Insomniacs
9 Capítulo Nove - Libertação
Notas iniciais
Alex estava atrás do volante novamente. Sua dor de cabeça era agonizante e ele definitivamente estava indo rápido demais. Ele não podia se culpar, porém, porque se lembrava de querer ir para casa o mais rápido que pudesse. O cheiro de álcool estava no carro e cada farol não fazia nada além de fazer seus olhos semicerrarem e sua visão embaçar. Suas palmas suavam e o coração batia forte. Só um pouco mais. Só mais um pouco e ele estaria em casa. Ele conhecia a rua muito bem e com certeza sabia que havia um cruzamento a frente, pelo qual ele tinha que passar toda vez que tinha que chegar ao seu prédio com um sinal vermelho demorado. À distancia, ele podia ver que a luz estava verde.
Uma garota seria atropelada naquele mesmo cruzamento.
Estaria vermelho quando ele conseguisse alcança-lo, então ele fez o que uma pessoa faria em uma rua vazia as três da manhã. Ele pisou no acelerador com força e foi em frente, mais rápido do que nunca.
A polícia não encontraria nenhuma marca de pneu.
Foi quando sua dor de cabeça o atingiu novamente, como uma pessoa batendo com um martelo em sua cabeça. Alex gemeu, fechando os olhos por alguns segundo, tirando uma das mãos do volante para massagear a testa.
O que significava que o carro nem parou até atingir a pobre garota.
Foi algo que ele fez por apenas uma fração de segundo, mas no momento em que abriu os olhos, pôde ver alguém parado bem na frente de seu carro, as luzes atingindo a figura. Não demorou muito para ele registrar quem poderia ser, apenas para perceber que realmente havia alguém parado na frente de seu carro com os olhos arregalados, aparentemente tão surpreso quanto ele.
Quem quer que estivesse atrás do volante seria um assassino e tanto.
E Alex pisou no freio. Ele pisou no freio com tanta força, quase instantaneamente. Seu corpo balançou para a frente, o cinto de segurança o segurando, antes de sua testa encontrar a superfície dura do volante com um baque alto. Tudo ficou preto e a única coisa que Alex conseguiu registrar foram as pancadas na cabeça. Ele tinha vontade de vomitar, seu corpo tremia e o estômago revirava.
Ele abriu um olho, gemendo. Ele piscou furiosamente, tentando recuperar a consciência que estava escapando dele. O sangue escorria de sua testa, mas ele não se importava com isso.
E foi quando ele viu, uma figura parada bem na frente de seus faróis. Ele conseguiu evitar o acidente agora, não foi? Ele não bateu na pessoa. Ele pisou no freio a tempo e não foi...
“-um assassino?”
Seus olhos se arregalaram, olhando para a pessoa parada no farol. Ela estava sã e salva, não estava? No entanto, sã e salva como estava, a garota já estava sangrando, sangue escorrendo pela testa, cobrindo metade dos olhos e encharcando suas roupas. Não, ele não fez isso. Ele não bateu na garota. O sangue não era culpa dele.
“Eu não sou um assassino!” ele gritou.
A boca da garota se contorceu, formando um sorriso. Era um sorriso, mas era tudo menos isso, enviando calafrios e horror por sua espinha. Era um sorriso, algo que o lembrava estranhamente de Xavier, mas este não lhe deu conforto. Este o deixou tremendo e apavorado. Não foi culpa dele. Não poderia ser. Ele pisou no freio dessa vez. Não houve acidente. Haveria marcas na rua e a polícia saberia. Eles saberiam que ele não era o que ela vivia dizendo.
"Mas você é."
Alex acordou com um sobressalto, o corpo encharcado de suor. Ele rapidamente examinou a sala o seu redor, se certificando de que não estava vendo coisas, porque jurava poder ouvir os sussurros novamente, não vindos do telefone ou da televisão, mas sendo ditos diretamente em seus ouvidos.
