Instrumento Tempestuoso.
15 1ª pt: Beijo Aceso.
Notas iniciais
Eu li o livro 'Entre o Agora e o Nunca' e fiz uma resenha pra postar no meu blog em parceria com uma amiga minha, caso queiram ler, cá está: http://cantinhoalternativo.wordpress.com/
E o segundo link vai pra minha primeira estória original! Que se deu pelo apoio da minha amiga Stella, espero vocês por lá, também! Sim, eu sou louca demais pra me dedicar a três fics ao mesmo tempo, mas eu dou conta! Por enquanto tá sem capa, mas tô providenciando! Ocorreu um probleminha! http://fanfiction.com.br/historia/387648/O_Ouro_Do_Anjo/ageconsent_ok
Take my hand, I'll teach you to dance. I'll spin you around, won't let you fall down. Would you let me lead, you can step on my feet. Give it a try, it'll be alright. (All About Us – He Is We ft Owl City.)
- Você tem visita. – Ergui meus olhos do livro que lia quando Daniel colocou a cabeça na fresta da porta.
Inicialmente, imaginei que ele se dirigia a Aphrodite, mas não fazia sentido, porque ele era meu Guardião lá dentro, e por mais ridículo – e romântico – que pudesse parecer, ele estava fazendo guarda com intensidade desde meu encontro com Zoey, a “líder” dos vampiros.
Sim, aquilo tudo era coisa de mais para compreender, mas eu já estava acostumada com o ritmo que me impuseram a força.
- Para mim? – Indaguei, colocando o livro sobre a cama e calçando os chinelos de dedo.
Ainda com sua confirmação, eu me sentia estranha. Não conhecia ninguém lá dentro o suficiente para me fazer uma visita durante a noite. Meu coração sofreu uma queda ao avistar Patch parado do lado de fora do quarto. Era estranho vê-lo no meio de tanta coisa branca, mas ainda assim, ele estava vestido completamente de negro. Foi impossível não sorrir.
Patch moveu a cabeça em agradecimento, e mesmo que relutantemente Daniel seguiu corredor a fora, para longe de nós. Eu sentia pelo clima ao nosso redor que aquele fora um trato entre ambos antes de me chamarem para fora. Eu gostei.
- O que está fazendo aqui? – Indaguei me recompondo o suficiente para conseguir olhar nas profundidades dos seus olhos negros.
Ele pegou minha mão em um impulso certeiro, e naquele momento eu senti a saudade radiando dele para mim, misturando-se com meu sentimento de falta. De falta dele. Sem mencionar palavra alguma, Patch caminhou pelos corredores, até chegar ao hall e sair porta afora. O ar gélido nos recebeu nos dando boas-vindas com os cantos dos grilos escondidos pelo jardim. Ele contornou o castelo e nos vimos entre as flores das cores mais belas que já vi.
- Ora, Nora. O grande baile para encontrar Vee está chegando. – Ele pronunciou com um sorriso de canto de boca em seus lábios. – Sabe dançar?
Eu pensei por um instante, e antes que pudesse responder, ele já me segurava pela cintura com uma das mãos, mantendo nossos corpos muito próximos. Sua outra mão pegou a minha, completamente desprevenida, e a ergueu na altura das nossas cabeças. Minha mão subiu por seu braço, sentindo todos os seus músculos e pousei a mesma em seu ombro. Engoli em seco, fitando seus olhos tão de perto.
- Não sei. – Respondi por fim, enquanto nossos corpos se moviam como se alguma música tocasse baixa ao fundo. – Não tem música. – Soltei, engolindo em seco.
- É claro que tem. Concentre-se. – Ele ordenou brutamente, enquanto o próprio fechava os olhos.
Bem ao fundo, uma canção começou a soar dentro da minha mente, e notei que meus pés seguiam os de Patch, que seguiam a canção. Meus olhos se fecharam automaticamente, enquanto a doce canção ficava mais alta, e meus pés o seguiam com mais facilidade. Então, eu deixei de sentir o chão, total, completamente...
