Notas iniciais
E então gente, capítulo mais cedo que o esperado, mas acho que isso não é ruim. Espero que gostem, boa leitura.

22 de dezembro de 2023.

Mariana Everett se arrumava para a escola quando Ana chegou em casa. O rosto da irmã estava com as marcas do choro, Mariana, imediatamente preocupada, parou a irmã.
— O que aconteceu? – Ela perguntou, sua expressão e voz deixavam sua preocupação visível.
— Você não ouviu falar da doença... É horrível... Tão horrível... – Ana se sentou, não conseguia parar de soluçar.
— Meu Deus, eu nem sei... – Ela disse, não sabia exatamente o que falar, mas sentia que precisava dizer algo a sua irmã.
— Está tudo bem... Eles vão resolver isso tudo... – Ana sentou se no sofá, secou suas lágrimas com a blusa.
— Vão sim... – Mariana mostrou que já sabia do aviso.

Outro aviso passava na TV, dizendo que as pessoas deviam manter suas rotinas diárias, e novamente eles relembravam que era pra evitar qualquer contato com infectados. Sem outras escolhas, Ana e Mariana terminaram de se arrumar e seguiram para realizar suas tarefas.

Mariana seguiu a pé para a escola, sozinha a maior parte do tempo escutando suas músicas, observou que as ruas não estavam tão cheias como de costume, as pessoas pareciam receosas com tudo e o congestionamento casual de carros na rua parecia nem existir, de certo modo aquilo era bom, poder caminhar sem correr risco de ter seus objetos arrancados de sua mão, mas era um pouco preocupante, as pessoas haviam ficado paranoicas, ou muitas delas doentes. Um grito na rua chamou a atenção de Mariana, felizmente era um grito de chamado e não alguém sendo atacado, ela então suspirou aliviada.
— Mariana! – A mulher gritou de longe, e se aproximou, Mariana reconheceu Elena Goulart lá, a mulher de vinte e três anos, ruiva e de olhos verdes tinha um cabelo ondulado e longo. Usava um vestido azul escuro de tamanho médio, e um salto alto preto. Estava com uma bolsa pequena preta de couro sob um ombro. Ao seu lado Lúcia Malavre, loira de olhos verdes, cabelo longo e ondulado também, era um pouco mais baixa que a amiga, usava uma camiseta branca e uma calça jeans azul, sapatos simples pretos.
— Lúcia, Elena. – Mariana acenou enquanto as duas mulheres se aproximaram.
— Vai para a escola? – Elena perguntou, as duas pareciam se conhecer de algum outro lugar.
— Sim, mesmo com tudo isso. – Ela disse e apontou com o dedo para os lados.
— Ah sim, estamos fazendo uma entrevista para o jornal, e a diretora da escola é uma dos entrevistados, se pudermos ir com você. – A ruiva pediu gentilmente. Marina acenou com a cabeça e fez um sinal com as mãos chamando as duas.

Levaram cerca de dez minutos para chegar ao edifício escolar, um prédio simples naquela cidade, o que mais chamava atenção novamente era a falta de movimento por todos os locais, inclusive na escola, em uma contagem aproximada eles encontraram apenas cinquenta pessoas no caminho.

Mariana ficou sabendo em primeira mão sobre o que Elena estava escrevendo, o governo estaria realmente escondendo muita coisa da população, inclusive que a infecção estava fora de controle já, embora isso não fosse ajudar ninguém, era preciso ser dito e Elena não estava disposta a voltar atrás. As entrevistas tinham o objetivo de saber o que as pessoas estavam fazendo já que as pessoas preferiam ficar seguras em casa.

Os corredores da escola estavam com pouco movimento, mas não chegavam a estar desertos. As pessoas falavam sobre o que acontecia no momento, um vídeo estava se espalhando, quatro policiais atiravam em pessoas que andavam na direção deles, aquilo estava causando uma certa revolta em todos, e as pessoas pareciam cada vez mais com raiva e desesperadas.

