Ao abrir seu closet naquele quarto do navio, Katy começou a pensar em qual roupa usaria ao chegar à ilha para o início das aulas. Um vestido preto bordado com pedras de diamante, comprado na semana passada, chamava sua atenção, assim como outros vinte e nove vestidos com detalhes em rubi, esmeralda e joias caríssimas.

Ela havia comentado com a estilista que confecciona os vestidos que seria um para cada dia do mês, apenas para causar uma boa impressão. Katy tinha um pequeno vício em compras, algo que sua mãe já tentou controlar, mas sem sucesso.

Já passava da meia-noite quando ela começou a fazer um desfile particular com seus vestidos que custavam milhões. Começou pelo que tinha um carinho especial: um vestido vermelho, com cintura marcada, tomara que caia, todo cravejado de diamantes nas bordas. O vestido ia até acima dos joelhos e tinha duas camadas de volume, realçando ainda mais o corpo de modelo que Katy já possuía.

Ela passou mais algum tempo experimentando vestidos de diversas cores e cortes. Como o tempo parecia não passar, Katy decidiu ir até o salão principal para ver se encontrava alguém interessante por lá. Ao chegar, deparou-se com o professor de educação física bebendo uma taça de alguma bebida alcoólica. Katy se aproximou:

— Posso me juntar a você? — perguntou ela ao professor.

Ele apenas a olhou e saiu andando. Cansada de tudo aquilo e desejando apenas chegar logo ao internato, Katy voltou para seu quarto. Lá encontrou Cora e Elena fazendo uma noite do pijama.

— Junte-se a nós — disse Elena.

Katy, porém, ignorou tudo e foi se deitar.



(***)

— Você deveria parar de beber. Já está de madrugada e você continua bebendo. Por acaso quer entrar em coma alcoólico? — Cristian dizia a Noah.

— Você não é meu responsável para dizer o que eu devo ou não fazer — respondeu Noah.

Cristian tomou o copo de vodca da mão de Noah e virou um gole só. Os dois bebiam havia cerca de três horas, mas Cristian conseguia se controlar; já Noah não. Ele estava cambaleando.

Noah estava sentado no chão gelado, com Cristian ao seu lado e duas garrafas — uma de vodca e outra de uísque. Noah era um homem extremamente esportivo, com um corpo atlético que lhe permitiria entrar em qualquer time que quisesse.

A noite ficava cada vez mais fria conforme o tempo passava, e logo as notícias começaram a se espalhar rapidamente entre os alunos.

Cora havia saído para pegar mais comida quando ouviu gritos. Saiu correndo e encontrou um menino no chão, gritando de dor, com um caco de vidro cravado na perna. Ela tentava estancar o sangue com a mão. Nesse momento, ela viu alguém sair correndo dali — parecia um homem.

O capitão do navio, ao saber da notícia, chegou imediatamente ao local e segurou a menina que encontrara o garoto caído perto da porta.

— Cora, você viu alguma coisa? — perguntou o capitão, tentando decifrar algo em seu olhar, mas só encontrou pânico estampado em seus olhos.

— Eu não vi nada, apenas ouvi os gritos — respondeu ela.

O capitão a agarrou pelos ombros e a pressionou contra a parede, falando em um tom mais grave do que o normal. O pânico de Cora só aumentou com a forma agressiva com que ele agia. Dois policiais que estavam ali intervieram, afastando o capitão, e um deles pediu que Cora se acalmasse.

Quando ela conseguiu se acalmar, o policial a levou até uma sala, onde pôde se concentrar melhor no que ele precisava. Cora descreveu a provável pessoa que cometera o ataque: um homem de estatura mediana, um pouco forte demais para ser um adolescente indo para o internato. Como o corredor estava mal iluminado, ela acreditava que o cabelo do agressor era preto.

Após terminar a descrição, o policial pediu que ela ficasse tranquila, garantiu que encontrariam o responsável e sugeriu que tentasse dormir um pouco. Assim que ele saiu da sala, Cora se levantou e começou a andar de um lado para o outro, inquieta.



(***)

O helicóptero estava pronto para decolar de Londres em direção ao internato onde Michel passaria a estudar a partir de agora. Com o sucesso de sua banda, ele não podia frequentar um colégio comum, pois isso prejudicaria sua vida acadêmica.

Ao olhar para aquele moreno carrancudo, ninguém imaginaria o que ele carregava na alma. Para vencer na vida, Michel já havia feito muitas coisas erradas — coisas que qualquer um duvidaria.

O piloto já estava pronto para decolar quando Michel decidiu descer do helicóptero, alegando ter esquecido um objeto muito importante.

Ele vestia um jeans preto, camiseta verde-esmeralda e seus óculos de sol, que costumava deixar pendurados na gola da camiseta. Conforme seus passos ficavam mais firmes e rápidos pelo corredor, Michel notou algo estranho: as luzes começaram a piscar.

De repente, começou a correr. Michel sabia exatamente do que estava fugindo. A cada luz que passava, ela explodia, deixando o corredor mergulhado na escuridão. Não demorou para chegar ao quarto onde estava hospedado. Abriu a porta com o cartão que ainda não havia entregado e se escorou atrás dela ao fechá-la.

Michel não podia perder tempo. Precisava encontrar o amuleto que sempre usava para proteção — coisas terríveis aconteciam quando estava sem ele. Revirou o quarto inteiro, banheiro, sala, tudo o que podia, mas não encontrava nada.

Cansado, o moreno socou a parede próxima à porta de entrada com força. Precisava voltar ao helicóptero o mais rápido possível, mas não sairia dali sem o amuleto.

Fechou os olhos, sentindo a dor nos dedos da mão direita, já sangrando pelo impacto. De repente, ao olhar para cima da escrivaninha, viu o objeto que tanto idolatrava. Sem perder tempo, voltou e entrou no helicóptero.

Ao chegar ao internato, Michel foi direto para o quarto. Porém, não estava sozinho. Havia outros meninos com ele. Aproximou-se da porta e leu os nomes:

Trevor, Michel, Lian, Scott

Entrou no quarto e foi dormir.