Instituto Pietro di Castiglia - Interativa
8 VIII - Erros, Acertos e Incertezas. — Parte 1
Notas iniciais
Já era noite. Na diretoria se encontrava todos os professores mestres, o local tinha uma antessala escondida por magia atrás de uma estante de livros, todos ficaram assustados não só com a invasão, mas pela imprudência de alguns veteranos de não terem visto dois alunos indo para o campo de batalha. Mortes no domínio escolar seria um desastre aos olhos da Corte Real, que a muitos anos vinham encarando a magia como um meio muito poderoso e bélico para se manter na posse de pessoas “treinada”.
Moacir estava com se cocar de cores mais claras e um manto azul marinho com verde folha. Ele estava sério demais, até para o costume da seriedade vinda dele. Eis que o Diretor Euclides se pronuncia sobre o “elefante na sala”.
— A tal aluna, foi relatado uma força descomunal demais para uma novata praticamente recém-chegada. — Euclides olhava para umas anotações em sua frente, relatórios feitos pelos professores. — Nenhum sinal de Taquicardia Mágica? Sequela Poderosa? Paralisia Traumática?
— Nada, fui visitá-la no final da tarde, estava falando com colegas da sala. — Disse Moacir com uma voz séria. — Os Anjos de Cura disseram que ela teve só um breve desmaio e nada além disso, tudo normal.
— Como uma garota jovem soltou um poder igualitário aos de grande bruxos mestres. — Indagou Cassandra se abanando com um leque de crochê. — Um turbilhão de energia.
— Talvez, não tenha sido ela. — Moacir encara as mãos sob a mesa. — Muitas entidades roubam o corpo de um índio para fazer sua última batalha, como se deixassem algo no passado e quisessem arrumar no corpo de outra pessoa.
— É o que eu sempre digo, o diabo age de formas perversas e silenciosas. — Madre Olga disse com empáfia. — Devo lembrar o Diretor do caso de 86? Não tinha sido claro que os demais seriam afastados dos “Manchas Negras”.
— Meus alunos não são monstros. — Rebateu Cassandra. — Vou reabrir as aulas de Maldição, talvez isso possa ajudar Poranga a entender esses efeitos.
— É um risco, ensinar técnicas malignas a um ser perverso. — Completou Madre Olga.
— Basta, irmã. — O Padre Licurgo estava calado até então, apesar de ser um pouco mais novo, falava com postura. — É por essa severidade que todos julgam-nos. Lembre o que nosso senhor dizia: Perdoai-lhes Pai, eles não sabem o que fazem. Essa moça precisa de uma segunda chance.
— Permita que eu cuide disso. — Cassandra olhava para o Diretor. — Ela estará sob minha custódia, e farei de tudo para que Poranga aprenda a controlar seus poderes.
— Certo, que assim seja. — Euclides acendeu um cachimbo. — Poranga tem que aprender sobre Maldições para ver se isso não é uma condição nela, e quero que reforce as aulas de Bruxaria dela. De resto, vamos lidar bem.
— E o outro rapaz que entrou na batalha indevidamente? — Questionou Hector.
— Cuidarei dele. — Disse Moacir com calma. — E como está o rapaz que se machucou em batalha?
— Passa bem, mas sabia que não deveria ter feito a matilha com novatos, lobos pequenos não tem mordida forte. — Comentou Hector. — Mas era isso, ou as cabanas seriam invadidas.
— É isso, fim de reunião. — Euclides tinha um pequeno martelo de juiz na mesa, que quando batia, abria o portal para voltarem pra sala dele.
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O sino da Catedral dos Clérigos badalou nove vezes para indicar o horário certo do chamado de recolher. No seminário, Amorim ficou responsável em retirar os pratos da mesa do jantar, o local tinha luz vinda de castiçais, algumas tochas na parede e lustres de velas grossas no teto, mesa extensas com bancos que acompanhavam, alguns clérigos passavam por ele e o encaravam torto. Podia escutar os sussurros falando “Pederasta”.
