Intense eyes
1 Victória
Notas iniciais
Olá, eu estou pela milésima tentando escrever uma fanfic... Se gostarem COMENTEM EU IMPLORO!
Palavras que não contém sentimentos são apenas palavras, e Victória havia de aprender isso se quisesse um dia realmente se tornar escritora. De alguma forma ela não conseguia ver isso sozinha, e palavras e o amor deveriam acontecer para que isso fosse possível, e isso prova que as coisas nessa vida não são por acaso. Pois se fossem, qual seria o sentido de tudo isso? Escrever nem sempre é uma missão fácil como algumas pessoas acham que é, exige muito amor e concentração, e era um pouco de tudo que faltava na vida de Victória.
Entrou na sala, era seu primeiro dia no curso de redação, e ela não poderia estar mais ansiosa, e o tema de sua primeira redação também não poderia ser mais obvio: Alto retrato. Como seu tempo se esgotando, ela terminou seu texto com perfeição, e mesmo que tivesse algo faltando em seu peito, sua vontade e determinação eram maiores. Como qualquer outra menina, ela tinha maus costumes, ela não prestava atenção ás coisas à sua volta, mas isso acabou, acabou no instante que direcionou seus olhos à mesa da professora. Olhos negros fitavam-na e suas bochechas, que já eram vermelhas, coraram ainda mais, seu coração disparou e seu único reflexo foi olhar de volta para seu caderno. Logo as redações foram passadas de mãos em mãos, até chegarem à mesa maior que se encontrava na frente, a mesa da qual Victória não podia olhar, pois suas bochechas ainda ardiam pelo encarar daqueles olhos negros. E então depois de algumas horas de textos e lições, aquele dia acabou, ou pelo menos deveria ter acabado. Pouco a pouco os alunos se retiraram, mas seu nome foi dito em alto e bom tom antes que pudesse se retirar com os demais. E então aproximou-se da mesa com cautela. Algo estava estranho no ar.– Por que tão pensativa e seletiva com suas palavras, Victória? A menina Victória não entendia o que a professora de olhos negros dissera, tão pouco percebera algo de errado em sua maneira de pensar ou agir. Simplesmente saiu da sala sem dar uma resposta, mas pensou nisso pelo resto da sua noite. Victória sentia saudades de seus tempos de menina, as palavras deslizavam de sua mente com mais facilidade naquela época. As coisas na vida nunca conseguem continuar intactas, elas melhoram ou desgastam com o passar do tempo, e os pensamentos em relação às coisas se tornam cada vez mais embaralhados. Em sua casa tomou seu demorado banho de água quente, o cheiro adocicado de seu óleo corporal inundava o ambiente, e com o escorrer da água em seu corpo a fumaça embaçava sua visão, e palavras, que antes atordoavam sua mente, pareciam ter descido pelo ralo. Colocou seu baby-doll cor-de-rosa, suspirou ao deitar-se na cama. Em algumas horas teria de acordar e recomeçar o seu dia outra vez. Acordou um pouco depois do raiar do sol, esquecera as cortinas abertas na noite anterior, e o sol queimavam os seus olhos sem piedade. Olhou para o relógio, ainda confusa por conta do sono matinal, organizou seus lençóis e cobertores, trocou-se e foi para a cozinha preparar seu café da manhã, acompanhando um café forte, para que pudesse despertar com mais facilidade. Com o seu tempo já apertado ela saiu de casa, a padaria onde trabalhava era apenas algumas quadras de sua casa. Era uma padaria de estilo rústico, típica de cidade do interior, porém a cidade poderia ser qualquer coisa menos uma cidade do interior. As coisas lá sempre eram as mesmas, e ela via todas as manhãs da semana os mesmos rostos tediosos trabalhando. Seu lugar era a cozinha, e apesar de qualquer coisa ela gostava de trabalhar fazendo os doces pela manhã, pensava que de alguma forma doces em geral deixava as pessoas contentes. Era o que sua mãe sempre dizia quando ela era pequena. Entrou pela porta dos fundos e trabalhou em silêncio a manhã toda. E no final de seu expediente presenteou-se com uma taça de vinho, com o intuito de apenas relaxar.– Senhorita Victória? Tem um moço procurando por você. – Disse Rafael, que cuidava do caixa da padaria. Ela não perguntou quem estava procurando por ela, afinal já sabia quem e o que queria, não estava nem um pouco alegre por isso. Colocou sua taça de lado, levantou-se e foi em direção à porta, saindo de seu esconderijo. Ali perto do balcão encontrava-se Daniel, com os seus cabelos dourados bagunçados e um sorriso convencido no rosto. Ela revirou os olhos e foi em sua direção.– O que você quer aqui, Daniel? – Disse com desdém.– Eu apenas queria conversar com você, me dá essa chance.– Não temos mais nada para conversar. Será que você não consegue entender que acabou tudo entre nós? O timbre de sua voz já não conseguia disfarçar a irritação causada pela presença do garoto. Ela jurou não se deixar levar pelas mentiras dele novamente. Quantas vezes precisaria sofrer para entender que não valia a pena? A discussão não os levavam para lugar algum, e a voz dele, que antes era estridente, começou a parecer distante, como se sua mente tivesse se desligado. As palavras ditas por ele sempre são as mesmas, seu corpo já tem as respostas em modo automático.
– Já chega! – Disse empurrando e guiando ele para fora da padaria, pois aquilo já havia ido longe demais – Eu não quero mais saber de você me procurando, não quero mais saber do meu nome da tua boca. Você me dá nojo. Lágrimas foram brotando no meio de suas palavras amargas, e ele finalmente se foi, sem olhar para trás. O garoto que começou com uma sensação doce no coração de Victória, com o tempo, se tornou amargo, e como uma fragrância qualquer se dissolveu no ambiente. Era estranho não ter mais nada à dizer sobre esse amor, as coisas são engraçadas nessa vida. Sua casa parecia ter uma atmosfera distorcida quando ela ficava nervosa, era impressionante como a presença de alguém tem o poder de estragar o dia. Foi até à cozinha e pegou um remédio para dor de cabeça e um enorme copo de suco, decidiu então continuar escrevendo o seu livro, afinal toda essa tensão teria de ir para algum lugar. Por que não para algo prestativo? Abriu com a chave a gaveta de sua prateleira, tirando dali um livro com páginas caindo, algumas com escritas e rasuras e outras apenas em branco. Por alguns minutos foi como se o tempo tivesse parado, e tudo se aliviou, e a pressão que ela sentia na atmosfera distorcida de sua casa simplesmente desapareceu. Ficou ali criando o seu mundo, deixando com que as palavras consumissem o ar.
Fale com o autor