Insuportável Dor

4 Acontecimentos estranhos


Notas iniciais
Três meses... TRÊS MESES! Eu dei uma abandonada geraaal no nyah. Ahh gomen eu demorei muito pra fazer esse cap. E admito, deu um trabalhinho pra mim '-' mas eu não desisti de continuar! Podem me xingar, amaldiçoar, jogar praga, eu mereço ç.ç De todo jeito espero que gostem do capítulo. OBS:as frases em itálico com aspas significa que a Amy está falando mentalmente com ela mesma.

Raios de luz invadiam a janela de meu quarto. Ultrapassaram os vidros transparentes e atravessaram o local, indicando que era hora do sol começar o seu reinado. Hora das pessoas cumprirem suas obrigações, como pais, filhos e cidadãos. Exceto para mim, uma adolescente de dezessete anos, que decidiu desligar-se do mundo exterior e desperdiçar sua vida por culpa de uma pessoa que a “abandonou.”

“Jin por quê? Por que você se foi? Droga! Por que você inventou de sair naquela noite?

Não... Se você tivesse olhado direito antes de atravessar, aquele carro não teria te pegado!”

Pronto, depois de ontem, agora eu quero culpá-lo por ter morrido. Levanto do chão e dou um tapa em meu rosto, “Acorde Amy, acho que chega de loucuras nesses dias certo? Você não pode fazer nada, somente superar esse acidente e...” — Interrompo meus pensamentos otimistas para dar lugar a um pessimista.

“Será que? Não pode ser, mas talvez... Não! Esqueça isso Amy Aruha!” — Balanço ligeiramente a cabeça para afastar os maus pensamentos e decido sair um pouco de casa. Essa solidão está muito forte, preciso sair deste cubículo.

Mesmo sem ninguém para ficar comigo, eu preciso andar um pouquinho e ver sol; as nuvens e as flores; sentir o vento em meu rosto; olhar a cidade; etc. Porque por mais que você diga que quer ficar sozinho para sempre, você não consegue. Mais cedo ou mais tarde você percebe que precisa pelo menos ver algum rosto, nem que seja o de um estranho na rua.

Depois de fazer a higiene matinal e depois de dias, tomar um café da manhã normal, fui até o armário, vesti a mesma roupa de sempre, peguei a escova e fiquei frente ao espelho para arrumar meus longos cabelos rosa choque. Era a coisa que eu mais gostava, entretanto dessa vez eu paralisei.

“Mas o-o que é ISSO?! AH! O que aconteceu?! Eles estão no pescoço!” E foi aí que me toquei do ocorrido de ontem. “Droga, como posso ser tão lesada?!” Comecei a ficar arrependida, mas os penteei mesmo assim.

A sensação era muito estranha, a escova literalmente escorregava e em menos de um minuto meus cabelos estavam lisinhos. Depois de pronta peguei uma bolsa pequena e coloquei tudo o que iria precisar. Fui até a porta e hesitei, senti um estranho medo tomar conta de mim, não sei dizer o porquê. Fiquei parada em frente a porta por uns dez minutos até girar a chave e abrir bem devagar a porta. Era ridículo! Parecia que eu tinha síndrome do pânico.

E quando finalmente abri tudo, os raios de sol iluminaram meus olhos quase me cegando. Então tudo se passou em câmera lenta, primeiro coloquei o pé direito pra fora, em seguida o esquerdo. Olhei para os lados virando a cabeça verificando se não havia nada anormal, apesar da única coisa anormal ser eu. Dei um passo, depois outro e mais outro um pouco mais rápido, me senti como um bebê começando seus primeiros passos, conhecendo o desconhecido, sentindo-se assustado com simples coisas e ao mesmo tempo querendo examinar tudo.

...

Vaguei sem rumo perdendo tempo somente andando pela cidade e acabei chegando até o centro dela, onde havia várias pessoas, alguns grupos procurando diversão, famílias passeando, o local radiava alegria e eu parecia a única exceção dentre todos. O centro era movimentado, mas não muito. Já era onze horas da manhã e nada de urgente aconteceu. Meu objetivo era me distrair um pouco, entretanto isto não estava dando certo, na verdade estou começando a ficar estressada, que graça tinha passear sozinha? Sem alguém para conversar, ou ao menos só para fazer companhia?

Todas aquelas pessoas ali com sorrisos estampados em seus rostos, se divertindo, curtindo a vida com felicidade, despertou-me um sentimento, um desejo de estar com meu amado novamente; o desejo de que ele estivesse ali comigo para me consolar e passar todos os bons e maus momentos da vida; o desejo de querê-lo vivo; de estar com ele nem que tenha que abrir mão de tudo, até de minha vida.

