Intempestiva

2 Capítulo 2: Companhia misteriosa


Com buffet e bebidas, além de um DJ profissional, tudo estava certo para garantir a nossa diversão noturna. Algumas mulheres me olhavam sugestivamente. A festa só estava começando e eu queria alguém que realmente chamasse a minha atenção. A única certeza que eu tinha era que até o fim da noite eu não estaria sozinho.

Sorrio fraco, antes de levar o meu drink duplo à boca.

Nós não estávamos nem na metade da festa quando Sílvia teve a infeliz ideia de aparecer. Ela estava diferente, ainda se deu o trabalho de mudar de roupa para uma veste mais casual.

Andei a passos duros sem escutar os pedidos de Vitor para eu manter a calma.

— O que está fazendo aqui afinal? Segurei-a pelo braço.

— Achei que todos do último ano tivessem sido convidados.

— Pensei que tivesse entendido que a nossa última conversa foi um desconvite.

— Gustavo, eu...

Ela tentou tocar na mão que eu a segurava, porém, a soltei rapidamente.

— Apenas vá embora Sílvia.

Dou-lhe as costas.

Todos perceberam o clima tenso que o meu pequeno diálogo com Sílvia ocasionou, mas ninguém se atreveu a comentar. Talvez por medo de eu acabar com a festa. Bom, pelo o que eu me conhecia, era bem capaz disso acontecer simplesmente por raiva.

Não aconteceu. Me envolvia entre bebidas e danças, beijei uma asiática bonita. Comecei a fazer rodízios de bebidas. Vitor demonstrava preocupação.

— Vá devagar, Gustavo, a bebida não vai sumir.

Eu já estava meio tonto mesmo. E quem era que ligava? O máximo que poderia acontecer era eu capotar e acordar só amanhã.

Rio sozinho. Achei que parecia um doido, já que Vitor e sua namorada Laura me olharam estranho. Foi quando uma garota cacheada e tímida me chamou atenção. O corpo atraente dentro de um vestido colado de um ombro só fez a mente voar longe. Ao lado dela estava o interessado Arthur.

Desculpe, mas essa você já perdeu.

Levantei-me da banqueta perto do bar de maneira lenta, consequência da bebida, e fui até eles.

A garota era baixinha perto dos meus 1,83. Ela deveria ter no máximo 1,62.

— Oi. Eu falei bem perto do seu ouvido.

Ela paralisou.

— O-oi.

Mirei-a de frente.

Os cabelos dela tinham um tom alaranjado que caiam como uma moldura no rosto delicado de maçãs que davam vontade de morder.

Surpreendeu-me. Ela era muito mais bonita de perto e me lembrava de alguém, mas quem?

— Gustavo, essa é a...

O cortei.

— O que acha de ir ver como as coisas estão na mesa de som, Arthur?

Esqueci de mencionar que ele era o DJ.

Sem dizer uma palavra ele se afastou. Sorrio satisfeito, mas a bonita moça não gostou já que me olhava de cara feia e de braços cruzados. O par de seios ficou destacado.

— Por que está falando comigo?

Fiquei encarando sua comissão de frente e acabei distraído.

Concentre-se.

Eu não queria assustá-la.

— Por que eu não falaria com você? Olhei-a de cima a baixo.

Ela corou.

Achei uma gracinha.

Toda rosada.

— Tenho alguns motivos...

Entrei na dela mesmo sem ter interesse.

— Que seriam?

Não foi uma boa ideia. Eu não queria conversar.

— Primeiramente, eu sou a...

Toquei seus lábios. Não eram grossos nem finos, e sim médios e volumosos.

Ela visivelmente não estava esperando.

Fitei-a diretamente nos olhos. Olhos docemente cor de avelã que expressavam ternura.

— Não concorda comigo que o que importa nesse momento é o hoje e o agora?

Ela balançou a cabeça de maneira afirmativa.

Sorrio de lado.

Levei a mão que estava nos seus belos lábios para a sua coluna e a trouxe para mais perto.

— Que bom que concordamos.

Na hora me veio um pensamento.

Será que ela vai se arrepender depois?

O que você acha de irmos juntos para um lugar mais reservado? Eu inclinei a cabeça para olhá-la em busca de uma confirmação. Atraente, ela entreabriu os lábios ao se aproximar mais.

— É uma boa ideia.

Nos beijamos com intensidade, sentindo a sensação de prazer nos invadir. O beijo foi tão intenso que despertou em mim uma onda de adrenalina e desejo. Inevitavelmente, levei-a para o meu quarto. Fechei a porta e dei a ela um pouco de espaço.

Quando a encarei novamente ela estava observando a decoração de um quarto tipicamente masculino, embora não seja muito do meu gosto, mas sim da minha mãe.

