Internato Limoeiro
37 Capítulo XXXVI - Regras
Notas iniciais
A segunda-feira chegou mais rápida do que os alunos queriam. A manhã parecia se arrastar lentamente e a voz mecânica dos professores colaborava com o desinteresse pelas aulas.
Mônica fazia um desenho aleatório em seu caderno enquanto ouvia apenas a voz da professora sem prestar atenção em uma palavra sequer. A moça bocejou mudando seu olhar para a janela, que dava visão para um poste de luz.
A morena olhava para um casal de pombos no fio que juntavam os bicos enquanto balançavam as cabeças. Achou fofo, porém quis rir ao ver um dos pombos tentar subir no outro e, em resposta, acabar sozinho. Por algum motivo, aquilo a lembrou de seu fim de semana com Cebola.
"Mônica!" soou a voz da professora.
"Oi?" a moça despertou do transe.
"Eu te fiz uma pergunta! Pode me responder?" a outra perguntou de braços cruzados.
Mônica olhou em volta, a sala inteira a encarava.
"Ér… qual era mesmo a pergunta?" perguntou ouvindo alguns risos baixos.
A docente suspirou cansadamente.
"Quero que me diga qual o tempo verbal na pergunta que está na lousa." a mais velha falou apontando para o quadro.
Mônica, que havia esquecido qual aula estava assistindo, olhou para a lousa e quis bufar. Era inglês.
"What did you do yesterday?" leu mentalmente e engoliu em seco, há poucos segundos estava pensando no que não fez.
"Tá no passado, teacher." respondeu e a mais velha assentiu.
"Great! E como você chegou a essa resposta?" perguntou.
"Porque o tema da aula é past simple." a morena respondeu óbvia e brincalhona, fazendo a professora franzir o cenho e os colegas rirem.
Mônica também riu, mas parou ao ver a professora ir até sua caderneta e lançar um olhar severo para Cebola.
"Fora isso, você sabe o por quê?" perguntou pronta para fazer alguma anotação.
"Ér… por causa do did e do yesterday?" a moça respondeu incerta e a mais velha assentiu e não escreveu nada.
"Certo. Preste atenção na aula!" exclamou e voltou a explicar.
Mônica, discretamente, olhou na direção de Cebola, que fez um gesto de palmas, e sorriu.
X
Quando a aula de inglês finalmente acabou, os jovens foram liberados para o almoço. Cebola e Mônica deixaram a sala juntos e pararam no corredor.
"Por um momento, eu achei que você tinha falado sério quando falou do tema da aula." o rapaz comentou risonho.
"Não pode nem brincar mais. Mas, Cê, por que ela te olhou daquele jeito?" Mônica perguntou e o namorado crispou os lábios.
"Ela que me orienta pra monitoria, então quer saber se eu 'tô explicando mais como sua primeira resposta ou mais como a segunda. Se fosse como a primeira, a gente estaria ferrado!" ele explicou.
Mônica o abraçou sorridente.
"Então respondi certo e garanti minhas monitorias com o mais gatão." falou enquanto roubava um beijo do namorado, que retribuiu.
Os dois não pretendiam demorar, principalmente por estarem no corredor, onde inspetores passavam o tempo todo. Mas, no curto beijo, foram interrompidos por uma voz feminina zangada e incrédula.
"Mas o que significa isso?!" questionou.
"Professora Manoela!" o casal exclamou em uníssono antes de se afastar.
A professora de inglês respirou fundo.
"Sei que vocês jovens têm hormônios demais, mas namoro entre monitor e monitorada… não dá! Cebolácio, vou pedir uma reunião com os monitores e a coordenação pra hoje à tarde depois das atividades, esteja lá! E Mônica, hoje você está dispensada da monitoria!" exclamou saindo em seguida.
A moça olhou para o namorado, que estava sem reação.
"A gente 'tá lascado, né?" ela perguntou e ele forçou um sorriso.
"Não se preocupe! A professora Manoela não é tão má assim. Vai ficar tudo bem." o moreno garantiu e a namorada sorriu.
*
Enquanto isso, em uma mesa do refeitório, estavam Nikolas, Penha e Tikara quando Gabriela apareceu.
"Nik, a professora Manoela pediu pra avisar que hoje à tarde tem reunião com os todos os monitores." a loira alertou e ele franziu o cenho.
"Reunião hoje? Sobre o quê?" perguntou e ela deu de ombros.
"Não sei, mas ela parecia brava." respondeu saindo em seguida e o rapaz suspirou.
"Que menino importante! Tem até reuniãozinha." Tikara comentou zombeteiro, fazendo Penha rir.
"Esse menino 'tá voando alto!" ela brincou e o namorado riu.
"Não se iludam, essas reuniões com todos os monitores geralmente acontecem quando alguém quebra regra." revelou.
"Você já quebrou alguma regra?" Penha perguntou.
"Não, sou um cara muito certinho." respondeu e o amigo riu alto.
"Certinho nada! Você era monitor da sua namorada! E isso não pode!" Tikara lembrou.
"A gente só começou a ficar depois. E você não pode falar nada, Tikarra! Quem mesmo é a sua ficante?" Penha rebateu.
O dono dos cabelos lisos negou com a cabeça.
"Ela não é minha ficante, é bem mais que isso!" respondeu.
"Vocês 'tão namorrando? E nem disse nada?" ela questionou incrédula olhando para ele e para o namorado.