Fui obrigada a abrir os olhos para comprovar a teoria presente em meus pensamentos. E lá estava o chão tão longe e o Castelo tão pequeno. Eu não queria imaginar como havíamos subido.
Ainda nas alturas, Patch mantinha seus pés firmes, como se realmente houvesse algo para se segurar. Ainda insegura, mantive o ritmo junto a ele. Mesmo sentindo meu coração acelerado, batendo-se contra as costelas.
- Com medo, Anjo? – Ele indagou, abrindo os olhos e me fitando de cima.
Ergui os olhos e chacoalhei a cabeça em negativo, mas qualquer um com senso poderia notar que eu estava com muito medo. Com medo de cair dos braços dele e me espatifar no chão. Mas aquelas tatuagens deveriam servir para algo, certo? Certo.
Aquela foi a primeira vez em que senti vontade de beija-lo. Em que senti vontade de ficar na ponta dos pés e colar meus lábios aos dele. Minha boca formigou e minha língua se moveu sozinha, em uma dança casual, como se estivesse junto à dele. Patch deve ter notado o desejo em meus olhos, ou também tinha algum tipo de desejo, porque, como em um passe de mágica, ele semicerrou os olhos e abaixou a cabeça, cobrindo seus lábios másculos com os meus. Quando seus lábios pressionaram os meus, algo doeu. Não como se fosse bom demais para suportar, doeu de verdade. Todos os lugares em que seu corpo se chocava contra o meu doeram. E quando abri os olhos para me afastar, notei a luz que nos rodeava. Então as palavras vieram. Firmes. Colocando um ponto final em qualquer coisa. Qualquer detalhe. Qualquer toque.
Quando Patch se soltou de mim, e olhou ao redor, notei que seus olhos estavam vermelhos. Seu toque se afrouxou do meu. Me soltando, enquanto eu sentia que despencaria a qualquer instante.
A maldição é encontrada com um beijo aceso.
Não pode ser, pensei. Colocando as mãos nos cabelos e enxergando a luz branca que cercava o contorno de nossos corpos. Uma ventania começou, mostrando a qualquer Submundo o que havia ocorrido. Sem que eu notasse as lágrimas começaram a gotejar minha face e o local ao nosso redor caiu em gotas de chuvas, representando as minhas lágrimas.
- É verdade. – Patch disse com raiva, apertando os punhos em si. – Seus poderes também estão se manifestando.
Só então notei que o meu interior se resplandecia no tempo. Meus cabelos encharcados colavam ao corpo. A verdade atingiu meu coração sem dó ou pena.
- Você só veio aqui para comprovar, não é? – Gritei por sobre o som de raios em torno de nós, enquanto a luz continuava a nos rodear.
Enquanto a Maldição continuava a nascer do nosso beijo aceso. Uma Grey e um Cipriano não podem estar juntos. Enquanto ela começava a me cortar por dentro, como milhares de agulhas entrando por minha carne, cortando meu peito e fazendo as lágrimas se derramarem.
Patch não precisava abanar a cabeça para confirmação, porque eu encontrei a resposta em seus olhos. Ele não foi até lá para me ver, matar saudades e sequer me ensinar a dançar. Ele fora até lá para me usar de teste. Para usar do nosso beijo e comprovar o que faltava para saber que eu trazia a Maldição para o povo e para me mostrar que eu era a única que poderia acabar com aquilo... a única.
Sem notar, meu corpo desceu suavemente até o chão, fazendo meus cabelos se abanarem para trás dos ombros. Eu não fiquei de pé; eu caí de joelhos. Sentindo toda a dor me corroer de dentro para fora. Caso contrário o caos surgirá. Não só para ambos. Para todos.
As palavras insistiam em repetir. Com um grito do fundo da minha garganta elas se calaram, junto à música que ainda tocava de fundo. Calaram as vozes e pioraram as tempestades. Mas não apagaram a luz do beijo aceso, não jogaram-na para longe das minhas vistas. Mas, Patch também não estava mais lá.
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