Tinha caído no sono. Nem sequer percebeu, já que a ultima coisa que lembrava era de Xavier rindo de um desejo de um guaxinim cantando. Essa era a última coisa de que ele se lembrava antes de tudo se tornar um borrão e o sono o levar. Era raro ele adormecer esses dias, e isso meio que o assustou sem que ele percebesse. Então, novamente, com Xavier por perto isso parecia fácil demais. Ele poderia simplesmente fechar os olhos e abri-los e descobrir que as horas haviam se passado. Ontem ele conseguia ficar acordado por dias a fio, mas desta vez ele havia adormecido duas vezes em um único dia.
Ele percebeu que o sol já estava se pondo, a sala estava escuro e ele nem acendera a luz. A única coisa que iluminava o quarto era a luz fraca que vinha de trás da cortina fechada, cortesia de morar em uma cidade grande e movimentada.
“É apenas um sonho. Você está bem, Alex, você está perfeitamente bem...” Ele repetiu as palavras, enterrando o rosto nas mãos enquanto respirava fundo.
Com a aparição de Xavier na noite passada, ele havia esquecido sobre os pesadelos. E agora eles estavam aqui fazendo uma aparição ao lado da batida em seu crânio que ele conhecia muito bem. Parou no momento em que Xavier chegou e começou convenientemente no momento em que ele—
Alex virou a cabeça, tentando encontrar o garoto que agora percebeu que havia desaparecido. Xavier ainda estava em seu apartamento agora pouco, não estava? O laptop estava faltando no sofá e Xavier não estava em lugar nenhum da sala de estar. A escuridão e o silencio começavam a rastejar sobre ele. Acendendo a luz e dando uma rápida olhada no relógio, viu que já eram onze da noite.
Ele caminhou lentamente em direção ao seu próprio quarto, pensando que Xavier poderia ter ido se refugiar na cama, cochilando, mas logo percebeu que estava errado, pois o quarto estava completamente vazio. Sua dor de cabeça havia voltado marchando, mas Alex fez o seu melhor para ignora-la como sempre fazia. Seu coração estava acelerado, assim como seus passos, porque ele rapidamente se arrastou para seu escritório, esperando encontrar Xavier mexendo em seus papéis e livros. Ele estava errado mais uma vez, então correu em direção ao quarto de hóspedes, batendo a porta na parede ao abri-la.
“Xavier?!”
A única coisa que lhe respondeu foi o silencio. Um calafrio percorreu sua espinha. Havia algo que parecia muito errado nisso, não ter Xavier por perto. Havia algo de errado em acordar em um apartamento vazio, como nada além do silencio cumprimentando-o. Alex estava completamente sozinho mais uma vez.
Sem a voz de Xavier por perto.
Sem a voz, mas—
Uma batida.
Alguém estava batendo.
Ele correu em direção a porta da frente. Seria Xavier, não seria? O garoto havia apenas saído para passear algo assim, ido encontrar com Percy ou algo assim. Ele se foi apenas por um momento e logo voltaria. Ele não estaria fazendo algo ruim agora, algo como pegar umas das facas da cozinha ou—
“Xavier? Você—”
Não era Xavier. Não era o garoto de olhos verdes brilhantes e sorriso enorme que estava parado em sua porta.
“Alex?”
Era Scott, olhando para ele perplexo.
“Você está esperando o Xavier?” Perguntou o rapaz, parecendo preocupado.
Alex parou por um momento, respirando fundo. Seu coração batia forte e as palmas das mãos estavam suadas. Ele estava em pânico e não parecia iria parar a não ser que ele encontrasse Xavier. No entanto, aqui estava Scott bem na frente dele. Não lhe deu muito alivio, mas ainda era algo melhor que a batida que ele ouviu ter vindo de sua imaginação ou algo assim.
Pior, poderia até ser o telefone quebrado tocando.
“N-não, eu só—” Alex passou a mão pelo cabelo, tentando se acalmar. “Ele estava aqui agora pouco.”
