Intercâmbio em Paris
5 Inimigos ou namorados? - Epílogo
Notas iniciais
No dia seguinte...
P.O.V Da Sam
— Legal! Até que dá para o gasto! — Olhei para o apartamento que pertencia ao seu tio.
Marissa o conseguiu para nós por um bom preço.
Não era grande... Apenas sala/cozinha, quarto/banheiro e um quartinho com umas tralhas dentro... Devia ser o cantinho da bagunça do seu tio.
— Só tem uma cama... — Freddie disse quando chegamos ao quarto.
O apartamento já era todo mobiliado.
— Você dorme no tapete. — Larguei minhas coisas ali na cama.
Uma mala mediana, uma mochila e o cabeçudo segurava a caixa com o restante dos meus pertences.
— A cama é grande e nós...
— Se ousar dormir ao meu lado, eu te jogo pela janela! — Ameacei.
— Quanta frescura! — Bateu na própria testa.
— Me respeita, estou grávida e preciso de mais espaço. — Sorri inocentemente.
Ele revirou os olhos e cruzou os braços.
— Minha mãe já marcou uma consulta. Você vai começar o pré-natal semana que vem... — Meu sangue gelou.
— Não precisa, eu vou com a minha mãe e...
— Negativo! Nós iremos juntos e sua mãe pode ir também! — Ai, droga. — Tá tudo bem? — Eu estava pálida?
— Tudo sim! — Afirmei.
Mentira... Eu seria desmascarada.
— Não se preocupe. Vou arranjar um emprego, não vou deixar nada faltar para o... Para o bebê... — Olhou para a minha barriga.
A barriga vazia... Aquilo era tão estranho.
— Eu achei mesmo que fosse surtar... Porque tipo, nós somos... Tão novos... — Falei desconcertada.
— Fizemos juntos... Sobre aquela aposta, eu... Sinto muito. — Estava arrependido.
— Olha, nunca mais quero tocar nesse assunto... Não me faça ter um ataque de raiva de novo! — Avisei séria e ele estremeceu.
Benson jamais esqueceria a surra que dei nele no refeitório...
— Já que temos um bebê à caminho, espero que daqui para frente possamos ser...
— Não quero ser sua amiga... — Nem mesmo queria morar com ele.
— Tudo bem... — Suspirou. — Ao menos vamos tentar conviver da melhor forma possível. — Que sensato.
— Pois é, vou tentar não te matar, mas não prometo nada... — Sorri.
[...]
P.O.V Do Freddie
— Deixa eu dormir no cantinho? — Pedi para a Sam que estava esparramada na cama.
Ela usava um conjuntinho... Blusinha e shortinho roxos.
— Não, a cama é toda minha. — Malvada.
— Tenha dó do pai do seu filho... — Apelei.
— Vai se lascar, Benson! — Virou de bruços.
Aquela visão traseira não ajudava em absolutamente nada... Tão sexy.
— Bravinha... Chata! — Resmunguei indo para o cantinho forrado ao lado da cama.
— Boa noite, Cabeçudo! — Apagou a luz do abajur.
E ela capotou... Pegou no sono tão rápido... Esperei a ferinha ficar ferrada no sono... Levantei de fininho.
Fui para a cama, deitei devagar ao seu lado e...
— AAAAUUUUH! — Gritei caído no chão.
— Da próxima vez te jogo pela janela, seu folgado! — Avisou.
Mas ela já não estava dormindo?
Fui tapeado... Essa garota é terrível.
No dia seguinte, acordei todo lascado.
A princesa ainda ressonava, esparramada na cama... Ela até suspirava...
A bonita só acordou na hora do almoço. Devia estar com muita sonolência mesmo graças à gravidez.
Com o ocorrido em Paris, Sam decidiu terminar os estudos fazendo aulas online... Eu até queria, mas minha mãe me barrou... Eu só iria voltar às aulas na semana seguinte. Até lá eu teria arranjado um trampo.
— Que fome! — Bocejou chegando na cozinha.
— Fiz macarrão com queijo. — Falei.
Ela fez careta... Tadinha, devia estar nauseada.
— Quer outra coisa? Uma sopa? — Minha mãe disse que eu devia cuidar dela.
— Tô grávida e não doente! — Porra.
— O que deseja comer? — Seja paciente.
É a mãe do seu filho...
— Um bife bem passado com bastante cebola e molho, batata frita e uma Coca bem geladinha. — Pediu.
