Internato Meio-sangue
2 Primeiro dia
Notas iniciais
Fanfic – Internato Meio Sangue
Capítulo 1 – Primeiro dia
POV Raquel
Saí da aula de álgebra, a última aula do dia, muito feliz. Eu adorava a aula, apesar de o professor ser um saco. Todos chamavam ele de górgona, menos os queridinhos, que tentavam fazer amizade com ele pra ganharem boa nota. Fui até o refeitório, fiz meu prato, peguei uma coca-cola (minha bebida preferida) e fui me sentar com Anabela e Anabelle na mesa de sempre debaixo da árvore.
– Hey! – disse as duas.
– Heey! – disse eu.
– Nossa, ta toda animadinha! Não sei como você consegue gostar daquela aula chata da górgona. – comentou Anabelle.
– Pois é. O que foi aquilo? Devia ser proibido ensinar alguma coisa no primeiro dia de aula! Mas, de qualquer jeito, não entendi nada. – concordou Anabela.
– Não se preocupem, depois eu explico a vocês. – Eu já estava acostumada de bancar a professora em matemática. Eu não era muito melhor do que Anabela e Anabelle em outras matérias, mas em álgebra... Era a única aula que eu esquecia todos os meu problemas pessoais e me concentrava nos que o professor me dava.
– Okay, depois. Não quero falar de matemática agora. – Nesse momento, Jack e Jake chegaram na nossa mesa com suas bandejas..
– Adorei essa escola! – falou Jack – Tirando a parte das aulas chatas... Tem tudo! O campo de futebol é demais!
– É sim! – continuou Jake – Nossa, eu to doido pra entrar na aula de surf! Assim que sair daqui vou falar com o... – Anabelle tapou a boca dele.
– Tudo bem, gente. Eu estou bem. – falei
– Mas, afinal, porque você ficou com aquela cara quando foi falar o nome do Nick, Ray? – perguntou Jack. Anabela me fez uma pergunta silenciosa e eu assenti.
– Depois eu te conto, Jack. – disse ela. Todos começaram a comer. Conversamos, tiramos dúvidas de Jack e Jake e quando terminei me despedi.
– Vou ter que ir pra a esgrima agora, vejo vocês depois! – disse e saí, meio correndo meio andando, até o ginásio. Cheguei lá e transformei meu colar de coruja na minha espada: Κουκουβάγια γνώση (Coruja do conhecimento). Minha dupla costumava ser Nick, mas eu tinha pedido para mudar depois de tudo o que aconteceu. Agora eu lutava contra um garoto, filho de Hefesto. Ele era muito forte e a luta era bastante equilibrada.
Eu tinha finalmente conseguido derrubar ele, quando alguém me chamou:
– Raquel! – Virei pra ver quem era, e foi quando meu oponente se levantou e me desarmou. Ergui as mãos em um gesto de rendição.
– Ótima luta Mateus, você venceu. Quer saber? Estou com sede, vou beber uma água e descansar um pouco. Já volto.
– Tudo bem. – ele disse, pegou minha espada do chão e me entregou. Me virei pra falar com o cara dos fones.
– Sabe, se eu estivesse lutando pra valer com aquele menino, já estaria morta. E a culpa seria sua!
– Boa tarde pra você também. – Percebi que estava segurando uma espada quase maior que ele. E que ainda estava usando o casaco.
– Então, você quer treinar esgrima?
– Eu não sei. Não consegui decidir, mas vou tentar primeiro espada.
– Certo, primeiro vamos trocar essa espada. Vai acabar caindo em cima dela. – Fomos até o arsenal e eu escolhi uma espada decente pra ele.
– Hey, cade a sua espada? – perguntou ele. Eu tinha transformado ela em uma faca e escondido na bota. Tirei a faca da bota e transformei na espada de bronze celestial, depois tranformei no meu colar de coruja.
– Incrível! Como consegue fazer isso?
