Internato Limoeiro
35 Capítulo XXXIV - Passos de tartaruga
Notas iniciais
Alguns dias haviam se passado desde a peça e o clima no internato parecia mais leve desde então, tanto por momentos de diversão quanto por questões que haviam sido resolvidas.
Era sábado novamente e Xaveco estava no internato, o rapaz havia decidido passar aquele fim de semana no prédio por uma razão especial: Nimbus. Mas dissera aos pais que era para estudar. Era muito difícil o moreno e o loiro se encontrarem, tanto pela agitada rotina de Nimbus por ser um aluno do terceiro colegial quanto pela constante observação dos inspetores.
Já havia passado o horário de almoço e o cacheado continuou sentado no refeitório. Como nenhum de seus amigos estava lá, ficou sozinho. Mas não durou muito já que os membros do time se juntaram a ele.
“Xavier! Ainda ‘tô surpreso em te ver aqui em um fim de semana!” Jeremias comentou.
“Quis sair do tédio do fim de semana em casa.” respondeu.
“E escolheu ficar no IL? Aqui não acontece nada de interessante, pode ser até menos.” Milena comentou.
“Às vezes acontece. Aproveitando que hoje você não ‘tá colado no Tikara e Nikolas, o que é muito raro...” Titi falava até o loiro rir.
“Não exagera! Eu faço um monte de coisas sem eles.” afirmou.
“Enfim! A Penha... ela é sua amiga agora?” perguntou e o cacheado assentiu.
“Sim, por quê?” respondeu já imaginando qual seria o rumo daquela conversa.
“Tipo assim... todo mundo sabe que ela mudou da água pro vinho, e, vamos combinar, meus amigos, Penha é uma gata! Então bem que ‘cê podia dar uma força pro parça aqui.” falou os demais riram zombeteiros.
“Por que você mesmo não chega nela, Timóteo?” Jeremias perguntou.
“Porque algo me diz que ela nunca foi muito com a minha cara.” respondeu.
“Dá pra entender ela.” Gabriela zombou, fazendo os colegas rirem.
“Ela tem namorado, Titi.” Xaveco respondeu simples, não falou quem era já que não sabia se estava público ou não.
“Mesmo? Quem é? É daqui do IL?” Timóteo perguntou e logo sentiu um tapa nas costas, no mesmo instante que Xaveco sorriu.
“Aposto que ‘tá falando merda, né, Titi?! Xaveco aqui hoje? Que surpresa!” era Nimbus com um sorriso.
O loiro quis rir mais pela falsa surpresa do moreno, mas se limitou a apertar as próprias mãos embaixo da mesa.
“Tava a fim de uma nova experiência.” respondeu e o outro se sentou bem de frente para ele.
“E o que ‘tá achando?” perguntou.
“Ainda ‘tá cedo demais pra responder.” respondeu.
Gabriela deu uma colherada em sua fatia de pudim quando viu uma conhecida cabeleira loira.
“Ei, Toni! Vem cá!” chamou e ele pareceu pensar duas vezes antes de se levantar de onde havia acabado de sentar.
“Por que ‘tá chamando o Toni aqui?” uma das garotas do time perguntou.
“Parece que a peça rendeu.” Jeremias comentou e ela assentiu.
“Sim! Pude ver que Toni merece uma segunda chance.” Gabriela disse.
“O Toni? O que menos prestava naquele grupinho?” um rapaz comentou.
“Aquele grupo todo era ruim e hoje muitos deles têm amizade com amigos nossos. Então as pessoas podem mudar. E outra, eu convivi com ele, Isadora bateu nessa tecla!” a capitã falou e os outros deram de ombros.
“Bateu tanto que foram shippados.” Jeremias comentou e ela riu apontando um dedo para ele.
“Cê para, Jeremias!” falou e ele levantou os braços em rendição enquanto ria.
Toni chegou à mesa sentindo um certo desconforto, alguns ali o olhavam torto.
“E ai, gente!” cumprimentou e foi respondido por uns e ignorado por outros.
“Senta aí!” Gabriela convidou e ele se sentou ao seu lado.
A mesa ficou silenciosa.
“E ai, Toni! De onde veio sua inspiração pra ser o Arlindo?” Milena puxou a conversa.
“Bom... acho que a inspiração é coisa de quem escreveu. Mas dar vida ao Arlindo foi um desafio.” ele respondeu.
“Por quê? Ele é tão parecido com você.” Titi comentou.
“Nem tanto. Mas a culpa é do roteirista.” o loiro falou apontando para Jeremias, que riu.
“O Arlindo foi moldado em você, cara. Mas não tenho culpa que ele quis mudar de vida por causa de mulher e você... O que mesmo te fez decidir mudar?” o outro disse.
Toni umedeceu os lábios e viu que todos o encaravam. Uns mais que outros, como era o caso de Nimbus, que desde que chegara não lançou um único olhar amigável.
“Muita coisa: exposed, conversas, novas visões de mundo...” respondeu e o outro assentiu.
Novamente, o silencio reinou na mesa. Gabriela olhou para Milena, como se pedisse ajuda, e a amiga sorriu.
“Gente, vamos aproveitar que temos um goleiro aqui pra jogar um fut’? Topam?” Milena sugeriu e todos pareceram aceitar.
“Beleza, mas só tem o Xaveco de goleiro. E eu não vou jogar no gol!” Titi comentou.
A morena olhou para Toni.
“Toni, ‘cê já jogou no gol umas vezes, né? Bem que podia quebrar essa pra gente!” ela sugeriu.