— Será que é verdade isso tudo? – Lúcia perguntou enquanto as três olhavam o vídeo em um dos celulares.
— Deve ser, mas o governo vai tentar encobrir tudo. – Elena fez uma observação no bloco de notas que segurava.
— E o que podemos fazer? – Mariana perguntou sem acreditar no que via. – Se for como você diz, vai demorar muito para as coisas voltarem ao normal...
— Primeiramente deveríamos nos abastecer de alimentos, e ficarmos em casa, mesmo eles mentindo sobre a situação, eles sabem o que devemos fazer. – Elena terminou de ver o vídeo e guardou o celular.
— Meu Deus, meu Deus... – Mariana não sabia o que falar sobre aquela situação toda, apenas colocou as mãos na cabeça e baixou os olhos.
Nesse momento um alarme da escola chamou a atenção de todos, eram exatamente oito da manhã e todas as televisões foram ligadas rapidamente, uma transmissão iria começar em dez segundos segundo o contador. Passados os dez segundos, o apresentador quebrou o silêncio do local.
" – Brasileiros, não tenham medo. Mesmo com os boatos de que perdemos o controle da situação, ainda temos tudo sobre controle. Para garantir a segurança das pessoas, abrigos militares foram criados nas capitais, e pedimos que todos que estiverem nas ruas se dirijam para eles. O governo relembra, evitem qualquer contato com infectados."

A transmissão encerrou, e logo em seguida o contador de letras brancas em um fundo azul surgiu, marcava dois minutos, ao que parecia, havia parado a programação original das emissoras.
— Que coisa, eles estão realmente se esforçando. – Elena disse, várias pessoas começaram a correr com suas mochilas, pelo visto esses abrigos estariam cheios em pouco tempo.
— Temos que ir pra lá! – Mariana gritou na tentativa de chamar as duas mulheres, mas nenhuma reagiu.
— Não devemos ir para lá... – Elena parecia estar pensando em algo muito distante, seus olhos seguiam alguma coisa do lado de fora da escola. – Vai ter muita gente... Eles vão perder o controle da situação.
— Ela tem razão... – Lúcia começou a caminhar de um lado para outro.
— Então, o que devemos fazer? – Mariana se escorou na parede, colocando as mãos na cabeça.
— Vou te levar para casa... Depois a gente pensa em algo. – Elena parecia preocupada com a garota. As três saíram da escola rapidamente, as ruas antes vazias estavam cheias, um longo congestionamento se formava por quilômetros na rua e as pessoas pareciam extremamente desesperadas, em compensação, a rua que dava pra fora da cidade estava completamente vazia, exceto por um carro preto que destoava no meio do asfalto vazio. O carro parou com uma derrapada brusca, as três caminhavam pela rua vazia, o carro parou quase sob elas, e isso fez Elena se preparar para atacar o que quer que saísse do carro. A surpresa foi mútua quando a janela baixou e Ana e Yuri se revelaram no carro. Ana sinalizou para as três entrarem, elas seguiram a ordem e se arrumaram rapidamente, fecharam a porta e Yuri deu a partida em um segundo.
— Estávamos indo te buscar, mas... – Ana começou a falar mas não terminou, começou a chorar novamente.
— As pessoas começaram a enlouquecer... Quebraram tudo, por sorte conseguimos armazenar muita coisa no porta malas.
— Já começou... – Elena disse, parecia preocupada. – Vamos para onde?
— Minha tia tem um abrigo, aconteceu uma tragédia lá e ela está disposta a ajudar todos, e como costumam dizer, unidos somos mais fortes. Vou largar Ana e a irmã lá e depois vamos nas suas casas. – Yuri disse e Elena suspirou aliviada, parecia que acreditava no mesmo que ele.
— Meu Deus, obrigado... – Elena agradeceu a deus e Yuri, enquanto eles saiam da rua principal e viravam em um bairro periférico.
— Vamos ficar quanto tempo aqui? – Lúcia perguntou, Yuri parou o carro sinalizando que haviam chegado..
— Até que queiram sair, mas não vai ser tão cedo. – Yuri respondeu, estavam no local onde a festa ocorreu, dessa vez Ana reparou em um pavilhão que havia nos fundos do pátio da casa de Sandra. Eles entraram e ela mostrou o local, vários colchões e banheiros, uma cozinha enorme. Pelo jeito estava tudo pronto para um longo tempo, e cerca de vinte pessoas já estavam lá. Ana e Mariana foram guiadas por Sandra e Kauan que ajudavam a descarregar as roupas e alimentos do carro de Yuri, em dez minutos terminaram e ele se despediu da tia preocupada, Ana e a irmã se despediram rapidamente enquanto eles saiam.

Yuri, Elena e Lúcia seguiam pelas ruas na direção da casa de Elena, não era muito longe dali, uma casa simples de alvenaria. Ele parou o carro e eles entraram rapidamente, entrando na casa. A rua estava começando a ficar deserta, não se via ninguém, as casas estavam todas abertas e tudo de importante havia sido levado.

