Notas iniciais
Bom, nessa insônia de cada dia ou noite venho lhes trazer mais um capítulo novo e belo. Avisando de novo que as imagens estão nos links. Boa leitura.

— O que significa isso? – Mabel estava sendo levada por um homem mascarado, que usava roupas pretas, acompanhadas de uma capa da mesma cor com a parte de dentro azul. Embora a mascara tapasse seu rosto era possível ver seus longos cabelos brancos, os olhos azuis e o rosto era visivelmente maléfico. Tinha uma espada negra, com um pequeno símbolo branco na base da lâmina.

— Você mexeu com algo que deveria ter deixado quieto. – O cara que a arrastava disse. Ela estava com o rosto sujo de sangue, teria usado seus poderes recentemente.

— O que nós vamos fazer com eles? – Outro homem com as mesmas vestes carregava Lilac por um braço e arrastava Henry desmaiado com o outro. Tinha o corpo muito mais magro e uma aparência mais séria.

— Me solta, seu... – Lilac se debatia, seu rosto e o de Henry também estavam sujos.

— Cala essa boca. Vamos ter que apagar os três. – O que carregava Mabel disse friamente.

— Ei, ei meu senhor, a gente pode resolver isso tudo pacificamente... – Mabel tentou falar mas o homem a sacudiu para ficar quieta.

* * *

Duas horas antes, os três jovens estavam na casa de Mabel. Uma barra amarela em seu computador marcava 97%.

Sua casa era comum, como todas as de Spear, e ela morava mais afastada da cidade, em uma pequena aldeia no meio da neve.

— Vai demorar ainda? – Lily estava sentada em uma cadeira alta, balançando seus pés que não chegavam a tocar o chão.

— Isso não é eu que decido. E o Henry, melhorou? – Ela estava digitando algo na tela, sem nem piscar.

— Ele ainda tá deitado, vou lá levar mais chá para ele. – Ela deu um pulinho e saiu para a cozinha, passando por Mabel segundos depois.

Mabel estava concentrada em decodificar o que é que protegia aqueles arquivos, seja lá o que fosse, era um tipo de código raro e muito complicado de se quebrar.

Enquanto isso pensava sobre o que havia acontecido com Henry. Talvez ela parecesse burra aos olhares dos outros, mas sabia muito bem que Henry usou seus poderes, só não sabia o motivo. Provavelmente se ela perguntasse, ele não falaria.

Mais uma vez Mabel voltou a pensar no motivo de ter abandonado A Garra, o código deles não permitia criar laços, e ela tinha um coração bom demais para não fazer isso. E esse não foi o único motivo, uma vez ela quis mudar o mundo e A Garra parecia o caminho certo, mas desde que os novos líderes assumiram, os ideais de seu pai se perderam.

— Arquivos disponíveis. – Uma voz feminina e mecânica avisou a ela que havia terminado, e isso ficou claro quando a barra amarela se transformou em um monte de arquivos.

— Gente! Terminei! – Ela gritou avisando seus amigos, queria ver aquilo com eles. Não pode deixar de sorrir quando viu Henry sendo puxado por Lilac.

— Vamos seu preguiçoso, literalmente quase morremos por isso. – Ela o carregava mais que puxava, mesmo sendo da mesma altura que ele.

Os dois ficaram na frente do computador enquanto Mabel fazia uma cara dramática e colocava o dedo em câmera lenta na pasta chamada “Batalha”.

O arquivo se revelou, páginas com fotos e descrições sobre poderes e a vida de cada um. Mabel se surpreendeu com aquilo, eles sabiam muita coisa, muito mais do que deveriam saber sobre cada um.

— Esses arquivos são de Steel... – Mabel falava quase para si mesmo. – Como eles sabem tanto sobre nós?

— Eu não sabia que seria tudo isso... Agora me arrependo do que fizemos. – Lily falou olhando os documentos e lendo tudo rapidamente.

Mabel fechou a pasta e levou uma mão até a cabeça, haviam outros arquivos e um estava marcado em vermelho, ela não tinha reparado nele antes.

— “Projeto Genesis”? – Henry leu o nome em voz alta. – Você hackeou todo o sistema do governo...

Mabel não sabia se havia de fato feito isso, não era sua real intenção quando o fez, mas havia feito. E como não queria sentir peso apenas na sua consciência, começou a falar:

— O que é isso...? A gente devia...? – Mabel lançou a curiosidade em Henry e Lilac, que se olharam e não a impediram. “Quem cala, consente”, Mabel pensou.

Abriu o arquivo que levou alguns segundos para ser carregado, enquanto as páginas iam surgindo, os três se acomodavam sobre a tela do aparelho para ver no que botaram as mãos.

As páginas carregadas desapareceram e deram espaço a uma caixa de busca, o título era ainda “Projeto Genesis”. “Digite o nome do indivíduo”.

Os três se olharam mais uma vez. Eram quatro horas da madrugada, o vento frio chiava nas janelas e o silencio no quarto de Mabel dava um completo clima de suspense.

— Vamos gente, nada vai dar errado. – Lilac animou o clima sombrio do local. – Pesquisem meu nome.

Mabel não pensou muito antes de digitar “Lilac Hyemi Mugwort” na caixa. Uma pequena bolinha começou a girar e um aviso de que o nome estava sendo procurado surgiu.

Uma página cheia de informações extremamente detalhadas sobre a garota surgiu, mas o mais chamativo era o que falava sobre seu poder. Era tudo complemente especifico, cada simples função, cada limite estava escrito lá. E o maior choque estava no fim do texto.