Scott olhou para ele, provavelmente percebendo que havia algo mais por trás disso. Só por aquele olhar Scott podia dizer que seu amigo estava percebendo as coisas. Ele tentou o seu melhor para parecer calmo, mesmo tentando ganhar isso nesse meio tempo também, já que seu coração ainda batia rápido e alguém tocava um tambor em sua cabeça no mesmo ritmo.
“Você está bem?” Perguntou Scott.
Alex assentiu rapidamente, antes de gaguejar sua resposta repetitiva. Scott apenas suspirou, percebendo que a resposta nunca mudaria quando se tratava de Alex.
“Seu carro está consertado. Eu o deixei estacionado lá embaixo.” Disse Scott, estendendo a mão e devolvendo a Alex as chaves do carro. “Tenho que correr, me desculpe não poder ficar muito tempo, cara. Há uma pilha de trabalhos para amanhã e o Leo é um idiota, pedindo minha ajuda com os dele.”
Isso foi uma benção, porque Alex mal podia esperar para pegar seu próprio carro e dirigir pela cidade atrás de Xavier. O garoto voltou para casa? Onde mais ele poderia ir? Ele odiava a própria casa; ele não voltaria agora, não é?
“Obrigado, Otts. Apenas me cobre depois.” Disse ele, forçando um sorriso em seu rosto, esperando que isso afugentasse Scott mais cedo.
Seu amigo apenas suspirou e caminhou até a porta do elevador, apertando o botão. Scott, é claro, percebeu o quão nervoso ele estava, mas entendia que Alex odiava ser espionado. Assim que ele pensou que a conversa havia acabado e como ele havia agradecido mentalmente a Scott pela compreensão, o rapaz o chamou mais uma vez. Ele gemeu, parando no meio do caminho e virou a cabeça novamente para ver Scott caminhando de volta para ele. Scott se aproximou e havia algo engraçado escrito em seu rosto — não era preocupação ou a mesma preocupação que Oliver sempre teve com ele, era outra coisa que Alex realmente não conseguia ler.
Scott apenas passou o momento olhando para ele como esse olhar sério. O que quer que ele estivesse tentando dizer a ele parecia pesado e importante. A hesitação de Scott não o ajudou em nada agora, e apenas o fez gemer.
“O que? Apenas diga.” Comandou Alex, impaciente. Metade de sua mente ainda estava pensando em Xavier e cuidando da dor de cabeça. Outra parte só queria que Scott dissesse o que ele precisava e acabasse com essa conversa o mais rápido possível.
Scott suspirou antes de falar. “Estou dizendo isso porque eu estou preocupado, ok? Eu que você odeia perguntas, mas ainda preciso perguntar. E mais do que tudo eu confio em você, ok Alex? É só — porra, isso me deixa muito preocupado com você.”
Essa metade de sua mente que estava pensando em Xavier o fez ver se sentir as palavras de Scott como irritantes. Ele entendia claramente a urgência no tom de seu amigo, mas não importava agora. Todo mundo estava preocupado, ele já percebeu isso. O que poderia ser pior do que como ele estava agora? Ele estava bem. Ele estava perfeitamente fodidamente bem. Quantas vezes teria que repetir isso?
“O que?!” Ele disse impacientemente, levantando o tom.
“Alex, antes de mais nada, quero que saiba que acredito em você, ok? Eu confio em você. Você é meu melhor amigo e eu—”
“Apenas me diga o que está incomodando você, porra!” Disse Alex, quase gritando.
Scott ficou surpreso com isso porque ele fechou a boca. Isso não o fez vacilar, mas o fez ficar lá, olhando para Alex nos olhos com um olhar sério. Ambos ouviram o ‘ding’ do elevador ao fundo, mas nenhum se moveu. Ele raramente ficava bravo com Scott, e talvez se seu amigo fosse reclamar sobre como ele estava preocupado de novo, dizendo as palavras que ele ouviu mais de cem vezes, ele provavelmente explodiria como fez com Xavier antes e—
“Eles encontraram sangue no carro.”
