Insólito Ardor

4 03. Conflito


Notas iniciais
Olá amores, voltei enfim. Desculpem a demora para postar, mas esse mês de Março e comecinho de Abril foi tão corrido com provas e trabalhos que nem sei como sobrevivi dormindo só 3 horas por dia. Terceiro semestre de Arquitetura não é fácil, amores! Bem, como o próximo capitulo não começou a ser escrito, eu não sei quando poderei postá-lo. Vou tentar acelerar o processo, pois no final de Maio e começo de Junho começa toda a pauleira de novo, então vou tentar adiantar algo, mas não é nada garantido. Só posso lhes garantir no máximo um capítulo por mês, não exatamente mensal, igual foi no intervalo entre o cap 2 e 3. Mas antes de tudo quero agradecer a todos os comentários e favoritos em I.A. e em OTD também, que por mais que tenha se encerrado vocês continuam comentando, favoritando e apreciando, e isso é maravilhoso para qualquer escritor. Obrigada pelo carinho de vocês! Enfim, sem mais delongas, um cap de mais de 5.000 palavras só para dar uma compensada no atraso. Espero que gostem. Boa leitura ;)

03. CONFLITO

[...]

Já haviam se passado vários dias desde que os Comandantes Koryand'r e Garfield estavam em Aleryn. Devido a isso, Asa tem evitado qualquer ação suicida ou encontros no esconderijo.

Mesmo sendo cauteloso, Superboy e Moça Maravilha — Ops! Cassie —, foram perseguidos durante um serviço menor. A sorte era que ambos tinham a vantagem da rapidez durante o voo e puderam ultrapassar Kory e despistá-la de seus rastros.

Isso causou um enorme reboliço entre os Titãs Alelos, e arrancou um bom sermão de quase uma hora vindo de Asa avisando sobre "Cautela" e "discrição".

Ficando fora de cena por quase uma Semana, Dick conseguiu colocar em dia seus projetos imperiais e avançar um pouco em trabalhos autônomos. Enquanto isso, Rachel preparou-se para a bateria de aulas extras que teria todos os dias depois do horário normal. Algo como uma preparação para o caos; seja lá o significado disso.

Os dias se passaram, e cada vez mais Koryand'r e Garfield irritavam-se com a paz em excesso que havia naquela ridícula cidade. Depois de terem interrogado Dick, Garfield seguiu para o Subterrâneo onde encontrou um homem disposto a passar valiosas informações sobre os Titãs.

Identificando-se como "Maluco do controle", tal homem disse exatamente com quais espécies estavam lidando, desde Kriptonianos a seres da terceira dimensão. Com uma carga bem detalhada, Garfield conseguiu fichas individuais de cada integrante popular do grupo, exceto pelo Líder que conseguiu se esconder até mesmo dos olhos vigilantes de pessoas como o Maluco do controle.

Devido ao atraso do serviço, Garfield ausentou-se por alguns dias aproveitando para juntar as informações em um ponto só e conseguir entregá-las à Kory. Como um time, cada um deles tinha uma função, e por mais incrível que pareça formar estratégias não era o forte do Helleriano.

A pesquisa atrasou as patrulhas em dias, criando uma brecha para os Titãs se reagruparem finalmente. Discretos, porém ligeiros. Asa já os esperava no galpão. A carranca era evidente, mesmo por baixo da máscara negra.

Um longo e pesado suspiro saiu por entre seus lábios. Cruzou os braços e começou com a conversa, a qual não seria tão simples:

— Como devem saber temos dois Comandantes Imperiais no nosso cangote. E por mais que sejamos pessoas com poderes, ou pelo menos habilidades superiores aos Aleryanos, não somos páreos para os dois. — o comentário foi necessário, mesmo que ferisse o ego de alguém.

— E quer que fiquemos escondidos até quando? Criarmos teias? — cuspiu SuperBoy possesso. Se Cassie não tivesse o impedido de reagir quando foram perseguidos provavelmente ele estaria sendo torturado em troca de respostas.

— Se isso significar que todos aqui permaneçam no anonimato, sim, quero! — aumentando o tom de voz, Asa iniciou uma discussão com SuperBoy.

— E acha que todos nós somos fracos? Não vejo o motivo daquela ruiva ser perigosa! Nem conseguiu nos pegar. — ralhou o Kriptoniano irado.

— Só porque são mais rápidos. — ressaltou Corvo pronunciando-se enfim.

— Independente disso, não quero nenhum de vocês agindo como heróis. Nenhum de nós aqui é um. —ressaltou Asa sério. A contra gosto os Titãs aceitaram, mas a incapacidade de lutar os deixavam nervosos.

