Interativa - Survivors: Terceira Temporada
8 S02CAP02 - What Has To Be Done
Notas iniciais
Miller correu rápido, saltou por cima de um muro e começou a atirar, a metralhadora derrubou cinco errantes e eles caíram inertes. Ele respirou, recarregou a arma. Três pentes. Era mais do que o suficiente, continuou correndo, a rua estava escura. As luzes haviam se apagado já há algumas horas, e ele continuava matando os mortos, aquilo se assemelhava a um passa tempo.
Um carro em sua frente o fez parar, era velho, quadrado, mas parecia útil. Ainda pensava no que iria fazer agora. Tinha dois objetivos bem simples, matar um homem e encontrar uma mulher, mas isso era um tanto impossível agora. Sabia que estava na mesma cidade que ela, mas ela poderia estar em qualquer lugar, e as últimas centenas de casas que revirou se provaram completamente inúteis ao seu propósito, servindo apenas de abrigo temporário. Cinco noites como essa, foram em vão, não conseguiu nada. Mas não estava nem pensando em parar, tinha que cumprir seus objetivos, e faria o que fosse preciso para isso.
Um tiro desviou sua atenção, de longe, muitos metros talvez, mas seu som era extremamente alto. Arma de precisão. Isso atrairia muitas daquelas criaturas. E foi um tiro. Significa que humanos estão lá, Miller preferiria ir na direção oposta, mas ainda não podia fazer isso. Começou a correr naquela direção.
☆ ☆ ☆ ☆
— Natalie! – Claire saiu correndo do quarto, o tiro veio de dentro da casa, e isso podia significar algo muito ruim. Ao sair, percebeu que Bruno e Cam também já estavam fora.
Natalie estava tonta, mal conseguia ouvir nada, o som da arma estourando ao seu lado a deixou completamente indefesa. Um homem, desconhecido bateu a porta, ela abriu. Ele a atacou, por pouco desviou do tiro com um movimento extremamente ágil.
— Ninguém se mexe! – O homem disse. Era loiro, cabelo raspado. Usava uma camisa azul e uma calça de jeans azul. Marcos. Era seu nome, como Bruno mesmo gritou. – Não quero machucar ninguém.
— Seria fácil de acreditar nisso se você não tivesse apontando uma arma para nós. – Cam disse da escada, desceu com as mãos levantadas.
— Apenas precaução. Estou procurando um local para ficar, e quero saber de uma certa pessoa. – O homem falou, ainda apontava a arma para Natalie.
— Não podemos fazer isso. – Natalie disse, não demonstrava seu medo.
— Por favor Marcos, podemos resolver isso sem nenhum incidente... – Bruno agora descia as escadas, se colocou ao lado de Sam.
— Você... Lembra o nome daquele desgraçado? – Agora a arma estava voltada para Bruno, que recuou.
— Miller? – Bruno respondeu instintivamente, a única pessoa que lembrava que eles tinham em comum.
— Isso mesmo... Vocês vão me dar abrigo, ou eu vou matar todos vocês. – Marcos destravou a arma.
Claire iria se revelar também, mas ao ouvir o nome de seu irmão na discussão quase caiu para trás, recuou sem fazer nenhum som, mas esbarrou na porta de seu quarto.
— O que foi isso? – Marcos olhou para todos os lados, atento.
— Fui eu... – Bruno repetiu o som que ouviu batendo com a mão na parede.
Marcos ignorou Bruno, passando por Natalie silenciosamente, continuou caminhando até a escada, olhando com desconfiança. Todos ficaram em silêncio, sem dizer palavra alguma ele começou a subir as escadas devagar. Pôs uma mão sobre o corrimão e chegou ao topo da escada. A escuridão do local era enorme, e só era possível ver a silhueta dos objetos que estavam no corredor.
Ele passou pela primeira porta, estava entreaberta, ele abriu ela e olhou, não conseguiu ver nada. A janela estava fechada, e isso deixava tudo mais escuro ainda. Saiu do quarto, checou as escadas. Havia tomado a precaução de pegar as armas de todos. Ainda restava uma porta lateral e uma a frente. Abriu a lateral, dava para um quarto, mas também não identificou nada. A próxima porta era a única que estava fechada.
— O que tem nessa porta? – Ele gritou e informou qual porta era, Bruno gritou dizendo que era o banheiro. Ele então se voltou para trás, estava nervoso mas não viu ninguém. Colocou a mão ma maçaneta da porta, girou ela mas não abriu a porta. Finalmente puxou com força a porta, abrindo para fora, mas não havia nada. Uma vela era a única luz do local. Aquilo deu um pouco de luz ao corredor. Isso o fez suspirar de alívio.