– É um presente da minha mãe.
– Sua mãe é Atena, sim? Deusa da beleza? – Eu não sabia se ele estava me eloginado ou me zuando mas, pela expressão, eu acho que era a segunda opção.
– Sim e não. Atena é deusa da sabedoria e da guerra organizada. – Ele continuava com o sorriso inabalável e isso, apesar de não querer confessar, me assustava um pouco. – Tudo bem, vamos começar. Tente me derrubar ou me desarmar e se defender pra que eu não consiga. Entendeu?
– Mais ou menos.
– Então, vamos começar. – A luta começou. Eu tentava derrubar e ele defendia desajeitadamente. Menos de um minuto depois, consegui desarmar ele. Dei um chute na parte de trás de sua perna e ele caiu de costas. Subi em cima dele, pra não fugir, transformei a espada em faca e pressionei a parte cega contra sua garganta. Seu capuz tinha caído e agora dava para ver melhor seu rosto. Ele tinha cabelo cor de mel, só que clarinho. Seus olhos mudavam de marrom pra cinza, e eu achava eles lindos. No geral, ele era bonitinho. Sorri.
– Esgrima não é o seu forte. Você deveria tentar outra coisa. Já vai acabar a aula e começar a de arco e flecha, fale com Anabela e Anabelle.
– Okay, mas você pode por favor afastar a faca de mim, Ray? – Coloquei a faca no chão antes de me levantar, o que foi um erro, pois Pietro se virou invertendo as posições e ficando em cima de mim, prendendo meus braços.
– Ha! – zombou ele. – Ganhei! – Eu fiquei encarando aqueles olhos que mudavam por um tempo.
– Nossa, como você é maturo. – falei com sarcasmo – Pode sair de cima de mim agora? – Minha voz tremeu. Eu me sentia... Indecente. Ele saiu de cima de mim e esticou a mão pra me ajudar. Eu segurei sua mão e puxei-o pra baixo, me levantando ao mesmo tempo. Ele começou a gargalhar no chão e eu a rir também.
– Aprenda a perder, Pi.
– Depois o imaturo sou eu. – Ajudei ele a levantar. – E... Pi?
– É, tipo um trocadilho. Pi de Pietro e Pi na matemática. – Ele fez uma cara confusa e eu ri. – Sabe? 3,141592653578...
– Não, não sei. – disse, me interrompendo. — Não entendo essas piadas de Atena. – Nós fomos até o arsenal de novo, para que ele pudesse pegar um arco e uma aljava de flechas.
– Eu tenho que ir. Vou escalar.
– Escalar? Posso ir com você?
– Não, você tem que treinar! Não pode gaziar aula no primeiro dia.
– Aff, tudo bem, apesar de eu achar o contrário. Obrigada por quase me matar. Até mais tarde.
– O que tem mais tarde?
– Jantar. Posso sentar com vocês hoje? – ele perguntou. Eu fiz uma careta pensativa e ele me empurrou, o que me fez rir.
– Ta certo, você pode.
– Você é muito chata.
– Eu sei. Tchau. – Sai andando, a caminho da montanha. Quando cheguei longe ouvi ele gritando:
– Tchau, Ray! – Revirei os olhos.
POV Anabela
Quando a Raquel saiu, logo Jack e Jake saíram também. Eles iam treinar esgrima, como ela. Eu e Belle ficamos conversando sobre os novatos.
– E aí? Achou algum novato interessante? – perguntei a ela
– Aquele carinha que perguntou dos esportes era bonito, mas tão burro quanto uma porta. Prefiro meu Jake.
– Digo o mesmo, gêmea.
– Eu achei é estranho aquele cara do capuz. Ele não parava de sorrir.
– Pois é, isso é perturbador. – concordei. – A Ray se irritou com ele. Ela não gosta que não escutem ela. – começamos a rir. – Aposto que ele ja ta em sua lista negra.
