Intenso Desejo
5 Epílogo
Notas iniciais
POV Bella
Psicólogos, pediatras e supostos entendedores, dizem que crianças que tiveram algum tipo de trauma na infância ou que teriam apenas memórias ruins, sobre esse tempo, criam como um escudo ou válvula de escape, o esquecimento...
Eles contam que a mente bloqueia aquele período frágil e inocente que viveram, mas não da forma correta. Não sou psicóloga ou entendedora, mas nesse caso, tenho que discordar deles, pois me lembro de absolutamente tudo da minha...
Lembro-me das tardes presa dentro do meu quarto, olhando pela janela outras crianças brincando livres e soltas pela vizinhança. Enquanto tinha que estudar várias línguas diferentes, com professores em casa, para aprender com mais afinco.
Lembro-me dos aniversários, onde o intuito não era comemorar mais um ano da minha vida ou um momento de confraternizar com meus amigos e sim um meio de ser mostrada a sociedade, para que vissem como estava crescendo e pudessem observar, como a um animal na jaula, minhas qualidades e atributos.
Nessas festas, quase não havia crianças, eram poucas e todas tão quietas em seu mundo como eu, foi em uma dessas ocasiões que conheci Jane e Alec. E por uma intervenção do destino, nossas famílias ficaram próximas, o que ocasionou mais encontros furtivos entre nós.
Aqueles que me criaram, não meus pais, pois nunca os tive e nunca soube o que era isso, mas aqueles que me davam comida, roupa e estudo, diziam sempre que tinha que ser perfeita. Alcançar todos os objetivos que empunham, porque, só assim, conquistaria algo na vida.
Eu tinha que ter todos os pontos certos, para poder chamar atenção e ser escolhida. Era como se dissessem, que se fosse apenas à menina Bella, ninguém nunca olharia para mim, que ser uma pessoa comum não te leva a lugar algum...
Que dia triste foi o que percebi que era apaixonada por fotografia.
Eu sabia que nunca poderia seguir com aquilo. Todos os anos presa, olhando o mundo pela janela, me deu outro olhar sobre tudo.
Amava ficar observando paisagens, pessoas em seus movimentos e ações, analisar todo um conteúdo disposto em uma simples rua não movimentada, o vidro da minha janela foi meu primeiro quadro, minha primeira foto.
Apesar de ter sido retraída e até tímida, a maior parte da minha vida, também sempre fui esperta. Já tinha que aguentar muitas situações e privações, então, não poderia deixar com que ninguém exigisse de mim, mais do que poderia dar.
Foi com essa ideia e usando as palavras certas, que convenci meus pais a me deixarem aprender a dirigir, expliquei que uma boa mulher não deveria ser um estorvo para o marido, obrigando-o a locomover-se com ela sempre que precisasse.
Lembro-me de vê-los sorrir diante da ideia e me parabenizarem pela iniciativa, se mostrando orgulhosos do meu empenho.
E eu? Não senti absolutamente nada. Há muitos anos já tinha parado de me importar e esperar por algo de bom deles para comigo.
Eu não era o que se pode chamar de pessoa feliz, entretanto, vinha vida ia bem até o dia em que soube que haviam encontrado um ótimo partido, que seria a partir daquele momento meu noivo.
Lembro-me da sensação de enjoo e a vontade de vomitar que me deu, quando vi que o meu futuro esposo tinha idade de ser meu pai, quase um avô. John não era um velho, depois de um tempo, o coloquei na posição de coroa gato, mas, mesmo assim, de primeira vi naquela situação, a minha morte e ali decidi tomar alguma atitude para tentar salvar-me do que acreditava ser a pior fase da minha vida.
Rebelei-me contra meus pais, não os ouvia mais, saia no meu carro sempre sem destino certo, cortei o cabelo, mudei o estilo de roupa. Quando entrava em casa, ouvia gritos, xingos e ameaças. Eles nunca chegaram a me bater, mas suas palavras sempre tiveram o poder de ferir muito mais do que algo atingindo meu corpo.
Uma das decisões mais drásticas que tomei, foi a de perder a virgindade com um estranho que conheci em um bar...
Nunca me permiti sonhar com um homem especial, então usei de toda minha determinação para dar aquele passo, pensando que quando meu noivo descobrisse que não era mais pura, quebraria o contrato me devolvendo aos meus pais e eles com certeza não me aceitariam depois da vergonha e ficaria finalmente livre.
Que ledo engano, quando revelei esse fato há John, poucos dias antes do casamento, ele apenas sorriu, acariciou meu rosto e disse que não via problema nenhum naquilo, que queria casar comigo e o faria de qualquer maneira.
Naquele dia o odiei. Quase tanto quanto odiava meus pais.
Como ele podia querer continuar com aquela ideia absurda? Será que não via o quanto tudo aquilo me fazia mal?
Mas mesmo com muita relutância e protestos, casei...
Agora sim, posso afirmar que apaguei aquele dia da memória.
Estava tão área, entorpecida, presa em meus próprios medos e frustrações, que não me liguei ao que acontecia ao redor, mas de qualquer forma estava feito e já não poderia mais mudar.