Então ele não viu o que chegou, provavelmente de um dos quartos menores uma mulher saiu, armada com um pedaço de madeira atingiu seu rosto com muita força, ele se jogou com força para trás, a mulher atacou novamente, mas ele rolou para o lado ainda tonto, a madeira atingiu a parede e se partiu.
— Sua vagabunda maldita! – Ele pegou a mulher pelo braço, e a apertou contra a parede.
— Deixe meu irmão em paz! – Com uma joelhada no meio das pernas de Marcos, Claire se libertou. Ele se abaixou com muita dor, então Claire passou por ele correndo. Marcos segurou ela pela perna e a puxou, fazendo a mulher cair no chão e bater o rosto, sua boca começou a sangrar.
— Então Miller é seu irmão? – Ele deduziu que a garota tinha ouvido sua conversa. Então puxou ela para trás, se levantando e atingindo um soco em seu rosto, ela virou o rosto e cuspiu sangue. Uma marca riscava sua bochecha.
Marcos então levantou Claire pelo cabelo, apontando a arma para sua cabeça. Andou empurrando ela pelo corredor até as escadas onde desceu. Estava esperando visitas. Outros homens, cerca de dez, estavam armados e renderam todos que ficaram no andar de baixo.
— Essa vadia vem com nós? – Um dos homens perguntou. Todos tinham tatuagens semelhantes, mas não iguais. Desenhos tribais.
— Ela é... Uma conhecida. – Marcos agora a segurava pelo braço, e a empurrou para outro cara, que a segurou.
Eles saíram, sem se preocupar com os outros residentes da casa, entrando em quatro carros diferentes.
☆ ☆ ☆ ☆
— Claire? – Miller quase gritou, estava escondido atrás de um arbusto. Mas se segurou. Eram dez homens, ali que estavam com ela. Teve vontade de atirar contra todos eles, mas Claire estava ali, não podia fazer isso. A raiva que circulava pelo seu corpo era quase incontrolável, mas não podia se entregar a vontade de ver todos eles mortos no chão. Os carros ligaram, ele respirou fundo, se abaixou, os carros vieram em sua direção, mas passaram reto pela estrada. Não podia segui-los. Se aproximou da casa onde os desconhecidos estavam, mas não chegou muito perto, uma mulher saiu. Olhou ao redor desconfiada, não haviam errantes por perto.
Ele reconheceu dois dos três que saíram, Bruno e Cam. Estavam armados, não muito, cada um portava apenas uma arma. Pensou na irmã, ela foi tirada daquela casa. Eles certamente podiam ser úteis por enquanto.
— Nada. Está escuro demais por aqui... – Cam disse, parecia não muito abalada pelo que aconteceu.
— Mas temos que encontrá-la! – Natalie quase gritou, mas baixou o tom da voz ao ver que estava perdendo o controle. O nervosismo que sentia não era fácil de se perceber.
— Ela tem razão. – Miller aproveitou o momento para aparecer, as armas foram apontadas para ele em um segundo, mas Bruno abaixou.
— Miller? – Ele disse, reconhecendo o conhecido mesmo no escuro.
— Isso aí. – Ele respondeu, levantou as mãos sinalizando que não estava mal intencionado.
— Quem é você? – Natalie ainda não o conhecia, então avançou ainda armada.
— Sou irmão de Claire.
Isso foi o suficiente para ela abaixar a arma, e respirar aliviada.
— Era o Marcos. – Bruno disse, Miller contraiu as sobrancelhas. Não lembrava exatamente quem era. Bruno entendeu o gesto. – Que estava na prisão com a gente.
Miller sentiu sua raiva aumentar ainda mais, cerrou os punhos, sairia correndo atrás deles imediatamente se não soubesse que isso era burrice.
— Droga! – Ele deu um soco na barra de metal que formava a cerca.
— O que vocês acham de entrar e discutir isso lá dentro? – Natalie disse e abriu a porta, entrando na casa. Duas velas, uma na mesa e outra na mesinha da sala iluminavam o local. Haviam sido colocadas por Bruno.
Os três residentes e Miller se sentaram a mesa, Natalie teria servido alguma coisa para eles, mas estava economizando. Os quatro se olharam por um instante.
— Não podemos deixar Claire com eles, mas isso nos coloca em um conflito direto. – Bruno disse, estava suando, uma gota fria caiu no chão.