O rapaz havia percebido a troca de olhares entre as duas cacheadas, mas, em vez de se sentir mal com isso, sentiu-se acolhido.
“Posso! Vai ser agora?” perguntou.
Os demais levantaram.
“Fechou! O Cascão não ‘tá no IL hoje, mas nossa capitã maravilhosa ‘tá aqui!” Titi comentou piscando um olho para Milena, que balançou os ombros em uma dancinha.
“Time de vôlei ‘tá aqui também! Então temos um time maravilhoso presente!” Gabriela comentou brincalhona fazendo um high-five com um colega do time.
“Cara, eu adoro essa Gabriela mais comunicativa com o time! Dá até mais ânimo de treinar!” Nimbus comentou com um sorriso.
Sutilmente, Gabriela sorriu para Toni, que retribuiu.
*
Enquanto isso, perto do internato, Nikolas esperava Tikara terminar de se arrumar.
“Tikara, já disse pra maneirar nesse gel! Teu cabelo vai cair!” Nikolas comentou escorado na porta.
“Não é bem assim que funciona, Nik. E eu tenho que ficar lindão, minha musa ‘tá lá.” falou do banheiro, onde de fato passava gel, e o amigo riu.
“Assim como o resto do time.” lembrou.
“Para de cortar minha brisa!” o amigo reclamou.
Nik continuou escorado na porta quando viu Denise saindo do quarto de pijama e bocejando, mesmo que já fosse quase duas da tarde.
“Oi, Nikolas.” cumprimentou e ele não escondeu a surpresa, de todas as vezes que foi à casa de Tikara, aquela era talvez a primeira que ela o cumprimentou.
“Oi, Denise.” respondeu.
A ruiva o observou, ele estava arrumado.
“Se arrumou tanto só pra jogar? Vai voltar a gravar?” ela perguntou e ele negou.
“Não, hoje é aniversário da mãe da Penha. Vamos ajudar a Penha a fazer uma surpresa pra ela no IL.” explicou e a moça assentiu.
“Tem que causar uma boa impressão pra sogrona, né?” Tikara falou rindo.
Denise arregalou os olhos e já ia fazer uma pergunta quando o celular dele tocou.
“Oi! Eu ‘tô aqui no Tikara esperando pra... ‘tá! ‘Tô indo! Tikara, preciso encontrar com a Penha agora. A gente se vê no IL, não esquece de levar a caixa.” o dono dos dreads falou após atender o celular.
Tikara colocou apenas a cabeça para fora do banheiro.
“Aquela caixa pesada?” questionou.
“Eu te ajudo. Não ‘tô fazendo nada mesmo.” Denise se ofereceu, iria aproveitar para ver Jeremias.
Nikolas sorriu para ela.
“Valeu, Denise. Até lá!” disse e logo deixou a casa.
“Vou dar um trato aqui e a gente vai.” Denise falou alto e Tikara deu de ombros.
X
Após alguns minutos, Tikara e Denise saíram de casa carregando a pesada caixa. A sorte deles era que o internato não era muito longe.
“O que tem nessa caixa?” ela perguntou.
“Umas louças e talheres. O motivo eu não sei, Penha que inventou de usar isso em vez das que tem lá no IL.” o rapaz respondeu.
Denise assentiu e lembrou de algo.
“Ah, ela e o Nikolas ‘tão namorando?” perguntou.
“Sim. Quer dizer... não sei.” Tikara respondeu e logo consertou, também não sabia se eles queriam mostrar ao mundo que estavam juntos.
A ruiva riu.
“Confessou, eles ‘tão juntos. Olha... eu ‘tô surpresa.” falou.
“Por quê?” ele perguntou.
“Sei lá. Ele tinha um rancor grande pelo grupo. Namorar com alguém que era de lá é meio estranho.” a ruiva confessou.
“A Penha mudou e ele foi quem mais viu essa mudança. E você deve entender bem desse negócio de se envolver com quem odiava e mudanças.” o rapaz disse e ela riu.
“Mais ou menos. Odiar o Jeremias é uma palavra forte, eu só tinha um pouco de curiosidade e talvez ciúmes da amizade dele com a Sofia. Mas sabe... de certa forma, eu nunca fui realmente parte do grupo, muita gente considerava um trio. Eu ficava mais no jornal mesmo e às vezes com eles por causa da popularidade.” revelou.
“Você sente falta do jornal?” o moreno perguntou.
“Não sei. Era bom, mas agora eu vejo que meu conteúdo era... errado.” ela respondeu e o outro assentiu.
“Denise... e a Milena? Você realmente tretou com ela por causa do Cebola além daquilo que saiu no jornal?” perguntou.
A ruiva suspirou.
“Eu realmente já quis ficar com o Cebola, mas não a esse nível. Seja sincero comigo, Tikara, rola alguma coisa entre você e ela, né?” perguntou e ele engoliu em seco.
“Ér... não... eu...” falava e ela negou com a cabeça.
“De novo, você se entregou. Por que vocês escondem?” perguntou e ele riu sem humor.
“Ela é minha capitã, o Átila pega no pé. E outra, o resto do time com toda certeza iria encher por qualquer coisa que fosse favorável pra mim e não pra eles.” explicou.
“Aposto que seria por outro motivo! Metade dos meninos dos times já quiseram ficar com ela, ela que não quis. Inclusive, não sei o que ela viu em você.” Denise revelou e ele riu.
“Minha beleza inigualável.” ele respondeu e ela riu.
“Não te incomoda ter tantos concorrentes?” perguntou e o rapaz sorriu.