Foi então que minha vida deu um giro de 360º...
Meu casamento não foi a melhor fase da minha vida, mas com certeza foi o início dela.
Ainda é difícil assimilar a forma como John via as coisas, como me tratava e como levava aquela relação.
Agradeço muito tudo o que me proporcionou, conhecimento, a realização da minha faculdade, meu amadurecimento e independência.
Eu realmente estava determinada a não ficar com ele para sempre, quando conseguisse me consolidar por minhas próprias pernas, tomaria finalmente as rédeas da minha vida e seria livre pela primeira vez, mas então sua doença pegou a todos de surpresa e não pensei em outra coisa, a não ser, ficar ao seu lado pelo tempo que precisasse e foi o que fiz.
Estive com ele até seu último suspiro e depois daquilo, minha liberdade finalmente chegou.
Não sabia ao certo o que fazer, não queria ficar na Europa, apesar dos anos que morei lá, nunca me apeguei realmente ao lugar. Voltar para perto de onde nasci, tão pouco era uma opção. Não tinha boas lembranças de lá e com certeza não queria voltar para perto dos meus pais.
Foi então que me veio à luz.
Naquela semana, tinha recebido um e-mail de Jane, contando como estavam as coisas e vi ali a minha saída. Ela morava em um estado que eu amava, em uma cidade tão encantadora e cheia de atrativos, que sonhava desde menina em poder morar.
E foi assim que tomei a decisão de voltar aos Estados Unidos, para morar em Dallas no Texas.
Aceitei o convite para me hospedar na casa de Jane e seu marido, que ainda não conhecia, mas pelo o que ela falava, era alguém muito bom.
Estava disposta a aproveitar tudo o que a vida tinha a me oferecer, desfrutar como nunca, da minha tão sonhada liberdade, mas todos os meus planos foram pelos ares quando o conheci...
Ali me vi presa novamente, mas tinha certeza que dessa vez, a situação seria muito pior...
Confesso que no início, minha atração por Edward era apenas física. Ele era um homem incrivelmente bonito e pensei na sorte de Jane, ao ser obrigada a casar com ele.
Em minha primeira noite na casa, quando conversamos na varanda e ele contou que seus pais também se casaram por contrato, mas encontraram o amor um com o outro, acreditei que a minha amiga pudesse ter dado mais sorte ainda e o mesmo aconteceria com os dois, mas não foi o que descobri com o passar dos dias.
Observadora como sou, fiquei atenta a todos os toques sutis entre eles e a própria Jane, em uma das nossas conversas, falou que se davam bem, que Edward a tratava com respeito e carinho, mas era algo quase fraternal.
Como se lidasse com um bom amigo ou irmão, tendo a diferença de estarem casados, por isso, praticavam coisas a mais, que em uma simples relação fraterna, não existiria. Mas ela sabia que Edward a via quase que como uma criança, uma menina indefesa, que ele devia proteger e cuidar.
Jane não acreditava que ainda pudesse vir a surgir amor e o fogo da paixão entre os dois, aquela altura, já estavam casados há quase dois anos e em todo esse tempo, nada mudou desde que se conheceram.
Ela me confidenciou até que sexo era de fato bom, ela se sentia bem e satisfeita, mas não podia dizer que era algo que apreciava muito, não por ele não ser um bom amante, mas por conta de toda a situação.
Às vezes se sentia até mal, em estar em um momento tão íntimo com ele, sendo que não tinham uma relação baseada em sentimentos como o prazer e a luxúria, e sim amizade e carinho...
Sabendo disso e em contrapartida, ficando cada vez mais encantada pelo o homem que Edward mostrava ser, resolvi arriscar. Pela primeira vez na vida, correr atrás de algo por mim. Colocar acima de tudo, minha vontade.
Era arriscado, errado e até perigoso, mas morreria se ficasse com a negativa sem ao menos tentar. Foi então que comecei a ceder e provocar Edward. Eu sentia seu interesse em mim, mas observava também a relutância em se entregar, por conta de tudo que estava em jogo, é claro.
Entretanto, cada dia mais, via o desejo em seu olhar, a tentação do fruto proibido que representava e usei isso a meu favor. O jogo da sedução era algo perigoso e precisava ser muito bem executado para não ter erros.
E na primeira vez que testei do truque, acho que me sai bem, já que consegui alcançar o objetivo final, que era ter Edward comigo.
Eu sabia, mesmo antes de termos algo, que depois que começássemos, não conseguiríamos mais ficar longe um do outro.
Edward já tinha mostrado várias faces, o homem, empresário, amigo, mas quando descobri que, além de tudo, ainda era bom amante, não pude acreditar em como Jane não se preocupava em se abster de tudo aquilo.
Acho que talvez tenha a ver com o que se sente, pois durante meu casamento com John, também não achava minha vida sexual a mais animada do mundo, era boa, mas nada que me fizesse perder o controle, como descobri com Edward.
