Notas iniciais
E então gente? Capítulo salvo ainda do computador, então segue a mesma qualidade de antes (não é a melhor mas ok :v), boa leitura.

Viktor sentiu um pequeno objeto cair sobre seu rosto enquanto dormia em seu quarto. Na verdade não dormia, já estava acordado a essa hora, como de costume, seriam provavelmente cinco horas da manhã, e isso já era tarde. Mesmo assim, estava deitado e tudo escuro, então um objeto metálico não cairia sobre sua cabeça do nada.

Ele se levantou e acendeu a luz, que era bem fraca. Estava sem camisa e era possível ver por que ele atraia tantos olhares desde sua adolescência, mas em seu quarto não havia sequer uma lembrança de alguém. O objeto vermelho em suas mãos tinha as letras “MH” gravadas sobre ele.

Ele continuou olhando um tanto confuso para aquilo, não era nenhum ignorante, mas parecia um tipo de tecnologia que ele não saberia usar. Voltou a sentar na cama de seu pequeno quarto e colocou o objeto sobre a cômoda ao lado de sua cama.

— Pra quem eu posso dar isso...? – Viktor levantou o objeto contra luz do quarto tentando decifrar exatamente o que era. Não era alguma coisa normal, coisas normais não caem sobre sua cabeça de madrugada.

Pensou mais um pouco sobre o que deveria fazer, não deveria entregar aquilo para qualquer um, então tentou se lembrar de alguém em quem confiasse. Péssima decisão, nenhuma alternativa. E qual era a pessoa mais próxima de confiar que ele tinha? Shyuri era sua parceira nas lutas e parecia bem inteligente... Então era a melhor decisão no momento.

O homem se levantou da cama e colocou suas roupas sempre em tons brancos e prateados, deixou o objeto em um bolso, pôs seu machado no lugar adequado preso as suas costas e saiu.

Nunca havia se acostumado com Steel depois das seis e meia da manhã ou antes das dez horas da noite, era uma verdadeira metrópole nesses momentos. Agora, a essa hora da manhã era apenas um aglomerado de edifícios com as janelas iluminadas pelas pessoas que acordavam para seguir sua vida. Steel tinha muito disso, coisas mecânicas. Calçadas estreitas e ruas largas para os veículos. Torres e apartamentos em grande quantidade sobre as pequenas lojas comerciais. Outdoors brilhantes e chamativos iluminavam ainda mais Steel. E lá estava Viktor, em uma terra estranha a ele mesmo depois de tanto tempo.

Spear guardava suas piores e melhores lembranças. Podia ser algo que ele nunca diria a ninguém, mas ele era feliz lá. No meio do gelo e da neve, das arvores que ele cortava todo dia, era feliz balançando seu machado em meio as densas florestas de pinheiros. Era feliz com aquele certo jovem ao seu lado. Aquele garoto que não media suas palavras ou segurava sua língua, que um dia passou a ajudar Viktor todos os dias, que tinha um sorriso tímido mas encantador.

Se ele foi feliz alguma vez, foram naqueles tempos. Não que Steel fosse um lugar ruim para estar. Não era, suas condições eram muito melhores ali, o que muitos consideravam uma “vida digna”, mas não era por isso. Ele não estava em casa, era um estranho naquele lugar, ao ponto de se sentir desconfortável ali. E por isso era uma pessoa tão quieta e fechada. Muitas pessoas tentavam se aproximar, mas nenhuma ficava muito tempo.

Perdido em suas reflexões interiores mal viu que já estava na frente da academia. Como de costume, Shyuri estava sentada nos bancos de metal. Ela abriu o sorriso característico de sua pessoa quando o viu.

A garota provavelmente seria a mais gentil da academia, era legal com todos que vinham falar com ela. Não que isso fizesse alguma diferença pra ele, as pessoas só eram gentis para manter suas imagens do ponto de vista de Viktor.

— Eu preciso de... ajuda. – Ele falou a palavra com certa dificuldade, não acreditava que alguém o ajudaria espontaneamente, mas não custava tentar.

— Com o que? – Shyuri se levantou e veio até onde Viktor estava.

— Bem, eu achei esse negócio... – Ele tirou o objeto do bolso e entregou para a garota que o observou.

— Isso é um dispositivo de hacker... É algo bem raro e único. – Shyuri ia girando o objeto em suas mãos. – Como você achou isso mesmo? Isso provavelmente é até ilegal...

Viktor suspirou, se aquilo era mesmo ilegal e Shyuri sabia disso, não haviam muitos motivos para ocultar a origem daquilo.

— Ele apareceu do nada. Assim mesmo, caiu em mim. – Quando falou percebeu que seria quase impossível de acreditar naquilo. Ou não, realmente viviam em um mundo estranho.

— Se você tá dizendo... – Shyuri não duvidou exatamente do que Viktor contou, era algo improvável mas não totalmente impossível.

