Interligados por um Destino

11 Capítulo 10- O Anagrama


Notas iniciais
Meninas, esse é um gostinho das aventuras que estão por vir.

Bocejo e esfrego os olhos, onde eu estou mesmo? Pisco e me lembro do aconteceu entre mim e Sophia.

Devo ter pegado no sono, tateio a mão buscando o calor de Sophia e não encontro.

Franzo o senho

– Sophia?

Levanto-me e vejo que ainda estou pelado, mas... Cadê Sophia? Ela não poderia ter fugido, poderia?

– Sophia?

De repente Sophia sai do banheiro, corada, desgrenhada e... Vestida.

– Sim?

– Porque você se vestiu?

– Porque estamos no seu escritório?

Suspiro, é, ainda tem esse detalhe.

Olho novamente para Sophia e sinto meu pau começar a ficar duro novamente pela visão dela.

Pigarro e visto minha roupa.

– Agora precisamos conversar, sente-se.

– Conversar sobre o que exatamente?

– Sente-se, por favor, Sophia.

Ela senta do meu lado e balança os pés nervosamente.

– Porque você não me contou que era virgem?

– Eu... É... Não é uma informação que se divulga por ai pra todo mundo.

– Desde quando eu me tornei todo mundo?

– Eu não quis dizer desse jeito... Eu... Tenho 21 anos e era virgem, não é algo para se orgulhar.

Pisco surpreso.

– Você se envergonha disso? Sophia... Eu já vi mulheres de 50 anos, virgens e cheias de gatos.

Sophia sorri lentamente.

– Gatos? Quantos gatos? 18? Eu iria querer viver rodeada de 18 gatos.

Franzo o senho

– Você só precisa de um gato na sua vida.

– E esse gato seria quem, posso saber?

– Hum rum. Mas falando serio, você não... Irritou-se muito por ter tirado a minha virgindade sem saber não, né?

A encaro chocado.

– Como? Para mim foi uma honra ter tirado a sua virgindade.

– Eu não sou mais um troféu seu não, né?

– Claro que não, porque você sempre pensa tão pouco de mim?

– Sinto muito, é que relacionamentos são muito complicados, e a amizade não, e eu não queria perder a sua amizade.

– Poderíamos ser os dois e unir o útil e o agradável.

– Posso tentar, mas não prometo que será fácil, nos conhecemos a o que? 48 horas? 72 horas? E já estamos falando sobre algo tão... Complexo.

– Você me conhece mais até do que a minha própria mãe.

– Você é o meu chefe.

– Você não sente como se já tivéssemos nos conhecido á anos?

– Sim, mas...

– Sem mais Sophia, sem mais, eu quero isso, você quer isso, somos adultos o suficiente para enfrentarmos essa situação.

– Então... O que queremos? Praticidade ou compromisso?

– Eu... Não sei... Talvez... Companheirismo.

Sophia morde o lábio, hummmm.

– Se você não parar de morder esse lábio agora, iremos acabar os dois em cima da mesa, nus e eu bem fundo dentro de você.

Sophia pisca os olhos surpresa e me encara.

– Seremos exclusivos?

– Bom... Se você cogitou pensar que não, eu ficarei extremamente magoado.

– Desculpa novamente, é que tudo isso é novo pra mim.

– Não se preocupe mais, vai dar tudo certo.

– E quem prevê isso? Você?

– Eu não sei... Mas sempre...

Sophia me interrompe – Não existe a palavra sempre no meu dicionário, existe por enquanto.

– E você esta dizendo que estamos fadados a durar por enquanto? Quem prevê isso? Você? De qualquer jeito eu vou aceitar o seu enquanto dure, por enquanto.

Sophia se levanta.

– Vamos?

A encaro confuso. – Para onde?

– Ver o testamento do Doutor Robert.

Minha garganta se fecha e momentaneamente me vejo incapaz de respirar, Doutor Robert.

Inspiro lentamente, pego o celular e ligo para Felipe, o advogado dele.

Atende no segundo toque.

– Alo? Quem fala?

– Felipe? Aqui é Christian.

– Ha, Christian, meu filho, a que devo a honra?

– Você ainda é o advogado do Doutor Robert?

– Não, infelizmente ele trocou de advogado.

– Quem é o novo advogado dele, saberia me informar?

– Claro, é o Marco.

– Marco? O advogado da minha família?

– Exatamente, porque a pergunta?

Engulo ruidosamente.

– É que o Doutor Robert... Ele... Morreu hoje.

Por uns segundos a respiração de Felipe é a única coisa que escuto na outra linha.

– Felipe?

– Ele deixou algum recado para você?

– Sim. Me mandou falar com o advogado dele, para começar a leitura do testamento.

– Meu Deus, eu... Eu não comentaria, o ocorrido na imprensa pelo trabalho raro dele, nunca deveria ter acontecido algo ruim com ele, vou olhar alguns rascunhos para ver se encontro o numero de Marco pra você, ele mudou, adeus.

Ele desliga e eu fico encarando o telefone totalmente confuso, o que foi todas aquelas palavras sem sentido?

Sophia me olha curiosa.

– O que foi que aconteceu?

De repente eu tenho uma ideia.

