos quase atrasados... Você poderia deixar para xingar o Neddy depois não acha?
— Acho. Acho sim, vamos embora.
Neville olhou para a banca e apontou.
— Olha lá o nosso homem do ano — A revista estampava fotos de Harry, escolhido como personalidade do ano, apesar de tudo – Será que o pegaremos desta vez?
- Quem dera sejamos nós a pegá-lo — O tom de voz saiu carregado, mais de rancor que de sede de justiça.
— Se eu não te conhecesse diria que é algo pessoal.
— O que?
— Você e o Potter. Diria que você tem algo pessoal contra ele.
— É claro que tenho algo pessoal contra ele Nev. Se todas as acusações contra Potter forem reais, ele roubou milhões, dos quais algumas libras saíram também do meu bolso, isso torna tudo muito pessoal.
Neville riu.
— Seja imparcial Ginevra Weasley, regra numero um lembra?
-Como eu vou ser imparcial neste caso, por todos os deuses? — Ela pensou, mas tudo o que mostrou, foi um sorriso forçado.
— Acho melhor irmos Neville, e acho melhor irmos direto para o tribunal agora, já não vamos mais encontrar ninguém na LCC.
— Tem razão. Vem comigo, eu te dou uma carona.
— ok.
O transito caótico, fez com que Gina e Neville chegassem ao julgamento em cima da hora. Os repórteres já fechavam a entrada da corte, com a chegada do acusado.
— Vamos entrar por trás Gin, o bom da popularidade de Potter é que ele nos deu tempo de chegarmos até aqui.
Gina parecia estar longe, o olho fixo na pequena multidão formada na entrada principal do prédio. Ela apensas sentiu-se sendo levada.
Entraram apressados, driblando todos os seguranças, repórteres e curiosos que podiam e chegaram a sala principal no exato momento em que Harry entrava, sorrindo para as câmeras como um superstar.
— Michael Corner! Aqui estamos nós de novo.
— Harry Potter.
Gina paralisou alguns metros de distancia de onde os dois homens se digladiavam com os olhos.
— Pronto para fazer com que o estado me pague mais alguns milhões de indenização?
— Na verdade não, estou pronto para lhe colocar na cadeia por tempo indeterminado.
Harry riu.
- Vai entrar no mesmo ciclo vicioso do seu pai? Tem alguns anos que ele vem tentando.
— Tenho o que é necessário Potter.
— Tem mesmo? Parece que eu já ouvi este disco antes.
— Você se acha demais Potter.
— O que dizer Corner? A vida não é generosa para todos.
— Você é tão fodão quanto quer parecer?
— Venha aqui e tire suas próprias conclusões.
- Farei isso Potter, mas pelos meios legais.
— Isso é uma maneira bonitinha de dizer que está arregrando seu merdinha?
— Já chega Michael — A voz do homem que acabara de chegar calou e gelou a quase todos, menos Harry que continuou sorrindo.
— Pai...
— Vamos deixar Harry Potter nas mãos da justiça.
— Sim, senhor.
Harry piscou para os dois homens.
— Vejo vocês na saída. E obrigada por acrescentarem mais dinheiro a minha conta.
— Idiota.
— Chega Michael!
Mike ainda encarou Harry, antes de entrar ao lado do pai e do resto da equipe. Harry entrou logo atrás. Mike caminhou apressado, caminhando nervosamente ao lado do pai.
— Quais as chances de condenação?
— Temos muito material contra ele, as chances são boas, mas em todo caso, estamos lhe dando com Harry Potter. Tentamos pegá-lo há anos, todas as vezes que o acusamos de algo, este filho da puta consegue se safar e ainda processa o estado. Desta vez só abri o processo por que temos boas chances.
— Quanto?
— Setenta por cento.
— Não é o suficiente. Não para mim. Preciso de Harry Potter atrás das grades e tem que ser logo.
...
Eles se acomodaram cada um seu devido lugar e Harry passou. Chegava a ser irritante a quantidade de confiança que ele esbanjava. Ele se sentou no banco dos réus e olhou diretamente para Michael, com a sombra de um sorriso cínico.
— Pouse sua mão direita sob a Bíblia senhor Potter e jure que dirá somente a verdade neste tribunal em nome de Deus.
