Instinto de Gato

15 Capítulo 15 - Tudo ficará bem?


Saya havia encontrado um papel debaixo do tapete, claro que aquilo havia chamado a atenção dela porque parecia exatamente com algo que elas estavam procurando, uma pista.

—Sunny! –Disse Saya chamando a amiga que estava pensando em dar mais uma olhada no banheiro.

—O que? Achou alguma coisa? –Perguntou ela alerta, esperando que sim.

—Isto. –Disse ela enquanto mostrava o papel.

—O que é?

Saya olhou melhor para o papel, estava tão feliz por finalmente ter achado algo que nem se importou em ver o que era, mas tinha certeza de que era algo importante.

—Parece que é algum tipo de lista. –Disse ela depois de dar uma rápida olhada.

—Vamos ver juntas.

As duas analisaram e parecia com uma lista cheia de itens como: mochilas, barracas, sacos de dormir, recipientes para guardar água, panelas, talheres, copos, canecas, fogareiro com gás suficiente para os dias que iam ficar fora, isqueiro, trocas de roupas, meias, saquinhos plásticos para armazenar o lixo, toalhas, lanternas, protetor solar, itens de necessidades básicas e kit de primeiros socorros, além de alguns livros da escola e outros livros de estudos com nomes famosos.

Do outro lado do papel havia uma lista de alimentos, muitos deles demorariam bastante tempo para atingir o prazo de validade como enlatados e outros alimentos em conserva, mostrando que eles planejavam ficar vários dias longe da cidade.

—Parece que eles vão acampar... –Concluiu Saya estranhando a lista de coisas que estavam no papel.

Sunny estava muito mais confusa que Saya com aquilo que elas haviam encontrado, as coisas não faziam sentido.

—É verdade, só que.... Len nunca foi de acampar sem um motivo, lembro que maior parte das vezes ele ia quando o pai dele pedia, mas será que.... –Ela continuava desconfiada. –Posso ver melhor essa lista?

Ela pegou o papel da mão de Saya, deu uma boa olhada novamente na lista, verificou cada item minuciosamente, a procura do que seria alguma informação a mais. E em meio a todas aquelas palavras, estava escrito uma frase, algo que somente ela entenderia: "Que os dias quentes de verão, aqueça o frio que o inverno nos trouxe."

—E esse é o jeito dele de dizer que me ama. –Pensou Sunny enquanto tirava conclusões de que aquela mensagem era para que ela confiasse nele, por mais que parecesse estranho toda a situação. E pôr a mensagem estar escrita daquela forma, ele tinha certeza que ela acharia esse papel e não queria que mais ninguém soubesse disso.

—Está tudo bem? –Perguntou Saya confusa enquanto via Sunny dar um suspiro de alivio.

—Está sim, melhor impossível. Saya, isso é uma boa notícia, oras. Os dois foram acampar. Significa que eles estão bem. Era isso que estávamos procurando. –Disse ela da maneira mais positiva possível.

—Eu não sei.... Você disse que parecia estranho.... Tem certeza disso? –Disse ela não aceitando o que a amiga estava dizendo.

—Tenho, claro. –Reforçou ela.

Apesar da súbita mudança de comportamento da amiga, Saya confiava bastante nela e se ela dizia que estava tudo bem, então tudo que podia fazer era confiar.

—Se é você quem está dizendo, acho que consigo me acalmar, fico feliz que ele esteja bem.

Sunny rapidamente suspirou de alivio por conseguir convence-la a não procurar mais afundo nisso.

—Relaxa, se o Neo está com o Len sei que ele vai cuidar bem, não só dele como dos dois. Eu confio nele. –Disse ela depositando sua confiança no namorado.

—É faz sentido. Desde que o Neo conheceu o Len, aqueles dois sempre aprontaram várias coisas juntos e é engraçado como eles se dão tão bem juntos. Ainda bem que o Len está ali para ajudar.

—Nossa, tem razão, os dois só aprontam. A primeira vez que eu vi o Neo quase quis matar ele, aquele garoto arrogante. –Disse ela com uma cara de brava cruzando os braços.

—Coitado, aposto que não foi por mal. –Disse Saya tentando tirar a culpa dele.

—Hey! Você tem que ficar do meu lado, sou sua amiga, hunf! Você sempre é muito gentil com ele.

—Bom, eu faço o que posso né...