— Vamos ficar quietos por enquanto, mas quanto tempo? — Speed perguntou.

— Vamos ficar quietos por pelo menos mais uma semana, depois disso eu vejo o que faremos. Até lá aproveitem para tirarem o pó da vida social de vocês, pois precisarão se socializar a partir de agora para não levantarem suspeitas. — comentou o líder: — Entendidos?

Todos aquiesceram. Assim a reunião se deu por encerrada ao grupo, mas não estava nem perto de acabar entre Asa e SuperBoy.

Em um canto isolado, ambos resolveram conversar sobre a discrição, e pela cara do Kriptoniano não seria uma conversa que ele aceitasse o "não" sem algo em troca.

— Não concordo com você, sabe disso não é? — indagou sério, e preparado para a avalanche de sermões do mascarado.

— Sei. Não foi uma decisão fácil. Por mais que eu saiba que é a coisa certa a se fazer sei que muitos de vocês dependem disso para não enlouquecerem.

— Você é um deles, meu amigo. — ressaltou Connor. Asa teve de concordar.

— Vamos ficar somente uma semana, depois disso faremos uma ronda, só eu, a Corvo, você e a Cassie. —propôs Asa: — Assim você aceita melhor a ideia?

SuperBoy aceitou: — Agora sim, líder.

Com um sorriso torto, Asa despediu-se do amigo indo embora com Corvo para o apartamento.

(...)

— Dick, poderia, por favor, tirar as patas da mesa? — cuspiu Rachel que faxinava a casa como sempre fazia quinzenalmente. O irmão riu.

— Estou bem assim. — respondeu enquanto mudava a página do jornal. A garota rosnou envolvendo as pernas do rapaz com sua magia as tirando à força da mesa de madeira. Dick rolou os olhos:

— Hey! Isso não vale. É trapaça. — zombou fechando o jornal.

— Não é não! —esbravejou Rachel enfim conseguindo começar a limpar a mesa: — Você parece criança, é impossível conversar com você.

— Isso não é verdade, você que é esquentadinha demais. — levantou-se por fim deixando o jornal em cima da mesa onde Rachel passava o pano. Não demorou até ela explodir o papel em vários pedacinhos: — Você sabe que vai ter de limpar isso, não?

— Cale a boca! — Ela gritou lhe tacando o vaso que estava em cima da mesinha. Dick o segurou divertido.

— Sem tacar as coisas, Rae! — Richard a repreendeu zombeteiro, deixando o vaso no balcão e indo até a cozinha pegar algo para comer.

— Você não tem de ir entregar um projeto, não?

— Tenho.

— Então vai, xô! — Rachel o expulsou pegando suas coisas e o fazendo deixar o apartamento na sequência. Ele se queixou, mas acabou cedendo.

Por mais que sua decisão tenha sido a mais correta, Dick não podia negar que se sentia inválido por não poder atuar como Asa nos próximos dias. Para piorar a situação, Garfield e Koryand'r mal eram vistos nas ruas, o que criava uma falsa esperança nos Titãs mais ingênuos.

Richard não soube explicar se aquilo era algum esquema dos Comandantes para confundi-los a ponto de cometerem erros em seus planos, mas podia admitir que estava funcionando, e muito bem.

Passou toda a tarde e parte da noite no escritório apresentando seu projeto junto de outros homens para a avaliação dos diretores. Geralmente seus projetos sempre são escolhidos, mas daquela vez ele teve de admitir que haviam melhores.

Um pouco desapontado, resolveu passar em um dos bares da cidade. Acabou se encontrando com Roy e aproveitou a resto da noite jogando conversa fora e bebendo o suficiente para sentir-se zonzo no caminho de volta.

Não era sempre que bebia, na verdade já fazia alguns dias que não frequentava os bares, portanto aqueles poucos momentos de diversão não lhe causavam nenhum problema aparente.

Durante a conversa com Roy ele pode descobrir algumas coisas que o preocuparam. Como o homem tinha contatos com vários informantes infiltrados no exército, pode descobrir algumas peculiaridades sobre o casal atrás deles.

A primeira e mais óbvia era a nacionalidade de Koryand'r, já a do Logan foi uma tremenda surpresa, pois os habitantes de Heller tem aparência idêntica aos de Aleryn e da antiga Terra no sistema Ômega.

Outra informação que recebera era da parceria entre Tamaran e Heller se dar ao fato de ambos comandantes terem relações íntimas, e não por poder e paz. Ou seja, as relações políticas dependiam unicamente da relação entre os dois.

A mais importante informação de todas, que o preocupou até o ultimo fio de seu cabelo: Eles sabiam sobre o futuro ataque ao grande cargueiro que iria atracar em Aleryn dali seis meses.