"Também não é namoro." Tikara completou.
Penha levantou os ombros.
"Então é o quê?" perguntou.
"Não rotulamos nossa relação, mas quem sabe?" o rapaz respondeu abaixando a voz ao fim.
"Eu ouvi esse 'quem sabe'! Essa ousadia tem alguma coisa a ver com o interescolar?" Nik perguntou e o amigo assentiu.
"É! A adrenalina traz mais coragem." respondeu.
"A adrenalina ou Milena deixando de ser sua capitã?" Penha comentou com um sorriso sapeca.
Tikara olhou em volta.
"Fala baixo! Ninguém do time pode saber, pode dar merda." ele alertou.
"Falando em time, cadê o Xaveco? O cara sumiu." Nik comentou olhando ao redor.
"Tá ali, com o time que ficou com ele no fim de semana que o bonito não quis ficar. Perdeu o amigo!" Penha brincou e o namorado riu.
"Caramba, fomos trocados. Acho que mais ainda pelo Nimbus, eles 'tão bem amigos." Nik observou.
"Eu também trocaria, imagina ficar vendo pegação o tempo todo? Eu sou muito discreto, já vocês…" o outro comentou risonho.
"Deixa de ser mentirroso, Tikarra! Nik e eu nunca fizemos nada na frente de vocês!" Penha apontou.
"Nem de ninguém, ainda estamos no IL." Nik completou.
Antes que Tikara falasse algo, duas colegas de estudos avançados de Nikolas se aproximaram.
"Oi, Nik!" cumprimentaram sorridentes.
"Oi, meninas." ele respondeu.
Uma delas, que tinha cabelos negros e compridos, abraçou o rapaz pelo pescoço enquanto ficava bem próxima dele. Penha encarou de cenho franzido.
"Eu sei que ainda nem começou o E.A, mas a gente pode falar um pouquinho? Queria sua opinião sobre algumas coisinhas!" pediu com uma voz que se aproximava do flerte.
Nikolas suspirou saindo do abraço.
"Que coisas, Bianca?" perguntou sério.
"Matemática, ué! Já chamei a Ana Paula! E como você é monitor, pode me ajudar mais ainda! Vamos lá!" exclamou puxando o rapaz e lançando um sorriso irônico para Penha.
"Calma! Eu 'tô indo!" ele disse ainda sendo puxado.
Penha revirou os olhos enquanto bufava.
"Relaxa, Penha. Essa daí só quer te provocar." Tikara comentou.
"E 'tá conseguindo! A notícia do Nik ser meu namorrado 'tá correndo por aí, e eu 'tô confirmando! Bianca não gosta de mim e nunca deu em cima dele, é óbvio que ela só quer me irritar! Mas não vai conseguir me atingir!" exclamou olhando na direção que Bianca puxava Nikolas e Tikara riu.
"Vou ter que concordar, eu nunca vi essa garota falando com ele antes. Mudando de assunto, animada com o interescolar?" perguntou e ela deu de ombros.
"Tem que estar, né? Mas você 'tá mais!" comentou e os dois continuaram no assunto.
*
Não muito longe deles, na mesa dos atletas, Toni sentia-se muito bem enquanto falava com atletas que há muito tempo vinham o ignorando.
"Espera aí! Seu cabelo ficou rosa duas vezes? E eu não vi? Que tristeza!" Flávia comentou risonha.
"Não perdeu muita coisa. Ficou horrível!" Toni disse.
"E aposto que foi motivo pra surto! Porque o jornal revelou que você tem a masculinidade frágil!" Maria lembrou.
Toni umedeceu os lábios.
"Nem tanto, mas isso é uma coisa que eu 'tô trabalhando!" falou.
"Trabalhando? Como assim?" Titi perguntou.
"Eu 'tô fazendo terapia. Fim de semana eu faço chamada de vídeo com minha psicóloga e é isso." o loiro revelou.
"Mesmo? Não sabia disso!" Gabriela falou surpresa.
Toni riu.
"Tem coisas que você não sabe sobre mim, Gabi." falou piscando um olho e ela riu.
"Muito bom ver você crescendo, Toni." Narcisa comentou sorrindo para ele, como se tivesse interesse.
Alguns colegas assobiaram e riram enquanto Hortênsia revirava os olhos.
"Gabriela, hoje tem a reunião da monitoria. Não sei se vou conseguir ir pro treino na hora." falou séria, era nítida a raiva em sua voz.
"Eu também vou pra essa reunião, então o treino do vôlei começa com o Átila mesmo. Interescolar 'tá aí gente! Milena, o time de futebol perdeu alguns membros, né?" Gabriela falou.
Milena suspirou.
"Sim! Sabe como é o IL, a cada semana tem menos alunos. O Ricardinho saiu e a gente ficou sem ninguém na reserva, ninguém-ninguém." revelou.
"Toni jogou bem no sábado, talvez ele pudesse ajudar vocês." a loira comentou.
Toni olhou surpreso para Gabriela e esperançoso para Milena, que fez uma careta.
"Verdade! E olha que 'tá enferrujado!" Titi apoiou.
Hortênsia se levantou com um riso irônico.
"Parece até que vocês esqueceram o motivo de ele não ter sido escalado!" comentou.
"Eu me arrependi, 'tá?" Toni ressaltou.