Ele engolia seco, por dentro se sentia alguém horrível, pior que os monstros que ele tinha visto mais cedo em campo de batalha. O Julgamento dele veio de um evento no ano anterior ao qual só eles recebeu a pena, alguns clérigos viram Amorim beijando outro rapaz perto do Santuário dos Alquimistas. A palavra de Amorim nunca foi o bastante, e ele foi submetido a fazer trabalhos diários, as poucas vezes que saía era na volta do seu trabalho na Ala de Cura.
Quando ele estava indo pra cozinha carregado de prato cheio de restos de comida, não notou quando passou por um grupo de clérigos, sentiu algo travando seus pés como em uma rasteira e ele foi ao chão com os pratos de metal que fizeram um barulho gigantesco no grande refeitório, os restos cobriram o jovem loiro.
— Misericórdia, irmão! Olhes por onde andas. — Reclamou o outro Clérigo que tinha um olhar sabotador no rosto. — Ah, é só o Amorim, pensei que fosse uma pessoa.
— E por acaso eu não sou? — Respondeu o clérigo no chão. — Vocês…
— CALA-TE! — O que passou por ele era Clérigo da Palavra e fez com que a voz de Amorim não saísse de sua boca. — Manchaste o nome dessa Ordem de Clero, mesmo que tentes, vossa alma é impura e vai continuar sendo.
Aquele rapaz saiu a passos rápidos e voltou para seu grupo, enquanto Amorim ficava no chão, recolhendo os pratos e chorando ao mesmo tempo. O local estava vazio, ninguém precisou ver ele nessa situação deplorável, foi até a cozinha e começou a lavar a louça, sozinho com suas preces. Se perguntava, qual era a diferença do amor que ele sentiu naquele beijo para o amor que já sentiu de outras formas.
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No dia seguinte, Poranga já tinha recebido alta e estava em aula com a professora Cassandra, a mesma pegou os alunos e levou para o lado de fora, queria saber o quanto os alunos tinham se dedicado ao estudo de Feitiços, existiam três tipos de uso Mágico, através de Feitiços Vocais e Gesticular, que eram decorados de livros. A Magia Inata que era só por movimentos e ativados de forma mental, e as Magias Naturais, que eram praticamente automáticas, com efeitos mais baixos, mas ativados até com o olhar.
Camillo tinha se deparado com umas magias novas no livro que ele estava lendo, “Livro das Maravilhas Brasilianas” de Pietro di Castiglia, ele quem desvolveu as fórmulas originais de magia. Existia a Categoria de Magia Inata que era a Transferência de Poderes, um objeto poderia ser carregado com uma forte onda de energia e ser ativada de forma mental pelo Bruxo. Ele estava decidido em usar uma coisa que carregava consigo. Seu caderno de desenho.
— Certo, o próximo da Chamada, Camillo. — Disse Cassandra animada. — Tens alguma magia que queria mostrar, sua performance será julgada.
— Estou pensando em algo. — O rapaz tira do bolso da calça um maço de cartas maiores que as de jogo e com estampas diversas. — Queria usar meus desenhos para soltar magias.
— Interessante, criativo. — Cassandra anotava algo na prancheta. — Vejamos como se sairá.
— Cierto. — Ele começa a rabiscar rapidamente na folha com um lápis.
Seus traços eram rápidos e habilidosos, mesmo desenhando rápido, não deixava de ter um resultado limpo no papel, o seu anel começou a emanar uma espécie de aura azulada que tomou conta do lápis, uma aura de cores cintilantes percorreu por suas mãos e tomaram o desenho de um redemoinho. Ele tirou a folha do caderno, jogando-a em um campo aberto diante dele, e nada aconteceu.
Millo estava convicto que daria certo, mas parecia que aquilo estava fadado ao fracasso, o garoto suspirou decepcionado com sua falha e foi recolher o desenho. Mas assim que tocou no desenho no chão, foi tomado por um golpe de tufão e jogado para trás. O desenho se tornou uma magia diferenciada conhecida como Papel Armadilha, feita por alguns magos ao decorrer de eras, esse papel disfarça um poder oculto que só é ativado ao toque.