Alex piscou. Sangue? Que sangue? Seu sangue no volante?
“No seu carro, Alex. Os mecânicos encontraram vestígios de sangue no seu carro. Eu os paguei a mais para não dizerem nada e inventarem alguma desculpa. Mas eles encontraram sangue no farol dianteiro quebrado.”
Ele não se lembrava de ter um farol quebrado. Ele bateu o carro na traseira direita, na parte de trás. Seu farol dianteiro estava funcionando perfeitamente bem, não estava? Espere, Luka não disse algo sobre um farol quebrado antes?
“Quebrou quando eu bati no Xavier.” Disse Alex. Sim, isso seria lógico. Ele conseguiu desviar o carro a tempo, mas ainda acertou Xavier de leve. O sangue provavelmente era do garoto.
Então era isso que estava incomodando Scott? Ele já deveria ter relaxado agora com a explicação lógica. Scott pensava que ele era um assassino? Ele virou de cabeça para baixo depois de inventar uma teoria de que melhor amigo poderia ter matado alguém? A explicação já estava ali, então por que Scott não relaxava?
“Essa não foi a única coisa.”
O que?
“Eles encontraram vestígios de sangue no capô do carro e na parte de trás.”
Algo estalou dentro de Alex. Scott não estava brincando agora, estava? Claro que não. Ele não estaria tão sério e preocupado se estivesse realmente brincando. Como poderia haver sangue? Talvez alguém apenas o tenha espalhado para fazer parecer que ele—
“Você acha que eu bati em alguém, Scott?”
Não poderia ser. A única pessoa em quem ele havia batido foi Xavier. Naquele dia, no cruzamento, quando ele bateu o carro contra o poste, ele claramente não atropelou ninguém. Porra, não havia ninguém na rua. Era apenas sua mente imaginando coisa.
“Você bateu, Alex?”
Os olhos de Alex se arregalaram. Mas e o sonho? E o pesadelo? Era verdade? Ele bateu em alguém e não se lembrou? Não, não poderia ser. Mesmo que tivesse, ele se lembraria de ter visto uma figura passar na frente se eu carro, então tentaria pelo menos pisar no freio—
E você sabe a pior coisa? A policia não encontrou nenhuma marca de pneu...
“Eu não—”
Ele se lembrava do pesadelo muito vividamente para ser um sonho. Ele se lembrava que o carro continuou andando e a figura foi jogada da rua em direção ao vidro do carro antes de rolar em direção ao teto e desaparecer de vista. Ele se lembrava que seu carro estava indo tão rápido que ele mal sentiu o impacto.
— o que significava que o carro nem parou até atingir aquela pobre garota.
Ele fechou a porta na cara de Scott. Não, ele não estava se lembrando. Era um sonho, um sonho que se parecia muito com a realidade. Era do sonho que ele estava se lembrando.
“Vá embora!” Ele gritou, trancando a porta de se virar, ficar de costas contra a parede e cair no chão.
Ele podia ouvir Scott do outro lado, batendo freneticamente e chamando por seu nome. Ele havia se esquecido completamente de Xavier ou de sua dor de cabeça. A única coisa que se passava em sua mente era o pesadelo vívido e as palavras de Luka repetidas. Não, ele não bateu em ninguém. Ele não matou ninguém. Ele não era um—
“Eu não sou um assassino!” Ele gritou.
Pôde ouvir a resposta abafada de Scott, dizendo a ele: “Eu não estou dizendo que você é!”
Mas Scott estava dizendo sim. Com suas palavras e acusações. Ou melhor, não era Scott. Eram os sussurros ao telefone. Era a estática da televisão. Eram as palavras escritas na parede. Estavam em todos os lugares e todos eles estavam tentando dizer a ele a mesma coisa repetidamente. Talvez ele fosse burro demais para perceber e eles precisavam da voz de Scott desta vez para lhe dizer exatamente isso.