Balancei a cabeça livrando-me desses pensamentos malucos. Se continuar desse jeito, vou perder a sanidade novamente. Optei por sair do meio daquela multidão alegre e ir para algum lugar afastado. Comecei minha caminhada buscando algo para me distrair e ter paz, andei até duas da tarde, o sol estava quente e o lugar abafado.

“Melhor encontrar um lugar logo antes que eu desmaie de desidratação.”

Avistei uma biblioteca, meus olhos brilharam. Depois de todo esse tempo, eu tinha esquecido meu gosto por livros. Não demorei a adentrar o local, era calmo, silencioso, havia prateleiras cheias de livros de todos os gêneros; era muito espaçoso.

“Perfeito, é disso que preciso.”

Havia uma garota sentada quase da minha idade, na frente dela tinha uma bancada com alguns papéis e um notebook, era a bibliotecária. Tinha cabelos curtos e azuis, seu rosto era sério além de não demonstrar nenhuma expressão. Estava sempre lendo um livro; era meio fria e não conversava muito. Gostava de tecnologia e tinha uma inteligência acima do normal, porém o que mais chamava atenção nela, eram seus olhos heterocromáticos, um vermelho e outro azul. Seu nome era Mari Ming Onnete.

Cheguei perto do balcão. Percebendo minha aproximação, ela direcionou seu olhar para mim, eu congelei pela frieza deles.

— Posso ajudar? — Disse ela com sua voz igualmente fria.

— S-Sim, onde ficam os livros sobre dança e música?

— Siga as placas que tem letras, elas vão te levar até as prateleiras que quer.

— O-obrigada. — Ela voltou a ler seu livro silenciosamente. Já vim nessa biblioteca várias vezes e ela sempre foi assim e sempre sinto um arrepio em minha espinha quando ela fala comigo e como de costume, sem nenhuma expressão.

Segui as placas até a letra “D”, vários livros cada um com um assunto diferente. Peguei uns quatro e sentei em uma das cadeiras. Eu poderia ler outros livros sobre romance, comédia, crônicas, etc. Mas escolhi dança. Por quê? Porque eu sempre fui ligada à dança e à música, pode não parecer, mas minha vida é música e eu vivo para dançar, meu sonho desde pequena é me tornar uma dançarina famosa.

Já cantei em muitos karaokês; dancei em apresentações de teatro; aprendi a tocar violino; violão; piano; sei dançar balé; dança contemporânea. Admiro muito essas artes. O que seríamos sem dança e música?

As lembranças me vêm à tona, quando era pequena não levava essa coisa de ser dançarina à sério, mas Jin sempre me incentivava a seguir esse sonho. Ele dizia coisas maravilhosas, que eu tinha voz melodiosa e dançava muito bem e até me pedia pra eu dançar e cantar para ele. Ficava vermelha quando ele fazia isso, mas eu atendia a seus pedidos. Meu coração se aquece ao lembrar dessas situações.

“Eram dias preciosos pra mim, será que ele também pensava assim?”

Voltando a realidade, comecei a ler os livros. Foram horas muito bem gastas. Troquei de gêneros, prateleiras, de letras. Minha mente absorvia cada palavra, passeava em cada frase, eu navegava naquele mar de letras que parecia não ter fim, eu me sentia bem ali.

— Sinto muito, mas eu tenho que fechar a biblioteca. — Quase tive um infarto, não era ninguém menos que a azulada de olhos heterocromáticos.

— M-mas já? — Quanto tempo fiquei viajando?

— Sim, são seis e meia da noite.

— Ah, tudo bem então. — Devolvi os livros, saímos e ela fechou as portas. Eu ainda não planejava voltar para casa, iria dar uma volta na cidade de noite, mas quando ia me virar e começar a andar, Mari me interrompeu.

— Você gosta de teatro?

— Gosto, mas por que a pergunta? — Estranhei, Mari estava tentando conversar comigo pela primeira vez?

— Por nada, mas vai ter uma apresentação de balé no teatro da cidade, eu achei que você pudesse se interessar já que gosta de dança.

— É mesmo? E a que horas vai ser? — “Um teatro! Perfeito de novo! Mas como ela sabe que eu gosto de dança?”

— Vai ser às oito da noite.

— Mari você vai?

— Não, tenho muitas coisas a fazer. Até outro dia.

— Até. — Ela se vira e vai embora antes de me ouvir. “Acho que ela é uma boa pessoa, apesar de tudo. Hum... Teatro, espero que a hora passe rápido! Enquanto isso, vou dar uma voltinha.”