“Já me incomodou mais, mas eu vi que ela tinha várias opções e me escolheu, então tenho que focar nisso.” falou e a ruiva assentiu.
“Você tem razão. O IL! Finalmente!” exclamou e os dois entraram no prédio após falarem com o porteiro.
*
Alguns minutos depois, Tikara e Denise deixaram as coisas em uma sala e quiseram sair de lá, mas deixaram claro que queriam bolo. Penha lá ficou junto de outros funcionários, que aguardavam Nikolas aparecer com a mais velha.
“Penha, gostei de ver essa sua atitude!” uma cozinheira comentou.
A moça sorriu.
“Ela merrece! Principalmente por nunca ter desistido de mim.” falou.
“E ela não foi a única, né? Quem mesmo que foi buscar a sogra?” um outro funcionário comentou e ela riu.
“Não sabia que vocês sabiam disso.” comentou surpresa.
“Faz tempo! Dava pra ver que vocês se gostavam. Sua mãe então... sempre torceu.” uma mulher disse e a mais nova riu.
“Disso eu sei, ela jogava umas indirretas, inclusive pra ele.” confessou.
“Mas me fala... você não sente nem um pouco de falta de ser temida pela escola toda?” um funcionário perguntou.
Penha deu de ombros.
“Não. Eu ‘tô de boa agorra, tem sido até melhor.” respondeu.
De repente, passos foram ouvidos e as luzes foram apagadas.
“Nikolas, eu te dava o pano sem problemas, não precisava me trazer até aqui!” a voz de Sônia soou.
“Já aconteceu de outra cozinheira achar que eu ia usar o pano pra outra coisa nas monitorias, prefiro prevenir.” a voz de Nik soou.
Assim que a porta se abriu, todos gritaram “surpresa” e a mãe de Penha olhou boquiaberta enquanto sorria.
“Mas o que é isso? Uma festa pra mim?!” questionou surpresa.
“Ideia da sua filha!” uma outra cozinheira disse.
Sônia olhou para a filha, que foi abraçá-la.
“Feliz aniversárrio, mãe!” desejou e a outra sorriu abertamente.
“Obrigada, minha filha. Obrigada também, Nik! Caí que nem uma patinha naquela história de que alunos derrubaram suco durante a monitoria!” exclamou enquanto puxava o rapaz para um abraço coletivo.
“Essa era a intenção. Eu nem dou monitoria de sábado!” ele respondeu.
“Pra minha filha você abriu uma exceção e hoje namora com ela. Nada suspeito.” ela falou e ele riu.
“Se a senhora soubesse o motivo... mas feliz aniversário!” desejou.
Penha e Nikolas não ficaram na sala, os adultos queriam falar sobre seus assuntos e, indiretamente, expulsaram os dois. A moça abraçou o namorado assim que saíram.
“Obrigada por me ajudar! Deu certíssimo!” ela exclamou.
“Imagina, eu adoro sua mãe! Desde que a conheci.” o rapaz falou.
“Ela também gosta de você. Do tempo que ela sonha em ser sua sogra...” revelou.
“Então já dei um presente pra ela.” o moreno brincou e ela o beijou.
“Não só pra ela.” falou enquanto o beijava mais.
“Então ele que é seu namorado? Nossa!” a voz de Titi soou e os dois o olharam.
“Algum problema?” Penha falou abraçando o namorado pelo pescoço.
“Claro que não. Só é meio estranho o cara namorar uma das pessoas que colaborou com o fim do canal dele. Mas cada um sabe o que faz, né?” ele disse e logo saiu.
Nikolas franziu o cenho.
“Às vezes o Timóteo é bem estranho...” comentou negando com a cabeça.
Penha crispou os lábios, aquilo havia a incomodado, mas decidiu ignorar.
“Esquece ele, esse daí não bate bem. Cadê o Tikarra e o Xaveco? Sei que um nos ajudou e o outro ficou aqui no IL por algum motivo.” Falou.
“O Tikara deve estar atrás da Milena. E o Xaveco... eu não sei bem porque ele ficou, ele só disse que queria sair do tédio.” o rapaz respondeu.
Penha riu.
“Sair do tédio? No internato? E você caiu nesse papo, Nikolas? Aposto que ele ‘tá de rolo.” comentou subindo e descendo as sobrancelhas.
Nikolas também riu.
“Sei lá, ele vive dizendo que não ‘tá a fim de ninguém.” lembrou.
“Talvez ele tenha vergonha de te dizer.” ela comentou e o namorado riu divertido.
“Xavier com vergonha de mim? Aquilo que ele fala de ter uma ligação é verdade. O cara simplesmente descobre as coisas sobre mim.” falou.
“Então é horra de descobrir sobre ele! O Tikarra um pouco menos, vi ele pelado e preferria desver.” a moça comentou e o rapaz riu, o próprio Tikara havia dito que era ele.
“Eu queria desver muita coisa a respeito dos meus colegas de quarto. Mas, sei lá, Penha, não sei se Xaveco iria gostar de ter gente se metendo na vida dele.” falou e ela balançou a cabeça.
“Você é sem graça. Vamos comer bolo!” falou enquanto o puxava para a sala de aula.
*
Ramona estava sentada na área verde com o olhar fixo no muro enquanto o media com os olhos. Do Contra estava ao seu lado e tentava a decifrar.
“Eu desisto! O que você tanto encara no muro?” ele perguntou.
“No fim da tarde, um grupo de biólogos vai mandar pro mar um grupo de tartarugas marinhas filhotes. Eu queria ver, mas a direção ligou pra minha avó em vez de ligar pros meus pais pra me dar autorização de sair, e ela negou por causa daquele dia da peça.” a moça revelou e ele tombou a cabeça com o número de informações.