— Pouse a sua primeiro meretíssimo, e jure não ter sido comprado por Lucius Malfoy… Em nome de Deus.
— Como disse? — O Juiz virou-se perplexo, perguntando-se se tinha mesmo ouvido aquilo.
— Estou querendo apenas garantir que...
- Eu deveria lembrá-lo que está sendo acusado de estelionato, fraude, sonegação, falsidade ideológica, danos ao patrimônio publico, assedio sexual e atentado violento ao pudor. Está consciente disto senhor Potter?
— Eu? — ele riu como se pouco importasse — É… É eu estou.
— E acha isso engraçado?
— Depois de ser acusado… E inocentado seis vezes dos mesmos crimes… Sim excelência, eu acho isso engraçado.
— Tem idéia de que posso mandar lhe prender agora por desacato?
Harry abriu a boca para retrucar, mas seu advogado foi mais rápido.
— Meritíssimo, permita-me trocar duas palavras com meu cliente.
O juiz mesmo olhando feio, concedeu.
— Tem um minuto.
O homem aproximou-se do banco e sussurrou.
— Você por acaso bebeu? Fumou um baseado? Quer foder com toda a linha de defesa antes mesmo do julgamento começar?
— O que eu fiz demais?
— Ganhou o desgosto do Juiz Harry! Você é louco?
— Eles não podem me condenar.
— Pelo amor de Deus Potter, quer ser defendido. Ótimo! Mas ajude-se, abaixe esta crista pelo menos uma vez.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Ok, ok, não tenha um filho aqui certo? Vou me comportar.
— Eu espero, e espero poder minimizar esta merda de estrago que você fez – Harry não respondeu e o homem apenas se virou para o juiz – Peço perdão meritíssimo, meu cliente está nervoso. O homem olhou para Harry, que ainda mantinha uma sombra de sorriso nos olhos e bufou.
— Vamos começar.
O principal advogado de acusação iniciou seu discurso inicial com muita empolgação, principalmente depois do deboche de Harry.
— E assim senhoras e senhores, o estado vai provar neste tribunal, com fatos além de qualquer duvida... Que o senhor Harry James Potter é culpado por todos os crimes ao quais está sendo acusado... Obrigado.
Então o espetáculo começou.
Durante as horas seguintes uma série de perguntas, que para pessoas comuns teriam um efeito de constrangimento altíssimo. Harry as respondeu com a maior calma do mundo.
Os olhos dele, nunca se fixavam no advogado, ou no juiz, nem mesmo nos jurados. Eles passeavam vagamente, sem olhar para um ponto específico, mas Gina sabia, soube o tempo todo, que era para ela que o olhar se direcionava.
Uma boa quantidade de testemunhas, de acusação e defesa, foram chamadas para depor, após uma série maçante de interrogatórios, o primeiro recesso.
— Recesso de uma hora até a próxima sessão.
Harry levantou muito devagar. Encarando a equipe de acusação como um predador encara o outro.
Um olhar que dizia muitas coisas, quase todas elas terríveis. Pouca gente gostava de cruzar seu caminho. Ninguém gostava de lhe ter como inimigo.
Tudo o que Harry Potter queria ser, ele era com perfeição, principalmente quando decidia ser ruim. A vida lhe mostrou as armas, ele aprendeu a manusear todas em seu favor. Harry costumava dizer que em seu processo de aprendizado não houve cartilha melhor que suas feridas, as cicatrizes não lhe deixava esquecer das lições.
Com o bater do martelo, todos começaram a se levantar, arrumar seus papéis e documentos. Gina ainda sentia o coração batendo muito forte, ainda sentia a pressão dos olhos de Harry sobre ela.
Queria afastar aqueles pensamentos, queria esquecer que o réu era ele. O mesmo homem que a levara para a cama noites atrás, o mesmo homem que fazia suas defesas derreterem como gelo no sol. O único homem que acabou com sua resistência. O único homem que fez seu coração enlouquecer daquela maneira.
Tinha que ser um ladrão? Um estelionatário? Um cafajeste como Harry Potter?
Ela não podia se deixar entregar as emoções daquele jeito. O que houve entre ela e Harry fora um erro e havia acabado.
O sonho dela estava ali e estava se concretizando e ela simplesmente não conseguia se concentrar em uma só palavra da ata que preparara. Tudo por que aquele homem irritante, debochado, irresponsável e perigoso havia entrado em sua vida.