Talvez estivessem deduzindo, mas caso eles realmente estiverem focando no cargueiro, precisarão mudar de tática bem mais rápido do que imaginara. Depois de se despedir de Roy, Dick resolveu voltar para casa, bem mais lúcido do que deveria.

Se eles realmente haviam percebido o plano deles, com certeza seria praticamente impossível entrar. A ronda e a guarda estariam bem armadas e posicionadas; nunca que a Cidadella deixaria brechas para invasão.

Era a primeira vez em dez anos que a Cidadella permitia que uma de suas naves escravocratas atracasse em Aleryn. O motivo não era claro, mas caso algo acontecesse com a nave, isso sim seria motivo deles se levantarem contra o planeta.

O objetivo dos Titãs Alelos não era a guerra, e sim uma reformulação nas normas e regras do planeta, principalmente se tirar o Ra's da partida fizesse parte disso. Uma chance em um milhão.

Entrou em casa como um tufão indo direto para seu quarto. Ligou o comunicador tentando localizar o SuperBoy. Não obteve resposta, então somente deixou um recado e foi tomar uma ducha.

Precisavam agir, e para isso tinham de tirar os Comandantes de Aleryn o mais rápido possível.

(...)

Koryand'r estava definitivamente irritada. Garfield estava trabalhando atrás de pistas e informações sobre os Titãs há uma semana, e fazia exatamente esse tempo que ela não fazia nada de útil. Bufou nervosa sentada no parapeito de seu quarto de hotel.

Andar na rua assustava as pessoas; sair para comer assustava as pessoas; respirar assustava as pessoas. Tudo que Kory fazia era motivo de reboliço na cidade, e por isso pediram para que ela somente saísse em rondas ou quando realmente necessário.

Por isso estava se sentindo em cárcere. Recostou a testa no vidro deixando-se mergulhar em pensamentos. Estava longe de casa, Garfield mal passava para lhe dar oi, e saber que aquela mulherzinha estava no planeta não ajudava em nada.

Definitivamente ela iria surtar ali dentro, e pouco se importava de causar a desordem na cidade se pudesse sentir um pouco de ar puro.

(...)

— O Cargueiro chega daqui seis meses. — ressaltou Slade na reunião com o conselho imperial: — Temos exatamente isso de tempo para colocar os Titãs na linha, e para isso vamos precisar de muito mais que aqueles dois para isso.

— Eles são bons no que fazem, não creio que devamos atrapalhar. — Uma das conselheiras de Ra's, também conhecida com sua filha Talia Al Ghul, pronunciou-se na mesa: — A Imperatriz Komander é uma mulher experiente, sabe o que faz.

— Minha princesa, esse não é o caso. — Replicou Slade firme: — Eles são somente dois contra um grupo que nos assombra há exatamente três anos. Em três anos nenhum dos meus soldados mais experientes conseguiu pegar sequer um deles.

— Isso só prova que vocês são inúteis, e não os dois que a Imperatriz nos enviou. — provocou Talia severa: — Deem a eles o tempo que precisarem. Se você não conseguiu deter eles, então deixe para quem possa.

— Talia tem razão. — Outra das conselheiras, Nissa Raatsko, pronunciou-se: — Eles só estão aqui há uma semana, Wilson. Dê tempo a eles. Até onde sei Garfield Logan está retendo mais informações sobre eles em uma semana do que você em anos.

Slade calou-se. Isso era correto. Em três anos não conseguiram descobrir nada sobre nenhum dos membros. Nem com pesquisas, análises ou espiões. Nada surtiu efeito, e por isso ele não era bem visto pelos conselheiros Imperiais.

—Essa reunião está encerrada, Comandante. — eclodiu Talia: — Nissa e eu retornaremos ao Palácio. Ordene seus soldados que escoltem os outros conselheiros.

— Não querem escolta, majestades? — propôs Wilson cortês.

— Não de você.

A sala esvaziou-se, deixando o Comandante espumando de raiva e frustração. Aquelas duas mulheres ainda sentiriam sua fúria. Ah! Mas como iriam.

(...)

Garfield estava em seu quarto juntando os pedaços de informações que obteve de alguns poucos grupos no Subterrâneo. Já estava farto de tanto procurar sobre fatos basicamente inalcançáveis. Quem quer que fosse o líder com certeza fizera um bom trabalho limpando suas pegadas.

Suspirou exausto apoiando sua cabeça na mesa bagunçando os papéis dispersos ao redor. Fechou brevemente os olhos deixando-se descansar. Sem desejar acabou caindo no sono, e dormiu pelas seguidas quatro horas.

