Notas iniciais
:) Boa leitura e se curtir, deixe um comentário! Eu agradeço!
A fanfic não foi betada (Erros corrigidos) nem nada do tipo, então sejam tolerantes se houverem erros, eu não costumo reler o que escrevo e revisar textos.

Nevada, a cidade mais fria do subsolo. Nevada, lar dos monstros peludos e casados maiores campos congelados de todo o subsolo. Em meio à pinheiros e blocos de gelo, monstros criavam suas famílias, cheias de monstrinhos, tornando aquele ar de paz e tranquilidade dominante na região.

O clima amigável era adorado por quase todos os seus habitantes, que pouco se importavam de serem considerados "caipiras" ou "suburbanos". A vida simples tinha um atrativo e entre viverem tomados pelos conflitos comuns da capital e a marasmo regional, não havia dúvida que a escolha geral era a segunda opção.

O clima lento só não era tão bem acolhido pelos jovens, que sempre caçavam formas de entretenimento diferenciado, entre esses um específico parecia agradá-los: Criticar a região.

— Que droga — disse um monstro cachorro ao sentir suas botas afundando na neve logo cedo. Era preciso apenas um passo fora da calçada para que seus pés descessem uns quinze centímetros dentro da neve.

— Vamos, para de enrolar. Vamos chegar tarde na escola! — Uma monstrinha lagarto reclamou da lentidão do companheiro, tomando a frente, sem disposição alguma para esperá-lo.

— Cidade lixo! — Retrucou o monstro cachorro, apressando-se para seguir a amiga.

Uma risada sutil escapou do monstro chama, que esperava na esquina da rua, assistindo os dois monstros interagirem. Era comum na escola ver monstros encontrando pretexto para se queixar, estava certo que aquele monstro cachorro era um dos que mais fazia isso. Mas, para esse monstro chama, no auge dos seus dezessete anos, não havia nada na cidade que lhe causava desgosto. Tinha bons amigos, uma boa casa, até mesmo gostava do futuro que lhe aguardava — herdar o restaurante de seu pai, Fogo. Sem falar que não era do tipo que ficava de cabeça quente por pouca coisa logo cedo. E, acima de tudo, tinha ele também.

E vindo na rua, em sua direção, Grillby admirava mais uma das razões de adorar Nevada. Aquele monstro esqueleto estreito, usando um casaco grosso e cachecol, dando passos atrapalhados conforme seus pés afundavam na neve, tentando ser rápido, mesmo que isso fosse automaticamente contra a sua falta de habilidades atléticas.

— Bom dia, Gaster — cumprimentou-o enquanto ele atravessava a rua.

A cena seguinte foi rápida, com um ou dois tropeços os pés do outro monstro falharam em alcançar o meio-fio, bem oculto pela neve acumulada nos cantos da calçada. Dando um passo adiante, Grillby esticou os braços para tomá-lo junto a si, evitando assim a chance de queda. A ausência de peso do outro tornou o impacto suave e a fragilidade aparente de Gaster foram um divertimento oculto para Grillby, que ousou segurá-lo um pouco mais rente ao seu corpo, aproveitando-se do momento.

— Desculpe.. Nevou demais ontem, é impossível andar pelas ruas assim — disse o monstro esqueleto ao se recompôr, recuperando o equilíbrio e dando um suspiro cansado. Sequer tinha ânimo para se irritar, Nevada estava condenada a esses fatores climáticos.

— Sem problemas — respondeu, seguindo ao lado dele pela rua quando esse começou a andar, indo em direção da escola. — Conseguiu dormir essa noite? A temperatura caiu bastante.

E a habitual conversa banal foi iniciada, com comentários sobre a fraca tolerância do Gaster ao frio e as soluções que o Gaster bolava para resolver os problemas da cidade, apesar dessas nunca serem colocadas em prática e implementadas (Quem culpar? Não era usual lidarem com a genialidade de um rapaz da idade dele). Ainda assim, Grillby adorava ouvir as soluções de Gaster, não por considerá-las inovadoras, às vezes eram elaboradas demais e fora da realidade, mas o ânimo que o outro apresentava ao expôr de suas ideias era algo que realmente apreciava.

Gaster era um monstro esqueleto e ser um monstro esqueleto em meio a vários monstros cachorros na cidade tornava-o automaticamente extremamente popular. Talvez, por essa popularidade natural, que ele tivesse se tornado um pouco mais desconfiado e retraído com os demais, escondendo seus interesses atrás de livros e ocultando suas expressões cativantes com óculos grossos presos em fita e um cachecol robusto. Mesmo assim, com esse disfarce, para Grillby todo o conjunto do companheiro era instigador. Não havia absolutamente nada que não gostasse no Gaster, nem mesmo aquela caligrafia estranha que ele tinha em seus cadernos era algo que desgostava, pelo contrário, tornava-o mais curioso e encantador.

