Intenso
1 Capitulo Único
Tinha chegado sua hora, James Potter sabia que tinha chegado sua hora de partir desse mundo. Ouviu o grito de desespero de sua companheira ao mesmo tempo que sentiu a adaga lhe atravessar a barriga. Tinha ouvido o sibilo característico de quando ela se irritava, e depois o silencio, ela tinha dado um jeito no segundo invasor, mesmo que James já tivesse incapacitado ele.
Ela precisava correr, eles quase sempre vinham em trio, então tinha mais um pela casa, ela precisava acha-lo antes que ele pudesse fazer algo. Mas ela não fez isso, apenas se sentou perto de James, puxando ele para perto e pressionando o ferimento que não parava de sangrar.
— Vai ficar tudo bem, você vai ficar bem – ela falou com as lagrimas escorrendo por baixo dos óculos escuros que tinha enfiado rapidamente no rosto enquanto corria para perto do amado.
— Eu te amo. – ele falou, cuspindo sangue. – Eu sinto muito...
— Não, não fale – ela pediu. – Você vai ficar bem, vai ficar tudo bem.
James sorriu levemente, sabendo que aquilo era mentira, sabendo que ela também sabia, apenas estava em negação. Eles sabiam que ele ia viver menos que ela, era um fato. Estava feliz pelo tempo que as pacas permitiram a ele.
— Deixe-me ver seus olhos.
X-X
James encontrou com a mãe uma única vez. O pai de James criou o filho sozinho desde que Afrodite deixou o pequeno bebê em sua porta, ele tinha apenas 19 anos na época, se virou nos trintas para dar o melhor para James e nunca perdeu as esperanças de que um dia Afrodite retornaria para eles. Mas quando ela voltou, ele estava sendo enterrado na sepultura da família.
James gostaria de dizer que sentiu raiva dela, que era culpa da sua mãe que seu pai tinha morrido depois de se sobrecarregar tanto e que ele definhara conforme os anos passavam e ela nunca voltava. Mas ele não sentiu nada disso, estava anestesiado, não parecia real, então apenas deixou que a mãe o levasse pessoalmente até o Acampamento Meio-sangue, e assim aos oito anos ele foi deixado aos cuidados de Quiron, que nunca mais o deixou sair de lá. Bom, mais ou menos.
James lembrava disso quando acordou com as mãos amarradas a uma cama. Lembrou porque naquele dia, antes de sua mãe ir embora para sempre, ela se abaixou em sua frente e falou algo que não fez nenhum sentido para ele na época.
— Você sabe o que ser a deusa do amor significa? – ela sorriu quando ele sacudiu a cabeça em negação. – Bom, acho que você vai descobrir em breve. Mas quero que saiba que tenho algo planejado para você, meu filho, vai ser rápido e intenso, você vai marcar uma pessoa profundamente, e ela vai lembrar de você para toda a eternidade.
— Como eu vou saber quem é ela? – perguntou o pequeno James.
— Você apenas saberá.
Durante o segundo que ele levou para se situar essa conversa veio a sua mente. Naquele quarto iluminado por uma luz assustadoramente vermelha, sentada em uma cadeira bem na sua frente, segurando de forma desajeitada uma faca de cozinha, estava a moça mais linda que James Potter já tinha visto.
E assim como prometeu sua mãe, ele apenas soube.
X-X
— Se você pretende me matar, devia ter feito isso enquanto estava desacordado – James fala, fazendo a moça pular da cadeira ao notar que ele acordou. – e devia segurar essa faca com mais força também.
A garota parecia ser mais velha que ele, talvez batendo os 20 anos, usava um tecido cobrindo os cabelos, e óculos muito escuros, mesmo que estivessem em um quarto fechado, um barulho estranho vem dela. Ela dá dois passos rápidos para trás se escondendo ainda mais nas sombras, James mal enxerga sua silhueta.
— Eu não pretendo de matar – ela fala e James identifica o barulho como o de cobra, ela estava com uma? – E agradeceria se você fizesse o mesmo por mim.
— Bom, você não parece ter disposto da mesma hospitalidade com meus amigos que vieram antes. – James responde.