Elena subiu as escada acompanhada da melhor amiga e elas arrumaram tudo que parecia ser útil, ou seja, roupas e alimentos. Yuri juntou tudo no andar de baixo, estava com bastante comida guardada mas ele não fez questão de levar carnes. Em minutos o porta malas estava cheio.

Assim que saíram, Elena tentou usar o celular, mas a rede não funcionava em local algum.
— O que houve? – Lúcia via a preocupação no rosto da amiga.
— Eles cortaram a comunicação... Minha mãe não está em casa, mas ela não pode ter ido a lugar nenhum...
— Não vamos saber tão cedo... – Lúcia sabia o peso das palavras que dizia, mas a amiga precisava ouvir a verdade. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela as enxugou rapidamente, antes que Yuri saísse da casa com a última remessa de itens.
— Vamos na casa de Lúcia agora.
— Não precisa, acredito que chegar no Rio demoraria um pouco. – Lúcia disse.
— Mas sua família...?
— Não se preocupe... Não tenho muito pra me preocupar.

Yuri não falou mais nada, e então eles entraram no carro sem demorar ele partiu. Permaneceram em silêncio a maior parte do trajeto, enquanto Elena tentava ligar para sua mãe, mas não obteve sucesso em nenhuma das tentativas.

Yuri acelerou quando entrou em uma rua vazia, e por mais cinco minutos tudo permaneceu quieto, até que com um grito de susto ele bateu em algo no caminho. Os três ficaram em estado de alerta, Yuri se preparou para abrir a porta e Elena o impediu.
— Não! E se for um infectado? – As palavras fizeram o homem tirar a mão lentamente da "maçaneta" da porta.
— Mas e se for uma pessoa... Eu vou ser responsável por uma morte... Uma vida? – Ele perguntou, Elena respirou fundo e destrancou a porta lentamente. Saiu do carro sem pressa e olhou cuidadosamente ao redor, não viu nada, então cuidadosamente desceu do carro sinalizando para os dois ficarem dentro do carro. Ela foi para a frente, sangue escuro estava no chão e não havia sinal de algum corpo ali. Elena sinalizou para dentro do carro, que estavam livre, mas assim que Yuri ligou a chave uma mão agarrou a perna de Elena, a derrubando no chão, o grito que ela deu foi involuntário, mas foi alto. Yuri e a mulher saíram do carro imediatamente, o morto vivo se arrastava por cima dela e ela segurava a mandíbula dele, que se aproximava mais de seu rosto. Com um chute rápido Yuri tirou a criatura de cima dela e ajudou ela a levantar. Para surpresa dele, outro surgiu atrás e colocou a mão sobre seu ombro, ele girou com um golpe de arte marcial e chutou a criatura no rosto, a atirando para o lado. Os três deram passos para trás e bateram as costas, quatro das criaturas se aproximavam deles. Faziam um grunhido típico e seco ao caminhar.
— Que porra, merda! – Elena falou, olhou para o carro, mais dois se aproximavam por trás do carro.
— Como não vimos eles chegando? – Lúcia perguntou, estava tremendo de medo.
— Temos que voltar! – Yuri não esperou e correu para o carro, com habilidade aplicou um soco baixo no monstro que ficava perto da porta do motorista e o derrubou para o lado, entrando no carro e trancando a porta, do outro lado Lúcia empurrou uma das criaturas para trás, mas foi com muita dificuldade enquanto Elena se preparou para entrar no carro, mas voltou atrás quando estava dentro e viu que a amiga precisava de ajuda.
Saiu e puxou a amiga de perto dele com força, ela caiu sentada no chão, Elena então empurrou com mais força e criatura que caiu para trás. As duas entraram no carro e trancaram as portas, as criaturas batiam incansavelmente nas portas e Yuri arrancou com o carro, passando por cima de um deles.

☆☆☆

Enquanto voltavam, os três respiravam rapidamente. Lúcia tinha os olhos marejados, Elena estava com as mãos na cabeça e Yuri dirigia silenciosamente.

A única coisa que passava pela cabeça deles era se aquelas criaturas realmente não podiam ser diferentes, era aquilo que sobrava dos seres humanos? Será que havia algum jeito de traze-los de volta, havia sim, o governo estava trabalhando incessantemente naquilo, no momento o que restava a fazer era esperar, e sobreviver.

Notas finais
E então? O que estão achando? Lembrando que fichas novas são bem vindas, ainda tenho quatro vagas e posso abrir uma exceção. É isso, até mais.