Notas iniciais
Então gente, capítulo novo já. Boa leitura.

Armas. Tantas sobre aquela mesa. Natalie havia as colocado ali, havia contado cinco revólveres, três escopetas, três rifles e trezentas e quinze balas. Não sabia se eram suficientes, mas em breve descobririam.
Bruno descia as escadas, teria acordado a pouco tempo, mal tinha dormido e já eram sete da manhã. As olheiras nele e em Natalie mostravam que tiveram uma noite semelhante. Miller e Cam já estavam acordados, provavelmente há muito tempo.
— Vamos ser rápidos, entrar, pegar Claire e dar o fora. Não queremos perder ninguém. – Natalie já havia se armado.

Miller simplesmente carregou todas as armas que tinha consigo, parecia ter um armamento próprio, e parecia mais eficiente que o de Natalie e Cam.

O silêncio entre eles permanecia, enquanto cada um se preparava, tinham suas discussões internas.

Cam não sabia exatamente o que faria, estava com raiva, raiva desse mundo, dessas pessoas todas. E precisava descontar, não precisava esperar tanto tempo pra saber que não adiantava tentar não matar, cedo ou tarde, teria que fazer isso. E preferia que fosse cedo.
Natalie também estava decidida. Alguém representa perigo para uma amiga sua, e isso já era suficiente. Não que fosse fazer aquilo por qualquer pessoa que se aproximasse, não que qualquer pessoa pudesse se aproximar dela, mas Claire era um pouco diferente, Natalie nunca costumo usar deixar as pessoas entrarem em sua vida. E sentia que ela poderia ser mais útil como aliada que amiga. Natalie viu rapidamente o tipo de pessoa que Miller era, e com anos de atuação, ela sabia muito bem reconhecer outro ator. E ele podia significar perigo também, então era melhor ter ele do lado neutro que inimigo.

Bruno simplesmente não sabia o que achar de tudo aquilo, mas sabia que aquela violência podia ser evitada, e sabia que era considerado mais fraco que eles, porque não sabia "o que deveria ser feito", e preferia ser tarjado como fraco e covarde que se entregar tão facilmente. Em breve aquela situação toda seria resolvida, e ninguém é mais é o mesmo depois de matar. Ele sabia disso melhor que ninguém.

E por fim, Miller não pensava nas dúvidas, não tinha nenhuma. Tudo estava decidido e seu plano funcionaria do jeito que ele queria. E podia se despedir daquelas pessoas, sem matar ninguém. Talvez Claire pudesse relutar em abandonar o grupo, mas ele sabia exatamente o que falar.

Quando finalmente terminaram já era quase dez da manhã, felizmente para eles, estava um dia de temperatura amena, não exatamente fria, mas não era o calor infernal típico da época.

Miller, Natalie e Cam já estavam fora da casa. Haviam pegado um carro velho simples, cor preta. Estavam praticamente preparados para tudo. Natalie havia traçado uma rota dos possíveis locais onde eles estariam, provavelmente não seria fácil abrigar um grupo de dez pessoas em qualquer casa. Provavelmente levariam mais de um dia para encontrá-los, mas essa idéia não parecia agradar Miller.

Natalie deu a partida no carro. Esse som acordou Bruno. Ele estava parado na porta, observando eles. Parecia que havia chorado há pouco tempo, sentiu que não podia simplesmente deixar levarem a garota, então gritou. Miller e Cam simplesmente ignoraram, mas Natalie tirou o pé do acelerador e parou o carro.

— Marcos está no supermercado do centro, aquele com a fachada azul. – Seu rosto mostrava relutância ao falar, parecia sofrer com aquelas palavras mas sabia que sofreria mais se não fizesse aquilo. – Isso é tudo.

Bruno simplesmente voltou para dentro da casa e fechou a porta. Agora pode ouvir o som do carro partindo sem sentir culpa por nada. Sabia que facilitou a morte daquelas pessoas, mas não podia evitar aquilo.

☆ ☆ ☆ ☆

Miller identificou o local há metros de distância, pararam o carro. Não pareciam haver errantes por perto, estava tudo silencioso demais. Com exceção das músicas que saiam do local.
Seguiram o plano, se separaram e cercaram o local.

☆ ☆ ☆ ☆

Miller puxou a escada retrátil que dava ao topo do local, o prédio tinha dois andares, ainda estava em boas condições, afinal, faziam apenas duas semanas que aquilo tudo começou.