E apesar de ter tido apenas três parceiros na vida, não tenho dúvidas de que nenhum outro homem me fará sentir como ele faz. Foi então que outra decisão tomou conta de mim.
Não poderia perdê-lo, sua companhia tornou-se imprescindível, o apoio com meu estúdio, já não podia mais ficar sem aquilo, entretanto, nossa situação não era fácil de ser resolvida.
Ele ainda era casado com a minha melhor amiga e nós dois, de forma alguma, queríamos nos separar, mas tão pouco poderia separá-lo de Jane, sabendo das consequências drásticas que essa escolha teria na vida dela.
Desse modo, abri mão do meu conforto, para que ajudá-la, enquanto nosso relacionamento continuaria sendo mantido em segredo.
Os anos passaram e não posso dizer que foi fácil aceitar e conviver com essa decisão, porém era o que precisava ser feito.
Edward e eu fizemos o possível para estar juntos, mas sem levantar suspeitas as outras pessoas e sem também tentar interferir nas nossas vidas fora do nosso mundinho particular.
Consegui abrir meu estúdio e ele até que já faz um bom sucesso. Trabalho com boas pessoas, profissionais competentes e esforçados. Adoro poder fotografar casais que me procuram, tento mostrar através da minha lente, todo o amor que nutrem um pelo outro. Adoro retratar paisagens e trazer as pessoas os sentimentos que consigo compreender através delas.
A fotografia e o meu trabalho, me ajudaram muito a seguir em frente, ser forte e lutar pelo o que queria...
Jane também evoluiu muito nesse tempo. Ela concluiu a faculdade de letras e se especializou para dar aulas no ensino infantil. E vem desempenhando muito bem suas funções no emprego que arrumou há pouco tempo. Entre conversas, conselhos e sugestões de Edward e eu, começou a tomar confiança em si mesma, assumindo suas ações e atitudes.
Ela aprendeu a dirigir e ganhou um carro de Edward em seu aniversário posterior a retirada da habilitação. Deixou de dar satisfação ao pai e se sentir presa por suas regras, para resumo, evoluiu tanto quanto todos nós.
Vi feliz sua felicidade e conquistas, e foi no momento que analisei que já não era mais a menina frágil que conheci, que finalmente se tornou uma mulher completa e segura, que decidi revelar de uma vez o que estava acontecendo.
Mas não fui a única a fazer revelações aquele dia, sua confissão surpreendente, foi o ponto que faltava para tomar minha decisão...
Há alguns dias, conversei com Edward sobre nossa situação e como tudo está em relação à Jane. Que ela já está pronta para saber a verdade e tomar as decisões em relação a tudo.
Combinamos de contar juntos e aceitei a ideia, mas não pude deixar de fazê-lo, quando vi a oportunidade surgir a minha frente.
Jane veio me visitar, disse que queria conversar comigo e sugeri que viesse até meu apartamento, depois do seu horário de aulas e aqui estamos.
— O estúdio está indo de vento em poupa, não é mesmo Bella?
— Sim Jane, graças a Deus. Tudo tem corrido melhor do que o esperado, as pessoas felizmente parecem gostar tanto de fotografia quanto eu.
— É sim e suas fotos ficam sempre tão bonitas que dá gosto de mandar fazer.
— Obrigada.
Ela assentiu e abaixou um pouco a cabeça, ficando em silêncio.
— Jane, você disse que queria conversar algo comigo e o que falamos até agora não parece ser o motivo da sua preocupação. Então me conta, o que está havendo?
— Ai Bella, acho que sou uma má pessoa.
— Mas por que está dizendo isso? O que você fez?
— Nada, ainda nada, mas tenho pensando em algumas coisas e não sei se são certas.
— Você está me assustando. O que houve?
— Eu não sei nem como explicar. É sobre a minha vida, o meu casamento. Você melhor do que ninguém sabe o quanto o Edward é um cara legal e o tanto que fez por mim. Nesses últimos tempos ele tem estado tão ao meu lado, se mostrando tão amigo, apoiando todas minhas ideias, que me sinto até meio mal às vezes, pois apesar de tudo, nunca pude sentir a altura o sentimento. Nosso casamento não aconteceu por amor, mas pensei que poderia vir a surgir com o tempo. Afinal de contas, é quase impossível não se apaixonar por um homem como Edward, mas as coisas simplesmente não aconteceram. Nós somos ótimos um com o outro, mas para mim, ele é apenas um amigo muito querido, você me entende?
— Sim, claro. Eu já contei a você, por melhor que o John tenha sido, nunca consegui sentir por ele mais do que afeto e gratidão. Nunca houve amor ou paixão entre nós, por isso, te entendo completamente.
— É amiga, você sempre me entendeu mesmo. Por isso, vim conversar com você. Apesar de estar casada, nunca me senti presa ao amor, então meu coração era livre, só não tinha oportunidades de encontrar alguém, mas vieram as mudanças, meu trabalho e a escola têm feito tão bem, de várias maneiras que não sei explicar. Só que de repente tudo mudou e alguns sentimentos, que nunca senti antes, começaram a surgir e estou confusa, com medo, assustada, mas ao mesmo tempo, tão feliz e esperançosa. Sentindo que agora finalmente encontrarei meu lugar...