Todos os alunos ficaram surpresos com tal efeito, incluíndo Cassandra que esperava algo totalmente diferente e ficou boquiaberta com a magia do Papel Armadilha, era algo que poucos usavam e tinham a dedicação de fazer, já que exigia uma habilidade artística e coordenação motora rápida para desenhar rapidamente.
— Parabéns, Camillo. — Cassandra dizia sorridente e abrindo seu leque com um estalo alto. — Muito boa a sua magia de Papel Armadilha, tem várias técnicas diferentes para essa magia. Recomendo pegar o livro do Norte Recifense Virgílio Alcântara, ele é um desenhista maravilhoso e bruxo, o livro se chama “Da Folha para a Realidade”.
— Obrigado, professora. — Disse Camillo esboçando um leve sorriso.
Ele voltou para seu grupo, Poranga e Poliana que segurava Félix no colo, como sempre estava dormindo como todo o gato que se preze. Passado alguns alunos, chegamos na letra P, e Poliana foi chamada para ir até a frente dos demais para sua demonstração de poderes. Diferente de Camillo, a moça estudou o livro “Meu Primeiro Grimório” da escritora maga Albertina Campo Belo.
O livro continha várias magias Naturais básicas, você escolhia no máximo de 10 magias do livro e anotava em um caderno seu, e o livro só se abriria novamente quando você soltasse as Dez magias que você escreveu em seu “grimório” ou se aprendeu alguma com algum outro bruxo. Magias gesticulares, vocais e com uso de materiais com essência de Avelã-de-Bruxa ou Cachaça de Angra. Ela pega sua varinha e recita:
— Pé de Maçã, Macieira é. Limoeiro é Pé de Limão. Fazei aparecer borboletas em minha Mão! — Ela Girou a varinha, apesar de falar um pouco mais baixo e de forma retraída, Poliana fez um feixe de tons roxos e rosados saíram da sua varinha até a palma de sua mão.
Uma onda de borboletas saíram da palma de Poliana, em tons diversos, de azul celeste com preto, até o clássico de laranja com preto, todas se misturavam em uma grande nuvem colorida que encantava aos olhos de quem via. A magia “Maçã e Limoeiro” era conhecida por permitir muitos truques simples na magia, só tinha que achar uma rima equivalente para fechar o encanto. E não importa a ordem ou os dizerem, mas tem que envolver Maçã e Limão. Maçã para magias travessas e doces e Limão para magia esplendorosas e azedas.
Poderia ser, “Pé de Limão, Limoeiro é. Pé de Maçã é Macieira, fazei meu inimigo errar a magia por besteira”. Nem mesmo Poliana acreditou no que estava vendo, até olhar para trás e ver Poranga e Camillo dando seus sorriso e palmas comemorativas.
— Parabéns, Poliana. Escolher o clássico Maçã Limoeiro, é bom para truques rápidos, treine com efeitos diferentes e isso te ajudará muito. — Comentou Cassandra se abanando e olhando o baile das borboletas. — Poranga, se aproxime, és a próxima.
Poranga soltou um sorriso, ajeito as mangas do vestido e foi para frente, ela gostava de Magia Inata, e treinava pequenas formas de conseguir soltar sua magia, uma forma que gostava era em uma espécie de dança nativa, quando não era por pura força e ação, seus movimentos de uma dança mais rítmica tomavam forma na suas magias. O bater de pés em forma ritmada e cantos grutais que ela soltava começava a emanar energia de seu pingente no colar. Uma aura mais escura começava a ir para as mãos e pés.
A magia “Sombra de Ticê” era rara, pois poucos nativos viravam bruxos, muitos iam pro caminho dos Alquimistas. Cassandra estava hipnotizada pela dança de Poranga, assim como boa parte dos alunos que nunca tinha visto aquilo. A bruxa começou a soltar algumas esferas de sombra que ao atingir o solo do campo aberto, estourava em uma bomba de fumaça escura. Um véu de sombras começou a rodear a dança de Poranga, fazendo o gato Félix sair do colo de Camillo e ir correndo na direção da bruxa, quando passou pela bruma negra que envolvia ela, o pequeno gato se transformou em uma grandiosa pantera de pelagem negra que rugiu alto para o ar.