De repente notou que respirava alto demais.
— Gina... Gina... — A voz distante de Michael aumentou quando ela voltou a realidade. Ele segurava seu ombro como um gesto protetor e a sacudia levemente.
— O que foi?
Ela piscou algumas vezes tentando afastar o rosto de Harry da sua cabeça e parar de ver seus traços no rosto de Michael.
— Você está bem?
— Estou... Por que?
A mão dele escorregou do ombro e agarrou a dela.
— Por que você está ofegando e está gelada.
Gina, puxou a mão como se houvesse levado um choque. Tudo agora era extremo, principalmente o medo de alguém notar alguma coisa.
Durante toda a sessão, Harry a encarou descaradamente, sem medo de que alguém notasse. Era como se ele não estivesse num tribunal, nem correndo o risco iminente de ser condenado e preso.
Ele parecia estar livre, num ambiente próprio para o flerte. Por que era exatamente isso que ele estava fazendo. Seduzindo-a com os olhos e o sorriso malicioso no canto dos lábios.
- Estou bem Mike. Eu só...
— Gina... – Ele pegou de novo a mão dela e esfregou entre as suas como se quisesse esquentá-las. Gina não conseguiu evitar uma olhada de esguelha quase que automática para Harry que ainda estava junto de seus advogados na mesa ao lado. Ele a olhava descaradamente e sua expressão era incompreensível – Eu sei que este caso é muito importante para você, eu sei que nossos sonhos e planos estão todos depositados nele, mas você precisa relaxar. Não pode ficar assim.
Ela olhou para Michel por um tempo, sem saber o que dizer, sem saber o que de fato ele quis dizer, até compreender que ele relacionava seu nervosismo ao destino do caso.
Ela sorriu afetadamente, tentando parecer apenas cansada.
— Você... Tem razão Mike, eu só... Eu vou me acalmar ok? Só preciso de um tempo.
Ela puxou a mão de volta e terminou de organizar os papeis da mesa rapidamente, enfiando-os de qualquer jeito na pasta e voltou a olhar para ele e sorrir.
— Não se preocupe, eu vou comer algo e m acalmar, voltarei melhor após o recesso ok? — Ele acariciou seu rosto com uma das mãos e ela imaginou se Harry estava vendo aquilo.
— Não quer que eu faça companhia?
— Ah...Não... Não realmente, eu vou... Vou ao banheiro e depois quero ficar sozinha para analisar os dados que... Neville me passou.
Michael segurou o rosto dela entre as mãos.
— Tudo bem, te vejo depois do recesso.
E então ele depositou um beijo leve em seus lábios.
Gina parou de respirar por um tempo e quando Michael soltou seu rosto sorrindo e se virou para sair, ela buscou Harry com os olhos, mas não o encontrou. Odiou-se no instante seguinte. Não devia satisfação a Harry Potter. Mas não conseguia parar se perguntar se ele tinha visto algo.
Ela e Michael Corner já não tinham mais nada, as vezes, antes de Harry entrar em sua vida, se divertiam juntos quando queriam, sem compromisso algum, mas ele manteve o costume de pequenos carinhos íntimos. Como ela não pensava em relacionamentos sérios, não se incomodou com isso. Mas agora, os toques e carinhos de Michael não faziam mais o mesmo efeito. Agora incomodavam.
Ela ainda olhou ao redor da sala, procurando Harry em algum canto, mas não encontrou, então agarrou a pasta e saiu rapidamente em direção ao banheiro. Entrou e respirou aliviada por estar vazio.
Jogou a bolsa de lado e recostou-se na pia. Precisava pensar, precisava se controlar. Precisava de paz. Harry Potter havia sugado sua paz.
Fechou os olhos com força e respirou fundo. Iria se acalmar, ficar um pouco sozinha e depois se forçaria a comer algo. Fome mesmo não tinha, mas precisava se alimentar.
Fechou os olhos com força e lembrou do jornal, com a foto de Harry, na festa beneficente, e Cho agarrada ao seu braço, sorrindo como uma noiva em lua de mel. Bateu com os punhos fechados na pia, a raiva consumindo seu cérebro, o ciúme aflorando.
— Não vou definhar por causa daquele cafajeste desgraçado – Ela disse para o espelho – Ele me pareceu muito bem com aquela oriental anoréxica.
