Insuportável Dor
1 Acidente
Notas iniciais
Era dez horas da noite, o céu completamente escuro, a chuva caía incessantemente molhando meus cabelos e minhas roupas. Eu estava no meio de uma rua deserta observando uma poça de sangue.
Mas...
Em cima dela havia um corpo, de um garoto de cabelos vermelhos e olhos dourados como sol, que no momento se encontravam fechados. Sua pele estava pálida; o corpo totalmente imóvel.
Ele fora vítima de um acidente de carro causado por um cidadão embriagado. O garoto não merecia isso, era muito jovem, eu que devia estar no lugar dele. O porquê de eu dizer isso? Porque ele era a pessoa mais importante da minha vida, era ele que aquecia meu coração com seu sorriso, encantava meus ouvidos com sua voz, fazia cada dia de minha vida valer a pena, me fazia sentir linda e feliz; era minha inspiração. Estando com ele eu me sentia no paraíso.
Neste momento eu me pergunto: “Por que isso aconteceu? Vivíamos tão felizes não é justo! Há tantas pessoas ruins, por que conosco?” Mas como sempre dizem, a vida nunca é justa.
Cheguei mais perto dele, me ajoelhei e deitei sua cabeça em meu colo. O sangue manchou minhas roupas, mas nem me importei. Acariciei seu rosto e seus cabelos, coloquei meu ouvido em seu peito esperando ouvir a melodia de seu coração. Para minha surpresa, consegui ouvir batidas bem fracas dando sinal de que ainda estava vivo. Desesperada, chamei seu nome.
— Jin! Jin, por favor não me deixe. — Mas não obtive resposta. Lágrimas caíram de meus olhos e se misturaram com a chuva.
— Amy... —Ouvi uma voz e levantei a cabeça. Seus olhos estavam entreabertos. — Amy... Eu... — Ele falava com muita dificuldade. — Amy... Te amo! — Agora eu não sabia se ficava feliz ou triste. Feliz por saber que ele realmente me amava... Triste porque iria perdê-lo. Eu não disse nada, apenas me aproximei e o beijei. Foi meu jeito de dizer a ele: “Eu também te amo.” Mas logo depois vi que as batidas dele cessaram e seus olhos fecharam-se.
...
Jin Kaien — 1995 — 2013 — Eu definitivamente não queria acreditar no que eu lia naquela lápide. A única pessoa que fazia meu mundo girar, tinha ido embora. O que será de mim agora? Não sei, não quero saber, só não queria acreditar.
Nesse dia cheguei em casa e tentei agir normalmente, o que não consegui. Morava em uma casa sozinha, meus pais foram executados em minha frente e fui parar em um orfanato onde sofri a maior parte de toda a minha vida e quando não suportei mais, fugi de lá.
Por isso, muitas vezes eu me sentia solitária, com o coração coberto por escuridão, mas logo ficava feliz pois sabia que veria meu amado novamente na manhã seguinte. E essa sensação de felicidade que ele me transmitia, fazia a escuridão sair. Mas dessa vez ela ia ficar e me consumir, sugar todas as forças do meu ser e do meu espírito até eu ceder.
Eu só me sentia vazia, minha vida foi se transformando em pó e o vento ia levando cada partícula dela para o nada. O sol não me iluminava mais, ninguém escutava minha voz e eu não escutava mais a voz de ninguém. O mundo ficou vazio para mim em pouco tempo. Como uma pessoa pode causar tanto estrago na vida de outra assim? O destino definitivamente não me escolheu para ser feliz.
Tomei um banho, jantei e fui para a cama cedo, fiz uma oração e pedi no final dela, que se possível eu pudesse ao menos ter um belo sonho com meu amado Jin. Fechei meus olhos já o imaginando em minha mente e ainda acreditando que pudesse estar vivo de alguma maneira. Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto e logo peguei em um sono profundo.
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