O Rugido foi quase como um ápice para o canto de Poranga, como se os dois estivessem fazendo um dueto primitivo, enraizado nas origens de ambos. A Fumaça escura voltou a cobrir os dois, até que se dissipou com o fim da dança e da canção, mostrando apenas Poranga com o gato preto no colo e fazendo carinho no mesmo.
— Bichano, acho que você tem seu valor. — Dizia Poranga vendo que todos ainda estavam meio que em choque. — O que foi?
— Nada, só foi… Impressionante. — Disse Cassandra sorrindo. — Poranga, quero te oferecer umas aulas extras se estiver interessada. Venha falar comigo amanhã ou pode ser no final da tarde.
— Claro. — Poranga estava de bom humor no dia e voltou a se sentar no gramado com seus amigos.
— Você transformou o Félix em uma Pantera. — Camillo estava chocado. — Que poder é esse? Uma mistura de Canto de Bardo com Transmutação.
— Você é incrível, Poranga! — Poliana estava de olhos brilhando. — Queria que ser mais impressionante como você.
— Gente, não precisa me bajular, vocês fizeram magias incríveis também, da suas formas, mas fizeram. Só fiquei intrigada com o que a Professora quer comigo.
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Passou alguns dias, Janaína estava animada por ser Sexta-feira, pois os alunos usavam esses dia para festividades, obviamente que muitos professores eram contra e faziam vista grossa, pois o horário para se recolher era no máximo Onze da noite, pois as Comadres iriam se transformar na meia-noite. Existia o grupo chamado “Filhos Nativos”, era formado por sua maioria de Alquimistas e alguns bruxos Afrodescendentes, levavam tambores, cabaças, reco-reco e outros instrumentos de percussão para fazer a “Batida da Madrugada”.
As moças da cabana notaram a arrumação de Jana, com uma bandana de linho colorida de formas diferentes em estilo africano, os cabelos estavam em seus cachos mais perfeitos e naturais, seus brincos de tererês em formas de borboleta. Kathe estava limpando os seus revólveres até que notou sua colega de quarto se arrumando.
— Já está escuro e você vai sair? — Perguntou a moça com um ar indagador.
— Hoje é sexta-feira, uns garotos vão fazer uma roda de batuque no Santuário dos Alquimistas. — No quarto também estava Poranga lendo algumas coisas sobre as aulas de maldição que a professora iria lhe dar. — Se vocês forem rápidas, dá pra vir junto.
— É pra dançar? Mexer o esqueleto como dizem por aí? — Perguntou Poranga.
— Lógico, quanto mais dançar melhor, se encher de Axé. — Jana não era do tipo que puxava muita amizade, mas queria levar pessoas novas para conhecer um local bem agitado assim como fizeram com ela quando era novata.
— Olha, eu já estou pronta. — Poranga pulou da cama. — Fora que depois que soltei um pouco de magia, estou mais leve e queria dançar um pouco.
— Hum… — Kathe estava em dúvida. — Eu vou, mas fico com medo das Comadres, não quero ter pó de urtiga na pele.
— Então, eu faço uma oferenda antes de ir, e boto em uma trouxinha de pano que fica comigo, caso eu atrase nas danças e festejos, eu volto com a oferenda e entrego pessoalmente para elas. — Disse Jana mostrando uma trouxinha de pano. — Um potinho de mel, bolachinha de aveia e funcho. Elas gostam de erva doce.
— Eu tenho algumas coisas que peguei no refeitório pra caso me desse fome de noite, tenho… — Kathe procurava na sua bolsa de couro. — Bolacha de água e sal e geleia de morango.
— Tá ótimo, anda com isso na bolsa contigo, caso a gente se atrase. Creiam, acontece com frequência se atrasar por diversão. — Jana soltou um riso e esperou as duas ficarem prontas.
Apesar de dizerem que não se importavam com a beleza, preferiam o natural, às vezes por uma roupa diferente, acessórios e um perfume que seja, já te deixa diferente, mais pra cima, com astral alto e confiante.