“Nossa, muita coisa. Tem isso das tartarugas, tem treta familiar que você não me disse e tem você pensando em pular um muro. Tenho muitas perguntas, mas vamos começar do fim... você sabe pular muro?” Do Contra perguntou.
Ramona deu de ombros.
“Não faço ideia!” respondeu e ele assentiu.
“Tá... e imagino que seu problema com sua avó tem alguma coisa a ver com sua cara triste naquele noite.” supôs e ela assentiu.
“É... mas eu realmente queria ver as tartarugas.” comentou cabisbaixa.
Do Contra olhou para a amiga e assentiu.
“Então vamos ver as tartarugas.” afirmou e ela franziu o cenho.
“Como? Eu não posso sair e nem tenho dinheiro pra tentar subornar o porteiro.” ela disse.
O rapaz sorriu.
“Ter um irmão muito querido tem lá suas vantagens. Vamos atrás do Nimbus, com toda certeza ele pode ajudar a gente.” falou.
Ramona o encarou.
“A gente? Você também quer ir?” perguntou e ele assentiu.
“Nunca pensei em ir pra uma praia pra ver tartaruga indo pro mar, então acho que pode ser bom. Mais ainda por você estar lá.” falou e ela sorriu amigável.
“Então ‘tá! Onde o Nimbus costuma ficar?” perguntou.
O rapaz crispou os lábios.
“Tá aí uma coisa que eu não sei. Vamos procurar.” falou e ela levantou.
*
Enquanto isso, na quadra, ainda aconteciam jogos. Nimbus devia estar jogando naquele momento, mas escolheu ir para o banheiro masculino, onde trocava beijos com Xavier.
O fato de os dois estarem no banheiro, bem ao lado de onde os colegas jogavam, fazia com que o beijo se tornasse algo mais perigoso e, ao mesmo tempo, o recheasse de emoção, algo que animava as coisas. Nimbus deslizava os dedos entre os cachos de Xavier, que subia e descia suas mãos por dentro de sua camisa, fazendo com que arrepios percorressem por todo seu corpo.
Os dois, que estavam dentro de uma cabine, pararam o ósculo ao ouvirem alguém entrar. Nimbus subiu no vaso e ficou de cabeça baixa enquanto Xavier se sentou na porcelana.
“É você que ‘tá aí, Xavier?” era a voz de Timóteo.
O loiro olhou para Nimbus, que cobriu a própria boca com uma mão.
“Sim, sou eu.” respondeu.
“Você sabe do Nimbus? O cara sumiu do nada e Gabriela ‘tava atrás dele.” o outro perguntou.
“Não, eu não sei onde ele ‘tá. Deve ter dado um peeerdido.” respondeu rindo ao fim, não pela frase e sim por Nimbus começar a massagear um de seus ombros.
“Também acho. Vai demorar muito aí? Toni é um péssimo goleiro.” perguntou.
Xaveco lambeu os lábios.
“Não me apressa, cara. Sobrevivam um pouco sem mim.” falou e Titi riu.
“Vamos colocar o Tikara então, ele chegou há um tempo.” falou dando uma descarga e deixando o local em seguida, a julgar pelo som de passos.
Nimbus e Xaveco continuaram em silêncio no cubículo, não sabiam se mais alguém havia entrado ou não.
“Vou olhar se tem alguém.” Nimbus sussurrou e o outro assentiu.
O moreno esticou a cabeça e olhou por cima da porta, estava vazio.
“A barra ‘tá limpa.” falou e o cacheado saiu da cabine e logo Nimbus saiu também.
Assim que os dois ficaram do lado de fora, Do Contra entrou.
“Achei você. Ah... atrapalhei?” perguntou após ver que Xaveco estava junto.
Os dois se entreolharam.
“Não, acabamos já. Não o que você pensou, a gente só ‘tava...” o loiro dizia até o outro rir.
“Relaxa, eu não tenho nada a ver com a vida amorosa de vocês.” falou.
“O que você queria comigo, Do Contra?” Nimbus perguntou com uma mão no ombro de Xavier.
“Ramona quer sair pra ver as tartarugas indo pro mar no fim da tarde, mas deu uns rolos e ela não teve autorização. Quebra essa pra gente?” Do Contra pediu.
Nimbus sorriu malicioso enquanto abraçava Xaveco pelos ombros, que levou sua mão às costas do moreno sem nem perceber.
“Então vocês têm um encontro na praia? Que romântico.” zombou e o irmão arregalou os olhos.
“O quê? Encontro? Não! São só dois amigos fugindo do internato com um objetivo. Vai ajudar ou não?” perguntou e o mais velho riu.
“Claro. Vou ver isso.” falou e deu um rápido beijo na bochecha do loiro antes de sair.
Xaveco sorriu para ele e logo olhou sem graça para Do Contra, que parecia nem se importar com nada.
“Vocês dois podem vir também, cunhado.” o moreno convidou.
“Quer parar de me chamar assim? Alguém pode ouvir e seu irmão e eu podemos nos encrencar.” o loiro falou.
Do Contra riu enquanto negava com a cabeça.
“Você tem uma irmã, né? Eu poderia estar falando dela.” comentou.
“Nós dois sabemos que não é. Principalmente porque você claramente gosta da Ramona.” Xaveco falou e o moreno piscou um olho de cada vez.
“Eu claramente o quê?” questionou.