Olho para cima e vejo que as câmeras do meu escritório estão acessas, pego papel e caneta e escondo no meu bolso da calça.

– Sophia, vamos embora rapidinho, tenho que ir pra casa contar para Jack o que aconteceu, seria sacanagem minha se eu apenas ligasse para dizer uma noticia dessas.

Sophia fica confusa, mas sai da sala, pega a bolsa e me segue até o estacionamento.

Chegado lá, digo:

– Vamos no seu carro.

Ela me encara uns segundo, destranca o carro e entra.

– Pra onde?

– Em frente.

Saindo do prédio, dou um longo suspiro.

– O que esta havendo de errado Christian?

– Tem câmeras na minha sala.

– Continue.

– Não poderíamos discutir sobre isso lá, com as câmeras gravando, mas agora encoste o carro um minuto.

Ela encosta e vira um olhar confuso e curioso pra mim.

– A ligação para Felipe deu em alguma coisa?

– Acho que sim. No final da ligação, ele começou a falar um monte de coisas estranhas e meio desconexas.

Pego o papel e a caneta do bolso e escrevo:

M eu deus

E u

E u

N ão

C omentaria

O ocorrido

N a imprensa pelo

T rabalho

R aro dele

E sinto muito

N unca deveria ter

A contecido

A lgo

R uim com ele

V ou

O lhar alguns

R ascunhos para vê se

E ncontro

O

Número de

Marco para te dar

Ele mudou

– Esta vendo? È um anagrama padrão, tirando as letras desnecessárias e as frases desconexas, ficaria... Me encontre na Arvore.

Sophia me olha admirada.

– Nossa, incrível, mas e a frase O numero de marco para te dar, ele mudou, Adeus?

– Não faz sentido, se Marco é o advogado da minha família, é obvio que eu saberia os números dele, e essa frase também ficaria desconexa no anagrama, então ele deve ter mencionado isso para despistar.

– Mas... Despistar o que?

– O numero deve estar grampeado.

– O seu ou o dele?

– Os dos dois, provavelmente.

Sophia me encara horrorizada.

– E quem faria isso?

– O Sr.Donato é claro, para seguir os meus passos.

– Hum... E como você aprendeu a ler anagramas?

– O próprio Doutor Robert me ensinou.

– Nossa, que complicado.

– Você ainda esta nessa comigo?

– É obvio! Eu nunca deixaria vocês sozinho nessa.

Passo meu dedo pelo lábio inferior dela.

– E eu nunca deixaria você se machucar por mim, nunca.

Me inclino e dou um selinho nela.

Só de sentir o gosto delicioso dela, fico duro, Deus, será que ela é a minha salvação ou a minha perdição?

– Christian? O que me encontre na arvore significa? – Sophia sussurra.

Fecho os olhos. – Era um código que eu e o Doutor Robert usávamos para eu escapar do hospital sem ser percebido.

– E o que arvore tem haver com isso?

– Para sair, eu tinha que atravessar uma arvore pequena demais, ai o Doutor Robert, construiu uma casa camuflada na arvore. Ele sempre me ajudando, e eu nem percebendo ou me importando o suficiente para isso.

– Xiiiiii, já passou, você esta ajudando ele agora, mas onde fica esse hospital?

– É mais uma clinica de reabilitação, fica no interior do sul de São Paulo, ao lado de uma escola chamada Daybrack, se não me engano.

– E?

– Essa clinica fechou há nove anos.

– Depois que os seus experimentos acabaram fracassando.

– Exatamente. Mas... Como Felipe sabe disso tudo?

– Vamos lá descobrir ora essa. Quanto tempo para chegar até lá?

– São três horas de viagem de carro, algum problema para você de irmos na madrugada de hoje, umas duas hora da manhã?

– Sem problemas.

– Durma comigo na minha casa hoje, assim ficara mais fácil para sairmos sem sermos percebidos...

Sophia franze o senho.

– E obvio que você irá se aproveitar de mim lá.

– Eu só me aproveitaria de você, com seu consentimento, mas na verdade hoje eu quero que nos conheçamos melhor, ver um filme, quem sabe?

– Hum... Se for assim, tudo bem.

Arqueio uma sobrancelha.

– Você esta muito disposta hoje, né?

Ela me encara fixamente e da de ombros.

– Tanto que você não se acostume com isso, irá sobreviver. Vamos voltar para a empresa?

– Vamos, antes que deem nossa falta.

– Pera ai... Aquelas... Câmeras na sua sala gravaram tudo? A morte do Doutor Robert, a nossa conversa? O... Sexo?

Sophia ruboriza.

Sorrio. – Não, por isso que eu sai de lá, aquela câmera vive desligada por ordens minhas, ai terminei de ligar para Felipe, percebi que a luz vermelha indicando que a câmera ligou, estava piscando.

– Então isso quer dizer que o seu pai já esta sabendo da morte do Doutor Robert?

– Provavelmente.

– Canalha. – Sophia resmunga.

– É, concordo plenamente.

Sophia sorri para mim e liga o carro.

Pelo visto teremos que enfrentar coisas piores pela frente, só espero que sejamos fortes o suficiente para suportamos o que nos aguarda.

Notas finais
Ho deus, o que será que tem nesse famoso testamento? Curiosos? Eu também. Xoxo.