— Mas isto é pesado demais e faz mal, minha mãe disse que...
— MAS EU QUERO! TÔ MORRENDO DE FOME! — Me deu até medo.
Não se deve contrariar alguém como ela.
— Está bem, está bem... — Cedi.
Eu iria preparar o seu almoço... Sam voltou a dormir largada no sofá com a TV ligada.
Lembrei que não tinha compras, só achei macarrão com queijo mesmo... Os armários estavam vazios.
Liguei para pedir comida.
[...]
11 semanas depois...
P.O.V Da Sam
Chegou o dia da consulta... Eu estava uma pilha de nervos.
Eu tinha feito a Sra. Benson desmarcar várias vezes, inventando mentiras como desculpas para não ir, passei semanas enrolando até não poder mais...
Agora não tem como escapar...
Seria desmascarada... A Sra. Benson iria me mandar para o reformatório.
Até tentei inventar mais uma desculpa para não ter que ir... Mas a minha mãe também estava pegando no meu pé... Que raiva.
— Não precisa ficar tão nervosa, tô aqui... — Freddie segurou minha mão com firmeza.
Seria até fofo se não... Eu ainda estava com um pouco de raiva dele.
Puxei minha mão e me afastei.
Percebi que ele também estava ansioso.
Quando fui chamada ao consultório, quase corri... Sua mãe era a adulta nos acompanhando. A doutora era sua colega e amiga, Marissa trabalhava na clínica.
Já tinha até me incluído no Plano de Saúde.
Cheguei no consultório com o... Enfim, nervosa pra caramba. Fui atendida pela Dra. Sanders. Ela me fez perguntas, depois iniciou os exames básicos...
Então, chegou no terrível momento... Onde minha mentira iria toda por água abaixo...
Aquela droga de gelzinho geladinho... O primeiro ultrassom.
Freddie estava ao meu lado direito e sua mãe ao meu lado esquerdo.
Fechei os olhos aflita.
— Olha só mamãe e papai! — A doutora exclamou.
O quê?
Quase torci o pescoço quando virei rapidamente olhando para o monitor.
Só enxerguei manchas... Minha visão turvou.
Mamãe e papai? Não era possível...
— É aquele pontinho ali? — Freddie perguntou.
Meus ouvidos zumbiam... Minha visão até escureceu.
Olhei atordoada após piscar repetidamente... Vi a Sra. Benson chorando emocionada.
Misericórdia...
Aqueles malditos testes de farmácia... Fui tapeada.
Estou mesmo grávida...
[...]
P.O.V Do Freddie
14 semanas ao total, 98 dias... 3 meses e 8 dias para ser mais exato... Tem uma sementinha minha dentro da Puckett... Uma sementinha nossa.
Não me canso de olhar para o primeiro ultrassom.
Nem sei porque ela estava com tanto medo de ir se consultar e iniciar o pré-natal... Mas está tudo bem.
Nem sei explicar o que senti quando ouvi o coraçãozinho bater...
Mamãe se derretou toda, Sam passou a consulta inteira muda... Muito quieta e com um olhar distante, aérea... Sei lá, ela ficou estranha.
— Quer lanchar? Vou preparar uns sanduíches de peito de peru. — Avisei.
— Tô sem fome. — O quê?
Parem o mundo... É o apocalipse?
Desde quando Sam Puckett fica sem apetite? Ainda mais agora...
— Vou deitar. — Foi para o quarto.
Resolvi deixar ela quietinha... Devia ser emoção demais para um dia.
Olhei de nosso para o ultrassom...
— Papai vai cuidar de você, neném... — Ainda bem que consegui um emprego.
Estudando de manhã e trabalhando à tarde... Sam frequentava as aulas via online. Não aceitei o dinheiro da aposta, ele seria bem útil trocado por dólar.
Anoiteceu, a loira não estava falando comigo.
Meu Deus... Que bicho mordeu essa garota?
— Fiz lasanha. — Quem resistiria à uma deliciosa lasanha de frango?
— Pega a lasanha e enfia... Droga! Eu não sei o que aconteceu, mas isto... Não era pra ter dado positivo... Os testes deram negativo... Mas... Eu tô grávida! — Ai não, ela está em estado de negação.
— Mas você sabia... Ou... Caramba! Você não tinha certeza? — Fiquei pasmo.
Ela respirou fundo.
— Vou provar essa lasanha. — Mudou de assunto.
