Insônia

1 Insônia


Notas iniciais
Eu estava em um sério problema de bloqueio criativo, quando a @Angel45 / PinkieBye me mandou o link para o Desafio Meraki. Pensei: porque não tentar? ~~~~~♥ ~~~~~ O Tema da Semana 01 era: Insônia. Espero não ter fugido muito ao tema...

“[Medicina] Incapacidade de adormecer ou de manter o sono, que pode ultrapassar o período de um mês, sem razões físicas aparentes ou uso de medicamentos que alterem o sono; ”

As palavras não vinham a cabeça de Love após ler o início da história. A autora estava sentada na frente da tela do computador há minutos e não estava nem um pouco satisfeita com o texto que estava escrevendo para o desafio literário on-line. A pequena história original mais parecia uma coisa embolada e malfeita para si.

Já havia pesquisado o significado da palavra “insônia” no site do Dicio, mas não havia ajudado mais do que iniciar três parágrafos muito chatos, em sua opinião. Nem mesmo suas playlists especiais de Melanie Martinez, Alec Benjamin ou Billie Eilish foram capazes de ajudar a jovem. Love bufou enquanto pensava: Melanie Martinez sempre resolveu qualquer bloqueio criativo!

A frustração se fez presente para a roxeada. Decepcionada consigo e sua “obra”, afundou na cadeira de plástico e na enorme almofada vermelha que a ajudava a ficar na altura da mesa de granito, para digitar corretamente. Love olhou o relógio: 15h29min de uma terça-feira. Sentiu-se culpada.

Culpada por várias coisas…

Era meio de semana, deveria estar estudando para o vestibular, ao invés de estar ali. Deveria estar escrevendo outras coisas que estavam em falta há séculos. O peso de ser adulta e não ter nada já pesava em seus ombros: ainda não havia conseguido conquistar a vaga na faculdade dos sonhos. Mas, também, que curso fora escolher, hein?

A falta de uma estabilidade financeira dada por um emprego também lhe fazia falta. Como era possível não ter conseguido nada até hoje? Vergonhoso. Tais ideias davam ataques de ansiedade no coração da arroxeada, que tentava respirar fundo, com dificuldade.

Concentre-se, pediu internamente. Depois de anos de terapia e vitaminas, aprendeu a se controlar.

Love precisou de uns minutinhos para relaxar e ter coragem de encarar seu texto, apagando seus pensamentos sobre a “vida adulta”, tentando descobrir o que deveria fazer com aquele amontoado de palavras com o tema insônia. Ironicamente, era o que o tema havia lhe causado na última noite pelo seu descontentamento com o trabalho.

A amiga virtual de escrita havia mandado o link do desafio no fim de semana para a garota de cabelo lilás e mechas rosa pastel. MusicLove ficou muito interessada, pois, nunca havia parado para realmente participar de um desafio literário com outras pessoas desconhecidas durante esses quase 10 anos de escrita amadora. No máximo, separava um tempo com a melhor-amiga e mais duas amigas virtuais para fazerem um “amigo oculto de fics”.

Rapidamente, havia compartilhado a ideia e marcou a amiga, pedindo para participarem. Bingo! Estavam participando. Seria uma ótima forma de forçar sua criatividade e terminar outras histórias paradas.

O problema veio quando não conseguia pensar em nada, nem escrever. Love estava afundada em profunda amargura. Enquanto isso, a melhor-amiga já havia escrito sua história e mandado para que fizesse a “betagem”.

Estava ótimo!

Em compensação, a mulher estava mais parada que caracol correndo. Respirou fundo e lembrou-se da noite passada. Havia tido a ótima ideia de colocar em prática a vida de uma de suas personagens originais e suas questões pessoais. Escrever sobre a ajudaria muito, quem sabe não tomava coragem para fazer o livro, finalmente?

O problema é que o texto não estava bom o bastante. Love o achava muito fraco, principalmente no ponto emocional. Sempre fora exigente com as emoções de seus personagens, mas agora estava mais que nunca. Seria a pressão por participar de um desafio com pessoas desconhecidas? Saber que outras pessoas leriam seus trabalhos lhe dava um aperto no coração e a fazia sentir a adrenalina correr no sangue.

