Interativa - O Décimo Reino
5 V - Hostilidades
Notas iniciais
— Então isso aqui era São Paulo? – Anael olhava curioso a área ao seu redor, um acumulo de edifícios enormes caídos e em ruinas, a visão se espalhava por quilômetros ao redor parecendo não ter fim.
— Era. – Agnes falou num tom meio sério, andava com uma de suas armas na mão. – Os demônios menores não gostam de cidades grandes, mas temos que tomar cuidado com um Scrael ou algo assim.
— Scrael? Vocês têm um armamento tão precário assim a ponto de não poderem lutar contra eles? – Anael tinha um pequeno desprezo em sua voz que era fácil perceber.
— Na verdade não entendo isso também, conseguimos derrubar Homens de Armadura, que são demônios com a casca de ferro e perdemos pra um Scrael que tem pele de pedra. – Louise estava se perguntando aquilo, falou mais como um pensamento que uma pergunta ao grupo realmente.
— Scrael é um de categoria baixa de onde venho. Geralmente temos problemas com coisas... bem maiores. – Anael interrompeu a frase se lembrando de algo, virou se para trás olhando que caminhavam a um bom tempo já. – Quando vamos chegar?
— Você saberá quando chegarmos. – Agnes falou ríspida e quase sorriu ao ver a reação do anjo um pouco irritado com aquilo. – Agora, falamos daqui e você não nos contou muito sobre de onde veio.
— O Segundo Reino não tem muito pra se contar. Vivemos como vocês, embora não tenhamos acesso a magia que vocês têm, sabemos muito sobre ela. – Ele não parecia interessado em nada além de olhar as paisagens.
— Então você está dizendo que nenhum de vocês, anjos celestes tão superiores a nós humanos, não sabem usar magia? – Agnes falou com uma extrema ironia e tom provocativo bem presente em sua voz.
— Exatamente. Magia é o dom de vocês, cada um dos Reinos tem o seu. E não é que não sabemos, não podemos. Mas eu realizei um contrato com a sua amiga aqui, Louise, ou seja, dividimos nossas forças, eu tenho acesso a magia dela.
— Eu ainda não entendo porque você me escolheu para beij... quer dizer, fazer o contrato. – Louise não olhava diretamente para ele ao falar.
— Bom, eu senti um desejo muito mais forte em você do que nela de encerrar isso. Entenda, qualquer um que realizar um contrato comigo está ligado a mim até o momento em que eu morrer ou fecharmos o portal. Assim que senti isso em você sabia que estaria disposta a tudo para ver o mundo em seus dias pacíficos de novo.
Louise não respondeu nada. Mas concordava com ele embora ainda se sentisse um pouco envergonhada por ter sido beijada por um anjo nu no meio de uma cidade destruída.
— Olha só que apareceu! – Um grito animado interrompeu a conversa deles, um homem estava abanando com energia para eles.
— Luriel... – Agnes quase virou os olhos ao vê-lo de longe enquanto Louise parecia um pouco feliz.
Assim que se aproximaram Anael pôde ver mais de perto o homem de que estavam falando. Era bem alto, quase dois metros. Seu cabelo era loiro e liso, caindo pelo seu rosto em mechas diferentes. Um de seus olhos era azul, enquanto o outro era verde. Usava uma calça jeans preta e um colete curto vermelho, que mostrava um pouco do peito, a barriga e os braços. Várias cicatrizes eram visíveis por seu corpo. Anael desviou seu rosto analisando as cicatrizes no corpo do homem que falava sorrindo com as garotas, exibia um sorriso extremamente largo e aberto.
— Você gostou? – Luriel se dirigiu a Anael que estava olhando para sua cintura por alguns segundos sem parar.
— O que? – O anjo piscou um pouco e virou seu rosto para Luriel, que era bem mais alto que ele. Não havia realmente entendido ao que o homem se referia.
— Vi que você estava olhando pra minha cintura, talvez até um pouco para baixo. Sei que meu corpo é extremamente atraente, assim como eu, mas poderia ao menos disfarçar. – Ele falou rindo alto enquanto via o rosto de Anael mudar a expressão observadora para incrédulo, talvez que o visse no exato segundo que seu rosto mudou veria que ele havia ficado envergonhado.
— Você não me conhece. Mas se conhecesse, saberia que se eu tivesse interessado teria dito. – Anael se recompôs rapidamente e respondeu, havia alguma sugestão nas palavras que ele dizia, mas nenhum dos que estava ali percebeu.
— Vocês anjos são todos assim? Tipo... Gostam dos dois...
— Como sabe que eu sou um anjo? – Anael reagiu violentamente ao ouvir a palavra anjo. Uma lança completamente branca surgiu em suas mãos, a lamina larga e de um metal branco que emitia um fraco brilho foi parar a centímetros do rosto de Luriel.
— Por favor, se for me matar mire em outro lugar, mas no rosto não. – Luriel continuava com seu sorriso largo enquanto uma arma estava apontada para sua cara.
— Louise inseriu as memorias na gente. Gênio. – Outras duas pessoas apareceram de dentro de um dos prédios. Um jovem de apenas seis anos e um homem de vinte e dois. O que havia falado era o homem. Sua voz era hostil e nem um pouco amigável. Ele tinha cabelos e olhos negros fazendo um contraste direto com sua pele pálida. O cabelo caia pelo rosto pois era bem liso. Ele usava a roupa toda preta, casaco e calças.
O garoto que estava atrás dele tinha o cabelo castanho e liso, curto. Seus olhos eram azuis claros e ele era baixo até mesmo pra alguém da idade dele. Sua roupa era uma camisa branca e meio velha, com algumas listras verdes e uma calça branca.
— Nate é o maior e Matt o menor. – Luriel apresentou os dois com um gesto dramático, como se fosse um anfitrião guiando pessoas para alguma sala.
Anael rapidamente sentiu algo estranho do homem mais velho enquanto afastava sua lança de Luriel, fazendo-a desaparecer logo em seguida.
— Não combinamos que não iriamos trazer mais ninguém? – Matt respondeu o olhar de Anael na mesma intensidade, os dois pareceram esquecer das pessoas ao redor enquanto se olhavam fixamente. Anael nunca baixaria a cabeça ou desviaria o rosto e Matt percebeu isso, virando o rosto e se voltando para o resto do grupo.
— Não pegue tão pesado com ele... – Nate falou em um tom gentil na tentativa de acalmar o clima hostil que havia se formado ali.
— Olha, poderíamos ficar nessa briga o dia inteiro, eu realmente iria amar... – Luriel colocou um tom irônico na voz e ficou entre os dois homens. – Mas temos que preparar as armas e levar para as pessoas da Cidade. E agora, anjo ou não se quiser ficar aqui vai ter que trabalhar.
— Trabalhar nunca foi problema para mim, posso garantir que nós anjos fazemos isso por bem mais tempos que vocês. – Anael havia sido realmente tocado pela hostilidade de Matt.
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