"Que bom que você se arrependeu, Marco Antônio, mas você não foi o único que as regras se aplicaram! Lembra do que aconteceu com o Jeremias?" rebateu e o loiro deu uma tossida.
"Foi o jornal que causou isso, Hortênsia." Narcisa comentou desconfortável.
A morena encarou a dona dos cabelos rosas.
"A mando e mentiras de quem, Narcisa? Abram o olho!" exclamou antes de deixar a mesa.
A mesa ficou silenciosa e o clima pesado.
"Ér… mudando de assunto, por que vocês acham que muita gente 'tá saindo do IL?" Flávia comentou e Toni levantou da mesa.
"Não precisa mudar de assunto. O interescolar 'tá perto, vocês precisam falar sobre ele!" falou e logo deixou o local.
Gabriela foi atrás dele.
"Toni! Espera! Ela não quis ser tão dura!" falou e o loiro parou de andar, fazendo com que a loira quase trombasse com ele.
"Mas agiu certo em ser! Uma vez você me disse que não passava pano pra nada que eu fiz, e eu admiro isso, essa visão me ajudou a crescer." Toni começou.
"Eu queria sim voltar a jogar, mas eu quebrei uma das regras do time e ainda por cima fiz com que outra pessoa fosse vetada injustamente. Como dizem, eu 'tô colhendo o que eu plantei." afirmou calmo.
Gabriela olhou surpresa e sorriu orgulhosa.
"Uau, Toni! Isso foi tão... sei lá, bonito!" comentou e ele riu.
"Só 'tô sendo sincero. Comigo mesmo, inclusive. Nunca cheguei a dizer isso em voz alta. Ainda bem que Milena não respondeu." Toni falou e a loira riu.
"Na verdade... ela respondeu. Aquela careta foi um não. Só não leva pro pessoal, pelo visto, diferente de mim, ela ainda lembrava do que você fez pra ter sido cortado do time." ela disse e o rapaz olhou com um sorriso.
"Você tinha esquecido? Que horror!" o rapaz zombou e ela riu.
"Tenho uma vida cheia. Falando nisso, daqui a pouco tenho monitoria. A gente se vê!" falou antes de sair andando.
Toni observou a moça se afastar e sorriu, a companhia dela colaborava com suas melhores reflexões.
*
O horário de monitoria passou bem rápido. Ainda faltavam dez minutos para acabar quando Cebola encerrou, os alunos saíram rápido e Magali se preparava para sair da sala quando olhou para ele.
"Tudo bem, Cebola? Parece meio triste hoje." ela perguntou e o rapaz respirou fundo.
"Professora Manoela me pegou no flagra com a Mônica e marcou reunião. Ou seja, eu 'tô fodido." revelou.
Magali franziu o cenho.
"Só por causa de um beijo?" questionou incrédula.
"Lembra que não pode ter esse tipo de relacionamento entre monitor e monitorada?" falou e ela assentiu.
"E o que vai acontecer?" ela perguntou e o moreno deu de ombros.
"Eu não sei, de verdade. Mas é a vida. Falou, Magá." disse se levantando e ela olhou sentindo pena do amigo.
A moça caminhou até seu armário e quase se assustou ao dar de cara com Cascão.
"Que susto, menino!" exclamou e ele riu.
"Foi mal. 'Tava fugindo do Átila, esse interescolar 'tá acabando comigo!" falou e ela sorriu.
"Tenho oito minutos até meu E.A, quer fugir do Átila mais um pouquinho?" perguntou e ele abriu um largo sorriso.
"Partiu!" exclamou e os dois subiram as escadas rumo ao corredor que dava acesso à antiga sala do diretor.
Magali e Cascão não tinham muito tempo a perder, então, assim que chegaram no local e viram estar seguro, a moça encostou as costas na parede e Cascão se aproximou de si e a beijou. O beijo estava bom até ouvirem a voz que menos queriam ouvir. Era Carlito.
"Mas que pouca vergonha é essa?! Os dois, pra minha sala! AGORA!" apontou o dedo para baixo zangado e os dois engoliram em seco antes de o seguirem.
Assim que chegaram na sala, Carlito mandou que Cascão aguardasse do lado de fora junto de Marocas, que estava preocupada com a raiva do diretor. Dentro sala, Magali estava sentada em silêncio enquanto o pai apertava os olhos com as mãos.
"Magali, eu te juro que queria estar falando apenas como seu diretor, mas não dá! O que se passa na sua cabeça, garota?!" questionou alto e ela permaneceu em silêncio e de cabeça baixa.
"Eu devia ter sido mais rígido quando veio com aquela ideia de grupo de música! Aposto, inclusive, que tem dedo daquele garoto nisso!" exclamou.
"O Cascão me ajudou a me encontrar!" Magali se pronunciou.
O diretor riu.
"Como que ele te ajudou a se encontrar se ele não passa de um perdido?!" interrogou e a moça o encarou de cenho franzido.
"O quê?" ela perguntou.
"Aposto que ele nunca te fala sobre passar de ano só colando; sobre ser alguém sem futuro… Ele ao menos já te disse o motivo de ter vindo pra cá?" continuou e não esperou ela responder.
"Drogas e más companhias! Os pais disseram que foi oferecido para ele, mas olha bem pra ele, Magali! Olha pro estilo daquele moleque! A forma de falar! Certeza que já aceitou! Ele é um péssimo exemplo!" exclamou e a moça apertava as mãos.