O plano era simples, os nos que ela tinha dado eram mal feitos, como se ela estivesse nervosa no momento, James ia se soltar em poucos segundos, apenas precisava evitar que ela o matasse antes.
— Você não pode me julgar por me defender daqueles filhos de Atena. – ela rosna levemente, e o sibilar aumenta, como se tivesse muitas cobras no quarto. – Não tenho nada a acertar com sua mãe.
Antes porem que ela terminasse a frase, James conseguiu se soltar, com um puxam as mãos saíram das cordas e ele agarrou uma garrafa que estava na escrivaninha, jogando com força na direção da moça. Acertou em cheio na testa, fazendo ela cair para tras com o impacto.
O grunhindo veio acompanhado de sibilos enquanto James correu para a porta, apenas para encontrá-la trancada, era uma porta realmente forte e não cedeu com o chute que James deu.
— Não é porque não pretendo te matar que posso te deixar ir embora para voltar com mais semideuses. – falou a voz doce que parecia estar com muita raiva no momento. – Acho que vamos conversar um pouco, agora, vire-se devagar.
James se vira lentamente, e quando a encara novamente, paralisa de medo. O véu de sobre os cabelos tinha caído quando ela foi atingida, só que não era cabelos, várias cobras se enrolavam e sibilavam.
— Você é a Medusa. – ele arqueia.
— Não gosto desse nome, foi um nome dado para o monstro que eles queriam criar, — ela afirma, as cobras se posicionando de forma ameaçadora. — eu não sou esse monstro.
— Você tentou matar Percy não tem pouco tempo!
— Filho de Poseidon, não posso fazer nada contra ele, mas acho que seus filhos são uma vingança o suficiente.
A história da Medusa vem a sua mente, ela costumava ser uma sacerdotisa, devota, até que Poseidon apareceu...
— Como você prefere ser chamada? – James perguntou antes que pudesse se controlar.
— Gosto de Lily.
X-X
— Lily, você sabe que estou morrendo. – James falou, cuspindo mais sangue. – Você precisa me deixar, precisa ir.
— Não, — a palavra saiu chorosa. – vou conseguir ambrosia, néctar, alguma coisa que vai te ajudar.
James sorriu, sabendo que ela ia resistir, mas ele precisava convence-la a lutar.
— Minha mãe uma vez me prometeu um amor incrível, e assim que eu te vi eu soube que era você, você era o meu amor incrível, agradeço por todo esse tempo. – ele falou, a voz ficando mais baixa a cada segundo. – obrigada por ficar comigo até aqui. Obrigada por ter confiado em mim, Lily.
A garota agora chorava com força, finalmente aceitando o fato que tinha chegado a hora dele, o ferimento tinha sido realmente feito, ela não costumava usar laminas para matar, mas já feito isso o suficiente para saber que quando essa perfurava a barrida tinha muitas chances de atingir algo importante.
— Por favor, Lily.
X-X
Rápido e intenso, foi o que sua mãe tinha falado, James ainda não tinha certeza sobre a parte do rápido, mas intenso com toda certeza era. Tinha seis meses que ele estava ali no café que Lily montara na beira da estrada, ela lhe contou que tinha retornado na época de Cronos, mas que se negou a lutar ao seu lado e estabeleceu moradia ali. Eles dividiam o quarto dos fundos, trabalhavam até as 16h e depois ficavam juntos.
James ria ao lembrar que saiu escondido do Acampamento Meio-Sangue com a intenção de matar o que fosse que tivesse atacado os semideuses desaparecidos para voltar como um herói e então tinha encontrado com ela. Ele mandou uma mensagem de Iris avisando que estava bem e que não ia voltar, obviamente Quiron pediu para ele reconsiderar. Mas ele já era maior de idade, um marco bom para semideuses, e tinha o direito de escolher onde morar.
A relação com Lily era natural, vinha com facilidade. Ela tinha dentes pontudos, por isso o primeiro beijo foi estranho, mas eles deram um jeito de fazer funcionar, eles deram um jeito em todas as diferenças. James estava feliz, talvez mais do que jamais estivera. Lily era uma boa pessoa a quem tinha acontecido coisas ruins.