“Eu não sou um assassino.”
Sua voz estava falhando.
“Estou bem. Eu estou—”
Mesmo agora ele não conseguia mais acreditar nessas palavras.
O apartamento estava muito vazio, muito quieto. Estava muito quieto sem o telefone tocar. Estava muito quieto sem a risada de Xavier. Só havia ele. Havia apenas a respiração de Alex Webber, sentado ao lado da porta da frente no chão frio. Três da manhã. Ele tinha adormecido muitas vezes hoje e certamente não conseguiria dormir de novo tão cedo. Não como ele queria, com o pesadelo que o ameaçava toda vez que ele fechava os olhos. Scott tinha ido embora. Ele provavelmente desistiu de bate ou talvez a Sra. Fitzgerald da porta ao lado o tinha expulsado por perturbar a paz. De qualquer forma, estava muito quieto e Alex sentiu algo que não sentia há muito tempo.
O vazio estava de volta. Era errado dizer que sentia o vazio, porque naquele momento ele não sentia absolutamente nada. Ele apenas ficou sentado lá, olhando para seu apartamento que de repente parecia grande demais.
Ele sentia como se tivesse voltado para aqueles dias antes dos sussurros e Xavier Sharpe. Os dias em que ficava sentado em frente a televisão. No entanto, os únicos lembretes de que não havia voltado no tempo eram o telefone quebrado e a tela rachada da TV. Fora isso, ele nem saberia se um mês ou dois se passaram ou não.
Sua mente estava vazia e seu coração também. Ele voltou a não sentir nada e não fazer nada além de respirar.
Esse foi o momento em que ele virou a cabeça em direção à cozinha. Algo estava chamando por ele. Havia uma voz que dificilmente parecia uma voz, sussurrando em seu ouvido. Não era como o telefone, era outra coisa, esquisita mas ali. A voz era familiar e ele definitivamente a tinha ouvido antes.
Ele lentamente se levantou e caminhou em direção à cozinha e então viu. As facas. Foram elas que o chamaram, não foram? Elas estavam flertando com ele? Estavam pedindo para ele voltar, diziam que sentiam sua falta. Dizendo o quando eles já se divertiram muito, por que não novamente?
Seu dedo correu em direção ao cabo de uma delas, tirando-a suavemente, segurando-a no ar. Parecia mais leve do que costumava ser na mão de um Alex de treze anos. Ele olhou para o braço esquerdo, o pulso. As facas estavam pedindo um beijo. Elas queriam acariciar sua pele tanto quanto ele queria acariciar a delas. Elas queriam beijar cada parte dele, saboreando sua pele pálida com a língua. Elas queriam ser um com ele novamente, estar dentro dele, fazendo com que pintasse tudo de vermelho. E a cada passagem que eles estavam juntos, a cada toque que queimava sua pele, ele gemia aquela doce e pura agonia entre seus lábios.
Então sim, elas estavam chamando por ele. Elas estavam esperando por aquele beijo, lentamente se aproximando um do outro novamente. Elas estavam esperando e chamando, exatamente como o telefone. Chamando e chamando e chaman—
“Alex?”
Outra voz, chamando por ele.
Ele nem percebeu, mas deixou a faca cair no chão, o metal batendo ruidosamente contra o chão. Ele caminhou em direção à porta com passos firmes, destrancando-a e a abrindo lentamente.
“Oi Alex.”
Era Xavier, é claro. Olhos verdes brilhantes, sorriso caloroso como o sol. Ele estava sorrindo como sempre fazia.
“Eu sai para cuidar de algumas coisas em casa. Desculpe ter ido embora sem avisar.” Disse ele, antes de entrar e ir direto para o sofá.
Xavier havia voltado como se nada tivesse acontecido, como se Alex não tivesse acordado em pânico com sua ausência. Ele estava bem. Ele não estava fazendo nada de ruim como Alex pensou que ele poderia estar. Ele estava perfeitamente bem.