Ele subiu até o teto, o local era alto, dava pra ver grande parte da cidade de lá, estava completamente deserta. Miller entendeu porque sempre odiou aquelas pessoas todas. Eram como formigas, que não conseguiam escapar de uma pisada dos céus, embora ele tenha notado que algumas se sobressaíram muito bem até. Esses sim mereciam viver, mas todos aqueles outros, aqueles mereciam ser pisados

Ele olhou o local, parecia uma vasilha quadrada, um "muro" de quase cinquenta centímetros cercava o teto, uma escotilha de metal e os ventiladores davam a coloração prateada para o local.
— Parece que vou ter que sujar as mãos. – Ele se sentou no chão, esperando o sinal que deveria entrar.

☆ ☆ ☆ ☆

Natalie parou um pouco antes da escada que Miller usou, havia uma porta de metal que ela abriu facilmente, o local estava escuro, mesmo com a luz que entrava pela porta, não dava pra identificar muita coisa além das altas prateleiras e da outra porta que havia no canto oposto da sala.

A mulher então caminhou cuidadosamente pela sala, olhava para o chão em busca de algum obstáculo e tateava a frente. Infelizmente para ela, a barra de metal no chão não era visível, e o som de seu calçado chutando involuntariamente o objeto ecoou pela sala metalizada. Natalie olhou para os lados atônita, pensou duas vezes antes de se levantar pois viu a porta aberta e a claridade de uma vela entrarem, a porta por onde veio bateu e muito provavelmente trancou.
— Tem alguém aí? – A pessoa perguntou, com uma voz que não colocava respeito em uma criança de dez anos. Natalie percebeu que estava com a vantagem, o problema eram os outros. Se esgueirou sem fazer som algum, dessa vez com o triplo de cautela.

Quando o garoto, que não deveria ter mais de vinte anos, percebeu que não estava sozinho já era tarde demais para fazer qualquer coisa, apenas sentiu a dor que não é possível descrever de um chute na área genital, assim que caiu para a frente, seu pescoço atingiu o joelho de Natalie, o grito que ele tentou dar não saiu, e por fim uma batida em sua cabeça fez tudo se apagar.

Natalie quase limpou as mãos após atingir o garoto com o cabo da arma, teria matado ele ali mas não podia fazer barulhos. Checou o corpo, desarmado, a vela havia caído no chão e apagado, Natalie começava a se sentir mais confiante sob a proteção da escuridão. Passou pela porta entreaberta, olhou pelos corredores, nenhuma luz ainda, o que significava nenhuma pessoa.

O corredor ia para os dois lados, os dois lados davam para uma parede de concreto. Então ela escolheu seguir para a esquerda, haviam duas portas no caminho.

Abriu a primeira porta, não viu nada, mas sentiu o cheiro horrível de alguma coisa morta, ficou alerta, mas não ouviu som nenhum, e sabia que os monstros não eram tão silenciosos.

Por precaução ela fechou a porta assim que saiu do cômodo, ouviu o estalo da porta fechando e respirou fundo. Colocou a mão sobre a maçaneta da porta seguinte e respirou fundo mais uma vez. Sentiu alguma coisa líquida e viçosa sob sua mão, então ela a tirou imediatamente, tinha um cheiro muito semelhante ao da sala de antes, embora esse fosse mais "líquido".

Natalie sabia que teria que ignorar isso e fazer o que veio fazer, então, com mais um suspiro fundo colocou a mão sobre a maçaneta novamente e girou. Ouviu o som da porta abrir, o som metálico de uma porta enferrujada que fez a mulher bater os dentes.

— Merda! Chefe, a gente... – Haviam duas pessoas ali, ela notou pelo som da respiração irregular de duas pessoas. E a cena que viu quando a luz acendeu ela preferia não ter visto. Um homem ruivo, tinha o cabelo médio e desarrumado, usava apenas uma calça jeans preta. Tinha olhos verdes. O pior mesmo é que ele segurava uma mulher seminiua contra a parede, ela já estava praticamente sem nenhuma roupa além do sutiã e calcinha que Natalie descreveria como rosas e rendados.