Quando acordou estava tarde, e a luz verde dos cristais começou a incomodar seus olhos. Levantou-se zonzo fechando a cortina e voltando para a cadeira. Acendeu a luminária e voltou aos papéis amassados, alguns com manchas d'água.

Organizou a papelada e saiu do quarto. Se não fizesse uma visita à Koryand'r ela poderia sair quebrando tudo por falta de atenção.

(...)

— Então eles já sabem? — salientou Connor de braços cruzados sentado em uma mesa de vidro. Dick estava do outro lado da tela do comunicador.

—Sim! E não sabemos o que mais eles podem ter conseguido sobre nós. — Dick ressaltou sério: — Não podemos esquecer que atualmente temos dois Comandantes de guerra a nível intergaláctico.

Tsk- que complicação! — resmungou irritado: — Então o que fazemos? Não vamos abortar a missão porque eles sabem que vamos fazer uma visitinha aos prisioneiros.

— Claro que não. Mas é como se houvessem colocado um muro de vidro bem no meio dos nossos planos. — comparou massageando as têmporas: — Não acho que tenha alguém passando informações confidenciais para eles. Devemos ter deixado algo passar.

— Como o que? Alguém passou um bilhetinho sobre o ataque e o professor pegou? — cuspiu Connor em tom mais alto que antes. Dick fechou a cara: — Somos todos marmanjos, é claro que alguém teria passado informações por dinheiro, Richard.

O líder ficou calado, mas pensou sobre isso. Realmente a boa vivência em Aleryn havia caído rapidamente nos últimos meses, incitando alguns Titãs a entrarem no mundo dos crimes por dinheiro e comida.

— Vou colocar um pouco de fé neles. De toda forma vamos adiantar essa patrulha. Chame a Cassie, amanhã à noite vamos atrás de informações sobre os dois, e quem está falando sobre nós para o Império. — Dick deu a ordem desligando o monitor depois de se despedir de Connor.

Fechando a tela, o Kryptoniano arfou ligeiramente preocupado. Levantou-se e foi atrás de uma caneca com café bem quente, e possivelmente do comunicador particular para contatar Cassie.

(...)

― Então iremos para uma ronda hoje à noite? ― perguntou Rachel arrumando seu cabelo no banheiro.

Dick, que estava recostado no batente da porta, aquiesceu:

― Precisamos identificar a pessoa que esta passando informações ao governo. ― explicou novamente: ― Além disso, quanto mais rápido o acharmos menos informações os comandantes irão ter.

― Hm. ― resmungou pegando o rímel: ― Tem alguma ideia de quem possa ser?

― Nenhuma. Eu cheguei a imaginar alguns membros, mas nenhum dos que passaram pela minha cabeça fariam isso. ― ressaltou.

Rachel o olhou de soslaio: ― Tem certeza? Desde quando você confia em alguém?

― Se eu cresci com eles tecnicamente eu confio. ― afirmou descruzando os braços indo para trás de Rachel. Pegou o pente e ajeitou uns poucos fios rebeldes atrás: ―Daqueles que criaram o grupo comigo, nenhum deles teria passado informações, entretanto temos muitos Titãs que entraram bem depois da crise.

― Muita gente que mal conhecemos. ― resumiu Rachel apreciando o irmão penteando-a; não há nada melhor do que a sensação de alguém mexendo em seus cabelos.

― Alguns deles são soldados se não me engano. ― comentou deixando a escova de lado e pegando um tic-tac: ―Talvez tenham desistido da revolução. Todo tem famílias de alguma forma. ― Prendeu a franja de Rachel para trás.

Ajeitou e depois julgou a aparência.

― Adoro ter um irmão que sabe arrumar o meu cabelo. ― comentou Rachel virando-se para ele risonha. Isso tirou um pequeno sorriso de Dick.

― Eu tive de aprender! Você sempre queria um penteado novo, e convenhamos que se eu não fizesse o que me pedia “puff” tudo explodia. ― resmungou apertando a ponta do nariz da caçula.

― Gosto de ser mimada.

― Acho que exagerei na dose. ― soltou o comentário saindo do banheiro: ― Termine logo de se arrumar, senão vai se atrasar. ― gritou Dick do quarto.

― Não vai trabalhar hoje?

― Não preciso ir ao escritório hoje. ― respondeu preguiçosamente: ― Tenho um projeto em andamento para as empresas S.T.A.R.

― É um bom negócio? ― perguntou Rachel entrando no quarto de Dick já arrumada.

― Pagam bem. ― resumiu: ― Já vai?

― Sim! ― exclamou: ― Vou tentar não chegar tarde, mas essas aulas extras tomam muito do meu tempo.