“Eu sei que são três da manhã, mas estou com fome.” Disse o garoto enquanto Alex caminhava lentamente em direção ao sofá, sentando-se ao lado de Xavier. “Podemos pedir pizza de novo?”
Alex virou a cabeça para olhar para Xavier. O garoto estava lá como se nunca tivesse ido embora. Essa cena e fato simples tornaram-se algo estranho para ele entender e ele se sentiu vazio e se despedaçando em meros segundos. Ele não conseguia nem processar as coisas em sua mente, menos o simples fato de que Xavier sentado na frente dele parecia algo que parecia inegavelmente errado.
“Alex?” Perguntou Xavier, suas sobrancelhas arqueadas em confusão.
Ele imitou a expressão de Xavier. Tudo estava errado. Tudo não fazia sentido.
“O que está errado? Você não parece bem.” Disse Xavier, a voz preocupada.
Ele não podia nem odiar a pergunta. Ele apenas—
“O que aconteceu?”
Xavier mordeu o lábio antes de pegar a mão de Alex lentamente na sua. Foi quando ele virou o pulso e notou o sangue, exatamente como ele fez.
“Alex, o que você fez?!”
Alex voltou a atenção para o próprio pulso e lá ele viu o sangue. Havia um corte ali, na vertical, exatamente como ele havia explicado para Xavier antes. O corte não era profundo o suficiente, mas ainda sangrava, o sangue manchando seu braço de vermelho. Ele virou a cabeça para a faca então, caída no chão, esquecida. Ele podia ver o toque de vermelho em sua lâmina. Engraçado. Ele se lembrava de segura-la, mas não se lembrava de cortar a pele com ela.
Xavier se levantou e caminhou em direção ao banheiro, voltando com mesmo kit de primeiros socorros que ficava guardado no armário. Agora era exatamente o oposto de ontem. Que cômico. Nada mais fazia sentido.
“Você disse que isso não faria nada melhorar.” Xavier disse, cuidando do ferimento.
O tempo todo ele olhava para o pulso esquerdo de Xavier. A bandagem que ele colocou ainda estava lá.
“Não faz.” Alex disse, sua voz soando estranha em seus próprios ouvidos.
“Então por que você fez isso?” Xavier o olhou nos olhos.
“Não me lembro de ter feito isso.”
A resposta de Alex mudou algo no rosto de Xavier. Isso chocou o garoto, tanto quanto chocaria a si mesmo se pudesse sentir também. Ele simplesmente não podia agora, até mesmo o toque dos dedos de Xavier o álcool sendo derramado na ferida pareciam a um milhão de quilômetros de distância. Xavier enrolou uma bandagem em volta do pulso de Alex, fazendo exatamente como Alex fez com ele, antes de olha-lo nos olhos.
Ele não conseguia entender o que quer que Xavier provavelmente estivesse tentando dizer a ele. Ele não conseguia entender ou sentir nada. Não conseguia nem pensar direito. Parecia que seu cérebro estava com defeito.
Talvez fosse assim que quebrado parecia. Sem lágrimas ou gritos. Apenas esse vazio o consumindo, podendo sentir até o vento soprando através de você. Era ter a vida sugada de seu corpo, deixando nada além de um buraco em seu peito.
“Xavier...” Ele disse suavemente.
Ele não estava tentando chamar pelo garoto. Ele estava simplesmente dizendo o nome da pessoa que estava sentada bem na frente dele. Essa era a única coisa que parecia real agora.
“O que foi, Alex?” Xavier respondeu. Na verdade, ele não tinha nada a dizer além do nome do garoto. Mas de repente sua mente de alguma forma surgiu com palavras, por si só. Seu cérebro estava, pelo menos, ainda funcionando de alguma maneira.
“Eu sou um assassino?”
Xavier arqueou as sobrancelhas. “Por que você diz isso?”
Alex olhou para o telefone quebrado. Por que não tocava agora? Ele esperava poder colocar o telefone no ouvido de Xavier e deixa-lo ouvir as palavras por si só.