“Você não é do tipo que sai da zona de conforto por qualquer pessoa.” o outro falou.
“Me chamam de Do Contra, Xavier. Ou seja, eu saio da minha zona de conforto se sentir necessidade.” rebateu.
“Pode até ser, mas, pelo que sei, você não tinha amizade com ninguém até ela aparecer. E olha pra você agora! Isso não é ruim, cara, é uma coisa muito boa.” falou dando dois tapas nas costas do moreno antes de sair.
Do Contra olhou para trás sem muita reação. Era óbvio para si que sentia algo a mais por Ramona, só não sabia se era de fato o que imaginava e muito menos se ela sentia o mesmo.
*
Ainda na quadra, na arquibancada, Denise comia uma fatia de bolo enquanto observava ora o jogo de Sofia, ora o jogo de Jeremias. A moça estava tão focada nos jogos que não percebeu uma velha conhecida se aproximar. Era Maria Melo.
“Oi, Denise!” cumprimentou e ela a olhou.
“Oi!” respondeu.
A morena parecia não saber como falar o que queria, então decidiu ser direta.
“Como o jornal pode voltar a ser interessante sem as polêmicas?” perguntou e a ruiva parou de comer para encará-la.
“Por que ‘tá me perguntando? Eu não era a megera do jornal?” questionou.
Maria suspirou.
“Tenho que assumir que você realmente parece ter visto que suas matérias eram pesadas.” falou e a outra assentiu.
“E você é uma boa escritora e... o jornal não ‘tá sendo tão popular como era antes ou como foi no exposed. Ninguém mais fala dele, é até sem graça. Então acho que você pode nos ajudar.” concluiu e Denise deu de ombros.
“Confesso que nem leio mais o jornal, mas vocês têm talento, então usem isso pra dar as notícias que têm o selo Carlito approves de um jeito interessante!” recomendou e Maria sorriu.
“Obrigada, Denise. Vejo que Jeremias e Sofia estão certos sobre você.” falou e logo saiu.
A ruiva riu e voltou seu olhar para a quadra, porém, nenhum dos amigos estava mais lá. Olhou para o lado e assustou ao receber um abraço duplo.
“Ai, vocês ‘tão suados!” reclamou enquanto se debatia nos braços de Sofia e Jeremias.
“Por que acha que estamos te abraçando?” Sofia comentou risonha.
Assim que a soltaram, ela os olhou feio.
“Odeio vocês.” falou sem muito ânimo.
“Que nada, eu sei que você ama a gente.” Jeremias falou e ela o olhou antes de focalizar em sua boca.
Sofia riu.
“Eu vi isso daí!” avisou.
“Isso o quê? Eu não fiz nada!” Denise falou e a amiga riu.
“Vou deixar vocês sozinhos por um momento.” comentou enquanto piscava um olho e saía rindo.
Jeremias se sentou.
“Sofia adora jogar essas insinuações e vazar.” comentou e a ruiva riu.
“Ela é uma safada.” brincou.
“Onde conseguiu esse bolo?” perguntou apontando para o alimento no prato ao lado dela.
“Hoje é aniversário da mãe da Penha, ajudei numas coisas e ganhei um pedaço.” a moça respondeu.
“Nem pra me avisar! Adoraria um bolo!” ele falou e ela pegou o prato.
“Abre a boca e fecha os olhos.” falou e ele obedeceu.
Denise riu e, em vez de dar o bolo, deu-lhe uma mordida no lábio inferior.
“Isso não é bolo.” o rapaz falou entre risos após ela se afastar.
“Por que acha que vim pra quadra? Pra encher o saco de vocês e pra te beijar. Agora dividir meu bolo é outra história, bonitão.” falou e ele inclinou a cabeça para beijar-lhe o pescoço e ela riu.
“Para que assim eu me derreto todinha.” ela comentou e ele sorriu.
“Essa é a intenção, assim eu fico com o bolo.” sussurrou.
“Ei, vocês dois! Vão atrás de um quarto!” Sofia gritou fazendo os demais os encararem e soltarem vários comentários maliciosos.
“Porra, Sofia!” exclamaram juntos e a amiga riu divertida.
*
Já era fim de tarde quando Ramona encarou nervosa seu reflexo no espelho, estava prestes a fugir do internato e isso estava a enlouquecendo. Milena estava consigo no quarto.
“Relaxa, Ramona, eu ‘tô te dando cobertura aqui.” a cacheada falou.
“É, mas e se alguma coisa der errado?” a outra questionou.
“Não pensa nisso! Pensa nas tartaruguinhas que você vai ver indo pra água. Qualquer coisa vocês me mandam mensagem!” ela falou e a ruiva suspirou.
As duas ouviram duas batidas na porta, assim que Ramona abriu, viu ser Do Contra.
“Oi! ‘Tá pronta?” perguntou e ela respirou fundo.
“Tô.” falou incerta.
Milena a abraçou pelo pescoço.
“Aproveitem a noite, estão lindos hoje.” ela disse e os dois sorriram sem graça.
Os dois foram até a entrada e tiveram uma surpresa, não estavam apenas Nimbus e Xavier, estava também o professor de biologia.
“Olá, Ramona e Maurício. Mauro veio me falar sobre esse evento com as tartarugas e pedi à coordenadora que autorizasse a saída de quem estivesse interessado, fico triste que tenham sido só vocês quatro, mas feliz que tenham se interessado! Vamos lá?” falou e ela sorriu.
“Você falou com o professor Rubens?” ela perguntou baixo para Nimbus.
“Na verdade, ele ‘tava junto do porteiro quando eu ia fazer um acordo, então tive que improvisar.” respondeu e ela assentiu.