― Iremos sair quando você chegar. ― prometeu piscando-lhe o olho. Rachel ruborizou: ― Boa aula.

― Bom projeto.

Depois da conversa, Rachel deixou a casa, e o projeto que Dick deveria terminar ficou isolado no canto de sua mesa de trabalho.

(...)

Koryand’r saiu do banho enrolada em uma toalha branca felpuda. Espreguiçou-se preguiçosamente sentando-se na cama. Pegou uma escova de cabelo e começou a desembaraçar os longos e avermelhados fios.

Garfield virou na cama exausto visando as costas da namorada. Soltou um riso do fundo da garganta abraçando o travesseiro.

― Nunca vi tanto amor por um cabelo. ― comentou o rapaz com a voz rouca pelo sono, mas que conseguiu eriçar os pelos da Tamaraniana.

― Não sabia que estava acordado. ― comentou virando-se a ele: ― E respondendo a sua pergunta, sim eu amo meu cabelo.

― Imaginei. ― deitou-se de bruços enterrando o rosto do travesseiro: ― Teria alguma chance eu poder ficar o dia todo na cama?

―E qual a graça nisso? ― resmungou Kory risonha: ― Eu prefiro. Você tem trabalhado muito esses dias, e quando dorme é em cima da mesa.

― Falha técnica. ― zombou.

― Prefiro que fique. Eu assumo seu papel por hoje. ― propôs a mulher prendendo o cabelo em um rabo de cavalo. Garfield assentiu:

― Obrigado, princesa.

Ela riu levantando-se e retirando a toalha do corpo. Caminhou até o guarda-roupa sendo seguida pelos olhos verdes do Logan. Por mais que ele conhecesse cada centímetro do corpo dela, nunca se cansava de deslumbrá-la.

Depois de trocada caminhou até o lado do rapaz dando um beijo rápido:

― Vamos nunca ronda mais tarde? ― perguntou Kory alisando o peitoral de Garfield. Ele segurou sua mão:

― Claro. Bom trabalho, princesa. ― beijou-lhe a mão carinhosamente despedindo-se.

― Bom descanso.

(...)

O dia passou lentamente para Rachel. As aulas ficaram mais puxadas quando as professoras começaram a usar de cadáveres para demonstração de cura. Portanto, precisava se concentrar em dobro para não exceder seus limites de cura e explodir algo.

Como atividade extra, a professora as dividiu em grupos e tiveram de curar um pequeno animal machucado. O grupo de Rachel pegou um pequeno animalzinho alado. Concentraram-se no encantamento de cura usando de magia para curar o ferimento na asa. Rachel também o fez, mas em menor quantidade.

Assim que completa a atividade, foram dispensadas, e nisso já era final de tarde. Por mais que não houvesse uma estrela que iluminasse o sistema, Aleryn usava o método de vinte e quatro horas para determinar o dia e a noite, de acordo com o aparecimento do Planeta central que surgia nos céus somente durante o “dia” e desaparecia pela “noite”; assustadoramente era no mesmo tempo que a Terra levava para dar a volta no Sol.

Saiu às pressas para casa ansiosa para finalmente fazer algo além de curar cadáveres e animais. Amava o seu curso, mas em certos momentos se irritava com os treinamentos. Ela sabia fazer tudo aquilo, mas não podia revelar isso; uma das regras que Dick lhe deu quando criança: “Nunca diga a ninguém que tem poderes de cura ou empatia, isso assusta as pessoas, e pode virar alvo de estudos”.

Inspirou fundo o ar gélido de Aleryn e entrou no prédio.

― Cheguei! ― avisou a garota assim que passou pela porta de casa. Cassie estava no sofá sentada ―, ou melhor, esparramada ― folgadamente com uma revista em mãos.

― Bem vinda de volta. ― falou a loira: ― O irmão super protetor está no quarto.

Rachel riu da definição de Dick e foi em direção aos quartos. Passou pelo de Dick pensando em entrar, mas a conversa parecia séria, então decidiu colocar o uniforme primeiro antes de qualquer coisa.

Aproveitou que todos estavam ocupados e foi alimentar o pequeno clandestino no seu quarto. Silkie não era mais bem-vindo naquela casa desde o dia em que devorou o antigo sofá. Por conta disso, ela o escondia em seu quarto, mesmo tendo a leve suspeita de que Dick sabia dele.

― Silkie ― sussurrou chamando-o: ― Vamos comer. ― avisou abaixando-se no chão e olhando debaixo da cama. O pequeno animal dormia tranquilamente e despreocupado. Rachel riu de sua calma levantando-se.

