Insuportável Dor
19 Epílogo: A vida Continuou
Notas iniciais
Com muita força, lutei na minha vida para superar as tragédias acontecidas. Consegui seguir em frente, não sozinha, mas junto das pessoas que amo. Passei a viver com Larry e Alys desde aquele dia. Dei meu apoio, cuidei deles, fiquei ao lado de ambos em todos os momentos que se possam imaginar. Entre alegrias e tristezas, rosas e espinhos, nossa vida assim foi. Jamais poderíamos esquecer de Lire, nos lembrávamos sempre de seu rosto sorridente e seu jeitinho de ser. Mas essas memórias não vinham mais acompanhadas de lágrimas e sim de sorrisos. Eram recordações maravilhosas. Posso dizer que Alys e Larry me consideravam uma filha adotada, me amavam com muita intensidade e eu era grata por isso.
Outra notícia maravilhosa, foi que Alys engravidou novamente e teve um menino que chamaram de Léo, era igualzinho ao pai. Cuidamos dele com carinho. Ele cresceu e se tornou uma pessoa boa assim como a falecida irmã.
Eu?
Os anos passaram bem rápido, se ver pela minha atual perspectiva, afinal estou com oitenta e três anos. Namorei muito, realizei meu sonho de ser dançarina profissional e fiz inúmeras apresentações em minha jornada e também virei professora. Viajei e curti bastante e por fim me casei... Adivinha com quem? Azin! Sim isso mesmo, o garoto a quem disse que jamais iria gostar acabou se cansando comigo! Tivemos dois filhos, que se casaram também e assim pude ter a oportunidade de segurar meus netos.
Larry e Alys faleceram pela idade, mas puderam ver seus netos como eu. Como sou chorona, chorei em seus enterros, mas não fiquei triste. Fui feliz com eles e não tenho o porquê de ficar lamentando suas mortes, que descansem em paz.
Também presenciei a morte de meu marido. Infelizmente foi em uma cama de hospital, mas fiquei a seu lado até dar seu último suspiro. Ele me fez muito feliz e sempre lembrarei de todas as vezes que ele me irritou; me abraçou; gritou; reclamou e amou. Todos as suas qualidades e defeitos que aprendi a amar, cada traço de sua pessoa que ficará guardado pela eternidade em meu coração.
Na janela de minha humilde casa, eu observava o pôr do sol, lindo e radiante como sempre, enquanto os detalhes da minha vida passavam em meus olhos. À qualquer momento eu sabia que podia fechar os olhos e não mais acordar, então tratei de ver esse espetáculo mais uma vez. Medo da morte eu não tinha mais, já vivi tudo o que tinha para viver, não me arrependo de ter feito nada, nem mesmo dos erros que cometi, pois com eles me fortaleci.
— Preparada? — Ouvi uma voz perguntar. Sabia exatamente quem era.
“... Eu sempre estarei te observando onde quer que esteja...”
— Sim. — Respondi olhando ao meu lado, vendo uma cabeleira vermelha cor de fogo e olhos dourados brilhantes. — Até mesmo agora, você está aqui Jin?
— Eu disse Amy, que sempre estaria do seu lado, mesmo nesse momento.
— O pôr do sol está mais bonito do que nunca. — Ressaltei distraída com a paisagem.
O sol foi se pondo lentamente. À medida que ele desapareceu completamente, meus olhos fecharam-se devagar, somente vislumbrei uma luz clara e a voz de Jin.
— Vai ser ainda mais bonito quando ver nosso lar.
...
Acordei e me vi num campo repleto de natureza e beleza. Era calmo e relaxante, à meu lado haviam camas e várias pessoas dormindo nelas, eu também me encontrava deitada, percebi que rejuvenescera e voltei a ter meu corpo de dezoito anos.
— Bem-vinda... Ao nosso lar, Amy. — Olhei para o lado. Jin me dava as boas vindas, pulei nele e o abracei fortemente. Agora finalmente estamos juntos...
E quem sabe? Talvez eu nem estaria onde estou agora junto de meu amado, se tivesse ficado presa para sempre nas mágoas e tristezas do passado. Eu não teria tido uma vida feliz e satisfatória, quem sabe o que teria me acontecido?
É por isso que todos precisam ser fortes para seguir mesmo com as dificuldades, afinal cada um tem seus problemas, todos já sofreram por algo. Ficar se lamentando o resto da vida não vai adiantar de nada, não vai fazer as dores sumirem e nem as alegrias surgirem.
Devemos ser fortes para lutar, somente assim para podermos ter a chance de vencer estas suportáveis dores.
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