Ou seriam isso os efeitos da cafeína na corrente sanguínea?

Love leu o texto mais uma vez com completo desinteresse. Em nome dos deuses, aquilo estava lhe dando sono. Poderia dar em qualquer um que lesse também, por mais que sua amiga lhe garantisse que estava indo super bem. Nervosa, Love levantou-se e foi fazer um café forte para acordar.

Enquanto observava o ebulidor elétrico aquecer a água, olhou pela enorme janela de madeira da cozinha. Seu pensamento se perdeu nas nuvens brancas do dia frio. Love era aquele tipo de pessoa que se dispersava muito facilmente, e isso lhe trazia alguns momentos cômicos.

Começou a pensar sobre o que poderia fazer para melhorar o texto: recomeçar, excluir, enfiar sua cabeça num buraco e gritar de ódio. De repente, começou a pensar em si. Uma ideia brilhou em sua cabeça criativa.

Poderia escrever sobre sua dificuldade com o processo criativo!

Mas, poderia fazer isso?

Rapidamente, fez o café enquanto sua mente trabalha a mil por hora, como gostava. Inclusive, derramou café na pia. Se sua mãe soubesse, matava a jovem-adulta. Com sua xícara favorita, presente de seu namorado, subiu correndo para o escritório enquanto digitava para a amiga, pedindo que lhe desejasse boa sorte.

E a amiga mandou.

Love bateu o olho em toda a estrutura do desafio presente no Twitter e descobriu que nada a impedia de escrever à sua maneira e com sua ideia louca. Porém, boa.

Espera, sua consciência a chamou. E se não puder? Questionou. Love sentiu-se insegura com a sua ideia e pensou que talvez ela fosse horrível e ninguém gostaria. Mas, memórias invadiram sua mente.

Quando pequena, após um acontecido na escola, aprendera uma lição. Durante a entrega de um trabalho, uma colega de classe havia pedido para que pudesse ver seu dever e a pequena Love deixou. A colega olhou e logo disse: está errado, não era para fazer assim.

A pequena Love havia ficado muito desesperada com aquilo. O que faria? Seu nome acabara de ser chamado e a professora já havia visto que o trabalho estava em mãos, não dava para mentir. Entregou a tarefa, com muito medo do zero que levaria. Só queria chorar com o acontecido, mas ficou quieta.

Semanas depois, quando recebeu o trabalho, surpreendeu-se com a nota: total. E, ainda, havia um emoji de sorrisinho feito pela professora e uma mensagem: muito criativo. Love mal pode conter seu sorriso. Sua colega também tinha recebido uma nota como a sua.

Essa situação se repetiu algumas vezes, mas agora, Love sabia que não deveria sentir-se triste, porque não havia feito nada de errado nos trabalhos, apenas tinha uma criatividade diferente das dos colegas. E isso era maravilhoso!

Para evitar essas perturbações emocionais, evitava mostrar os trabalhos dizendo que tinha vergonha. Quando mostrava, e ouvia os comentários, dava de ombros. Sabia que estava certa, a sua maneira.

A agora adulta Love sentiu-se um pouco mais confiante. O YouTube parecia muito determinado em ajudar e lhe ofereceu uma playlist diferente, de uma cantora que ouvira vez ou outra: Os 20 melhores hits de Ava Max 2021. Bebericou o líquido quente e forte, que amargava a boca após alguns instantes, e abriu um arquivo no Word. Daria seu melhor para escrever sua história do processo criativo sobre o tema insônia. Fechou o arquivo denominado “Catarina Ester Insônia” e começou a trabalhar no seu.

A personagem loira teria a sua hora de brilhar, mas não era agora…

A autora bebeu o restinho de café que estava gelado, após trabalhar por quase cinquenta minutos diretos, e lhe forçou uma careta feia de desgosto. Odiava café frio! Colocou a língua para fora algumas vezes, tentando amenizar a sensação ruim. Que estranha parecia a quem olhasse agora!

