Intensity
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Intenso. Era profundo o jeito em que nos misturávamos, era tão bonito e sujo, era tão bom e tão ruim, era sápido o modo que ele agarrava suas mãos em torno de meu tronco, mas era tão forte que poderia acabar com a minha respiração, algésico, sufocante, era tão asfixiante que parecia bom.
Todos me diziam que era estupidez, burrice, mas tudo era tão apolíneo que parecia certo. Alguém me disse que não há nada errado no mundo, quem somos nós para definir as extremidades? Somos 7bi de pessoas em um planeta irrisório, em uma pequena fração do universo. Platão se fazia a mesma pergunta, e nem mesmo aquele que parecia ter todas as respostas, conseguiu responder aquilo que ingenuamente é imposto a nós.
Pela primeira vez, nos braços dele, eu me senti livre, seus beijos me davam asas. Eu adorei o jeito que ele roçava sua barba em meu pescoço e deixava beijos úmidos ali. Ah, e como vou sentir falta, pode parecer clichê, mas ele tinha os lábios mais macios.
E antes de me olhar com desejo, ele me olhava tão terno que era impossível deixar de querer receber aquele olhar. Eu nunca quis amor, e ele sabia disso, eu queria sensações, eu queria experiências, eu queria sabores, queria pelo menos um dia diferente daquela rotina, e como se tivesse lido minha mente me deu tudo.
E foi naquela parede gelada que ele me beijou, ele me beijou intensamente, ele acendeu uma chama que eu pude sentir fisicamente, ele me agarrou, e sussurrou meu nome.
Eu nunca pude descrever isso pra ninguém, porque era “errado”, mas eu senti pela primeira vez a sensação que eu sempre busquei. Eu sentia, sim, eu sentia, tudo explodia, eu via tudo vermelho, era tudo escuro, eram explosões.
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