Primeiro ela se perguntou sobre a luz, mas provavelmente o mercado tinha um gerador, então essa dívida saiu rápido de sua mente. Enquanto os três se olhavam sem saber o que acontecia ela analisou a cena a sua frente.
— Caralho, que vadia... – O homem não conseguiu terminar o xingamento, Natalie levantou a arma e fez os dois se separarem com as mãos levantadas.
— Que porra é essa? – Ela escolheu muito bem as palavras.
— Você é virgem, é? – O homem perguntou, Natalie destravou o revólver como resposta.

Em seguida a mulher que estava seminua fez um movimento brusco demais para pegar a arma que estava sobre a mesa, e Natalie, meio sem querer, meio querendo puxou o gatilho e meteu uma bala no meio do pescoço da mulher, que caiu para trás, o corpo dela escorreu pela parede como se fosse um objeto e ela caiu com os braços torcidos no chão. Enquanto isso Natalie e o homem colocavam as mãos nos ouvidos devido ao eco infernal do tiro, o homem se livrou primeiro da dor mental e ainda abaixado estendeu a mão para pegar a arma que sem querer Natalie atirou longe. Ela também se recuperou e girou no chão. Seu calcanhar alcançou uma das costelas do homem, que mesmo gritando de dor continuou tentando alcançar a arma. Natalie se levantou, viu que ele já estava com a mão nela, então encontrou uma solução inusitada e desesperada. Atirou seu corpo sobre o dele, caindo com o cotovelo bem no meio da cabeça dele. Provavelmente ele beijou o chão, pois sangue começou a escorrer de sua boca.

Lá estava Natalie. Deitada sobre as costas de um homem que ela matou a namorada.

☆ ☆ ☆ ☆

Miller ouviu o tiro, provavelmente alguém deles havia conseguido problemas, e essa era sua deixa, abriu a escotilha e desceu pelas escadas. Ele já havia checado o lugar, era uma sala iluminada por uma janela, era pequena e parecia bem suja, o cheiro também era horrível. Provavelmente algum corpo morto estava por perto, mas não parecia ser uma daquelas coisas.

Agora não podia perder tempo, pulou e saiu correndo pela porta, dava para um corredor iluminado, e assim que seu corpo atravessou a porta, chegou a sentir o vento de uma bala passando ao lado de sua barriga, provavelmente havia sido atingido de raspão, pois quando levantou o braço e fez um risco com balas na parede atingindo o atirador, sentiu como se seu braço fosse se partir do seu corpo. Havia começado de um péssimo jeito.

Outra pessoa apareceu na porta, esse não parecia preparado, então perdeu dois segundos entendendo que Miller iria o matar, e quando se deu conta, já tinha três balas na barriga. Mais uma vez a dor tomou conta do corpo de Miller, mas ele lembrou da irmã, e ao invés de sentar no chão ele correu na direção do terceiro homem que aparecia na porta. Este nem viu o que houve, apenas teve seu corpo atravessado por mais balas que teve tempo de contar.

☆ ☆ ☆ ☆

O homem tentou empurrar Natalie, que terminou com ela levando uma cabeçada na barriga, ela respondeu com um bela joelhada no fim da coluna, ela girou de cima dele, com uma movimento agil ela pegou a arma, não teve muito tempo para pensar e mirar, quando levantou o braço para atingir o homem que se colocava por cima dela, este colocou a mão sobre o pulso dela, empurrando seu braço para o chão.
— Você é uma desgraçada mesmo... – Ele já parecia mais aliviado, estava com a vantagem sobre ela.
— Sabe que assim que eu sair daqui vou acabar com sua raça. – Natalie teria cuspido na cara dele, mas não valia a pena.
— Calma aí. Tenho uma proposta. – Ele disse e saiu de cima dela, fez questão de pegar a arma antes. – Só quero sair desse grupo, mas eles não vão me deixar.
— Então acha que podemos trabalhar juntos? Me parece meio suspeito. – Natalie disse desconfiada.
— Olha, você é uma vadia bem esperta, então sabe que eu poderia te matar se quisesse. Que tal, eu te ajudo, você me ajuda? – Ele quase deu um sorriso amigável.
— Certo, temos que salvar uma pessoa aqui. Me ajude e você sai assim que terminarmos.

Natalie quaze forçada aceitou a ajuda dele, um aliado temporário que podia ser útil.
— A propósito, meu nome é Guilherme, mesmo que não seja da sua conta.

Notas finais
E então gente? O que acharam? Espero que tenham gostado. Até mais.