As duas riram, era bom lembrar do passado, teve vários momentos engraçados que acontecerem naquele ano e estar no quarto dos dois onde praticamente era a fábrica de toda as confusões, deixava as coisas irônicas. Não tinha como não pensar que eles haviam bolado diversas coisas ali, além do que passaram.

Apesar desse tempo para relaxar e distrair a mente, não demorou muito para que elas se tocassem que já estavam a bastante tempo ali, e já que conseguiram achar o que queriam podiam ir embora. Sunny resolveu se certificar que tudo estava no lugar enquanto Saya ia saindo, quando ela abriu a porta deu de cara com um garoto.

Saya teve que olhar para baixo para ver o rosto do garoto, engraçado que o garoto era muito parecido com o Neo, só que em uma versão mais jovem. Ele estava tão surpreso quanto ela.

—O que você está fazendo no quarto do meu irmão? –Perguntou ele irritado.

"Irmão? Então esse é o irmão do Neo, faz sentido agora"–Pensou ela, enquanto se lembrava que Neo tinha um irmão.

—Olá, eu sou o Thomas e....

—Que mentirosa, você é aquela garota problemática. –Disse Leo cortando ela.

Uma atmosfera amigável logo foi quebrada quando Saya entrou em choque, fora descoberta e agora estava arruinada, ele contaria para todo mundo da escola e com isso acabaria com a vida dela.

—Espera, fala baixo. –Disse ela tentando controlar o garoto.

—Por que falar baixo? Você claramente está invadindo o quarto do meu irmão, preciso avisar alguém... –Disse ele enquanto saia em busca de alguém.

Desesperadamente Saya puxa o braço dele e diz:

—Não! Espera!

Sem muita opção Leo teve que parar de andar.

—Você sabe onde o Neo está? –Perguntou ela desesperada.

Aquela pergunta fez o garoto mudar da postura acusativa que estava para uma mais relaxada, ela havia dito algo que ele queria ouvir.

—Não era para você saber onde ele está? Ele está sempre atrás de você. –Disse ele com desdém.

—Então, você também não sabe? –Perguntou ela concluindo pela resposta que receberá.

—Eu vim aqui para procurar ele. –Disse ele derrotado.

—Faz dias que ele está sumido.

—Sua culpa, o que você fez com ele? –Disse ele acusando Saya.

—Eu não fiz nada.

Sunny havia terminado de arrumar o quarto deixando as coisas no lugar que acharam.

—Ei, Saya vamos para casa, terminei de arrumar tudo e já está ficando tarde.

Quando assim como Saya deu de cara com o irmão do Neo.

—Neo? Ou não.... Quem é você? –Perguntou ela confusa.

—Ah, Sunny, esse é o irmão dele. –Explicou Saya na maior tranquilidade.

—Faz sentido, vocês são parecidos. Eu nem sabia que ele tinha um irmão. –Disse ela pensando mais profundamente.

—Eu nunca fui de me envolver muito com os amigos do meu irmão. –Esclareceu Leo.

—E sobre o que vocês estavam conversando? –Perguntou Sunny indo direta ao assunto.

—Parece que ele também não sabe o paradeiro do próprio irmão. –Respondeu Saya.

—Faz algum tempo desde que perdi o meu irmão de vista, achei que algo poderia estar errado, fiquei preocupado e vim ver se estava por aqui, só que parece que não.

—Sim, realmente, achamos uma pista, uma lista de equipamentos e coisas necessárias para acampar.

—Sério? Fico mais aliviado, apesar de que meu irmão nunca foi de acampar....

Por mais que a conversa estivesse seguindo um rumo legal, já estava ficando tarde e Sunny ficou preocupada caso alguém percebesse eles ali.

—A gente pode ir lá fora para conversar? Não gosto muito de ficar parada aqui no dormitório masculino. –Disse ela dando enfase ao masculino.

Nem precisou de muito para que os dois concordassem e resolvessem sair dali também.

As ruas já estavam escuras e pouco a pouco ia ficando mais frio, obviamente com a chegada do inverno já não daria mais para sair de casa sem blusa, ainda bem que aquele dia não estava tão ruim assim.

—Bom, Saya espero que isso tenha sido o suficiente para te fazer dormir, pelo menos. Vou embora para casa que preciso terminar outras coisas. –Disse Sunny como uma forma de despedida.

—Obrigado por ter me acompanhado, se não fosse por você, não sei o que faria. –Disse ela agradecendo.