Eu conheço essa sensação, os sentimentos e conflitos.
— Jane, você está querendo dizer que...
— Acho que estou apaixonada Bella. Eu nunca senti isso antes, mas é tão forte, tão único.
— E quem é ele?
— Ele também é professor na escola, desde o início nos demos tão bem, houve uma afinidade e empatia mútua. Ele é tão gentil, atencioso, gosta de conversar comigo, dos mesmos assuntos que eu, sem contar que é lindo. As outras professoras vivem babando nele, mas pelo o que ouvi, ele nunca deu bola para qualquer outra, a não ser...
Ela se interrompeu no meio da frase.
— A não ser por você? – Perguntei.
— Eu não sei Bella, ele sabe que sou casada e ainda não tive coragem de dizer que meu casamento foi arranjado por contrato, às vezes me sinto culpada por meio que estar deixando as coisas acontecerem, quando sei que não posso fazer parte disso, entende? E ontem, ontem as coisas fugiram do meu controle e a gente se beijou. E foi tão bom, mas ao mesmo tempo senti que era tão errado. Eu não posso fazer isso com o Edward, ele é uma boa pessoa e não merece passar por algo assim.
Ah, meu Deus.
Queria poder abrir um buraco para que a terra me engolisse.
Ela está se sentindo mal por ter dado um beijo, imagina quando souber o que Edward e eu fizemos durante todo esse tempo.
É isso, não posso adiar mais, não posso deixar que se martirizasse com uma culpa que não lhe cabe.
Chegou a hora de falar.
— Jane, tenho uma coisa para contar a você. Nem sei como começar e desde já, lhe peço perdão, porque apesar de saber que tentei fazer o melhor para você, sei que a atitude de todo não foi a mais correta, mas eu juro que ninguém nunca quis o seu mal, nós só queríamos que fosse feliz e hoje em dia você é. E está tendo a oportunidade de ser mais ainda e não posso deixá-la perder isso.
— Bella, do que é que você está falando?
— Eu vou falar diretamente, porque não tem como tentar amaciar ou fazer rodeios com esse assunto. Jane, Edward e eu estamos juntos. Juntos não como amigos ou meio sócios, nem colegas que compartilham um carinho por alguém especial. Estamos juntos, como um casal ou amantes, já que ele ainda é casado com você.
Soltei a bomba e aguardei sua reação.
Ela ficou parada, estagnada no lugar, por um momento sem dizer nada, até que as primeiras palavras saíram.
— Eu acho que não entendi direito Bella. Que história é essa? Como você e ele podem estar juntos? E desde quando? Como?
— Eu vou explicar. Você mesma disse que seu casamento nunca foi de verdade, vocês são amigos, tem carinho um pelo o outro, mas nunca houve amor ou a ideia de que aquilo duraria para sempre. Então quando o conheci, fiquei simplesmente encantada. Tudo nele me atraia, seu jeito de falar, de andar, de ser. O homem maravilhoso que é. E não posso negar que me atrai também por sua beleza e não sei explicar o porquê ou como, mas o quis para mim.
Declarei com o máximo de sinceridade.
— Você sabe que nunca pude correr atrás de algo meu, fazer algo por mim, para a minha felicidade. E que destino idiota, que universo imbecil, que decidiu que logo aquilo que realmente queria, não podia ser apenas meu e não podia ficar apenas comigo.
A percepção continua nublando seus olhos, mas prossegui.
— Com o passar do tempo, que vi que também despertava algum interesse nele e agarrei a chance. Vi a minha oportunidade e peguei. Eu o seduzi, o atrai até conseguir fazê-lo ficar comigo e depois da primeira vez que estivemos juntos, não pude mais negar, não podia pensar na possibilidade de não tê-lo ao meu lado. Mas eu sabia dos riscos, dos erros, em momento algum e de forma nenhuma, quis te magoar ou enganá-la, mas foi o que aconteceu. Eu tive que fazer uma escolha e optei, não poderia perder o Edward e ele tão pouco conseguiu ficar longe de mim, mas não podíamos contar a você, não naquele momento, por isso mantivemos tudo em segredo, até agora.
— Eu não sei o que dizer, não sei o que pensar. Eu te ouço e não acredito que essas palavras estejam saindo da sua boca. Você esteve envolvida com o Edward esses anos todos? Por que não falaram comigo? Por que não acabaram logo com essa farsa? Não seria o melhor para todos? Vocês poderiam ficar juntos e felizes. Eu teria seguido a vida, pelo menos agora não me sentiria traída pelas duas pessoas que mais confiava.
— Jane, você não tem ideia do sacrifício que foi manter esse segredo. Continuar nessa situação, por tanto tempo.