...

Para minha alegria, passou rápido e já era oito horas da noite. Era uma apresentação gratuita pra minha sorte, pois eu só tinha pouco dinheiro. Adentrei o lugar cheio de cadeiras confortáveis, um palco coberto com uma cortina vermelho-sangue. Fiquei na terceira fileira, que não era muito longe nem tão perto. Todos ficaram esperando algum tempo e finalmente, as cortinas se abrem.

Fiquei surpresa, uma bailarina que aparentava ter dezenove anos tendo cabelos loiros como ouro, apareceu. Mantinha seus olhos fechados, quando os abriu revelou duas lindas orbes verde-esmeralda. Uma sinfonia lenta começou a tocar e ela seguiu a melodia harmoniosamente, com passos delicados e suaves, seus movimentos sincronizavam com as notas tocadas. A coreografia era perfeita, parecia uma boneca de caixinha. Uma marionete da dança e escrava da música.

Todos admiravam atentos, elogios podiam ser ouvidos, mas de repente... Um deslize! Um passo em falso com os pés que a faz ir de encontro ao chão. A plateia exclama um ''Oh''.

“Ai! Acho que ela torceu o tornozelo!” A loira cai, mas levanta e retoma sua coreografia com rodopios e saltos. Fico surpresa por que mesmo com um erro, ela continuar como se não tivesse acontecido nada. Os espectadores aplaudem brevemente depois dela se levantar.

A sinfonia começa a diminuir. Os passos vão a seguindo e quando finalmente a última nota é tocada, o último passo se encerra. Muitos aplausos são ouvidos, a bailarina faz uma reverência. Porém paro de aplaudir e percebo algo errado, ela está muito ofegante e cansada. Parece normal depois de saltar tanto, mas ela estava muito ofegante mesmo, não conseguindo respirar direito e ainda estava pálida. Jurava que ela ia desmaiar. As cortinas se abaixam e todos se retiram do lugar.

Penso em fazer o mesmo, mas aquilo me deixa preocupada.

“Será que ela está bem?”

Atrás do palco há um camarim onde as pessoas se preparam antes de apresentar, vou até lá. Entro atrás do palco e me deparo com um pequeno corredor com algumas portas, “Ótimo, qual delas agora?” Giro uma das maçanetas.

— Com licença, tem alguém aí? — Não havia ninguém. Parecia ser o vestiário, pois tinha várias fantasias e muitas roupas, acessórios para cabelos, maquiagem. Eu deveria ir embora, mas fiquei encantada demais com aquelas coisas. — Ai, que roupas lindas! Acho que não vai fazer mal se eu provar algumas, né?

Dito isso, comecei a me fantasiar. Provei vários vestidos, fiz combinações. Eu me senti uma verdadeira estrela, o problema é que comecei a brincar demais ali.

— Ah. Eu sou uma Diva! — Estava em frente à um espelho com um microfone na mão, fingia estar cantando e dançando. Há muito tempo não me divertia assim; não me alegrava desse jeito.

Porém, fui dar um rodopio e esbarrei em um objeto que caiu e fez um barulho estrondoso. Ouço passos no corredor. “Ah droga!” Começo a tirar a roupa e colocar tudo em seu devido lugar.

— Oi? Alguém aí? — Alguém me ouviu! E esse alguém foi abrindo a porta do cômodo.

E para minha surpresa, quem abriu a porta era justamente a loira que eu procurava.

— Hã? Quem... Quem é você? Não... Devia estar aqui!

— M-me d-desculpe, é-é que eu só vim ver se você estava bem, sabe? — Ela ainda estava ofegante e com dificuldade de falar.

— Veio... Ver se... Estou bem? Por quê?

— É-é q-que você parecia cansada e... Pálida no palco.

— Ah... Aquilo? Não é nada... É só... — Ela ficou mais pálida, tentou se apoiar com a mão numa parede.

— Ei! Você está bem? Está sentindo o quê? — Cheguei perto dela, parecia que ia cair.

— É só... — Ela desmaiou e quase ia de encontro ao piso, porém consegui segurá-la. Sentei no chão, coloquei a cabeça dela em meu colo e entrei em pânico.

— E agora? Ela morreu? O que faço?

Notas finais
Bem é só isso, ficou bom? Gostaram? O que será que vai acontecer? Um aviso: não sei quando irei postar outro capítulo novamente, principalmente que as aulas já começaram :/ Se eu demorar muuuuito não significa que eu desisti da fic, se isso acontecer eu irei dar um aviso. Beijos e Abraços.