– E você viu aquela vadiazinha? Afe, filhas de Afrodite fúteis me deixam irritada. – Ficamos conversando por um tempo até que deu a hora de ir para o treino de arco e flecha. No caminho do arsenal, aquele menino do capuz veio falar com nós.
– Ahn... Oi. Meu nome é Pietro. – ele disse e deu aquele sorriso perturbador. – Bom, a Raquel mandou falar com vocês. Eu tentei fazer esgrima, mas ela disse que eu não tinha jeito e mandou eu tentar arco e flecha. – Ele mostrou o arco que estava segurando e a aljava que estava pendurada em seu ombro.
– Tudo bem. – eu disse – Vamos ver se você consegue atirar uma flecha sem acertar alguém.
– E você é? – ele perguntou pra mim. Eu ja estava acostumada com isso. Pelo menos ele não tentou adivinhar quem eu era.
– Anabela. Ela é Anabelle. Pode diferenciar pelas mechas.
– Tudo bem.
Entramos nós três no ginásio, que já tinha pessoas treinando. Vários bonecos com alvos pendurados em seus peitos estavam espalhados pelo ginásio. A maioria dos arqueiros eram filhos de Apolo, ou seja, aquele lugar tinha mais pessoas bonitas do que uma convenção de modelos.
– Você sabe como atirar? – perguntou Anabelle a Pietro.
–M ais ou menos. – ele pegou uma flecha e atirou-a. A flecha passou por cima do alvo.
– Porque você não tenta apoiar no queixo? – Ele fez como eu disse e soltou a corda, conseguindo atingir quase no meio do alvo.
– Yeah!
– Hey, você é bom! Tente de novo. – incentivou Anabelle. Ele saiu atingindo os alvos, a maioria bem no meio, até que acabou as flechas e ele foi pegá-las.
– Isso é legal!
– Acho que você achou sua vocação. – disse eu – Mas já acabou o treino. Vamos até a montanha. Tchau.
– Eu posso ir com vocês? Raquel deve estar lá, e ela disse que eu podia jantar com vocês hoje. – ele sorriu.
– Ela disse? – Belle trocou um olhar confuso comigo.
– Sim
– Então, tudo bem. Pode vir. – Nós fomos até a montanha pela a trilha da praia. Quando chegamos lá, Raquel estava lá em cima. Eu e Anabelle gritamos por ela, mas ela não ouviu.
– Deixa eu tentar. – disse Pietro – Ray! – Ela finalmente ouviu e começou a descer. Ela chegou embaixo e se livrou do equipamento.
– Hey! Bela, Belle, Pi. – Ela falou.
– Pi? – perguntamos eu e irmã juntas.
– Sabe? – respondeu Pietro – 3,1452... Ou algo assim. – Resolvi deixar pra lá e fomos andando até o refeitório. Encontramos Jack e Jake. Todos nós pegamos pizza.
– Então, como você foi no arco e flecha? – perguntou Raquel a Pietro.
– Digamos que foi melhor do que na esgrima.
– Melhor do que na esgrima? Ele é ótimo nisso. – disse Anabelle.
– Sério? Que bom. – Raquel sorriu e continuou comendo sua comida.
– Ela é sempre bipolar assim? – cochichou Pietro pra mim. – Quer dizer, ela está tão feliz agora. – Ele deu outro sorriso perturbador.
– Ela só fica tão feliz assim quando escala. – respondi – Ou depois da aula de álgebra.
– Ah, tudo bem. – ele se virou pra Raquel – Ray, obrigada por deixar comer com vocês. Eu tenho que ir organizar minhas coisas no dormitório. Tchau, gente. – Ele se levantou, mas antes de ir falou algo no ouvido de Raquel. Ela teve uma reação estranha: Arregalou os olhos e ficou meio paralisada e vermelha como um tomate, e era difícil a Ray ficar corada. Depois disso ele se foi.
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