— Oh, posso ter ideia do quão difícil foi. O quanto estavam preocupados comigo, enquanto fodiam como dois coelhos no cio. E depois riam da cara da trouxa que acreditava que a afinidade de vocês não passava de uma mera amizade, um carinho de pessoas que se dão bem. Posso ver agora o quanto eram próximos e o porquê de tanto entendimento, principalmente na cama, não é? Porque esse devia ser o ponto de vocês, já que apesar de tudo, Edward nunca faltou como marido ou até mesmo como homem.
Ouvir tais palavras e suas afirmações, foi como tomar uma bofetada.
Eu sei disso, senti por todo esse tempo, o quanto era degradante, a situação de ser sua escolhida, mas não para tudo, não para todos e tão pouco a única.
— Não vou retirar suas palavras e nem me isentar da culpa que sei que tenho, mas você não sabe de tudo Jane. Saiba que escondemos isso apenas para que fosse feliz, para que tivesse uma vida boa. Para que pudesse construir um futuro por seus próprios meios e não fosse a maior afetada, caso revelássemos o enlace desde o início.
— Ah, é mesmo? Então me diga como? Como que podem ter feito alguma coisa pensando em mim? Como que isso pode ter me beneficiado de alguma forma?
— Às vezes parece que você se esqueceu de como fomos criadas. De como eu fui criada. Das coisas que passei, de tudo o que aguentei e sacrifiquei na vida. Jane, eu sabia que contar a verdade naquela época seria a sua ruína. O Edward se separaria, nós ficaríamos juntos, plenos e felizes. Se alguém da sociedade falasse algo, que nos julgassem, mas não daria bola. Há muito tempo deixei de me importar com que os outros pensam, mas me preocupei com o que fariam a você.
Ainda que não acredite em minhas palavras, continuarei proferindo-as.
— Jane, você não tinha estrutura emocional para aguentar uma notícia daquelas na época, por mais que não amasse o Edward, ainda sim, ficaria extremamente fragilizada, abatida, sem forças para seguir em frente, mas o pior mesmo seria o que seus pais fariam ou tem alguma dúvida de que te julgariam pelo fim do casamento? Que transformariam sua vida em um inferno? A culpando por não ter sido capaz de segurar um homem? E no final das contas, planejariam outro casamento, nem tanto pelo contrato, porque os Cullen poderiam não cancelar com a sua família, em consideração a toda situação envolvida, mas somente para puni-la, pela humilhação que lhe traria. Agora diz se estou errada, diz se julguei levianamente você ou sua família? Conta-me se teria suportado toda a dor que essa situação traria? Eu acho que não, porque um dia também já fui àquela menina frágil, amedrontada e insegura.
Pensei que ela rebateria algo, porém diante do silêncio, prossegui.
— Foi por isso que resolvemos esperar. Edward e eu fizemos um acordo, já que não podíamos deixar de estar juntos e isso era algo errado, faríamos pelos menos algo de bom. A ajudaríamos a crescer, amadurecer, a se tornar uma mulher forte, independente, determinada, essa que está aqui na minha frente.
Ela piscou e fungou, mas tratei de encerrar o ponto.
— Hoje você pode encarar tudo de cabeça erguida. Sei que não será fácil, assimilar que sua melhor amiga e seu marido, estiveram te enganando dessa forma por todo esse tempo, mas você com certeza irá superar e poderá também construir sua nova vida sem nós, sem a interferência dos seus pais, pensando apenas em si e nas suas próprias decisões. Também não serve de consolo, mas não precisa se sentir culpada por estar se apaixonando. Isso não é errado e agora você tem a oportunidade de viver o que está lhe causando todas essas sensações boas.
— É claro que não preciso me sentir culpada por gostar de alguém ou por tê-lo deixado me beijar, já que o meu marido fazia muito mais com a minha suposta melhor amiga.
— Não diga isso, não use esse tom e essas palavras para se referir a mim. Não foi à atitude mais acertada do mundo, mas pode ter certeza que se nossas vidas fossem como as das outras pessoas, simplesmente normais, nunca teria levado isso adiante, mas eu conhecia as consequências para aquela escolha e optei pelo o que seria talvez menos doloroso, é horrível saber apenas hoje que estivemos juntos por todo esse tempo? Sim. Mas teria sido muito pior descobrir anos atrás, quando toda uma tragédia poderia acontecer na sua vida. Hoje, se quiser se separar do Edward, ninguém mais terá altivez para dizer ou mandar em nada, porque agora você tem total controle sobre si e suas ações. E isso é um ganho, quando somos fortes para aguentar as barras da vida, nos transformamos também em sortudos, por poder receber e usufruir as outras graças.
— Como pode dizer, se for me separar do Edward? Isso é uma decisão meio óbvia, não é? Ou acha que seria capaz de continuar nessa situação por mais um minuto sequer?
— Eu não sei. Talvez ainda pudesse acordar um dia e pensar que queria lutar por ele, você é a esposa e teria o direito de fazer isso ou pode simplesmente decidir que não somos merecedores de estar juntos e dizer que não vai deixá-lo livre.
Ela levantou, indo para perto da janela, ficou um tempo parada, apenas olhando para fora.