“Obrigada, Nimbus.” agradeceu e ele sorriu.
“Agradeça o DC. Ele gosta muito de você.” falou e ela sorriu sem graça.
Assim que chegaram à praia, havia uma rodinha onde estavam alguns biólogos e outras pessoas que queriam ver.
“Chegamos bem na hora!” Rubens exclamou animado.
Os cinco se aproximaram do montinho e viram que as tartarugas já seriam colocadas perto do mar para que caminhassem até lá. Ramona sorriu ao ver a primeira tartaruguinha ser colocada na areia e começar a caminhar até lá.
Do Contra estava ao seu lado, também achando incrível a experiência.
“Olha, DC! Não é lindo?” perguntou olhando para elas.
O rapaz mudou o olhar do caminho das tartarugas para a moça ao seu lado, a iluminação do fim da tarde somada à animação presente nos olhos verdes dela deixavam tudo mais brilhante.
“Sim, é maravilhoso!” falou e ela sorriu para ele e logo voltou a olhar para as tartarugas.
X
Diferente dos dois, Nimbus e Xaveco se sentaram na areia enquanto observavam o mar.
“Você gosta de praia, né?” o moreno perguntou.
“Gosto! Acho que em outra vida eu fui um peixe.” Xaveco respondeu e o outro riu.
“Qual peixe você acha que era?” perguntou e o outro franziu o cenho.
“Ah, sei lá. Nunca pensei nisso!” exclamou.
“Seria algum que gosta de maçã?” o outro perguntou e Xaveco riu.
“Quem tem fissura por maçã é você, Nimbus. Várias vezes que nos vimos, você ‘tava comendo alguma coisa que tinha a ver com maçã.” respondeu e o moreno colocou os cabelos para trás.
“E você nunca percebeu que era pra chamar sua atenção?” perguntou e o loiro o encarou.
“Hã?” perguntou.
“Naquele dia que te perguntei o que te dava tesão, você me disse que era alguém comendo maçã. Então... eu tentei usar isso a meu favor, mas pelo visto você nunca reparou.” revelou e Xaveco pensou um pouco e riu.
“Acho que você devia ter sido um pouco menos sutil.” opinou e o outro deu de ombros.
“Eu ‘tava arriscando, não sabia se você gostava de homem ou não.” falou e o outro sorriu olhando para o mar.
“Naquela época, eu já sentia atração por você, só não sabia como lidar com isso. Acho que ainda não sei, eu ‘tô descobrindo enquanto vivo isso.” confessou.
Os dois se olharam com um desejo forte de se beijarem, o local e cenário eram propícios, porém, Rubens estava lá e se ele falasse a algum funcionário do internato os dois teriam problemas. Diante disso, apenas aproximaram as mãos e os joelhos, algo que nem mesmo parecia um contato, mas que carregava um significado.
X
De volta ao caminho das tartarugas, Ramona as encarou com o pensamento longe enquanto ouvia o barulho do mar. Elas caminhavam até lá de maneira automática, elas simplesmente sabiam o que fazer. Diante disso, olhou para Do Contra, que olhava para as tartarugas, e quis ser uma tartaruguinha, apenas para saber o que fazer em relação ao seu amigo que cada dia que se passava despertava um calor a mais em seu peito.
“DC, quer dar uma voltinha antes do Rubens chamar?” perguntou e ele assentiu.
“Claro! Vamos lá!” aceitou.
Os dois caminharam lado a lado, ele com as mãos nos bolsos e ela com os braços cruzados, os dois não falavam nada, apenas sentiam a brisa gélida e ouviam o som do mar.
“Naquela noite, minha prima me disse coisas horríveis que me deixaram muito mal e minha vó nem ligou. Ela diz que não tenho atrativos, então por isso qualquer um que se aproxime de mim é por pena.” Ramona revelou de repente e Do Contra olhou incrédulo.
“Caralho... que idiota! Desculpe, não queria ter xingado sua prima.” falou e ela riu.
“Já xinguei de coisa pior, relaxa.” ela disse e foi a vez de ele rir.
Do contra parou de andar e ela também.
“Mona, eu amo sua companhia. Desde que você entrou no IL, eu sinto que meus dias lá dentro fazem mais sentido e são até melhores. E eu não trocaria nossa amizade por nada.” ele falou e logo se arrependeu de uma palavra dita, mais ainda pela expressão que ela fez, era como se ela esperasse outra coisa.
“Ah... eu também gosto muito da nossa amizade. Ér... vamos atrás do Rubens?” falou desconcertada e ele assentiu sem muito humor.
Xaveco e Nimbus sorriam um para o outro quando os outros dois se aproximaram.
“O que aconteceu com vocês? ‘Tão com uma cara...” Xaveco comentou.
“Nada.” responderam em uníssono.
Rubens logo os levou de volta ao internato, o momento na praia havia sido mágico para uns e decepcionante para outros.
*
Já havia escurecido quando Mônica, fora do internato, colocava um colchão na sala enquanto Magali fazia pipocas, as duas estavam na casa de Mônica, cujos pais estavam viajando.
“Falou com o Cascão hoje? Como ‘tá sendo o rolinho de vocês?” a de cabelos curtos perguntou.
Magali deu de ombros após colocar os potes na mesinha.
“Muito bom, mas muita gente pega no pé dele. Desde aquele jogo do sábado, a gente precisou ficar mais esperto.” falou e Mônica sorriu maliciosa.
“Você até hoje não me disse o que rolou na sala do zelador.” comentou e Magali riu sem graça.