— Gostou?

Ela se assustou, talvez por estar distraída.

Sentia obrigação de dizer: — Desculpe, eu não queria assustá-la.

— Tudo bem, eu estava distraída.

Ela prosseguiu. — Sim, o seu quarto é muito bonito.

— Você que é linda. Elogiei por realmente concordar com a minha afirmação.

Ela sorriu de maneira tão genuína que eu fui pego de guarda baixa.

Posicionei-me atrás dela, joguei seus cabelos para o lado e beijei seu pescoço alvo.

Os beijos leves ficaram mais fortes e desciam para a clavícula. Ela ficou estática, como se estivesse longe dali, mas não demonstrou negação. Continuei beijando-a, minha mão desceu pela lateral do seu corpo. Virei-a para vê-la de frente e, mais uma vez naquela noite, busco uma confirmação em seus olhos. Ela me ajudou a tirar o seu vestido, e percebi o quanto ela estava arrepiada.

Chegou a minha vez de tirar a camisa, no processo perdi alguns botões.

Pela primeira vez, a vi de calcinha, mas não era sexy sendo apenas comum.

Esse pensamento quase me fez sorrir, quase.

Seu corpo era extremamente branco como uma porcelana delicada e macia. Deitei-a gentilmente na cama e me posicionei sobre ela, apoiei minhas mãos nas laterais de sua cabeça.

Talvez eu ligasse para ela quando minha lucidez voltar...

Ficamos nos olhando por um tempo que pareceu incerto, e por um curto intervalo de tempo, quase desistia de continuar.

A jovem deitada em minha cama parecia ser ingênua demais para terminar assim... Quase como um anjo de doçura...

As maçãs do rosto pegavam fogo, e os olhos brilhavam, algo em seu olhar me confundia.

A maneira como ela me olhava, reagia à minha presença, ao meu toque...

Talvez ela fosse uma daquelas mulheres que romantizam todo o ato e esperavam uma confirmação de telefonema no dia seguinte.

Recuei.

— Não vá embora. Pediu baixinho ao tocar meu abdômen na área do meu flanco direito.

Ela tinha uma sombra no olhar, e aquela sensação de conhecê-la retornava. — Eu... Eu te conheço? Perguntei confuso.

Continuei a encará-la em busca de qualquer sinal que confirmasse a minha suspeita.

Sua respiração ficou pesada, os olhos nublados pelo desejo se tornaram maiores do que o normal. Ela estaria chocada? A ruiva olhou para algum ponto atrás da minha cabeça antes de voltar seus olhos para mim.

— Eu realmente quero ficar com você esta noite.

Passei a mão suavemente em sua perna esquerda. Fiquei a alguns centímetros de distância de seu rosto.

— E onde mais você estaria? Toquei sua face rosada. O beijo ocorreu de um jeito exasperado, mais exigente do que o primeiro e naquele momento sentia que não podia mais voltar atrás.

Eu não deveria ter bebido tanto, a minha mente estava nublada pelo álcool e pelo desejo e tudo o que eu queria era ser gentil com ela.

Entre suas pernas, escutei um gemido de prazer, intenso e profundo... A névoa da noite aumentou a satisfação da entrega e a urgência em devorá-la.

Com os antebraços apoiados nas laterais da sua cabeça, meu corpo a cobriu, mantive uma certa cautela para não machucar a pequena doçura abaixo de mim. Apesar do meu estado de embriaguez, eu percebia que seus olhos castanhos brilharam com uma emoção intensa e desconhecida.

Sua mão deslizou suavemente pela região do meu quadril e abdômen, como se quisesse confirmar que eu ainda estava ali. Um sussurro escapou dos seus lábios, enquanto ela confessava: — Você é tão bonito.

Um sorriso curto apareceu nos meus lábios, e então eu toquei os nossos narizes em um gesto carinhoso antes de mergulharmos em um beijo profundo, cheio de desejo, arfares e suspiros. Existia uma força invisível e enigmática que nos envolvia. A pele feminina emanava um aroma adocicado que se misturou ao fervor da luxúria.

Aquela garota atraente se tornou apaixonante em meus braços, a cada toque compartilhado que nos impulsionava a querer mais. Nossos movimentos se tornaram cada vez mais intensos e impetuosos, eu podia sentir sua respiração arfante no momento em que ela se libertou me puxando ainda mais para perto.

Enquanto estava perdido no êxtase, uma parte de mim pensava seriamente em pedir o número dela. Para prolongar essa conexão, tentar manter esse sentimento vivo fora desse quarto. Mas, ao mesmo tempo, uma voz interior me lembra da minha embriaguez e da incerteza do amanhã. Será que isso seria apenas um momento passageiro? Será que valia a pena mergulhar mais fundo?