— Não tão bem quanto se estivesse com você — A voz dele foi como o estouro de uma bomba em seus ouvidos. Ela pulou para o lado, quase horrorizada, o coração aos saltos, sem querer acreditar no que ouvira. Mas ao se virar, constatou que Harry Potter estava mesmo na porta do banheiro feminino do fórum.
— Assustei você? — A voz macia, amigável, que ela sabia ser só um disfarce. Era na verdade perigosa.
- O que faz aqui? – Falou como pode, a garganta seca, a voz enfraquecida pelo susto.
— Quero falar com você Ginevra.
— Isto... É um banheiro feminino – Ela disse e se sentiu uma idiota. Obvio que ele sabia que era.
— É mesmo? Nem notei — Harry andava a passos lentos como um tigre, que se aproxima lenta e silenciosamente da presa. Gina recuava a cada passo que ele dava.
— Você pode ser preso.
Ele riu alto. Uma risada de puro deboche.
— É? Por isso? Os babaquinhas de terninho, que tentam me prender há anos, vão me pegar por isso aqui? Vamos ver.
— O que você quer Harry?
— Te dar um aviso.
— Aviso... — Ela repetiu – Que aviso?
— É para o seu amiguinho na verdade – Ele estava bem perto.
Ergueu a mão e deslizou pela bancada da pia enquanto se aproximava dela e sorria de lado ao vê-la prensada contra um Box de banheiro trancado com uma placa escrita em letras grandes “manutenção”.
— Quero que avise... Diga para ele... Que... Se tocar de novo em você... Como tocou hoje... Ele vai descobrir a falta que fazem os dedos de um homem — A voz ainda era suave, como se falasse a uma criança, mas a força por trás dela era intimidadora.
— Michael... É meu amigo... E você não tem o direito...
— Tenho todos os direitos. Todos eles. Desde aquela noite, você é minha Ginevra. Minha mulher e eu sou um homem possessivo. E é bom, para o bem da saúde do Corner que ele continue sendo só seu amigo.
Ele parou a centímetros dela.
— Não sou um objeto! Não pertenço a ninguém!
— Se fosse um objeto. Eu não teria sentido todo aquele prazer. Pode ter certeza. Quanto a pertencer ou não... É discutível.
— Você é...
Ele tocou os lábios dela com os dedos.
— Existem lugares em você, onde apenas eu tenho permissão de tocar, é bom que ele entenda.
— Michael não sabe de nós... Ninguém sabe?
- Escolha sua.
— Eu não sou louca de assumir qualquer tipo de envolvimento com você Potter!
Ele riu de novo.
— Azar o seu. Terá que descobrir outro meio de manter seu amigo longe então.
— Você não me pareceu inclinado a manter suas amigas longe, pelo que vi.
Harry permaneceu calado por um tempo, e depois tocou-lhe o queixo.
— Isso também foi culpa sua. Você se recusou a ir comigo no baile de caridade.
— E você se apressou em em substituir? — Ela estava odiando a própria incapacidade de segurar as palavras na boca, e todo o ciúme acumulado nos últimos dias explodiam naquele momento.
— Eu precisava ir com alguém.
— E procurou logo a vaca chinesa?
— Você está com ciúme?
— Não seja ridículo! Eu não estou com ciúme! — Ela tentou passar por ele, mas ele a deteve usando a força para prendê-la contra a porta do Box.
— Você fica sexy neste terno... –Ele disse mergulhando o rosto em seu pescoço, alcançando o ouvido – Eu estava excitado naquela cadeira, ainda estou... Sinta...
— Harry... Não...
— Você fica sexy quando fala para o júri, fica sexy brava... E eu estou cansado de esperar — Ele pressionou o corpo contra o dela e ondulou, ela sentiu toda a extensão do seu desejo.
— Pelo amor de Deus, alguém pode entrar aqui – Ela quase chiou em vez de falar. Ele segurou o botão do seu terno e desabotoou.
— Estamos perfeitamente seguros, e agora, eu vou mostrar que lugares o Corner não pode tocar, agora... Eu vou fazer amor com você.
— Não podemos...Harry...
Ela tentou afastá-lo, mas ele a segurou virou de costas para si e beijou seu pescoço lhe arrancando um gemido.