Doida... É bipolar... Sam vai acabar me enlouquecendo.
Jantamos juntos sentados no sofá vendo TV.
— Menino ou menina? O que você acha? — Indaguei.
— É um ET e vai nascer com a sua cabeça! — Ai.
— Só espero que não herde o seu temperamento... — Comentei.
— E nem a sua nerdisse... — Nossa.
— Se for menina, vou mimar muito a minha princesinha. — Sorri.
— Se for menino, eu vou fazer dele uma cópia masculina minha! — Credo.
Nos entreolhamos...
Eu quis beijá-la... Céus, eu desejei tanto tomar seus lábios.
Sam me deu um peteleco na testa e levantou após roubar o meu pedaço de lasanha que tinha sobrado...
[...]
Dias depois...
P.O.V Da Sam
Freddie estava demorando... Ele já devia ter voltado do trabalho. Cansei de ficar no apartamento, saí para dar uma volta, caminhar um pouco me faria bem... Quando cheguei na calçada, vi o Benson estacionando a moto. Ele ganhou do tio, o que fez sua mãe surtar, mas logo a velha desencanou... Tinha uma moça agarrada nele, ela desceu da moto e retirou o capacete... Era a nova vizinha.
Fiquei parada observando os dois conversando e rindo.
Foi então que o Benson se virou e me notou. Virei o rosto e fui andando pela calçada, o safado estava se engraçando com a vizinha e por isso chegou tarde...
Ouvi o barulho da moto se aproximando.
— Onde pensa que vai sem estar agasalhada? — Me seguiu numa velocidade mais lenta.
Apressei os passos.
— Ei, tô falando com você! — Avisou.
Não dei a mínima e atravessei a rua, ele freiou para não me atropelar.
— SAM! — Gritou enquanto eu me afastava.
Se eu estava brava com ele? Sim, eu estava...
Por quê?
Eu nem sei... Só queria que ele e aquela vadia explodissem.
[...]
— Graças a Deus! — Foi ao meu encontro assim que atravessei a porta.
— Me solta! — O empurrei quando ele me abraçou.
— Você está tão fria... Tá tremendo. — Afagou meus ombros.
— Não toque em mim! — Dei um tapão nele.
— Ai! — Colocou a mão na bochecha atingida. — Mas o que eu...
— Seu safado! Pilantra! Babaca! Cachorro! — Acertei mais tapas por onde pegava.
— Está doida? — Segurou meus pulsos.
— Doida é aquela piranha oferecida que estava...
— O nome dela é Amber... É nossa vizinha. Dei uma carona para ela porque...
— Porque você é um safado que...
— DÁ PARA ME OUVIR, CARAMBA? — Gritou comigo.
Funguei sentindo vontade de chorar...
— Trabalho com o namorado da Amber, como somos colegas ele me pediu um favor. Por isso eu a trouxe. — Explicou.
Freddie trabalhava numa loja de eletrônicos.
— Hum... — Onde enfio a cabeça agora?
— Ciumenta! — Riu.
— Credo, claro que não! — Neguei rapidamente.
— Porra, você fica muito sexy desse jeito! — Me agarrou e me beijou.
Não resisti e acabei cedendo... Fomos parar no sofá.
E acabou rolando... E foi tão bom.
[...]
P.O.V Do Freddie
Como o tempo passa rápido... Sam acabou de completar 5 meses de gestação... Descobrimos que ela carrega uma garotinha... É uma princesinha.
O nosso relacionamento é... É complicado.
Não somos namorados... Também não somos amigos... Porém, estamos morando juntos... E estamos juntos.
Como definir o nosso relacionamento?
Brigamos e transamos... Brigamos e transamos. E assim por diante...
— Rosa-claro, o que acha? — Perguntei.
Desocupamos o quartinho de tralhas para construir o quarto da bebê.
— Lilás... Lilás e branco. — Decidiu.
Ela me fez comprar a tinta, me colocou para trabalhar duro.
Passei dois dias reformando o quarto da nossa filha.
— Suco de beterraba! — Minha mãe empurrou um copo grande e cheio para a Sam. — Beterraba com cenoura e mel. — Coitada.
A loira tomou a gororoba líquida.
— Minha netinha vai nascer tão rosadinha.. — Mamãe sorriu.
Além dos sucos, minha mãe preparava vitaminas e comidas saudáveis para a loira.