Naquele momento, pela cabeça de Magali, passou um filme de seus vários momentos com Cascão e tudo de positivo que lhe trouxera. Principalmente a coragem que ele despertou em si, e isso a fez levantar a cabeça e dar um soco na mesa.
"CHEGA! O senhor fica aí julgando cheio de achismos sem nem tentar conhecer ou até mesmo falar com ele! E daí se ele passa de ano colando ou não? É o que mais tem aqui! E nem vem me dizer que ele não se importa com os estudos, porque se não se importasse, ele teria arrumado um jeito de sair daqui há muito tempo!" exclamou surpreendendo o pai.
"E como o senhor ousa chamar ele de sem futuro? É porque ele não segue um estilo Carlito approves? Eu seguia esse estilo, e adivinha?! Eu era uma idiota que deixava todo mundo pisar em mim, uma infeliz e simplesmente não era eu! Esse moleque sem futuro, como o senhor diz, me ajudou a me valorizar! A ver que sou muito mais que a filhinha do diretor que aceitava tudo de cabeça baixa!" continuou.
O pai olhava tudo de olhos arregalados e sem conseguir dizer nada. Mesmo que os olhos da moça estivessem brilhantes por conta das lágrimas, a voz de Magali estava mais firme que no dia da festa de boas vindas.
"E o senhor adora julgar todo mundo como se fosse perfeito. Mas adivinha, pai, o senhor não é! Eu não sou! E muito menos esta droga de internato! O senhor diz que o Cascão é um péssimo exemplo, mas ele tentou me ajudar a ser mais feliz aqui dentro depois de anos ouvindo gente me xingando! Ele tentou fazer alguma coisa contra o bullying, diferente do senhor que simplesmente fechou os olhos pra tudo que acontecia! Eu não sei o real motivo do número de alunos cair tanto, mas aposto que tem a ver com o bullying!" desabafou e bufou enquanto se levantava.
"Eu sei que fui rude com o senhor, como aluna e como filha. Dos dois jeitos, eu não me arrependo e pode me punir do jeito que achar melhor! Como aluna e como filha, eu vou me sentir mal, mas vou respeitar e obedecer sua decisão, mas não vai diminuir a minha decepção, principalmente como filha. Licença." concluiu enquanto saía a passos rápidos da sala do diretor.
Carlito tinha a feição atônita e se sentia quebrado. Ao mesmo tempo que queria castigar Magali, não sabia como, tanto como diretor quanto como pai.
Uma parte de si estava extremamente surpresa e orgulhosa, Magali havia mostrado toda a sua garra e aquilo era uma visão linda, era maravilhoso ver a pessoa cheia de atitude que ela se tornava. Já a outra parte estava raivosa e envergonhada, uma garota de dezesseis anos havia feito um discurso, que chegava a ser desrespeitoso, em que falava coisas demais e em tom de voz alto, todavia, não havia mentiras, eram apenas fatos.
Diante disso, passou as mãos nos cabelos e bufou.
"Marocas, pode dispensar o menino!" exclamou alto.
Do lado de fora, Magali havia passado direto, queria lavar seu rosto. Quando Carlito dispensou Cascão, o rapaz logo pensou em falar com ela, mas a vice-diretora o impediu.
"Cássio, recomendo que dê um tempo a ela. Você ouviu a discussão, envolveu muita coisa." sugeriu e Cascão suspirou.
"Mas, dona Marocas! Ela me defendeu pra caramba!" argumentou.
"Sim, mas ela precisa respirar um pouco. Ela não discutiu só com o diretor, discutiu com o pai!" ela lembrou e o rapaz respirou fundo.
"Tá, vou falar com ela só mais tarde. Dona Marocas, me tira uma dúvida: eu ter esse probleminha com o diretor complica minha vida no interescolar?" perguntou e a loira cruzou os braços.
"Você é capitão do time, o que você acha?" perguntou e ele respirou fundo.
"Que o Átila, a Milena e o time todo vão comer meu rim. Foi um prazer te conhecer, dona Marocas, a senhora é firmeza!" falou fazendo um toque de mãos com ela que riu.
Enquanto Cascão se afastava, a mais velha entrou na sala do diretor.
"Senhor? Tudo bem?" perguntou e ele deu um gole em seu café.
"Minha vida é um amontoado de problemas. Você ouviu as coisas que minha filha disse?" questionou.
"Ouvi. E, lá no fundo, o senhor sabe que ela tem razão. Cássio pode não ser um aluno exemplar, mas é um bom garoto! E sobre o bullying… já conversamos sobre isso, mais cedo ou mais tarde aquela decisão de fazer vista grossa iria explodir." falou e ele riu sem humor.
"Quem diria que a atingida seria justo minha filha. O mundo é engraçado, Marocas." falou e ela negou com a cabeça.
X
Magali praticamente correu até a sala multimídia, onde os instrumentos do grupo de música ficavam em dias de semana. A moça se jogou em um puff enquanto chorava, não queria ter falado daquele jeito com seu pai, mas havia sido mais forte que ela, havia ficado com muita raiva.
Após alguns minutos de pranto, a morena se sentou, limpou os olhos e foi até seu teclado, que estava coberto por uma toalha rendada. A morena tirou o tecido e começou a tocar uma música clássica bastante especial para si sem nem perceber, mas, quando se deu conta, quis chorar novamente.