Penso que deve estar, além de assimilando tudo o que contei, também pensando na decisão de deixar Edward livre ou não.
Então me surpreendi quando sua voz saiu, emitindo tal pergunta.
— Como foi para você?— Fiz uma expressão confusa, então sua pergunta prosseguiu. – Como lidou com tudo isso? O que sentia? O que pensava e esperava dessa situação? Como passou por esses anos? Por mais que tivesse alcançando seu objetivo, não me imagino vivendo uma situação assim. E quero saber como foi para você, pode me responder isso? Sendo sincera, é claro.
— Entendo o que quer dizer. E repito, em momento algum as coisas aconteceram de forma planejada. Eu vim para cá buscando minha liberdade e independência, mas quando conheci o Edward, tudo foi pelos ares. Eu o quis mais do que já quis qualquer coisa na vida, então lutei por ele e consegui. Mas haviam obstáculos e eles não foram fáceis de superar. No início, até que levei bem, não tínhamos pressões, cobranças, nos dávamos bem juntos, tínhamos química, carinho e cumplicidade. E fazíamos das poucas horas sozinhos, momentos memoráveis. Mas então o tempo foi passando e as coisas tomando formas que simplesmente não podia controlar. Porque fiz uma escolha e cabia a mim, mais do que a ninguém, aceitar e conviver com ela e foi o que fiz.
Apesar de nunca ter colocado tais pensamentos e palavras juntas, sei bem tudo que tenho a dizer.
— Mas te digo que não foi fácil, por mais que ache que ele era meu e que estava comigo muito mais do que com você, informo que não foi assim. Eu tinha um pouco do seu tempo e atenção, mas para tudo e todos, você ainda era a escolhida, a esposa que podia compartilhar das manhãs, das refeições e conversas após o jantar. Você era a mulher ao seu lado nos eventos e perante a família. E eu? Eu era a outra. Aquela que tinha que aceitar e enxergar tudo, sem poder fazer nada para mudar. Mesmo após esses anos, não disse a Edward como verdadeiramente me sinto, pois temia que ele tomasse alguma decisão precipitada e isso poderia a vir a afetá-la e não deixaria que algo assim, acontecesse, não até o momento certo.
Relembrar nossa situação não é fácil, mas não pararei agora.
— E foi assim que aguentei tudo. Desfrutava das horas que ele podia me dar, como se minha vida inteira estivesse ali, mas depois era para a casa de vocês que ele voltava e eu permanecia aqui, sozinha. E não pense que usamos todo nosso tempo apenas para sexo. No início até foi assim, mas depois, acho que ambos entendemos que nosso tempo era curto demais e tínhamos tanto a desfrutar, que em muitos dias, ficamos apenas conversando, deitados e juntos, aproveitando a companhia um do outro.
Terminei de falar.
— Você é alguém muito forte Bella, realmente muito forte. A conheço praticamente a minha vida toda, acompanhei tudo o que passou e mesmo assim, nunca desistiu, aguentou firme, teve fibra para crescer e continuar. E agora descubro que sacrificou tanto por mim. Não estou aceitando tudo o que houve, nem abrandando a situação, apenas encarando os fatos como uma pessoa adulta, pessoa essa, que você e Edward ajudaram a construir. Não sei quando, como ou se chegará o dia em que os perdoarei verdadeiramente, mas também não posso julgá-los por terem feito o que fizeram. Sendo que o intuito era de ajudar e vocês conseguiram. A mulher que sou hoje, nem se compara com a Jane de poucos anos atrás e agradeço por isso, mas ainda não posso perdoar tudo, não agora. É claro que vou me divorciar do Edward, quero uma vida e vocês merecem também. Todos merecemos uma segunda chance e é ao que vou me agarrar agora.
— Eu sinto muito, de verdade. Se pudesse não tê-la envolvido em toda essa situação, pode ter certeza que faria, mas a vida quis assim. Eu analisei por um tempo e vejo as coisas por esse ângulo agora. Algumas pessoas julgam essa frase de modo errado e leviano, quase sempre para justificar atos maldosos, mas não a enxergo assim, creio que tudo tem seu lado bom e ruim, cabe a cada um decidir qual caminho cursar. E nessa situação, acredito que os fins justifiquem os meios. Nós tivemos um objetivo, ajudá-la a tornar-se a mulher que está aqui hoje e alcançamos. Isso mostra que por mais erradas que tenham sido algumas decisões, o resultado compensa as ações.
— Eu acredito em você. Agora temos que seguir em frente e lidar com cada decisão que tomamos ao longo da vida. Desejo que alcance mais, você fez tudo isso por mim e espero que a partir desse momento, comece a fazer as coisas por você também. Eu desejo isso a minha amiga Bella...
Depois daquele dia, a vida de todos tomou um novo curso.
Iniciou-se um processo de readaptação generalizada.
Jane conversou com Edward também e ambos decidiram iniciar o processo de divórcio, baseando no que houve comigo, os Cullen fizeram um acordo desassociando Jane dos assuntos da empresa da família e tomaram para si, os acordos prestados.