“Um beijo sensacional! Nunca imaginei que beijar alguém num lugar escuro e apertado seria bom. Mas antes da gente se beijar eu... eu acho que toquei sem querer no pinto dele.” confessou e a amiga riu alto.
“Caramba, Magali! Vocês foram do 8 pro 80 muito rápido! Em um dia ‘tava pegando na mão e no outro já ‘tava pegando no pau!” falou risonha e a amiga negou com a cabeça.
“Que deselegante, Mônica. E foi um acidente! Não sei nem se realmente foi lá, mas enfim... ele ficou de boa com isso.” explicou.
“Mal que não ia ficar, né?” comentou maliciosa ganhando um olhar feio em resposta.
“Tirando toda a safadeza envolvida naquele jogo, foi legal. Fez valer a pena o sofrimento que foi aquela peça. Jeremias me disse que nunca mais participa de uma, e nem eu.” a de cabelos compridos disse e a amiga riu.
“Só quem saiu no lucro foi a Denise, ganhou um chupão que metade dali queria ter ganhado.” Mônica comentou.
“Você tem namorado, pode providenciar um daqueles.” Magali brincou e a amiga negou.
“Meu cabelo é muito curto pra isso. E outra... Cebola e eu não estamos nem perto de uma coisa dessas. Mais sensual, sabe?” comentou e a outra riu.
“Você acha que um chupão é tão sensual assim?” Magali perguntou e Mônica deu de ombros.
“Alguns mais que outros. O do Jeremias fez a Denise gemer! Aquela risada dela... não era uma risada qualquer.” comentou e a amiga riu.
“Acha que eles se pegaram depois?” perguntou.
“Tenho certeza! Eu teria.” falou e foi a vez de Magali rir maliciosa.
“Com o Jerê? Vou falar pro Cebola!” brincou e a outra riu.
“Seria com o Cebola. Duvido que alguém desafiaria o Jeremias a fazer isso comigo sabendo que eu namoro outro.” ela disse.
“Mas nem todo mundo sabe que vocês namoram. Ele é seu monitor, lembra?” comentou e a amiga suspirou.
“É mesmo... uma chatice isso!” reclamou.
“Chega de falar de internato e vamos falar de filme! Que horas os meninos disseram que viriam? Essa pipoca ‘tá me seduzindo.” Magali perguntou.
Assim que Magali terminou de falar, a campainha tocou. Mônica atendeu o interfone e destravou o portão, logo os meninos apareceram na sala.
“Desculpe a demora, o Romeu aqui quis trazer flor.” Cascão comentou apontando para Cebola, que tinha algumas florzinhas em mãos.
“Desculpe se sou um cara romântico. Já você... não trouxe nada pra Magali.” comentou.
Magali e Cascão trocaram um sorriso.
“Ela já me disse que prefere comida, então eu trouxe um bolo de chocolate feito pela minha mãe.” respondeu levantando a sacola que tinha em mãos.
“Mas esse bolo é pra todo mundo, não vale.” Cebola ressaltou.
“Já era, Cebola, é todo meu. Mas posso ser uma pessoa legal e dividir.” Magali brincou.
“E eu não posso dividir minhas flores, lamento. Elas são de algum jardim, Cê?” Mônica perguntou enquanto colocava uma delas na orelha.
“Tava passando por um jardim muito bonito iluminado pela luz da lua e lembrei da minha bela namorada, então colhi umas florzinhas.” ele falou fofo e ela sorriu docemente.
Cascão riu alto.
“Desde quando jardim e terreno baldio são a mesma coisa? Porque essas flores são do terreno abandonado aqui do lado.” revelou e Cebola o olhou feio enquanto Magali e Mônica riam, a primeira bem mais que a segunda.
“Tá bom, não era jardim. Mas eu pensei nela!” Cebola exclamou.
“Passou por um terreno destruído como aquele e lembrou da namorada?” o amigo falou sorridente.
“É isso que você pensa de mim, Cebolácio? Que lembro um terreno baldio?” Mônica perguntou séria com os braços cruzados e Cebola tremeu a boca.
“N-não! Não foi isso que eu quis dizer... eu... o Cascão que fica aí falando melda, quer dizer, melda... argh!” falou nervoso e logo a namorada começou a rir.
“Relaxa, Cê! ‘Tô só brincando.” falou enquanto o abraçava e, ao mesmo tempo, fazia um toque de mãos com Cascão.
Magali tinha as mãos na barriga.
“Eu ‘tô morrendo! Mas o que foi isso, Cebola? Melda?” falou entre risos e ele respirou fundo.
“Às vezes, quando eu fico nervoso, eu troco o r pelo l. É de infância.” revelou.
“Ele trocou o r pelo l quando te pediu em namoro, Mônica?” Cascão perguntou.
“Não! Parece que ele ficou mais nervoso agora.” ela respondeu.
“Tudo isso é medo, Cebolácio?” Cascão perguntou com a voz provocativa e o amigo mostrou o dedo médio.
“Eu pensei que ela ‘tava falando sério, não queria que achasse que eu penso assim. Nem reparei que era zoeira sua.” respondeu.
“E ai? Que filme vocês escolheram?” Cascão mudou de assunto.
“Pensei em uma comédia. Tipo Shrek.” Mônica comentou.
“Que escolha interessante, afinal, olha quem é seu namorado.” Cascão comentou e Magali sorriu apontando dois dedos para ele, havia parado de rir há pouco.
“Essa eu entendi!” exclamou e ele sorriu para ela.