"Ah, é você! Ouvi o teclado e achei que era alguém de fora do gru… tudo bem?" uma voz masculina soou. Era Xaveco.
Magali negou com a cabeça.
"Não, Xaveco. Eu 'tô péssima! Acabei de brigar com meu pai. Eu não fiz por mal, mas é que… ele 'tava sendo injusto com o Cascão a troco de nada!" exclamou e o rapaz se sentou ao lado dela.
"O que aconteceu?" perguntou calmo e ela respirou fundo antes de começar a falar. Magali não pretendia desabafar com Xavier, mas sentiu-se bem ao falar com ele.
"Ér… talvez você tenha usado as palavras e o tom de voz errados." ele disse e ela riu.
"Aí você 'tá sendo generoso! Eu fui toda errada! Ele é meu diretor e meu pai!" exclamou.
"Magali, a forma de falar pode ter sido ruim, agora a intenção, não! Seu pai diz que o Cascão é má influência sendo que ele faz vista grossa pra bullying! Então acho que sua intenção de colocar ele pra pensar sobre isso não foi ruim." ele falou e a moça pareceu pensar.
"Só não fala pros meus parentes que eu te disse isso, porque aí vem uma palestra sobre respeitar os mais velhos." completou e ela riu.
"Mas a gente tem mesmo, eles têm muito a ensinar." ela disse e ele assentiu.
"Sim, obviamente! Mas não só eles, meus pais sempre me falam que não é só o mais velho que ensina e nem só o mais novo que aprende. 'Tá bom que você pegou pesado no tom, mas alguma coisinha deve ter tocado seu pai." Xaveco falou.
"E como eu vou saber o que tocou ele?" ela perguntou e ele sorriu.
"Só tem um jeito de descobrir. Vou te deixar sozinha." o rapaz disse se levantando.
"Xaveco! Obrigada!" Magali agradeceu e ele sorriu.
"Só fiz isso pelo grupo de música. Não queremos uma vocalista na bad." ele brincou e ela riu.
"Interesseiro!" exclamou e ele saiu rindo, mas logo virou os calcanhares.
"Ér… que música você 'tava tocando? Tenho a impressão de ser uma que ouvi quando o Do Contra 'tava montando a playlist que ele ouve quando toma sol, é música clássica." perguntou e ela riu.
"É do Bach, chama Badinerie." respondeu e ele assentiu.
"Não conheço pelo nome, só pelo som. Tchau! E fica bem!" falou saindo em seguida.
Magali respirou fundo enquanto se deitava no puff.
"Mais conhecida como a música que meu pai me ensinou a tocar antes de ser diretor daqui…" balbuciou enquanto cobria os olhos com as mãos.
*
Já era fim de tarde quando Marocas, os professores e monitores foram até uma sala de aula para a reunião. Ainda não havia começado, mas Cebola suava enquanto tentava descobrir o que aconteceria.
No meio da sala, Hortênsia falava com Nikolas sobre sua discussão com os atletas.
"Narcisa precisa se tocar! Eu realmente acho ótimo que o Toni 'tá tentando melhorar como pessoa, mas, porra, esquecer tudo que ele fez já é demais!" exclamou.
"Hortênsia, às vezes a gente prefere seguir em frente." ele disse.
"O ponto não é esse, Nikolas. O povo 'tava esquecendo que o Toni quebrou regra do time! O Jeremias foi vetado injustamente e mesmo assim aceitou que foi contra uma regra, então por que o bonito que fez bullying por mil anos e sempre saiu ileso não precisa lidar com as consequências quando finalmente vêm?" explicou e o rapaz assentiu.
"Faz sentido. Mas essa raiva é só do Toni ou…?" ele perguntou e ela riu.
"Talvez Narcisa dando mole pra ele tenha me incomodado um pouco, mas é aquilo, né? Ela não gosta do mesmo que a gente." comentou e ele riu.
"Ela te disse isso?" perguntou e a outra deu de ombros.
"Ela é minha amiga, Nik. Ela me fala sobre os machos dela." falou e ele riu.
A professora de inglês entrou na sala e Cebola engoliu em seco.
"Boa tarde, gente. Temos algo sério para dizer! Relacionamentos amorosos entre monitores e monitorados." começou e vários adolescentes, e professores, bufaram.
A professora começou a falar várias coisas sobre as regras do internato e sobre ética, a conversa estava entediante para uns e apavorante para Cebola. O que ele não sabia era que do lado de fora alguém tentava ouvir a conversa atrás da porta.
"Sobre o que eles 'tão falando? Essa mulher fala demais!" Mônica sussurrava irritada.
"O que 'tá fazendo aí, Mônica?" uma voz feminina soou e ela quase gritou. Era Gabriela.
"Que susto, Gabriela Cassandra! Eu quero ouvir a reunião, e você?" perguntou.
"Eu vim pra reunião. Vou deixar uma frestinha pra você ouvir melhor." a loira respondeu e Mônica sorriu.
Gabriela entrou e se sentou em um canto. A professora ainda falava sobre ética.
"Manoela, dá pra ir direto ao ponto?" Marocas pediu entediada, com a mão apoiando o rosto.
A professora olhou para a vice-diretora.