— Não aguento mais... — Sam arrotou quando minha mãe levou o copo vazio.
A loira estava com as bochechas cheias e coradas demais.
— Faz cachorro-quente quando ela for embora? — Pediu.
— Minha mãe disse que o jantar vai ser sopa de abobrinha. — Avisei.
Sam choramingou.
No fundo, eu me divertia tanto com tudo aquilo...
Sua mãe apareceu no dia seguinte com sacolas cheias de presentes para a bebê.
Nada de Chá de Bebê, minha mãe e Pam disseram que não teriam uma neta recebendo "esmolas"... Foram palavras delas.
Até que as duas estavam se dando bem...
— Rosa? Tudo cor de rosa? — Sam suspendeu um vestidinho.
— Que coisa mais linda! — Minha mãe separou as roupinhas.
— Gastei 100 pratas no enxoval, não reclama, Rolinha. — Pam mascou o chiclete com mais força.
Tudo... Tudo era cor de rosa.
— Estava em promoção, 50 peças por 100 pratas... — Sua mãe deu de ombros.
Sam odiava aquela cor.
— Vou tingir tudo de roxo e vermelho... — A loirinha ficou emburrada.
[...]
P.O.V Da Sam
9 meses... 9 meses e 5 dias.
Minha bolsa estourou... E foi um Deus nos acuda.
Era a minha mãe surtando... A Sra. Benson passando mal... E o Freddie... O Freddie me atrapalhou mais do que ajudou... Eu só queria esganar ele.
10 horas... 10 horas em trabalho de parto.
— QUE DOR! A CULPA É SUA! VOU ACABAR COM A SUA RAÇA! — Ameacei esmagando a mão do Benson.
Eu urrava, gemia, surtava e ameaçava o Nerd...
— NÃO CONSIGO... NÃO CONSIGO! NÃO VAI SAIR! — Parecia que eu estava tentando colocar para fora uma melancia.
Segurei o choro... Nunca chorei na frente do Freddie... E nem iria.
Acho que passou mais uma hora, sei lá... Só sei que com as instruções médicas, eu consegui... Consegui ter a nossa filha.
Suor, sangue e lágrimas?
Ganhei uns pontinhos lá embaixo... A pequena "Sam" nunca mais seria a mesma... Eu ia matar o Benson.
Nossa garotinha... A menina chegou ao mundo se esgoelando.
As enfermeiras foram cuidar dela... Limparam, pesaram e mediram.
Eu estava um caco... Quase morta.
Quando olhei para o lado, vi Freddie segurando sua Canon, a câmera vermelha... Chorava que nem um garotinho.
O quê? Ele filmou tudo?
Droga, nem tenho forças para esganar ele...
— Aqui está, mamãe... — Me entregaram a pequena.
Esqueci de tudo ao meu redor... O mundo parou.
Só era eu e ela... A minha preciosa menininha.
[...]
Finalmente recebi alta.
Chegamos em casa... Coloquei a Pituquinha no berço.

— Ela precisa de um nome. — Freddie olhou para a nossa filha.
— Gosto de Pituquinha... — Brinquei.
Ele riu e estava todo bobo.
— Gosto de Emily. — Disse.
— É nome de patricinha. — Não gostei.
— Victoria? — Sugeriu.
— Não! — Recusei.
— Amanda? — Pior ainda. — Clara? — Me lembra ovo. — Bailey? — Ai, não.
Ele ia sugerir mais um... Calei a boca dele com a mão.
— Aubrey! — Decidi homenagear alguém especial.
— Aubrey? — Franziu o cenho..
— Sim... Era o nome da minha avó materna. — Expliquei.
— Aubrey... Aubrey Puckett Benson. — Sorriu. — Gostei, é lindo, amor. — Me deu um selinho demorado.
Fui pega de surpresa.
— Eu te amo... Casa comigo, Sammy? — Encerrou o selinho.
— Eu... — Fiquei sem reação. — Caso! Caso sim. Vamos esperar... Ainda é cedo. — Ainda tínhamos 18 anos. — Repete, diga que me ama de novo. — Pedi.
— Eu te amo, coisinha irritante! — Me deu mais um selinho.
— Também te amo, chatonildo! — Sorrimos apaixonados e voltamos a nos beijar.
Aubrey, Freddie e eu éramos uma família.
Todo o desastre até uniu nossas mães malucas.
Não só por nossa filha... Eu realmente queria que tudo desse certo entre nós.
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