— Por um tempo, eu fui o monstro que eles queriam – ela conta certa noite, enquanto James a abraça e ela se sente segura. – era mais fácil, sabe, ser o que todos esperavam, mas seguro também. Lembro de todos que transformei, lembro de todos que me mataram. Mas acho que todos cansam um dia.
Lily queria uma nova vida, queria aproveitar o que o mundo normal tinha a oferecer, queria viver em paz e apenas cuidar do bar e do jardim
— Como são seus olhos? – pergunta James de volta, sentindo as cobras de Lily se enrolarem em seu braço.
Ela tinha contado há pouco tempo que costumava ser ruiva, e que provavelmente por isso as cobras em seus cabelos eram corais, vermelhas como sangue. No início, James sentia um arrepio toda vez que uma delas tocavam sua pele, mas agora era tão natural que até sentia falta durante o dia, quando Lily usava o véu sob pretexto de motivos religiosos para esconde-las.
— As pessoas costumavam dizer que eram os olhos mais lindos que já tinham visto, eram grandes e verdes vivos, como pinheiros, — Lily sorrir melancolicamente. – faz milênios que não escuto nenhum comentário sobre eles, imagino que devam ser do mesmo jeito, mas se alguém os verem, não vive por muito tempo para me responder.
James gostaria de ver, gostaria de saber como eram os olhos dela, sabia que provavelmente jamais poderia realizar esse desejo, mas a amava profundamente, e tinha certeza que ia amar os olhos dela, por mais perigosos que eles fossem.
Quando eles finalmente dormiram, James sonhou com olhos verdes, sonhou com olhos lindos e um mundo onde Lily não tinha passado por tudo o que sofreu. Um mundo tranquilo onde ele poderia encarar os olhos da mulher por quanto tempo quisesse. Infelizmente eles não viviam nesse mundo, e James foi acordado no meio da noite com semideuses invadindo o lugar.
X-X
Lily começou a cantarolar uma canção antiga para James, tentando acalma-lo para o que quer que viesse em seguida. Ele seria considerado um herói? Morria para salvar alguém, mas ela não sabia se isso valia para semideuses que salvavam monstros. James mais do que qualquer um merecia ser um herói.
James passou metade da vida ouvindo que filhos de Afrodite não eram lutadores, passou metade da vida tentando provar que poderia ser um, aprendendo a usar espadas, adagas e arcos. Bom, aqui estava ele, caído no chão, mas antes tinha conseguido derrotar dois filhos de Ares e ele fizera isso por amor. Isso parecia algo que apenas um lutador conseguiria. Definitivamente tinha se provado, e agora tinha mais uma coisa para fazer.
— Lily, — ele chamou fracamente. – Eu quero ver seus olhos.
— Não, James, se você olhar para eles vai virar pedra. – ela respondeu balançando a cabeça, tinha finalmente parado de chorar, e estava ali esperando o momento chegar com ele. – não vou matar você.
— Eu já estou morrendo, eu apenas quero morrer sabendo como é os olhos da mulher que amo.
Ela ficou quieta por exatas três respirações rasas de James, e por fim tirou os óculos, mas manteve os olhos fechados.
— Você tem certeza disso?
— Absoluta. – respondeu James, confiante.
Ela abriu os olhos.
Eram verdes, muito verdes, um verde totalmente diferente, provavelmente ate anormal, e deveria ser assustador quando o olhar transborda raiva, mas no momento ele estava cheio de amor. Eram olhos profundos e tinham um brilho totalmente único e magico. Intenso pensou ele, era o olhar mais intenso que James já tinha visto, era simplesmente maravilhoso.
James sentiu seu corpo ficando mais pesado e com certa dificuldade erguei as mãos para tocar o rosto da amada, fazendo um carinho em sua bochecha, viu quando seus dedos começaram a ficar cinza e sem movimento.
James sorriu para ela, que sorriu que volta, mesmo que seus olhos tivessem se enchido de lagrimas de novo.
— Eu te amo tanto, James, nunca vou esquecer você.
— Eu também te amo. – ele falou baixinho. – São os olhos mais lindos que já vi.
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