"Hoje eu flagrei Cebolácio e Mônica aos beijos. Um monitor e sua monitorada! Achei importante trazer pros demais monitores e lembrar as regras." falou e todos olharam para Cebola.
"Confesso que quando vi que Cebolácio era excelente no inglês, mas que tinha uma conduta duvidosa, eu pensei duas vezes em chamá-lo para ser monitor. Ele faz um bom trabalho, mas agora como vou poder confiar que ele estará sendo imparcial durante a monitoria ou que estão realmente fazendo monitoria no horário reservado? Diante disso, não vejo outra escolha senão tirar Cebolácio da monitoria." falou e todos olharam surpresos.
Cebola abriu a boca.
"Mas, professora! Eu… eu gosto de ser monitor! E eu sei separar as coisas!" argumentou apontando para si mesmo.
"Por quanto tempo, Cebolácio?" ela questionou e ele umedeceu os lábios.
Antes que ele respondesse, a porta se abriu e de lá caiu Mônica.
"Mônica? O que faz aqui?" a professora perguntou.
"Desculpe, professora, mas Cebola não merece isso! Ele sabe separar as coisas! E garanto que no reforço temos reforço mesmo!" exclamou levantando.
Manoela negou com a cabeça.
"Sinto muito, Mônica. É uma regra que não deve ser quebrada." falou e a morena olhou para Cebola com pesar.
Nikolas, que apenas observava a cena, decidiu interferir.
"Professora! Eu nunca fiz monitoria com o Cebola, mas muita gente que faz comigo já me falou sobre ele. E pelo visto ele é um bom monitor." começou e o casal, assim como a sala toda, o encarou.
"A senhora mesma disse que ele é excelente no inglês, então tirar ele da monitoria só porque ele e Mônica se apaixonaram pode ser uma perda pros alunos que precisam de ajuda. E talvez pra ele também." falou sincero.
A professora abriu e fechou a boca enquanto o casal sorria para Nikolas. Marocas também sorriu.
"Nikolas, você trouxe um ponto importante que precisamos refletir. Mas, ainda sim, houve, na verdade, duas violações de regras, do internato e da monitoria, e isso não pode passar batido. Vamos discutir sobre isso e ver o que faremos, Cebolácio. Mas, por enquanto, infelizmente você vai ser afastado da monitoria." Marocas disse calma.
Cebola tinha os olhos arregalados quando engoliu a saliva. O rapaz assentiu com um sorriso fraco.
"Tudo bem. Mas… quem vai me substituir?" respondeu baixo.
"Ainda vou ver quem pode. Temos outros bons alunos pela escola." a professora disse e o rapaz assentiu.
A sala ficou em silêncio.
"Acabou a reunião? Eu 'tô meio cansado!" um aluno perguntou e a professora assentiu.
"Sim! Podem ir! Obrigada pela atenção e espero que dê certo!" Manoela falou e todos saíram.
Mônica pediu que Cebola a esperasse do lado de fora e ele, aéreo, apenas fez que sim com a cabeça. Enquanto esperava, Nikolas se aproximou.
"Sinto muito, Cebola!" falou e o outro sorriu.
"Tudo bem. A monitoria era uma das poucas coisas que eu fazia porque gostava e não pelas exigências dos meus pais, e por acaso eles gostavam também. Mas obrigado por ter tentado me ajudar, foi muito legal da sua parte!" Cebola confessou e o dono dos dreads sorriu.
"Eu realmente já ouvi falar das suas monitorias. Espero que dê certo pra você." desejou e logo saiu.
Assim que Nikolas saiu, Mônica retornou desanimada.
"Não consegui fazer ela mudar de ideia. Que professora chata! Eu lamento, Cê!" exclamou e ele negou com a cabeça.
"Relaxa. Eu 'tô bem! Vamos sair daqui!" falou e ela saiu ao lado dele.
Os dois caminhavam em silêncio, Mônica sabia que ele estava destruído por dentro, então não desistiria de tentar contornar a situação.
*
Na biblioteca, Ramona e Do Contra ensinavam Jeremias a jogar xadrez, os dois pareciam se divertir mais que ele, que nunca se lembrava das especificidades de cada peça.
"Sua vez." Do Contra falou após "comer" uma torre do outro.
Jeremias crispou os lábios enquanto observava o tabuleiro, estava perdendo.
"Como que eu mexo o cavalo mesmo?" ele perguntou à Ramona.
"Não vale pedir ajuda pra quem sempre vence de mim!" Do Contra alertou.
"Por isso que 'tô pedindo pra ela! Nunca deixa o mozão ganhar, Ramona?" Jeremias perguntou com um riso.
"Não, ele que lute! E o cavalo anda em L." a ruiva disse e o rapaz franziu o cenho olhando para o tabuleiro.
"L…? Acho que vou mexer outra peça." ele disse enquanto olhava para outras peças.
"O L é assim." Ramona mostrou apontando para o tabuleiro.
Jeremias moveu a peça e Do Contra riu antes de mover seu bispo.
"Cuidado com seu rei, Jeremias." cantarolou e o amigo olhou para Ramona.
"Cês 'tão de complô, né?" comentou apontando para os dois.
"Escolheu a pessoa errada pra te ajudar. Se Ramona te entrega o jogo, você 'tá sozinho." DC comentou.
"Fui enganado por essa carinha fofa?" o outro perguntou e os dois riram.