— “Pode ser apta a assumir a posição de Primeiro Mago, cobaia disponível”. – Ela leu em voz alta, enquanto os olhos de Henry e Mabel se enchiam de espanto.

— O Primeiro Mago... É um dos oito guerreiros que lutaram na Grande Guerra... Eram magos. – Henry contou um pedaço da história, a última que sua mãe contou.

— Magos não existem, isso é apenas uma lenda. – Mabel falou um tanto cética, mas não podia negar o que via.

— Então o que significa isso? Magos não tem limites, e eu nem posso usar meus poderes por dois minutos sem parar. – Ela falou relembrando os dados sobre ela no documento.

— Você pode ser sim, Magos só manifestam seus poderes em situações de extremo risco... E segundo a lenda, o poder era passado a última pessoa em que o Mago anterior teve uma lembrança boa. – Henry trazia de volta pedaços de suas memorias antigas, que ele não recordava a tempos.

— Se isso for verdade, alguém que gostava muito de você, além de ser um Mago, morreu. – Mabel falou sincera e dura, mas pegou as mãos de Hyemi ao dizer isso.

— Mas... Esse poder não é meu... – Seus olhos se encheram de lagrimas e ela baixou o rosto para escondê-las.

— Isso pode ser tudo uma lenda, porque não vamos a casa de seus pais ao amanhecer verificar tudo... – Mabel iria a puxar para um abraço quando uma batida violenta na porta interrompeu tudo.

— Mas que merda de casa. – Um homem entrou gritando. Mabel olhou ao redor assustada, a porta do quarto não resistiria muito. Uma frase em vermelho chamativo estava piscando no computador. “Arquivo rastreado”.

— Eles estão atrás disso... – Ela arrancou o dispositivo com “MH” gravados sobre ele, fechou os olhos por mais de dez segundos e o objeto desapareceu. – Não sei para onde foi, mas está bem longe de nós agora.

Uma batida forte na porta do quarto os fez pular e serem lembrados da ameaça.

— Vamos lá pessoal, vamos acabar com eles. – Hyemi pegou seu chakram e seus olhos mudaram. Não parecia uma garotinha pequena e frágil mais, e sim alguém sedento por sangue. – Vamos acabar com esses filhos da puta.

A porta foi arrebentada e os dois homens mascarados viram Hyemi com os olhos castanhos brilhando. A luz da lua lhe dava a aparência de um anjo delicado e frágil.

— Olha baixinha, não queremos machucar ninguém. Então porque não devolve o que é nosso e talvez a gente não te mate.

— Vo-vocês não vão me ferir...? – Ela se aproximou inocente dos dois homens, um suspirou e se escorou na parede com os braços cruzados. O quarto estava escuro, e ela ainda tinha a vantagem de conhecer bem o lugar.

— Não mesmo, as pessoas só vão se ferir se você não cooperar. – O mesmo homem falou estendendo a mão para ela.

— Pessoas vão se ferir de qualquer jeito, mas elas não serão nós. – Totalmente desprotegido, Hyemi saltou sobre o braço do homem graciosamente e usando seu chakram transportado até ela por Mabel, estendeu com seu braço até o pescoço do homem. Ele a empurrou e recuou com um salto para trás, enquanto a lamina de metal afiadíssima passou a menos de um centímetro de seu pescoço.

— Excalibur, venha até mim! – Mabel gritou e um clarão amarelo de luz atravessou a janela estilhaçando-a, mais uma vez o homem desviou com um salto para o lado, dessa vez sua capa foi pega pela espada, que deu meia volta no ar e caiu cravada no chão ao lado de Mabel. A arma tinha uma lamina enorme e grossa, um punhal com detalhes dourados e um pequeno lenço azul.

A espada produzia uma vibração de luz dourada e iluminou o local.

— Mas que droga, sinceramente vocês acham que tem alguma chance. – O homem tinha uma bainha de espada e assim que colocou a mão sobre ela na sua cintura, atingiu o rosto de Mabel com toda força com o cabo de espada, a lançando contra a parede. Hyemi tentou reagir mas as plantas que fez nascer não tiveram tempo nem de crescer para serem uteis, foi atingida por um soco na barriga que a jogou contra o teto. – Acabou.

— Acabou uma merda. – Hyemi o surpreendeu mais uma vez, atirando meia parte de seu chakram na direção dele, mas seu parceiro entrou em ação, segurando a lamina com a mão sem se cortar. Mabel colocou a mão sobre sua prateleira de livros, a fazendo aparecer sobre a cabeça do homem com a katana, mas ele reagiu tão rápido que a cortou em dois pedaços.

— Surpresa! – Henry surgiu logo em seguida, e se as garotas pudessem ver o rosto do homem, veriam seu espanto quando Henry desviou um corte de sua katana com a espada e usando a mão livre em queda no ar, cortou um pequeno pedaço da máscara de seu inimigo. Antes que pudesse continuar seu ataque, o outro cara o pegou pelo pescoço e bateu seu rosto na parede.

— Vocês são mesmo uns desgraçados. – Ele atirou o corpo inerte de Henry no chão. – Podia ser tudo simples, mas agora vamos ter que levar vocês.

Mabel nem tentou gritar enquanto via as coisas escurecerem ao seu redor.

Notas finais
Bom, e então? O que acharam? Espero que tenham gostado. Mas enfim, lembram do capitulo especial que eu falei? Bom, tivemos um empate entre Ganor, Grimoir e Mabel, que por coincidência são meus personagens. Então, como desempate escolham um desses nos seus comentários desse capítulo. É isso pessoal, vejo vocês nos comentários. Até mais.