Falando nos Cullen, contar a eles não foi algo fácil. Eu estimava muito a consideração que tinham por mim e fiquei com muito medo de perdê-la ao revelarmos a verdade, mas para todo machucado chegar a uma simples cicatriz indolor, é preciso tempo. E foi o que tivemos...
Tive tempo para tentar recuperar a confiança e carinho de Jane. E tempo para Carlisle e Esme entenderem que entre Edward e eu, somos mais do que um simples casal que tomou todas as decisões erradas, realmente somos mais...
Eu não sabia antes, mas hoje em dia, o processo de divórcio é feito de modo muito mais prático e rápido. Como Jane e Edward não tiveram filhos, tudo ficou ainda mais tranquilo. Eles escolheram apenas um advogado, que fez o contrato distribuindo de forma correta todos os bens que possuíam e após isso, foi marcada a audiência que durou poucas horas.
E ao deixarem o prédio, foi como pessoas livres.
Jane me ligou após sair do fórum, contando como se sente e o que pretende fazer agora, que está feliz pela nova fase que se inicia. E mais uma vez, desejou sorte na minha nova empreitada, agradeci por tudo e desejei sorte também a ela, em todas as suas escolhas.
Tudo isso aconteceu há quase uma semana, enquanto isso, Edward também para contar como foi tudo, mas ainda não conseguimos nos ver. Ele está atarefado de trabalho e aproveitei para deixar minha mente focada nas coisas do estúdio, mas ele prometeu vir me ver hoje e é o que está me deixando em expectativa até agora.
Ao ouvir o barulho da chave, meu coração acelerou, como sempre faz quando ele está próximo. Com a porta aberta, pude vê-lo e apreciar sua beleza, que ao passar desses dois anos e nove meses, só melhorou.
Edward ainda é meio cismado com sua idade, mas para mim, é nessa fase que se encontra mais perfeito...
— Olá. – Cumprimentou.
— Oi. – Retribui sorrindo.
— Como foi seu dia?
— Bom. Um pouco nostálgico, lembrando-me de tudo, mas bom. E o seu?
— Tranquilo. Um pouco menos nostálgico do que o seu, estive focado mais no presente, do que propriamente no passado. E vim pensando seriamente em lhe fazer um convite.
— Qual?
— Você aceitaria jantar comigo?
— Jantar fora? Em público?
Meu espanto é total e legítimo.
Pois por conta da nossa situação confusa e escondida, nunca pudemos agir como outros casais.
Sair juntos, fazer programas em público, como qualquer outra pessoa.
— Sim. Você e eu, em algum restaurante aconchegante. Como um encontro.
— Eu adoraria Edward.
— Pois muito bem, se arrume e fique bem linda. Passarei aqui por volta das 20h, para lhe pegar, ok?
Assenti e ele saiu do apartamento.
Fiquei um tempo assimilando toda a situação, mas não enrolei muito, pois ainda tenho tanta coisa a fazer, tomar banho, escolher uma roupa, me produzir.
Oh, meu Deus!
Eu vou a um encontro...
Meu primeiro encontro!
E pode parecer bobagem, a essa altura da minha vida, mas estou tão ansiosa como uma adolescente...
Parei com a crise de ansiedade espontânea e corri para fazer tudo o que pretendo.
Tomei um banho relaxante, tratei do meu corpo, pele e cabelo, ao sair do banheiro, de volta ao quarto, sequei as mexas, optando por deixá-las soltas, com volume em um estilo mais selvagem, que fará contraste com a roupa que separei. Algo formal, romântico e jovial, como me sinto essa noite.
Depois de vestida, maquiada e com os acessórios no lugar, declarei-me pronta, olhei o relógio, vendo que falta exatamente um minuto para as oito, arrumei as coisas no quarto, mas parei ao ouvir a campainha, Edward é tão pontual.
Andei com calma, até me tocar do fato de ele não ter entrado com a própria chave, cheguei a pensar que talvez não seja ele, mas fui surpreendida lindamente, quando ao abrir a porta, o vi segurando um buquê de flores, tão lindo quanto.
— Boa noite senhorita.
— Boa noite. Por que não usou sua chave?
— Quero tudo diferente entre nós. E como em um primeiro encontro, tenho que agir como um novo homem como você, além do que, queria poder ver esse sorriso lindo ao abrir a porta.
— Entendo.
— Lhe trouxe essas flores, acho que para um primeiro encontro, o recomendado seria dar rosas, mas como não somos um casal propriamente normal, pensei em dar algo que tivesse algum significado para nós. Então na floricultura, a moça fez esse arranjo de rosas com narcisos. Um significa o nosso momento e o outro, um recomeço. Que é o que estamos buscando.
— Eu não sei o que dizer Edward. Elas são lindas, obrigada.
Peguei o arranjo, trazendo a próximo ao rosto, para poder sentir o perfume.
— Não posso elogiar algo de lindo, quando você está por perto para comparar. E falando nisso, você está linda Bella, realmente deslumbrante. Mas vamos? Quero muito desfrutar da sua companhia pela noite.