"Eu diria que fui enganado várias vezes, mas acho que era encanto. E dos bons." o de cabelos lisos falou sorrindo para a ruiva.
"Tá me chamando de bruxa, Maurício?" ela perguntou fingindo braveza.
"Não era, mas como sempre preferi as bruxas…" falou e ela riu divertida.
Jeremias riu alto.
"Eu não sei se acho fofo ou estranho. Mas vou acreditar no que a Ramona disser, é fofo ou estranho?" ele perguntou.
"É fofo." a ruiva respondeu rindo.
"Acredita mais nela? E olha que eu sou seu colega de quarto!" DC comentou.
"E por que você acha que escolhi ela?" Jeremias comentou e a ruiva o olhou.
"O que acontece no dormitório?" ela perguntou e Jeremias sorriu.
"Outro dia te conto, porque o assunto 'tá aí querendo comer meu rei." respondeu e DC riu.
"Nhac, nhac, Jeremias. Mexa uma peça." o de cabelos lisos falou e o outro olhou para o tabuleiro e moveu o bispo.
Ramona fez uma careta e Do Contra riu antes de fazer a jogada final.
"Xeque-mate!" exclamou e ele negou com a cabeça.
"Desisto desse jogo!" Jeremias disse se levantando.
"Gostou do xadrez, Jerê?" Ramona perguntou guardando as peças.
"Eu só perdi, então é mais difícil de gostar. Mas é interessante." ele respondeu.
"Cê acha mesmo? Que eu pensei em encher o saco do Átila pra colocar xadrez no interescolar." Do Contra falou e Jeremias olhou para Ramona.
"Às vezes dar corda quando a pessoa dá ideia de fazer levante tem resultados inesperados." comentou e ela riu.
"A culpa é sua! Pelo que ele disse, você que disse que ele devia lutar." Ramona disse.
"Eu 'tava zoando." Jeremias lembrou.
"E eu falando sério. Acham que o Átila topa?" Do Contra perguntou.
"Não sei, cara. Foi ótimo perder pra vocês, mas agora tenho que mandar um oi pros meus avós." o outro respondeu.
"Vai pro quarto? Eu vou também! Preciso de um banho." o veterano falou.
"Eu guardo o tabuleiro!" Ramona disse.
"Até depois." Do Contra falou dando um selinho na ruiva e saindo com Jeremias.
Os dois, ao chegarem no quarto, deram de cara com Xavier e Nimbus sentados na cama do cacheado, eles trocavam um beijo carinhoso.
"Alguém aqui decidiu jantar mais cedo." Do Contra comentou e Jeremias riu fazendo uma careta.
"Ele é seu irmão!" exclamou e o de cabelos lisos riu.
"Aí que é engraçado. Nem ouviram a gente entrar, percebeu?!" o outro comentou, de fato não haviam ouvido.
"Sinal que 'tá bom. Confesso que suspeitei que Xaveco fosse gay, mas seu irmão é uma surpresa." Jeremias comentou.
"É porque você não convive. Nimbus! Cunhadinho! Tem inspetor lá fora!" Do Contra falou alto batendo uma palma e os dois se separaram.
"Já disse pra não me chamar assim! Os meninos podem… Jeremias?! Você… 'tá aí há muito tempo?" Xaveco perguntou nervoso ao ver Jeremias.
"Cheguei com o DC. E ai, Nimbus!" falou tranquilamente enquanto desbloqueava seu celular e o outro acenou com a cabeça.
"E viu muita coisa? Que a gente 'tava… ér…" Xaveco perguntou e Nimbus colocou as mãos nos ombros do loiro.
"Xaveco, ele viu a gente. E pela reação dele, ele 'tá cagando pra isso." comentou com um riso.
O cacheado encarou o moreno.
"Você não 'tá nem um pouco nervoso? Outra pessoa descobriu! E a gente nem percebeu ele entrando!" exclamou incrédulo.
Nimbus sorriu carinhoso.
"Você tem que relaxar, Xaveco! Em algumas pessoas a gente pode confiar! Eu vou nessa que seu quarto já 'tá muito cheio! Até depois! DC, a mãe pediu pra você mandar um oi de vez em quando." alertou e despediu-se do loiro com um selinho e saindo em seguida.
Jeremias entrou no banheiro e Xaveco passou as mãos nos cabelos antes de olhar para Do Contra, que mexia no celular.
"DC, acha que o Jeremias suspeitava de mim e do Nimbus? Que ele não pareceu muito surpreso ou, sei lá, incomodado." perguntou.
"Do casal, não. Do Nimbus, não. E de você, sim. E tem gente que não se incomoda com o namoro alheio, normal." respondeu sem tirar os olhos do celular e o outro arregalou os olhos.
"Ele sabia de mim?!" Xaveco questionou incrédulo e o outro riu.
"Suspeitava. Mas, Xavier, tu realmente acha que ele nunca reparou seus olhares quando ele saía só de toalha do banheiro?" comentou e o outro sentiu as bochechas esquentarem.
"Vocês reparavam?!" perguntou envergonhado e o outro riu.
"Sim! Mas isso fica entre nós." Do Contra falou fazendo um gesto de silêncio e o loiro riu.
*
Após o jantar, Cascão foi atrás de algumas pessoas que pudessem ocupar o banco de reserva e decidiu se sentar no muro um pouco. Ao chegar na área verde, viu Magali.