— Eu sou Harry Potter minha querida, eu posso tudo.
— Você é um convencido, arrogante, irritante e cafajeste — Ele riu, os olhos dele se apertaram quando ele sorriu e ela sentiu o coração e o corpo responderem em uníssono.
— Foi por isso que você se apaixonou por mim?
— Não me apaixonei por você. Isso é...
— Só sexo? – Ele ainda sorria, mas as mãos dele apertaram um pouco mais seus pulsos – É? Então você não devia se preocupar com a Cho.
— Mas eu não...
— Certo, Gina... Certo. O resto do mundo acredita em você. Agora eu não quero mais falar...Tenho coisa muito melhor para fazer -Ele afastou um pouco as mãos dela e mergulhou o rosto no pescoço, beijando toda a pele, quebrando a resistência dela.
— Meu Deus, Harry... Estamos num banheiro.
— Eu sei, não é excitante?
— Ai Harry... — Ela gemeu quando ele subiu as mãos para os seus seios.
O engraçado com Harry é que ele não precisava se esforçar muito para ganhar a rendição do seu corpo. Michael sempre precisou ser paciente para despertar seu desejo. Sempre precisou ir com calma, caprichar em preliminares. Não se lembrava de grandes arroubos de desejo, de sexo desesperado ou ânsia. Era bom... Mas era só isso.
Harry lhe roubava o fôlego em minutos. Acabava com seus neurônios, a tornava intelectualmente inválida. Fazia seu corpo entrar em combustão, experimentar a sensação de um incêndio. Não precisava de muito para fazê-la sucumbir. Era incrível como apenas a maneira de olhar, a maneira de sorrir, fazia com que ela se sentisse totalmente excitada, com que as cenas mais excitantes e os desejos mais íntimos e obscenos invadissem sua mente.
Ele separou suas pernas com uma das dele, forçando mais contato no corpo.
— Eu quero muito você Gina. Quero aqui mesmo... Passei o diabo naquela cadeira desgraçada, ouvindo aquele monte de merda, mas na verdade eu não parava de pensar em ter você. Em tocar você. Meu Deus, sua feiticeira o que faço para me controlar?
— Harry... Pára... Por favor...
— Ah você não quer que eu pare ruiva… Esse seu cabelo… — Ele soltou os pulsos dela, mas ela não voltou a empurrá-lo, pelo contrario, as mãos desceram pela lapela do terno e se agarraram a ele.
Ele embrenhou as mãos no cabelo dela soltando o coque apertado.
— Esse seu cabelo... É... Injusto com as outras mulheres sabia?
A língua dele passeava pela pele dela, evitando a boca, de propósito ela sabia. A ânsia de receber um beijo já estava quase mo limite. Ela entendeu que não conseguiria mais recuar.
Os cabelos caíram sobre os ombros e ele a agarrou no rosto, beijando com fúria, posse, poder.
Gina apertou mais a lapela do terno e o puxou para si.
— Seu... Desgraçado... -Ela falou entre o beijo e ele apenas sorriu, inclinando a cabeça dela para tomar mais para si.
— Preciso tocar você... Agora.
Ele disse enquanto soltava sua cabeça, mas as bocas não se separaram. As mãos fortes se atrapalharam com as pequenas dela quando ambos tentaram retirar as roupas ao mesmo tempo. Ela agarrou a gravata, afrouxando-a de qualquer maneira, e empurrou o terno para trás, enquanto ele abriu com rapidez todos os botões do sobretudo alinhado que ela usava.
Segundos depois ela abria os botões da camisa dele, e ele arrancava as alças do vestido, invadindo a peça, alcançando seus seios ainda cobertos pela lingerie e praguejando contra o pedaço de pano.
Ele segurou a peça de roupa com as duas mãos e ela se assustou por alguns segundos, segurando suas mãos, impedindo-o de continuar.
— Não... Não o arrebente... Eu preciso... O recesso... — Ele afirmou que entendeu com a cabeça, mas já respirava forte. Sua expressão já estava modificada, séria, a necessidade e o desejo estampados no rosto. Depois voltou a beijá-la e soltou o fecho traseiro da peça, libertando seus seios.
Sem muita paciência, ele arrancou a própria camisa, depois a levantou no colo, sentando-a na pia mais próxima, levantando seu vestido e enfiou a mão por dentro enquanto inclinava-se como podia para tomar os seios na boca.