Pegou a ração e o pote do animalzinho enchendo-o e colocando sob a cama. “Sua janta” ― sussurrou ficando ereta e colocando o uniforme de combate. Incomodou-se um pouco com o frio, mas nada que realmente a impedisse de ficar feliz por finalmente poder voar e usar seus poderes naquela semana turbulenta.

Pegou sua máscara e saiu apressada de seu quarto. Na sala, todos já a esperavam vestidos e preparados. Connor se alongava preguiçosamente enquanto Cassie ajeitava seu laço na cintura; já Dick se mantinha quieto num canto. Rachel seguiu para ele.

― Tudo bem? ― perguntou preocupada. Dick riu afagando seus cabelos; como sempre Rachel protestou.

― Estou bem, Rae. ― respondeu aliviando a expressão tensa. Bateu as mãos juntas chamando a atenção dos dois ao fundo: ― Vamos?

― E precisa perguntar? ― cuspiu Connor aproximando-se de Rachel.

― Finalmente um pouco de liberdade. Não aguentava mais minha vida social. ― resmungou Cassie.

― Que vida social? ―indagou Connor cínico.

― Exatamente.

Dick pigarreou chamando a atenção para si: ― Foco galera! Vamos Rae? ― a garota assentiu colocando sua máscara e os teletransportando para fora do apartamento.

(...)

Koryand’r sobrevoou a Avenida principal da Cidade com o olhar analítico. Já havia se passado tempo demais sem fazer nada, então nada mais justo do que procurar por problemas a resolver. Pousou perto da feira que estava tendo na praça central, sentou-se em uma mureta e apreciou o céu estrelado, e o Planeta Central desaparecendo lentamente no horizonte.

Garfield estava no topo do prédio parado com a mente longe. Havia descoberto várias coisas sobre alguns membros dos Titãs Alelos, mas nenhuma tão efetiva quando deveria ser. Aparentemente nenhum morador de Aleryn ― exceto os próprios titãs ― sabem onde eles se reúnem; nem mesmo um mercenário colabora com esse serviço.

Isso era estranho demais para ele, afinal de contas nunca que um povo protege e defende um grupo igual ao deles; nem mesmo a elite, que geralmente detesta-os por causa dos riscos à economia, reclama. Lógico que isso não é motivo o suficiente para justificar seus atos, mas deixa uma questão em aberto, bem mais séria do que deveria.

Kory resolveu reunir-se a ele ficando ao seu lado assim que o avistou dos céus. Elevou o olhar cotovelando-o:

― É bonito, não é? ― perguntou vidrada naquele céu incrivelmente belo. Garfield riu:

― Sim, muito bonito. ― soltou um pequeno riso cruzando os braços: ― Em Heller não temos um céu assim.

Kory riu:

― Nem em Tamaran. ― replicou inspirando fundo: ― Mas mesmo sendo bonito, aqui embaixo não é tanto assim. ― Ambos desceram o olhar para as ruas.

Se parasse para ver o arredor simplesmente por construções ou pela arquitetura, ela seria classificada como bela; mas o interior é mais sombrio do que se pode ver por fora, e Garfield viu isso de perto naquela uma semana de pesquisas.

Apertou os olhos lembrando-se da ultima conversa que teve com o Maluco do Controle:

“― Aleryn não é um planeta novo, senhor Comandante. ― comentou o homem em tom baixo: ― Ele é um planeta antigo, que permaneceu com os mesmos erros.

― Exatamente como muitos outros. Mas o que isso tem a ver com os Titãs Alelos? ― Garfield parou de fazer anotações.

― Você precisa conversar com uma pessoa que viveu aqui na época da limpeza. Ai vai entender o porquê desse Planeta continuar na miséria. ― Com um sorriso fraco, o Maluco do Controle pôs-se a andar.

― Limpeza? Do que está falando? ― Garfield aumentou o tom de voz, mais interessando do que nervoso.

― Limite populacional. Quando a Elite e o governo acham que crescemos demais, eles limpam o Subterrâneo. ― Ele não voltou para contar isso, somente parou no lugar, a uns dez metros do Logan, olhando o teto do subterrâneo: ― A última limpeza foi à mais de dez anos. Depois disso, os únicos que conseguem impedir o governo de fazê-lo novamente são os Alelos.

― Então as chances dessa pessoa ser um Titã são altas, pelo visto. ― murmurou para si mesmo: ― Quem seria?

O Maluco do Controle riu: ― Desculpe senhor Comandante, mas essas pessoas não aceitam fazer entrevistas.

― Não foi você mesmo que me disse para falar com um deles?

― Só se o achar. ― então continuou a caminhada, rindo de forma sarcástica. Garfield grunhiu dando meia volta.”

― Gar?