— E o problema é o número? – Miller perguntou, esperou uma resposta.
— Não. O problema é a violência! Vamos acabar nos ferindo ou ferindo eles. – Bruno disse, Natalie parecia pensativa.
— Mas que droga, estamos no inferno e você se preocupa com isso? É minha irmã que está lá, e se fosse a sua? – Miller se levantou.
— Não contem comigo. – Cam simplesmente deu as costas para eles e subiu as escadas, não parecia disposta a se preocupar.
— Eu não sei... Mas temos uma coisa que pode facilitar um pouco. Eles querem você Miller, pode ser uma moeda de troca se estiver disposto a isso. – Natalie finalmente falou, Bruno parecia apreensivo com a ideia, mas evitar mortes era seu objetivo. Miller encontrou um dilema. Sabia que não viveria se se entregasse.
— Eles vão me matar se fizer isso, e nem eu posso lidar com eles. – Miller disse relutante, ainda não tinha se decidido.
— Não mesmo... Eles são todos presidiários, não são tão inteligentes quanto nós, vão cometer erros enormes. Se fossem tão bons assim não estariam presos. – Natalie se levantou também, parecia um tanto empolgada com a ideia.
— Então acabamos com eles na primeira chance que tivermos. – Miller completou a frase da mulher, Bruno continuava preocupado. Cam havia retornado, agora observava a conversa escorada em uma parede.
— Não devemos esperar tão pouco deles. – Ela disse, sua voz assunto Bruno.
— Não podemos matá-los assim! São humanos também! – Bruno agora intercedeu pelos alvos, não queria dizer que deveriam abandonar a garota, mas queria tentar um meio pacífico de traze-la de volta.
— Eu também não concordo com matar, mas eles merecem pagar pelo que fizeram. – Natalie tentava argumentar.
— E você não vai merecer pagar pelas mortes deles? – Bruno bateu com a mão da mesa, seu olhar estava intenso, fixo nos olhos de Natalie, ela quase participou da guerra de olhares que ele promovia, mas havia percebido que não ganharia.
— Chega dessa discussão, está decidido. Eu e Miller vamos lutar, e vocês? – Natalie virou, deixando Bruno sem resposta, agora encontrava os olhoa de Cam.
— Estou aceitando ajudar apenas por que eles cometeram um erro em se meter com a gente. – Cam disse, deu alguns passos para a frente.
— Sairemos amanhã cedo. – Miller praticamente deu uma ordem, mas ninguém percebeu isso, todos pretendiam fazer aquilo.
Bruno já havia subido para o quarto, Miller aceitou dormir no sofá. Cam ficou na cama de casal hoje.
Natalie foi a última a subir, apagou as velas, foi para o mesmo quarto que Bruno, ele estava deitado no chão. Com cuidado passou por ele, deitou na cama. Fechou os olhos para dormir. Os minutos se passaram, um após o outro, ela não conseguia fechar os olhos, ainda ouvia as palavras de Bruno. " E você não merecer pagar pelas mortes deles?" As palavras se repetiam sem parar, como um fantasma segue seu último memento.
— Você nem matou ainda. – A voz de Bruno a tirou da imersão de pensamentos, em parte ela agradeceu por isso.
— Que?
— Você ainda não matou, e só o pensamento de fazer isso te tira o sono. Falo por experiência própria, vai ser muito pior quando o rosto de sua vítima estiver em seus olhos toda noite. Fazem oito anos já. Oito, e o mesmo rosto aparece todo dia. Aquele homem que eu esfaqueei no pescoço, que vi o sangue em minhas mãos continua voltando.
Natalie não disse nada. Sentiu pena de Bruno, sabia que nada que dissesse iria aliviar sua dor.
— Me desculpe... Não quero realmente fazer desse jeito, mas tenho um irmão também, e faria tudo para protegê-lo. Tudo. – Ela disse, suspirou fundo enquanto procurava mais motivos para justificar o que faria. – Não podemos esquecer o que eles fizeram, talvez o que farão a outras pessoas. Confesso que aquela pose durona lá em baixo foi uma bela encenação, mas tem que ser assim.
— Eu compreendo. Mas não aceito. Não tentarei impedir mas não vou participar. Apenas posso desejar sorte. – Bruno falou e o silêncio retornou assim que terminou. Podia ouvir a respiração irregular de Natalie, ela ainda não estava dormindo. E foi assim até que os primeiros raios de sol entraram pela janela.
Fale com o autor