— Ai, Deus... — Ela gemeu com a súbita invasão, da língua em seus mamilos e dos dedos em seu sexo.
— Minha nossa, como você é quente. É quente como o inferno. Meu inferno.
— Harry... Toque-me... Toque-me.
Ele afundou os dedos na cavidade molhada e ela tremeu.
— Isso...
— Você... Gina...
— Tire a roupa...Vamos Harry, tire...
Era irreal a maneira como se transformava nos braços dele, a maneira como se entregava às tentações e aos pedidos do seu corpo. Tornava-se devassa, desinibida... Sexual. Como nunca antes fora.
Ele se afastou dela, meros segundos e tirou as roupas de baixo.
— Tira as suas – Mandou com a voz rouca. Uma ordem. Ela teria odiado receber ordens de um homem. Se este homem não fosse ele. Ela apenas obedeceu. Desceu da pia e tirou suas roupas mais rápido do que podia notar. Ele a segurou nos braços, elevando-a o suficiente para que seus corpos se encaixasse e ele pudesse penetrá-la.
Gina agarrou seus cabelos e reprimiu um grito mordendo o lábio inferior com força.
— Minha...- Ela deitou a cabeça no ombro dele, com os olhos fechados, as pernas presas em sua cintura -- Por Deus... Isso é um banheiro...
— Isso importa? Não ruiva, não importa. Só isso... – Ele movimentou-se e ela ofegou levantando a cabeça e abrindo a boca para buscar o ar – Só isso importa...
— Harry...
Ele movimentou-se de novo, com ela nos braços, sem muito esforço. Pareciam peças de quebra — cabeça perfeitamente encaixadas. O metal do Box em contato com o pano, e as respirações alteradas combinadas aos gemidos contidos eram os únicos sons do local.
— Mais... Harry...
— Meu Deus... Isso é... Incrível...
Ele continuou se movimentando dentro dela e Gina o apertou mais contra si. Não conseguia conter o espanto consigo mesma. Era um banheiro, o banheiro feminino do fórum, e ela estava lá, seminua, entregue nos braços dele. Não precisou esforço, nem preliminares, nem incentivos.
Um olhar, um toque, um beijo, e ela explodia de tesão pelo homem mais canalha que conhecia.
— Gina... Eu... Vou... — Ela o impediu de falar, sabia que o orgasmo dele estava tão próximo quanto o dela, então pegou seu rosto entre as mãos e o beijou, exatamente no momento em que seu sexo pulsou pela gloria de um clímax explosivo.
Ela se contraiu inteira, os dedos dos pés se enrolaram, os pêlos do corpo eriçaram e em seguida, com um gemido relativamente alto, Harry se deixou levar.
Foram necessários vários minutos para que os dois conseguissem se recompor, mas logo Gina estava de costas para ele, tentando acertar a marca do terno, para que ele não parece amarrotado. O silencio reinava no banheiro.
Quando ela virou, Harry estava devidamente e impecavelmente vestido. Ela não entendia como ele conseguia. Pratica talvez.
— Não faço sexo casual num banheiro com qualquer mulher — Ele disse como se lesse seus pensamentos. Ela baixou os olhos.
— Não disse nada.
— Mas pensou -Ela levantou a cabeça quando ele a obrigou com as mãos.
— Cho… Não significa nada para mim. Não sou um homem de duas palavras. Ela sabe que você está em minha vida e ela sabe... Que isto tudo, depende de você.
Ela tentou se soltar dele, mas não conseguiu.
— Não posso... Não posso me envolver com você Harry — Ele riu, mas não havia graça na risada.
— Já está envolvida Gina. Não adianta mais. Espero você hoje a noite, na minha suíte. Não me faça ir buscá-la, por que eu vou Ginevra.
Ele a soltou. Ela se vestiu e saiu sem dizer uma palavra.
— Ah... — Ele disse antes de ela sair – Não esqueça... Afaste o Corner, se quiser que ele fique inteiro.
Harry recostou-se próximo ao espelho e acendeu um cigarro. Precisaria ajeitar aquelas roupas antes de voltar à sala de julgamento. Mas realmente não estava se importando.
“O segredo da força está na vontade”
Giuseppe Mazzini
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