Instrumento Tempestuoso.

5 1ª pt: Encontrada.


Notas iniciais
Oiiii! Eu postaria em 'Apenas meu' hoje, mas essa semana tô muito focada em IT, então decidi postar aqui. O cap tá curtinho, por ser primeiro parte do próximo, mas espero que vocês curtam *-*
PS.: Como prometido, não demorei!

A primeira coisa da qual tomei conhecimento foi da dor instalada no interior da minha cabeça. Como uma bola de golfe, rolando de um lado para o outro, batendo por todos os cantos e o som hipnotizante batendo nos tímpanos. Precisava de um tylenol e de uma cama mais confortável que aquela.
Abri os olhos e estava escuro. Não em um ponto em que não enxergasse nada, mas em um ponto em que eu teria de prestar um pouco mais de atenção se realmente quisesse ver algo. Me movi pelas cobertas e notei que aquela era minha cama. Mesmos edredons da noite passada. Mesmo papel de parede antiquado. Mesmo armário e mesma porta para o banheiro. Eu estava no aconchego da casa do melhor amigo de minha mãe, Harrison. Scott estava por algum lugar da casa. Talvez em seu quarto, ou procurando algo para comer na cozinha.
Não estava sentindo seu cheiro, como costumava sentir quando acordava durante a noite. Era só me virar e lá estava ele, seu ronco leve e baixinho reverberando pelo cômodo, enquanto dormia em um colchão no chão.
Então, naquela noite, éramos apenas o silêncio e eu. Não havia Scott. Não havia luz atravessando o espaço entre a porta fechada e o chão. Não havia carros barulhentos pela rua.
Mas havia as lembranças do que havia ocorrido. Vee ainda estava perdida em algum lugar. Aquele ponto que se transformou em gente. Aquele homem com cheiro de cachorro – sujo – e molhado. E ainda havia aquela voz. Sedosa, escorrendo como seda pelos meus tímpanos. Suspirei. E notei que não dormiria com tanta facilidade como gostaria.
E a culpa disto era da voz. Como eu podia me sentir assim? Como isso podia ocorrer? Eu nem vi o rosto dele. Nem senti seu cheiro. Eu só... ouvi. Escutei aquela voz peculiar, sem explicações para o momento.
Suspirei de novo e mudei de posição na cama.
Parei.
Estática.
Séria.
Que sombra era aquela? Minha respiração se alterou e então eu senti. Eu sabia que não estava sozinha, desde o instante em que acordei. Um arrepio se estendeu pelo meu corpo, puxando meus pelos para cima, fazendo a adrenalina correr.
A melodia começou. Alta. Como tio Harrison não podia escutar?
Meu pelos se eriçaram. Meus lábios se moveram. Meus olhos se fecharam.
Era a mesma canção. A mesma voz. O mesmo ritmo escuro. A mesma escuridão cercou meus olhos. O mesmo arrepio de um gelo que queima percorreu meu corpo. As cobertas não adiantaram. Elas não estancaram a sensação que se seguiu.
Eu queria dançar com a música. Queria cantar alto. Queria rir. Queria chorar. Queria mostrar o que eu era.

Seven devils all around me
Seven devils in my house
See, they were there when I woke up this morning
I'll be dead before the day is done

Sete demônios ao meu redor
Sete demônios na minha casa
Veja, eles estavam lá quando acordei esta manhã
Eu estarei morta antes do dia acabar

Respirei fundo, de olhos fechados, tentando recuperar meus batimentos cardíacos. Olhei ao redor novamente e o ar pareceu mudar, pois, agora, eu enxergava tudo. Havia sete corpos empoleirados dentre a escuridão do meu quarto.
Me ergui nos joelhos e fiquei em pé na cama, pisando nos travesseiros. Respiração entrecortada e dedos ardendo por segurar o edredom com uma força muito grande contra a frente do torso.
— O que estão fazendo aqui? – Indaguei. Minha voz soou menos abalada do que eu esperava. Respirei fundo.
Todos permaneceram em silêncio. Algumas cabeças penderam para os lados, estranhando.
— Como pode nos ver, humana? – Um deles indagou.
— Com os olhos. – Respondi, revirando-os.
— Ainda querendo ser irônica. – A voz sarcástica respondeu.
Eu já havia escutado ela.
— Silêncio. – Era a voz. Era ela sim. Eu podia sentir meu corpo corresponder a ela.
Sorri sozinha e não sei se algum deles notou.
— Quero saber o que estão fazendo aqui. – Pedi, novamente.
— Viemos trazer informações sobre sua amiguinha. – A voz sedosa soltou. — Então, agora, vocês já podem sair. – Ele ordenou.
Sem pestanejos ou interrupções todos os outros encapuzados evaporaram. Não foram pela porta, ou pela janela. Saíram das minhas vistas como fumaça, ou como a neblina em uma floreta densa.
Suspirei um pouco mais aliviada, prensando os olhos e me sentei na cama, remexendo-me entre o calor dos lençóis.
— Ela não está no Castelo Divino e como já viu, nem no Sombrio. – Aquela voz sedosa informou, caminhando pelo quarto, olhando algumas coisas com atenção saciada.
— E onde ela pode estar? – Ouvi minha voz sair forte, como se não estivesse nada derrotado por dentro.
Onde Vee podia estar?
— Acreditamos que ela esteja com os Renegados. Você, provavelmente, os conhece. – Ele informou, agora me fitando com atenção. Eu ainda não podia ver seus olhos e sua voz estava se misturando em tom mágico, indo e vindo, não era mais a mesma.
Mas, sim, eu os conhecia e sabia que não eram coisas boas. Pelo menos no meu ponto de vista, pois cada humano tinha o seu. Por exemplo, tinha uma conhecida que gostaria de ser levada por eles e penso eu, que se eles souberem disso, virão para pega-la. Vee, com toda a certeza, não está em boas mãos. E eu aqui, dormindo, como se tudo estivesse em perfeita paz.
— Amanhã, os Sombrios terão um Encontro no Castelo Divino. – Levantei os olhos em sua direção, ele parecia embaçado agora. Como um Sombrio entraria naquele Castelo? – A entrada fora permitida. Vou mandar algum dos nossos vir lhe buscar. Não hesite em nenhum instante, caso contrário ele vai embora sem você; e você não ficará acerca de informações ótimas.
Acenei em positivo, mas, quando levantei os olhos para agradecer, ele já havia sumido, deixando apenas um odor inebriante no ar. Mais uma vez, mergulhei em uma escuridão instantânea, mas, de alguma forma, ela me agradava. Me embalava e me acariciava.

Notas finais
Tenho umas coisitas para consertar no próximo, por isso ficou bem curtinho e o próximo vai ser bem comprido. Té lá! Desculpem pelo tamanhozinho! Apostam em quem para o dono da voz? *9*