Assenti, entrando apenas para guardar as flores e depois saímos.
Durante o percurso, conversamos sobre amenidades, com o tempo, nossa afinidade aumentou e podemos conversar sobre qualquer assunto sem nos entediar.
Quando Edward estacionou em um lugar subsolo, fiquei sem entender onde estamos. Ele nos guiou para um elevador e só saímos no último andar. Observei que é um prédio comercial, onde cada andar funciona um tipo de empresa. E na cobertura, está um restaurante, muito elegante e bonito.
— Eu nunca tinha ouvido falar desse lugar.
Comentei assim que sentamos.
— É novo, mas a crítica tem falado maravilhas sobre. E estava há muito tempo querendo trazê-la aqui. Estou feliz por finalmente termos essa oportunidade.
— Estou feliz por estar com você também.
Ele segurou minha mão entre a sua, mas logo dispersamos com a chegada do garçom que veio anotar nossos pedidos.
Pedimos entrada, salada fria e o prato principal. Edward não me deixou pedir a sobremesa, disse que poderemos fazê-lo depois, acabei aceitando a ideia e desfrutamos do jantar. Realmente os elogios são válidos, pois tudo estava uma maravilha.
E passamos por algo diferente, mas ao mesmo tempo, tão confortável. Estar com ele em meio às outras pessoas, com todos deduzindo que somos um casal, pela forma que agimos e nos tocamos entre as refeições.
Ao terminarmos o prato, Edward me deu a mão, conduzindo-nos para uma varanda, onde temos a vista completa da cidade, das luzes, do céu, de tudo.
E é incrível estar aqui com ele.
— Quando a vi pela primeira vez, não podia imaginar o que aconteceria conosco. – Iniciou. – Que me seduziria e que amaria ser seduzido. Que viveríamos todo esse tempo juntos.
— Que faria uma bagunça enorme em sua vida. Até mesmo ocasionando seu divórcio. – Completei.
— Pelo o contrário, você fez minha vida acontecer. Antes apenas existia, fazia parte de um ciclo, ao qual não me importava em ter mais. Porém quando apareceu, tudo mudou. Eu queria mais, ser alguém diferente, construir algo novo e você me deu essas possibilidades. Não me arrependo das escolhas e ações que fiz para tê-la, posso me arrepender de algum mal que tenha feito a terceiros, mas por nós dois? Não me arrependo de nada. Teria feito tudo igualzinho, só para ter você.
— Edward, eu...
— Espera, tenho planejado isso há algum tempo e não quero errar. Bella, você surgiu como uma tentação e veio arrastando todas as minhas convicções. Me fez desejá-la mais do que tudo. E quando a tive, simplesmente fez tudo aumentar, não me dando chances de escapar. E agora quero fazer o mesmo contigo, mas temos que fazer direito e passar por todas as fases, não quero apressar nada. Você merece o todo e é o que pretendo te dar.
— Edward, você acabou de se separar. Tem a oportunidade de viver uma vida livre, tem certeza que quer se amarrar completamente a alguém como eu?
— Bella, você não entende que estou completamente amarrado a você? Desde aquele dia no aeroporto? Isso aqui é apenas formalidade. Já sou seu. E não tem como se livrar de mim. Mesmo que queira, não a deixarei escapar.
— Como se fosse querer ficar longe. Você é tudo o que mais quero. Hoje e sempre.
— Então me dê a enorme satisfação de namorar comigo? Esse pedido é só o primeiro, para podermos passar por todas as fases, mas não se surpreenda, se daqui a alguns meses, semanas ou apenas dias, vier com algo mais. Sei o que quero e o que vejo no meu futuro. E ele só gira em torno de você. Então, o que me diz?
— É claro que sim. Você realiza tudo o que sonhei e até o que não imaginei ter. Alguns erros, às vezes, são capazes de nos levar aos melhores acertos. E com você é assim. Também não me arrependo de tê-lo tomado para mim, eu queria ser feliz e lutei por isso. Você é a minha felicidade e jamais desistirei dela. Será um prazer ser sua namorada.
Edward enlaçou minha cintura e me beijou.
E, ah, que sensação incrível.
Parece nosso primeiro beijo, mas de certa forma é, o primeiro da nossa nova fase.
O ponto alto que confirma que para ser feliz, temos que correr atrás. Nem sempre as coisas serão fáceis ou até mesmo morais e éticas, mas, no fim, as recompensas valem a pena...
Minha amiga está feliz e realizada, conquistando seus próprios sonhos e objetivos. Eu tenho o emprego dos meus sonhos, fazendo o que sempre amei. E agora, ainda tenho o homem mais incrível que poderia desejar.
O tenho entre os braços, prometendo que os dias de felicidade estão apenas começando.
O que posso querer mais da vida? Posso afirmar que nada. Tudo o que preciso para ser feliz, está diante de mim.
E continuarei lutando por isso, por ele, por nós e por esse sentimento estranho que nubla o meu coração.
Será que é amor?
Sinceramente não sei responder, mas tenho o futuro inteiro para descobrir...
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