O Santuário dos Alquimistas estava lindíssimo, arrumado com bandeiras coloridas, tochas e algumas fogueiras faziam a iluminação do local, o som dos tambores e percussão era escutado de longe, canções animadas sobre a vida e amores, até mesmo cantigas dos povos antigos. Alguns traziam algumas coisas para beberem e comerem, apesar de boa parte ali ser menor de idade, em uma época não tão antiga, muitos iniciavam em algumas bebidas mais doces e alcoólicas como vinho suave.
Existia uma bebida favorita de todos, o “Suco de Rudá”, o Deus do Amor dos Tupis ganhou uma bebida que misturava Cachaça Adoçada com Suco Tutti Frutti, era de se apaixonar pelo sabor doce e de quentura leve. As três já eram bem grandinhas, e cada uma puxou um copo oferecido por algumas pessoas ali.
— Suco de Rudá? Que nome. — Brincou Poranga. — Tenho um amigo que se chama Rudá, ele é muito especial pra mim.
— Tem um cheiro diferente. — Kathe pegou o copo de cerâmica e deu um gole até que grande e logo sentiu o que era esse diferente. — Tem cachaça aqui!
— Tem. — Respondeu Jana de forma direta. — Mas o suco de Tutti Frutti deixa um gosto bom na boca. Tome mais um pouco, nem sentirá o gosto da cachaça.
— Vais me embriagar assim. — Kathe não era muito de bebidas. — Se fosse vinho, até vai, gosto do sabor da uva.
— Deve ter, em algum canto. — Jana olhava por cima da festa.
— Icamiaba. — A voz de Poraquê surgiu atrás de Poranga. — Também te convidaram?
— Sim. — Ela analisou as pinturas corporais diferentes de Poraquê e tinha até um colar de penas novo, ainda tinha a manta azul marinho como um saiote. — Não sabia que era de se preparar para festas.
— Posso parecer reservado, coisa que sou mesmo, mas ao menos aqui me sinto mais perto do que era na minha Aldeia. — Comentou o rapaz. — Só queria que tivesse mais danças ritualistas.
— Hoje eu fiz uma magia com uma dança da minha aldeia, deixei todos com cara de Paca assustada. — Brincou Poranga que se mexia inquieta ao som da música animada e ficou vendo de longe Jana arrastando Kathe pra ensiná-la a sambar. — E você? Aprendendo a fazer pó mágico? Rapé santo?
— Se um dia aprender a fazer Rapé, te aviso. — Poraquê falou em um tom sério, mas logo desfez com um sorriso leve. — Vim pois soube de um concurso de luta.
— Ahhh claro, tá explicado. — Poranga deu um gole no suco batizado pra disfarçar.
— O que foi? Eu tenhos meus gostos. Bem, eu vou ver quem está organizando isso e vou participar, mostrar que o poder de Abaçaí é forte.
— Vai lá, curumim. — Brincou Poranga e andou até as colegas de quarto para dançar um pouco.
Enquanto todos dançavam, um pequeno grupo de Caçadores de Pesadelo, entre alguns estava Antony que tinha feito alguns novos amigos e como já conhecia o local, tinha uns veteranos que o chamavam de “Inglês da Roda”, o grupo já chegou puxando copos de suco de Rudá, Antony não era de beber e preferiu ficar com o suco de Tutti Frutti. O agito, a energia e a alegria era contagiante entre os dançarinos da roda de samba, os pés descalços ou calçados pulavam aos batuques de tambores.
Até que de relance o rapaz olhou em meio a multidão, aquela moça sendo iluminada pela chama de uma das tochas, Kathe estava se soltando na dança, tentando aprender com Jana os passos agitados. O rapaz ficou com um olhar bobo encarando-a de longe, não sabia o que fazer.
— Tá esperando o que? — Perguntou Otávio que já estava recuperado. — Vai ficar aí, parado igual um Dois de Paus?
— Melhor não, ontem nós tivemos uma conversa, não tenho certeza se ela aceitaria uma dança comigo. — Antony falou com pesar.
Continua...
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