Insuficiente
1 Unique
Notas iniciais
Boa leitura! :D
Rhaenys Targaryen se sentia insuficiente.
Seu reflexo não exibia longos cabelos prateados ou os exóticos olhos púrpuras de Aegon.
Suas primeiras lembranças remontavam aos berros do avô paterno que não a reconhecia como sangue de seu sangue.
— Ela cheira a Dorne! – aos três anos aquilo não fazia muito sentido. Seu pai a segurava firmemente pela mão. A garotinha encarava a mãe com uma indagação muda e tudo o que recebia em troca era um trêmulo sorriso e doces sussurros garantindo que tudo estava bem.
Aos dezessete, Rhaenys pensava que sua aparência poderia ser uma prova de sua incapacidade.
Quem acreditaria que a pequena filha do príncipe Rhaegar havia sobrevivido ao massacre da Fortaleza Vermelha quando uma impostora poderia facilmente se apropriar de sua identidade?
Quem lhe daria credibilidade?
Mesmo com Aegon e seus traços claramente valirianos, teriam dificuldade de ganhar seguidores para a causa. O que não diriam a respeito de alguém tão dornesa?
E seus sonhos a apavoravam.
Sonhava com uma vasta cidade feita em pedra negra, o que servia para tornar o lugar escuro e sombrio, às margens de um rio e lindos ovos petrificados escondidos em suas profundezas.
Sonhava com a canção dos dragões mais uma vez reverberando pelo mundo.
Sonhava com monstros pálidos feitos de gelo e terríveis olhos azuis.
Sonhava com um corpo humano com cabeça de lobo gigante sentado em uma grande cadeira de senhor.
Sonhava ainda com batalhas sangrentas.
Sonhava com si mesma banhada em sangue e em meio ao caos.
Sonhava com dragões se digladiando e numa confusão de fumaça e lágrimas, seu irmão caminhando em sua direção com um olhar feroz e uma espada desembainhada. A hipótese de uma desavença com aquele a quem mais amava a apavorava e na maioria das vezes a fazia pensar que estava pouco a pouco perdendo o juízo.
— Rhae? – o reflexo de Aegon surgiu no espelho antes que a chamasse. – Precisamos nos apressar... O velho conseguiu um navio para Dorne que parte amanhã. Ele acha que o Príncipe Doran acreditará em nossa história. – a voz de seu irmão engrossara nos últimos tempos e em breve seria um homem feito. Mas com os quinze dias de seu nome ele ainda lhe parecia o frágil bebê que fora colocado em seu colo por Elia.
— Prometa-me que cuidará de seu irmãozinho, querida— quando fechava os olhos e se concentrava podia sentir o último afago que recebera da mãe. A sensação fora tão quente que a pequena Rhaenys acreditara que estava diante do Sol.
Naquele dia se sentiu desolada e perdida, mas mostrou-se forte enquanto era guiada por um homem gordo e careca que usava um manto simples por cima de vestes elegantes de seda verde.
Tempos depois compreendeu que fora a última vez que vira sua mãe com vida e chorou por muito tempo.
Todas as criaturas deviam se curvar diante do sol. Leões, lobos, lulas gigantes e, até mesmo, dragões. Mas como fazer aquilo? Queria que a coragem de seus antepassados a atingisse. Até mesmo sua ascendente homônima fora uma grande guerreira que morrera em batalha, e diante de tantas referências, Rhaenys se sentia um frágil eco.
— Rhaenys? – o tom de voz havia mudado e ela identificou uma nota de preocupação.
— Acho que devemos ir para outro lugar... – lançou um último olhar ao seu reflexo no espelho se deparando com a pele cor de oliva, grandes olhos escuros e longos cabelos negros que caíam em cachos até o meio das costas. Uma súbita força se apossou de seu corpo quando encarou seu irmão de pé diante dela.
Jon Connington sempre dissera que Rhaenys era uma cópia perfeita de Elia. Nas noites em que o homem bebia demais, a menina podia sentir o amargor em sua voz quando falava sobre ela e o olhar de pura fascinação que lançava para seu pequeno irmão.
Ela era tão parecida fisicamente com a imagem do que Elia fora bem como Aegon o era de Rhaegar.
Não queria que tivessem o fim trágico de seus pais e por isso precisava ser forte.
— Nós não iremos voltar a Westeros como pedintes. – a firmeza em sua voz surpreendeu o irmão, mas ele nada disse. – Não nos curvaremos ou submeteremos a ninguém e chegaremos com fogo e sangue para recuperar o que é nosso.
Aegon acreditaria em seus sonhos. Seus antepassados tinham sonhos de dragão e por mais que não se parecesse uma Targaryen, o sangue de Aegon, o Conquistador, corria em suas veias.
—“Para ir em frente, deve voltar para trás, e para tocar a luz, tem de passar sob a sombra.”- a expressão confusa no rosto do irmão a fez sorrir gentilmente. O sorriso de sua mãe. – Iremos para as Terras das Sombras. Lá encontraremos o auxílio para nossa jornada. – estava convicta daquilo. Sonhara com maravilhas aladas e wm voar pelos céus. Em Asshai encontraria algumas respostas.
Rhaenys se sentia insuficiente, mas por sua família teria que bastar.
Notas finais
Bem, não revisei nadinha e tem séculos que não escrevo uma linha, então relevem qualquer coisa. ♥
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