—Que nada, Sempre que precisar conte com a minha ajuda. –Disse ela sorrindo. –E tchau para você também, irmão do Neo.

—Tchau. –Disse ele um tanto aborrecido.

Sunny virou de costas e enquanto andava Saya imaginava a amiga como uma grande lutadora, ela daria uma bela rainha, forte e impulsiva, prefere agir do que falar. Realmente qualidades do que seria uma forte mulher, já Saya parecia como uma peneira, deixando tudo que é bom para ela escapar por dentro os espaços que ela mesmo deixava, no fundo ela desejava ser como a amiga, principalmente porque talvez se fosse como ela, Neo não tinha ido embora.

—Eu não gosto de ser chamado assim, sabe? –Disse Leo em tom de tristeza.

Saya estava distraída e não digeriu direito o que o outro garoto estava falando.

—Anh?

—Você tem um tempo? Quero te mostrar uma coisa.

Saya iria recusar, só que o garoto na frente dela não parecia bem e por isso não podia deixar ele na mão, era algo que fazia parte da personalidade dela, ajudar os outros e por isso tinha que ajudar ele, era mais como um impulso.

—Minha mãe vai ficar um pouco preocupada, só que acredito que não tem problema. –Disse ela dando uma desculpa.

Os dois foram andando para um lugar um pouco distante dali, tiveram que subir algumas ruas, Saya não conhecia aqueles lados, tinha medo de ser perigoso naquela hora da noite, mas Leo estava totalmente despreocupado o que mostrava que frequentemente fazia aquela caminhada naquele horário. Depois de subir uma longa escadaria, eles chegaram a um lugar com dois bancos e alguns binóculos, um ponto turístico feito para observar a cidade.

—Bom, é aqui. –Disse ele, assim que chegaram.

Estava bem silencioso ali, nenhum carro estava passando na rua e tudo estava tão tranquilo.

—É um lugar bonito se você quer ver a cidade inteira. –Disse ela impressionada.

—Eu venho aqui para observar as estrelas, um dia quero ser astrônomo, meu maior sonho é trabalhar na Nasa. –Disse ele e Saya ouvia.

O silencio deixou o momento constrangedor, Saya não sabia o que falar ou fazer e só esperava ele dar continuidade com o que queria desabafar

—Irmão do Neo, Neo ou parente do Neo, tudo é ele. Até meu próprio nome parece com o dele. Sinto como se eu não tivesse identidade.

Com aquelas palavras Saya pôde entender a dor dele e ele continuou:

—Todas as pessoas gostam dele, ninguém me vê. Meu pai, minha irmã, até mesmo a garota que eu gosto gosta dele e se importa com ele. Sempre sou reduzido a irmão dele. Isso me irrita tanto. Dá para ver que até você gosta dele.

Ela por outro lado não fez nada além de sorrir. Talvez porque compreendesse essa dor de ninguém te aceitar, fazia se lembrar da vez que o Neo a ajudou.

—Seu irmão é uma ótima pessoa, todos notam ele pelas suas qualidades, mas não quer dizer que você não seja tão bom quanto ele, você é jovem, eu conheci seu irmão bem antes de conhecer você, por isso as pessoas próximas a ele acabam vendo ele em você e isso não é ruim.

—Como pode não ser ruim? Ninguém me enxerga. –Protestou ele.

—O que você acha do seu irmão? Você gosta dele? Concorda com o que eu disse sobre ele?

—Sim, por isso eu quero ajudá-lo.

—Exato, as pessoas sentem a mesma coisa e elas veem isso em você. Não é bom? Elas acharem que você é uma ótima pessoa assim como seu irmão?

—Sim, mas, eu não quero ser ele. Quero ser bom como eu mesmo.

—Você não precisa ser como ele, você não é o Neo, precisa entender que você é você mesmo e tem qualidades únicas que fazem você ser você. A influência que seu irmão tem por mais que ela acabe te ofuscando, nunca tirará o seu brilho ou aquilo que você é. Assim como esse lugar que você me mostrou.

Leo acabou ficando pensativo por um momento, alinhou todos os pensamentos e no fim tudo isso fez sentido. Saya tinha razão.

—Obrigado, eu entendo agora.... Vou tentar ser mais como eu. –Disse ele decidido. –Agora sei porque simpatizei com você, talvez porque lembra a minha irmã, acho que por ser mais velha, está ficando tarde, vou me indo agora, vá embora também.