Acordando de seu transe, o homem a olhou curioso. O rosto dela estava sério e vidrado. Seguindo seu olhar, Garfield viu ao longe, em um prédio comercial, um grupo de jovens aparecendo no topo por um simples portal negro.

Que sorte do destino.

[...]

O teletransporte os levou ao topo de um prédio próximo ao centro. Rachel pousou no chão de concreto observando o arredor. Superboy já se alongava em um extremo do terraço; totalmente concentrado.

Moça Maravilha estava na borda do prédio de prontidão atenta à rua bem movimentada pela feira. Asa pegou em mãos um de seus equipamentos, parecido com um revólver, mas com uma leve diferença em seu cano.

― Vamos começar pela zona Sul, temos alguns informantes por lá. Vai ser bom recolher informações. ― bradou Asa caminhando para o lado de Superboy: ― Se nos toparmos com algum dos comandantes, não lutem. Entendido?

Superboy aquiesceu um pouco relutante. Levou o olhar ao lado instintivamente, conseguindo ver a sombra de Kory aproximando-se voraz.

― DISPERSEM! ― gritou ele voando para longe. O resto do grupo se dividiu cada um para um lado.

Kory fez uma curva aberta no ar seguindo atrás de Connor. Garfield sobrevoou o grupo investindo contra Cassie. Asa grunhiu; aquilo não estava nos planos.

― Entrem nos pequenos becos, dá para despistá-los! ― bradou Asa: ― Corvo!

Entendendo a ordem, Rachel sumiu dentro de seu próprio campo de força, seguindo o plano. Connor rosnou para a mulher a sua frente mergulhando até as ruas. Kory riu divertida o seguindo.

― Para onde vai? Não quer brincar um pouco? ― Os olhos dela se incandesceram laçando nele rajadas verdes que queimaram um dos cristais da rua por onde passaram. Deu para ver um pouco da coloração verde escapar de dentro dos cristais.

Connor sentiu o perigo crescer medonhamente.

“Desde quando tamaranianos soltam coisas estranhas pelos olhos?”, pensou nervoso entrando em pequenas vielas entre grandes prédios residenciais. Apoiou-se com os pés em uma das laterais dos prédios pegando impulso e atravessando a Avenida metros a frente da Tamaraniana.

Kory ficou para trás, mas sem perdê-lo de vista. Aumentou sua altitude podendo vê-lo mais facilmente de cima. Preparou um ataque jogando nele uma rajada de suas mãos. Connor desviou por pouco; muito pouco.

A cada rua que entrava ficava mais estreito e difícil de fazer manobras arriscadas. Com um sorriso nos lábios, Kory mergulhou contra o rapaz.

― AH! QUE SE DANE! ― Connor virou-se para cima colidindo um soco com a mulher. A pressão for forte o bastante para quebrar várias janelas e jogá-los longe; Superboy afundou-se no chão, enquanto Koyand’r fora lançada pelos céus.

Connor voltou a voar para longe dela com Kory logo em seu encalço, e perigosamente perto. Bem à frente, um beco sem saída apareceu para bloquear a passagem. Kory alargou o sorriso subindo aos céus.

A menos que ele quebrasse a parede não havia como sair dali se não fosse por cima. Superboy acelerou contra a parede e, da mesma forma que apareceram no prédio, Connor sumiu em um portal negro no concreto.

Kory levou alguns segundos para entender o que aconteceu, e quando o fez deu meia volta atrás dos outros dois membros que havia ficado no centro.

[...]

Cassie não teve problemas em fugir de Garfield, pois era muito mais rápida do que o animal que se transformara. Contudo, ele sempre chegava antes no lugar para onde ela ia ― com se ele conhecesse a cidade perfeitamente sabendo chegar de forma mais rápida ―, e isso a irritou profundamente.

Parou perto de um conjunto de casas atenta. Nada de Garfield ou Koryand’r. Respirando fundo, Cassie virou-se e retornou para onde Asa estava. Com um barulho seu mundo girou a fazendo colidir em uma das casas derrubando uma de suas paredes.

Assim que os sentidos voltaram, sentiu alguém a sua frente com uma intenção assassina monstruosa. Temeu por sua vida naquela hora, mas assim que voltou a ver formas pode constatar Garfield de pé a analisando. Não soube dizer que aquela intensidade assassina vinha dele.

Só soube que precisava sair dali, e rápido. Levantou-se pronta para fugir, mas sua vista novamente vacilou a fazendo cair aos escombros.

― Desista. ― avisou Garfield: ― Esse tranquilizador é mais potente do que pensa.

Cassie entrou em desespero, pois não conseguia mais distinguir cores e formas. “Merda”.