"Oi!" cumprimentou e ela sorriu.
"Oi, Cascão! Senta aqui!" chamou batendo no espaço vazio ao seu lado.
Cascão se sentou e a olhou.
"Acho que a gente tem que falar sobre hoje cedo." falou sério e a morena assentiu.
"Você ouviu tudo?" ela perguntou e ele confirmou.
"Sim. E… acho que você precisa pedir desculpas pra ele." Cascão sugeriu e ela assentiu.
"Sim, mas não vou fazer isso hoje! E… não vou me desculpar pelo que eu disse, e sim pela maneira que eu disse! Eu não falo assim com as pessoas, mais ainda com meu próprio pai!" Magali exclamou.
Cascão suspirou.
"Magali, eu agradeço de coração sua intenção, mas não caça problema com o Carlito por minha causa! Eu já 'tô acostumado a ouvir isso e a gente 'tava quebrando uma regra!" falou.
Magali respirou fundo.
"Sim, a gente 'tava. Mas não era motivo pra ele falar aquilo de você! E outra, você não deveria ter se acostumado com isso!" ela disse e ele riu.
"Só acostumei porque às vezes a gente cansa de toda vez ficar batendo na mesma tecla e prefere só ignorar mesmo. Na real, eu não ligo muito, mas me importo com você, Magali, e não quero que fique num clima ruim com seu pai." falou e ela sorriu docemente.
"Depois eu que sou a fofa. Não se preocupe comigo!" Magali disse antes de juntar seus lábios aos dele em um rápido selinho.
Cascão riu.
"Você se tornou uma rebelde. Não é à toa que seu pai ficou puto." brincou e ela riu se levantando.
"E é melhor do que parece." a moça falou piscando um olho e saindo em seguida.
Cascão riu enquanto tombava a cabeça para trás.
"Ai, Magali… você me deixa doido!" exclamou e logo se ajeitou e viu Jeremias junto de Denise e Sofia.
"Ei, Jerê! Milena ou Átila falaram com você?" perguntou e o outro franziu o cenho.
"Sobre o quê?" Jeremias perguntou.
"Pelo visto não falaram. É que a gente 'tá precisando de reservas pro time de futebol e pensamos em você." Cascão disse.
Jeremias fez uma careta.
"Mas eu não fui vetado por causa da regra do escândalo?" perguntou e Cascão balançou com a cabeça para os lados.
"Todos sabemos que foi meio injusto, né? Quebra essa pra gente, Jerê!" pediu juntando as mãos.
O outro suspirou.
"Tá bom! Podem contar comigo." Jeremias aceitou e o amigo bateu uma palma.
"Beleza! Aparece na quadra todo dia à tarde depois dos horários das aulas. Se eu não 'tiver lá, Milena 'tá. Se ela não 'tiver, eu 'tô. E se nenhum de nós 'tiver, o Átila 'tá." Cascão disse.
"E se nenhum dos três estiver?" Sofia perguntou com um sorriso.
"Aí fica feliz porque se livrou de treino. Valeu, irmão!" exclamou dando um tapa nas costas de Jeremias e saindo em seguida.
Jeremias se virou para as meninas.
"Todo dia?!" comentou e Denise riu enquanto o abraçava pelos ombros.
"Achou que era fácil, neném? Mas olhe pelo lado positivo! Eu vou estar lá também, eu sou do time de vôlei!" a ruiva disse.
"O que tem de positivo nisso?" ele perguntou brincalhão e Sofia riu gostosamente.
"Jeremias… 'cê vai levar um tapa, menino! Fica esperto!" comentou ainda rindo.
"Deixa ele brincar, brinca muito! Depois eu faço greve e fica triste!" Denise comentou e a amiga levantou a sobrancelha.
"Greve? De quê?" perguntou e Denise sorriu balançando a cabeça.
Sofia abriu a boca e olhou para o rapaz, que tocou no queixo da amiga fazendo com que ela fechasse a boca.
"Não é esse tipo de greve, relaxa. É conversa dela. E outra, se você tirar minha atenção, Denise, eu me ferro! Porque Milena e Cascão são ótimas pessoas, mas um porre como capitães, exigem demais." Jeremias comentou.
"É… você tem um ponto. Mas acabei de ter uma ideia aqui! Já que nosso Jerê pode jogar, precisa de uma torcida!" Denise exclamou.
Jeremias piscou um olho de cada vez.
"O quê?" perguntou.
"Torcida! Sofia, vamos atrás de líderes de torcida pros times! Começando por nós duas!" a ruiva exclamou animada.
"Você quer que eu seja líder de torcida?" Sofia perguntou surpresa.
"Sim! Pode chamar seus amigos também! Vai ser legal!" a outra sugeriu animada.
Sofia deu de ombros achando que poderia ser divertido.
"Tá. Vou fazer isso por você, Jerê!" falou dando tapinhas no ombro dele.
"Isso é sério, meninas?" o rapaz perguntou e Denise riu.
"É claro! Vamos, Sofia! Temos muito trabalho pela frente!" Denise exclamou puxando Sofia.
Jeremias negou com a cabeça enquanto tentava imaginar o que o aguardava.
O resto da segunda não demorou a passar, assim como os dias que antecediam o interescolar. Quando os jovens se deram conta, faltava apenas um dia para o evento e a emoção escorria pelos corredores. Os jogos estavam prestes a começar.
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