— Mas isso deve ter alguma coisa valiosa dentro...

— Não acho que isso seja trabalho pra gente. – Realmente, eles tinham mais coisas pra se preocupar além daquilo, ele só queria saber o que era.

— Sabe quais as chances de acharmos algo assim? – Shyuri de repente parecia empolgada com o dispositivo. – Mas onde vamos achar um computador seguro para abrir essa coisa...

Viktor deixou essa passar sem realmente dar palpite algum na decisão, não que não tivesse uma opinião, mas provavelmente não faria a mínima diferença expressa-la.

Como um dia de aula normal, eles dividiram seu tempo entre as classes e o treinamento e por um tempo Viktor até esqueceu do dispositivo vermelho que havia encontrado, mas Shyuri não tirou o objeto de seu pensamento, o dia se arrastava até ter finalmente acabado.

* * *

— Vamos fazer isso logo! – Ela estava empolgada e sorridente na frente do computador de seu quarto de hotel. – Eu isolei a rede elétrica dele e estou usando a minha energia para impedir que rastreiem a gente.

— Eu precisava mesmo vir? – Viktor realmente não estava dando a mínima para aquilo agora, seu interesse havia desaparecido como sua curiosidade.

— Você que achou isso. Se nos pegarem a culpa vai ser dividida pelo menos. – Shyuri deu uma risada enquanto a página com a senha aparecia na tela. – Moleza, moleza.

Ela fechou os olhos e colocou a mão sobre o computador, um pequeno choque azul correu pelo seu corpo e retornou ao aparelho. Logo em seguida a senha apareceu automaticamente na tela.

— Essa é a parte favorita do meu poder.

As pastas se revelaram segundos depois, enquanto Viktor e Shyuri liam os títulos rapidamente.

— Isso realmente não está parecendo uma boa ideia. – Viktor disse baixo demais, talvez Shyuri tivesse ouvido e ignorado, ou estava tão empolgada que nem ouviu.

— Me ajuda, Genesis ou Batalha? – Ela passava o dedo sobre as duas pastas mais interessantes ao seu ponto de vista, Viktor ficou em silencio e suspirou. – Meu amigo, a gente já está aqui, não tem como voltar.

Ela pousou o dedo sobre os arquivos da Batalha, onde os nomes e imagens dos competidores apareciam. Nenhum dos dois demonstrou, mas a quantia de informações sobre eles era surpreendente. O logo do documento era o brasão de Steel.

— Isso tudo é daqui... – Shyuri deixou sua surpresa transparecer na voz, Viktor não disse nada, apenas olhava para a tela lendo as informações sobre um tal de Vincent rapidamente.

— Será que eles têm da gente?

— Melhor nem sabermos, isso tudo é irrelevante e ainda tira a graça das lutas. – Dessa vez Viktor falou para ser ouvido, embora Shyuri não tenha fechado o arquivo por causa dele e sim porque queria ver o outro.

Segundos depois o “Projeto Genesis” estava aberto. A mesma página que Hyemi, Mabel e Henry viam horas atrás. “Digite o nome do indivíduo”.

Shyuri olhou para Viktor que mantinha seu semblante fechado como de costume. Digitou seu nome lentamente. “Shyuri Belseth”.

Ela leu todas as coisas escritas sobre ela, cada simples detalhe, espantada com tamanha precisão de tudo que estava ali sobre sua vida. Sobre seus poderes e limites, suas fraquezas. Tudo ali em algumas páginas descrito nos mínimos detalhes.

— Isso não parece nada certo... – Viktor disse, lia muito pouco do documento, mas a última frase e a expressão da garota diziam tudo.

— “Apta para assumir a posição de Segundo Mago, cobaia disponível”? – O homem recitou a frase em voz alta.

— Isso nem pode ser possível, eu mal consigo lutar... – Ela disse e fechou tudo rapidamente. Seu arquivo não tinha o aviso de estar sendo rastreado. – Temos que entregar isso para alguém... – Shyuri removeu o objeto rapidamente e guardou no bolso.

— Não. – Viktor a impediu de sair com o objeto. – você viu o logo de Steel no documento. Não podemos entregar assim, vamos ser considerados criminosos.

Shyuri e Viktor sentaram em cadeiras um pouco distantes. Ele não teria interferido realmente, mas era por ele mesmo que o fez. Shyuri não sabia que opção tinha, mas essa parecia ser a melhor. Abriu a gaveta de sua cômoda e largou o aparelho lá, fechando com uma batida.

Notas finais
E o vencedor do nosso concursinho de capitulo especial foi Grimoir, que foi uma ótima escolha, ele tem ligação com a historia agora e eu vou poder explicar algumas coisas na história dele, aposto que vão gostar ainda mais dele :v Enfim, ainda não sei bem quando o capítulo dele sai, mas aviso previamente a vocês quando tiver. Espero que tenham gostado, vejo vocês nos comentários, até mais amores ♥ kkkj