"Talvez eu precisasse ouvir mais a mim mesma" –Pensou Saya enquanto ia para casa.

No dia seguinte, Saya estava bastante cansada pela correria do dia anterior, por isso demorou para levantar da cama.

Hoje tinha que dizer para a diretora o que as duas encontraram no quarto do Neo.

Saya estava se sentindo desconfiada do que havia encontrado, "será mesmo que Neo estava bem? " –Pensava ela.

Faltava alguns dias para terminar as aulas, com certeza ele não iria aparecer, e agora com o que sabia tinha certeza de que só o veria depois das férias.

Na televisão estava passando um programa de entrevistas com uma celebridade que já havia visitado várias cidades e vários países, Saya pensava em como seria visitar outros lugares como aquela moça.

Sunny estava esperando por ela na porta da escola, logo que ela chegou, as duas foram conversar com a Karine. Como sempre naquela época do ano, ela e os outros professores estavam correndo contra o tempo para fechar as notas e organizar as papeladas.

—Então, garotas como foi a investigação? Alguém percebeu que vocês não eram garotos? –Perguntou Karine sendo direta.

Sunny pegou a chave mestra do bolso e colocou encima da mesa, enquanto Saya segurava o bilhete que as duas haviam encontrado.

—Quase fomos descobertas, foi por um triz. –Disse Saya lembrando de como se desesperou na hora.

—Pelo menos teve adrenalina, eu quase morrido coração. –Disse Sunny enquanto lembrava do momento.

—É mesmo, e foi engraçado. –Saya riu delas.

Karine vendo as duas amigas sorriu pensando em como ela se divertia com a sua irmã quando as duas eram mais novas.

—E o que descobriram? –Apressou Karine por infelizmente não ter tanto tempo.

Foi a vez de Saya de entregar o que tinha em mãos para ela. Karine pegou e leu o bilhete, logo concluiu a mesma coisa que Sunny, mas sentia o mesmo que Saya.

—Como pode ver, parece que os dois foram acampar, vendo a lista de itens. –Disse Sunny antes que Karine pudesse pensar em algo fora do comum com aquele bilhete.

—Hmmm... –Disse Karine pensativa. –Algo está faltando.

Saya automaticamente concordou.

—Eu senti o mesmo.

Ficou um silêncio constrangedor por alguns minutos. Mesmo Sunny tendo decifrado a mensagem de Len que dizia para confiar nele, ela não poderia ir contra aquilo que as duas sentiam, preocupação, nem ela tinha certeza de que os dois estariam bem, mas tinha que confiar. Ir contra o sentimento das duas faria com que elas desconfiassem que ela sabia alguma coisa, então resolveu ficar quieta.

—Mesmo que a gente não saiba exatamente onde eles estão, não há muito a se fazer, né? –Disse Karine depois de muito pensar.

Ninguém percebeu, mas Sunny suspirou de alivio assim que ouviu aquelas palavras.

—Não. –Saya concordou triste.

—Vamos ter que confiar de que tudo está bem. –Concluiu Karine.

O clima ficou pesado como se os duas não confiassem nas próprias palavras,

—Relaxem, Len está junto com Neo e vai cuidar bem dele, aposto que no momento ele está de olho para ver se Neo está se alimentando bem. –Disse Sunny, tentando quebrar o clima. Por incrível que pareça, funcionou, era engraçado como Len passava tanta confiança a ponto de fazer as pessoas mudarem de ideia só pela presença dele.

—É, nesse ponto você tem razão, em todo caso obrigado meninas pelo que fizeram, tudo que podemos fazer no momento é esperar, então vamos fazer isso.

—Tudo tranquilo, fiz isso para acabar com a preocupação de vocês duas. –Disse Sunny tentando tranquilizar elas mais ainda.

—Fico feliz. Tenho que fazer algumas coisas e por isso não tenho mais tanto tempo livre, estou realmente grata. –Disse Karine feliz, mas de um momento para outras suas palavras tiveram um tom de seriedade diferente do normal. –Sunny, se importa de eu ficar a sós com a Saya?

Era uma pergunta que não tinha como Sunny rejeitar e por isso disse:

—Bom, não me importo. Te vejo depois, então. Saya. –Despediu ela enquanto saia da sala.

—Ok... –Disse ela um pouco constrangida.