“Eu não. ‘Tão me chamando de ogro?” Cebola perguntou confuso.
“Aí é você que ‘tá dizendo. Só sei que ogros têm camadas, e o que mais tem camadas?” Magali comentou e o rapaz franziu o cenho.
“Cebolas. Ah... vocês são maus.” Mônica comentou escondendo o riso.
“E eu, idiota, ajudei esses dois a se pegarem. Duas vezes! O mundo ‘tá cheio de mal agradecido mesmo...” comentou negando com a cabeça.
Os quatro de fato assistiram ao filme, mas, de repente, Cebola deu a ideia de um filme de terror e a ideia foi abraçada pelos outros três. Durante uma cena do mais puro suspense, que antecedia uma cena de susto, Mônica estava agarrada a Cebola, que sorria, enquanto Magali e Cascão tinham o olhar vidrado na televisão com as mãos dadas.
De repente, Mônica pausou o filme.
“Vou no banheiro rapidinho!” falou e deixou a sala.
Os três ficaram ali a esperando e Cebola decidiu se divertir.
“Uma vez me disseram que esse filme é amaldiçoado. Coisas estranhas acontecem!” Cebola comentou com um riso.
“Para de brincar com essas coisas!” Magali repreendeu.
Cascão já ia falar alguma coisa quando o som de uma porta se abrindo soou. Os três olharam na direção do local.
“Os pais Mô ‘tão em casa?” Cebola perguntou e Magali negou com a cabeça.
“Eles ‘tão viajando...” comentou com a voz amedrontada.
Os três sentiram o suor se formar na testa.
“Vamos lá ver, Cascão.” Cebola falou levantando.
“Eu não! Vai que é espírito desse filme louco seu?!” exclamou e o amigo o encarou.
“Eu ‘tava zoando, medroso! Vai ver foi só o vento!” exclamou enquanto apontava com a cabeça para Magali, como se dissesse para não apavorá-la, e o outro assentiu.
“É, pode ter sido só o vento mesmo. ‘Tá bom, eu vou com você.” falou se levantando.
“Não se preocupe, Magali! Vamos lá ver!” Cebola falou fazendo uma pose.
Magali revirou os olhos.
“Querem que eu acompanhe vocês, heróis?” perguntou irônica, tinha uma suspeita do que era.
“Não precisa! Bora, Cascão!” exclamou e saiu.
Mônica reapareceu na sala.
“Ué, cadê os meninos?” perguntou.
“Ouvimos o barulho da porta da cozinha abrindo e os heróis foram ver o que é. Mas eu acho que é o...” falava até a amiga arregalar os olhos.
“O Monicão! Ele sabe abrir a porta quando ‘tá só encostada! Vamos, Magá, você sabe que ele avança em quem não conhece!” exclamou levantando com a amiga.
Enquanto isso, na cozinha, Cascão parecia mais corajoso que Cebola.
“Vai, Cebola! Você que me arrastou até aqui!” exclamou.
“Eu só queria mostrar que sou forte e corajoso! O que minha namorada iria dizer se eu não fizesse nada? Mas... e se não for só o vento?” falou e o amigo suspirou.
“Se toca, Cebola! Acha mesmo que a Mônica não sabe que você é fraco? Nós dois sabemos que ela te solaria.” falou e o amigo bufou.
“Eu ‘tô falando sério!” exclamou e o outro riu.
“Eu também. Vai, você mesmo disse que deve ser só o vento!” Cascão disse empurrando o amigo.
Cebola, antes de ir, pegou uma cadeira.
“Você vai dar uma cadeirada no vento?” o outro perguntou e o amigo apenas fez um gesto de silêncio.
As meninas já haviam chegado lá, mas, após ouvirem a fala de Cebola, decidiram ver até onde eles iriam. Os dois foram até o quintal e lá não tinha nada nem ninguém.
“Acho que realmente foi o vento... AHHHH!” Cebola falava até sentir algo pequeno e peludo avançar em si o derrubando no chão.
“Cebola? O que foi? AI, CACETA!” Cascão perguntou e logo sentiu uma mordida na canela também o fazendo cair.
“Meninos!” Magali chamou se aproximando.
“Não, Magali! Tem um bicho aqui atacando a gente! Fica aí, salva a sua vida e pede ajuda!” Cascão exclamou e ela começou a rir, mesmo que tentasse evitar.
“Aqui, Monicão!” Mônica chamou e o cachorro saiu da perna de Cascão e foi até a dona.
Os dois meninos olharam para Mônica e para a pequena fera em suas mãos, era um cachorrinho marrom. A dona dele os encarou e os dois desviaram o olhar.
“Meu cachorrinho às vezes entra. Esqueci desse detalhe.” falou e os dois começaram a assobiar.
“Ah... a gente deixou ele pular, geral precisa se divertir às vezes.” Cascão comentou.
“Verdade! A gente até sabia!” Cebola disse.
“Tá bom, meninos. Vamos voltar pro filme.” Magali comentou ainda risonha.
Cascão entrou e Cebola ia entrar quando Mônica impediu.
“Eu ouvi você falando sobre ter que ser forte e corajoso pra mim. Não precisa se preocupar com essas coisas, Cebola.” ressaltou.
“É... mas eu sou seu namorado! Eu quero parecer... forte e corajoso, entende?” falou e ela riu.
“Você é, mas mesmo que não fosse, eu jamais namoraria alguém que quisesse ficar me protegendo o tempo todo e se gabasse por isso. Agora vamos voltar pro filme.” falou decidindo deixar esse assunto de lado, algo que alegrou Cebola.
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