Garfield levantou-se pegando seus braços e a ajudando a sair de dentro da casa. A colocou encostada na parede oposta pegando seu comunicador contatando Kory.

― Que homem rude, atacando uma mulher assim. ― Asa apareceu por trás o acertando com um chute lateral. Ele deu alguns passos para o lado, mas não caiu.

― E faz diferença em uma perseguição? ― comentou o Helleriano armando o punho. Dick riu:

― Em momento nenhum faz pra vocês. ― Asa inspirou fundo sem tirar os olhos de Garfield. A frase não fez sentido ao Logan, mas não se prendeu tempo demais nela.

― Não viemos aqui para bater papo. ― transformando-se novamente em um animal Garfield atacou Dick que levou um de seus bastões à frente de seu corpo para receber o impacto.

Quando o Logan estava a centímetros de distância do Líder um campo negro se abriu engolindo o grande animal. Asa soltou o ar endireitando seu corpo.

― Para onde o mandou, Corvo? ― perguntou ajudando Cassie a se levantar. Rachel apareceu atrás deles caminhando por entre os escombros.

― Para a praça. ― respondeu encostando suas mãos nas costas de ambos: ― Vamos para a base, preciso ver que tipo de tranquilizador ele usou na Moça Maravilha.

Cassie torceu os lábios pelo nome, mas nada disse. Asa aquiesceu, e assim desapareceram da rua, e mais uma vez deixaram estragos para trás.

[...]

Garfield pousou pesado na grama da praça. Um pouco confuso voltou à sua forma normal encarando o arredor; havia retornando ao início. Inspirou caminhando pela rua. Logo na sequência, Kory aparece a seu lado rindo alegre. Garfield balançou a cabeça:

― Pelo visto se divertiu.

― Não sentia esse êxtase há anos, isso é ótimo. ― Comentou cerrando os punhos: ― E vai ser ainda melhor quando os pegarmos.

― Aquele portal que se abriu na minha frente, apareceu para você? ― Kory o encarou concordando: ― Então aquela tal de Corvo é mais problemática do que imaginei.

― Para pegarmos a grupo vamos precisar nos livrar dela. Será um bom desafio. ― segurando na mão de Garfield, Kory o puxou para a feira atrás de algo para comer: ― Temos informações o suficiente sobre eles?

― Depois de hoje, complementei o que precisava. ― respondeu o rapaz. A tamaraniana sorriu:

― Ótimo.

[...]

Os três entraram no galpão ajudando Cassie a se sentar em algum lugar mais confortável. Rachel retirou sua máscara começando a analisar a ferida e o que exatamente continha no tranquilizante.

Connor esmurrou uma das caixas levantando a poeira do local:

― Aquilo foi patético. ― grunhiu irritadiço: ― Deveríamos ter ficado e lutado, não fugido com o rabo entre as pernas.

Asa inspirou fundo: ― E se perdêssemos? E se um de nós fosse capturado? ― rebateu Dick aproximando-se de Connor: ― E se ao invés de tranquilizante fosse veneno na Cassie? Parou para pensar nisso?

Superboy crispou os lábios: ― Nós teríamos conseguido vencer, eles não iam matar informantes de guerra!

― Militares são militares, não há diferença de um planeta para outro, Connor! ― bradou Dick segurando-o pela gola: ― O massacre de treze anos atrás não foi o bastante para colocar isso na sua cabeça?

Superboy calou-se. Sim, ele estava lá também, assim como Cassie. Mas diferente deles dois, Richard perdeu muito no massacre. Inspirando fundo, Connor o afastou:

― Desculpe. ― abaixou o tom de voz levando o olhar a Cassie. Dick o soltou: ― Como ela está, pirralha?

― Vai ficar bem, só vai levar uns duas ou três horas para voltar ao normal. ― Respondeu: ― E não me chame de pirralha. ― falou entredentes.

O clima acalmou-se depois de um tempo. Com Cassie machucada, Connor e Dick resolveram adiar a conversa sobre a patrulha, e a deram por encerrada. Connor se encarregou de cuidar dela, então se separaram.

Asa voltou para casa mais frustrado do que antes, pois naquela patrulha, naquele pequeno erro de localização, quase perderam uma amiga em combate. E isso é um erro que não pode acontecer de novo.

Jamais!

Notas finais
Então amores, o que acharam? Espero que tenham gostado e entendido um pouco mais sobre esse novo mundo e TODOS os conflitos que tiveram nesse capítulo. Todos são muito importantes, então muita atenção em ;) Obrigada a quem leu até aqui, e a quem irá comentar. Não sei quando será o próximo cap, mas se tudo der certo será logo :3 Até! Beijos ♥