O modo que ele gesticulava também era algo que tomava a atenção do monstro chama, observando o uso constante das mãos ao falar, como se usasse-as em uma tentativa de melhor se expressar. Mesmo quando carregava livros era possível notar que por debaixo deles haviam dedos inquietos, movendo-se ao ritmo de cada uma das palavras, como um maestro dando lugar a voz serena e segura que escapava do maxilar branco.

— Eu tenho certeza que o retorno compensaria os custos — afirmou Gaster ao final, vêemente, olhando para o Grillby a procura da resposta dele sobre sua proposta.

— Parece interessante, mas despejar muito gelo em um só canto não faria-o petrificar e isolar a cidade? — Perguntou, tentando acompanhar o raciocínio dele. Só porque gostava de assisti-lo, isso não significava que ficava alheio ao significado das coisas que lhe eram ditas.

O sorriso do monstro esqueleto se desfez, calando-se por completo, pensando no problema exposto junto de sua proposta de solução precipitada. Um curto momento de frustração interna, dada a ausência de noção das consequências, logo foi substituída por um sorriso estreito e um olhar mais convidativo.

— Muito interessante.

E as chamas do Grillby atiçaram-se um pouco mais com esse interesse do outro, sinal de aprovação dele através de sua perspectiva. Ser atraente para o Gaster não devia ser uma tarefa simples, ou ao menos era como Grillby via. Ele era inteligente e parecia buscar um parceiro que fosse tão ou mais inteligente que ele, o que não era algo fácil. Não que não tivesse confiança na própria aparência, acreditava ter estilo, além das chamas laranjas e constantes, um atrativo comum entre os monstros chama, combinava-as bem com uma camiseta branca e uma jaqueta preta junto de uma calça jeans. Estava na moda — como os monstros da capital diriam.

Mas um sorrisinho bonito, uma aparência legal e um pouco de interesse não bastavam para aquele monstro. Conhecia-o — bem dizer, a vida toda -, moravam na mesma rua e caminhavam juntos para a escola desde pequenos, sempre estudando na mesma turma e armando planos juntos. "Amigos de infância", definiam bem a relação que tinham. Mesmo certo desse título, olhar não arrancava pedaço — como Grillby pensava. Já devia ter uns três anos que olhava mais para o Gaster e nesses três anos não foi completamente passivo, demonstrando o seu favorismo por ele sempre que possível.

Algumas vezes, com uma provocação ou olhar, podia ver aqueles ossos ganharem nuances douradas em sinal de tímidez, outras vezes essas eram acompanhadas por um puxar do cachecol em uma tentativa sutil de cobrir o rosto, sendo notável nesse momento as mãos dele ficarem trêmulas e apertarem forte demais a lã da peça. Não mentiria, gostava de causar essas reações nele, era como se elas lhe confortassem e lhe incentivassem mudamente a nutrir algo mais por ele.

Mesmo assim, não houve o que poderia ser chamado de avanço significativo. Gaster era bom em usar palavras para se expressar, então a falta delas pelo amigo só poderiam ser sinais de desinteresse. "Ele nem me cogita", era um pensamento que assombrava a mente do monstro chama toda vez que ia dormir, casualmente se atormentando com ideias relacionadas a uma recusa.

— Estive pensando — iniciou Gaster, enquanto aguardavam o momento para atravessarem a rua e entrarem nos portões da escola — seu aniversário está próximo, há algum presente que busque em particular?

— Você — deixou escapar, demorando um pouco para ter consciência que deixou essas palavras lhe fugirem em alto tom. Antes que pudesse se atrever a interceder e alegar ser uma brincadeira, o dourado tomou o rosto do outro e as mãos nervosas tentaram erguer o cachecol e ocultar-se.

— Então.. — Gaster prosseguiu, voltando o olhar aos portões da escola, sem dar chance do Grillby de tentar se retratar. — No próximo sábado podemos sair e escolher algo juntos.

As chamas do topo da cabeça do outro queimaram com maior intensidade, ficando na dúvida sincera se aquele era ou não um convite de encontro. Gaster estaria aceitando? Ou apenas levando isso como mera provocação? Preferiu deixar de lado a ideia de se explicar, sorrindo e atravessando junto dele para a escola.

— Combinado — concordou.

Não tinha o hábito de criar expectativas, mas a sua alma estava incendiando dentro de seu tórax com a ideia de ter um encontro com ele. Seria possível haver interesse do outro lado? Alguma chance de cativá-lo da mesma forma que era cativado? Estava controlando-se para não expôr a felicidade momentânea e prazer que a companhia dele lhe gerava. E pensar que haviam alguns jovens que diziam que Nevada era chata. Para Grillby aquela cidade era mesmo perfeita.

Notas finais
:) Devo continuar?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.