Saya estava surpresa pelo pedido de Karine, sentiu até um medo do que estaria por vir e ficou mais nervosa assim que Sunny saiu da sala. Já Karine enquanto isso olhava para janela pensando nas palavras que iria usar para dizer o que queria.

Depois de muito pensar, ela virou de frente para a Saya.

—Daqui para frente, não sou sua diretora. –Disse ela olhando para os olhos da Saya, deixando ela constrangida por isso.

—Tudo bem... –Disse ela sabendo que iria ouvir algo sentimental vindo dela como pessoa e não como alguém profissional.

—Eu quero te pedir uma coisa. –Disse Karine relaxando assim que soltou aquelas palavras, como se elas fossem um enorme peso nas costas. –Neo está sofrendo, só que não percebeu isso. Você sabe o que aconteceu com ele? –Perguntou ela curiosa para saber o quanto Saya sabia.

—Eu sei o que todo mundo sabe. Ele mudou depois do acidente do ano passado e que não era para contar sobre o passado para ele. –Disse Saya um pouco confusa da pergunta.

—Isso, o pai dele junto com ajuda de outras pessoas espalhou isso, só que o que eu preciso que você saiba é outra coisa, por isso promete guardar segredo?

—Prometo.

Karine então respirou um pouco antes de dizer.

—O problema é com a mãe dele, a minha irmã.

Saya ficou surpresa e preocupada ao mesmo tempo.

—Afinal o que aconteceu com a Mia?

Karine mais uma vez precisou respirar bem fundo, antes de contar a verdade.

—Ela.... Não está mais entre nós.

Por um momento Saya ficou horrorizada, não sabia o que havia acontecido e se sentia mal, talvez até culpada por não perceber que Neo estava passando por essa tristeza.

Estava em palavras.

—Desculpa, sei que foi um choque para você, afinal você conhecia ela. –Disse Karine tentando confortar a garota.

Mia, era professora de música, quando Saya era criança teve aulas de canto. Pessoa gentil e simpática, rígida quando precisava dar alguma bronca. Por causa dos cabelos pretos de Neo, Saya sempre lembrava da mãe dele.

—Sinto que isso ainda vai ficar na minha mente por vários dias, mas por favor continue. –Disse ela quando se recuperou do choque.

—Você deve imaginar o que Neo está passando no momento, o choque foi tão grande para ele que algo fez ele bloquear todas as lembranças, tudo que aconteceu antes do acidente e assumisse outra personalidade e identidade só para não lembrar da mãe.

—Deve estar sendo doloroso.

—Sim, e eu não deixo de me preocupar, sempre fui como uma segunda mãe para ele e desde que isso aconteceu eu estive mal porque não pude fazer nada, eu fiquei tão feliz quando vi ele andando pelos corredores da escola. –Karine fez uma pausa. –E mais feliz ainda quando vi ele frequentando a escola normalmente e tudo isso graças a você.

Saya ficou muito feliz por ouvir aquelas palavras, mesmo que no fundo não acreditasse tanto nelas.

—Eu não fiz nada.

—Não, para você pode não parecer nada, mas para ele foi tudo. Ele vinha na escola para te ver, porque você cuidou dele durante esse tempo em que ele estava sozinho, bem mais do que eu pude fazer por ele, sinto inveja de você. –Disse Karine em tom de tristeza.

—Não se culpe, você tinha outras coisas para fazer, uma escola para administrar, não podia deixar isso de lado por um aluno. –Disse Saya sendo compreensiva.

—Obrigado, de qualquer forma o que eu tenho para te pedir, é a sua ajuda, já que eu não posso fazer nada por mim mesma. –Saya assentiu e ela continuou. –Sei que é pedir demais, por eu já ter te pedido para investigar o quarto dele, mas quero que você ajude o Neo a melhorar

Claro que aquele pedido era surpreendente, afinal quem esperaria um pedido assim da diretora da escola?

—Mesmo que eu ache que eu não consigo, vou tentar, pelo Neo. –Disse ela determinada

—Você consegue, eu acredito em você. Você é uma das pessoas que mais tem influência no Neo nesse mundo, se você fez ele voltar a frequentar a escola, você pode fazer tudo, eu confio em você.

Claramente Saya ficou feliz por ouvir aquilo, ela assentiu e Karine sabia que podia contar com ela.

—Obrigado, deixo tudo com você, pode ir agora. –Concluiu ela.

Saya então sorriu, se levantou e foi até a porta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.