Parou para descansar um pouco enquanto encarava aquele sinalzinho que piscava, esperando uma nova digitação. Estava morta de cansaço por não ter dormido na noite anterior. Bocejou demoradamente enquanto erguia os braços em direção ao teto. Sua atual preocupação era sobre os “jurados”. Será que gostariam de sua “inovação” e de ter fugido do “esperado”?

Love temeu. Sim, estava ali para se divertir como todos e incentivar a criatividade, mas, no fundo, como todo mundo, gostaria de um elogio e de um pouco de atenção. Algo como legal ou diferente, já era o bastante para acalmar sua agonia. O coração não a deixava em paz, assim como as olheiras e olhos querendo cair, mesmo após três xícaras de café.

Apesar de ser um dia frio, Love estava com calor por conta da adrenalina de estar se arriscando em algo “totalmente fora”. Tirou o casaco preto e branco e jogou para longe, enquanto amarava o cabelo num tipo muito esquisito de coque. Sua blusa havia parado no chão e, se a sua mãe visse isso, estava morta.

A jovem respirou fundo, se preocuparia com os sermões da mãe mais tarde. Por enquanto, o mais importante era terminar o texto que a impedia de dormir. Tinha até dia oito daquela semana, sábado, ou ficaria fora da primeira fase. Love sorriu e agradeceu mentalmente pela mãe estar trabalhando até tarde naquele dia.

Love parou mais uma vez para admirar o que fazia e o símbolo piscando na tela do Word. Já eram 16h27min e a jovem estava pingando de sono, nem o café novo e em grande quantidade haviam feito efeito em si.

Maldita insônia e todos os seus sentidos idiotas, murmurou mal-humorada. Piscou fortemente algumas vezes e bocejou. Pensava na possibilidade de molhar o rosto na água horrivelmente fria da pia do banheiro, mas a ideia da baixa temperatura lhe fez encolher na cadeira. Não faria isso nem morta.

Abriu o YouTube e viu que a última música de Ava Max já estava quase no fim. Havia trabalhado durante uma hora direta e estava orgulhosa de si. Por mais que seu texto não fosse o favorito, havia dado seu melhor. Além do mais, ainda teriam outros temas no decorrer da semana e MusicLove poderia surpreender bastante ainda, principalmente a si mesma.

Rapidamente, abriu o Google e foi atrás do seu amado conversor de Word para PDF, e vice-versa. Converteu o seu arquivo e o enviou para a melhor-amiga virtual, esperando sua opinião sincera.

Enquanto esperava a amiga responder, Love aproveitou para recolher sua blusa e fazer algumas obrigações domésticas. O sono ainda estava presente e os bocejos eram impossíveis de serem controlados. Em nome da Deusa, são apenas 16h37min. Love, se controla! Murmurou. Talvez, escrever uma redação dissertativa–argumentativa fosse mais fácil, falou enquanto pendurava roupas no varal, ainda esperando a amiga.

A ansiedade da jovem e seu nervosismo despertou a curiosidade da amiga acerca de seu texto. Love teve medo de decepcionar as expectativas da mais nova. Imagina se estivesse muito ruim?

Sua melhor amiga leu e riu das referências do amigo oculto, inclusive, lembrando que Klí e Eve ainda deviam suas histórias. Apenas às duas que participavam haviam entregue seus textos da brincadeira pessoal. No final, o melhor veio para Love: selo de aprovação da amizade-escritora. A roxeada sorriu, muito contente. Agora, sentia-se muito mais confiante.

Arrumou os toques finais e se viu muito contente com seu trabalho. Agora, só faltava fazer uma boa capa, sinopse, postar e marcar o perfil no Twitter. Love estava orgulhosa de si e agradeceu mentalmente sua amiga.

Havia feito um bom trabalho

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Notas finais
Espero que tenham gostado! ♥ ~~~~~♥ ~~~~~ ♥ A tal playlist: https://www.youtube.com/watch?v=chr_frU0hMo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!