“Ouvi vozes.”
Xavier devia estar pensando que ele era louco. Todo mundo que ouvisse isso deveria achar o mesmo.
“Elas continuam dizendo que eu sou um assassino.”
Ele se convenceu de que não. Ele se convenceu de que estava bem. Só que desta vez sua língua parecia entorpecida com as palavras. Essa garantia, esse mantra que ele repetia, soava mais como uma mentira agora.
"Eu continuo tendo dores de cabeça. Eu não consigo dormir e quando eu durmo é cheio de pesadelos."
Ele queria que Xavier repetisse essas palavras para ele. Então pareceria real, quando outra pessoa estivesse dizendo por ele, exatamente como o garoto fez ontem. No entanto, Xavier apenas o ouvia com olhos inabaláveis.
"E-"
O aperto de Xavier em seu pulso aumentou.
"Estou ficando louco, Xav?"
O grande Alex Webber finalmente perdeu. O teimoso Alex Webber que não parava de dizer que estava bem. Ele finalmente quebrou e olhou quem estava ali na frente dele agora. Um pirralho estúpido que mal o conhecia.
Xavier balançou a cabeça.
“Não, Alex,” ele disse, sua voz suave. “Você é apenas humano.”
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Ele deveria estar deitado em sua própria cama. Talvez fosse a sala de estar pela qual ele se apaixonou. Talvez não precisasse necessariamente ser o sofá. Talvez ele pudesse arrastar sua cama para a sala e dormir bem nela. Ele não conseguia dormir e isso não era mais uma surpresa. Ele apenas ficou lá com os olhos abertos no escuro, olhando para o outro. Estava escuro, ele ainda podia distinguir o contorno do rosto e o sorriso suave à sua frente.
Xavier estava deitado de frente para ele e ele percebeu que o garoto ainda estava com os olhos abertos, estando tão acordado quanto ele. Isso e o dedo que acariciava seu pulso suavemente. Xavier estava traçando as cicatrizes com a ponta do dedo, mesmo quando havia um curativo enrolado em volta delas. Mesmo assim, ele continuava.
“Você não está dormindo?” Alex se ouviu perguntando.
Xavier balançou a cabeça.
“O sol está prestes a nascer.” Disse o garoto suavemente.
Com o canto dos olhos, Alex podia ver uma luz fraca brilhando por trás da cortina, um sinal do amanhecer, o brilho da luz no outro extremo do horizonte. Ele passou dias acordando nas horas mais aleatórias que o nascer do sol não era mais uma visão estranha para ele.
“O que você está pensando, Alex?”
Sua mente divagou sobre como Xavier podia rir. Ele podia chorar e sorrir. Até mesmo Percy poderia passar seu tempo beijando uma garota no elevador. Até mesmo Luka provavelmente estava em turnê como DJ, rindo alto. As pessoas ao seu redor estavam avançando e mesmo quando ele conseguia ver o caminho à sua frente, ele parava ali, preso na mesma rotina sem fim de novo e de novo.
“Eu não consigo sentir nada.” Ele sussurrou. Ele não sabia por que, mas sentiu a vontade de sussurrar isso para Xavier quando na verdade eles eram os únicos habitantes daquele apartamento.
“Sim, você pode.” Disse Xavier, puxando seu pulso. “Você sente isso?”
“Não assim.”
“Que tal isso? Sentiu isso?” Desta vez o garoto beliscou a palma de sua mão.
“Isso doeu, estúpido.” Alex devolveu o beliscão com um chute na canela do garoto.
Xavier riu depois de exclamar um alto ‘Ai!’.
“O que?”
“Você está mentindo, Alex.” O garoto sussurrou, voltando a tocar seu pulso e acaricia-lo lentamente. “Você sente coisas.”
Isso foi estupido. Ele estava deitado em seu sofá com um garoto que mal conhecia, cara a cara. Isso não era um sentimento genuíno. Esses eram seus sentidos reagindo a coisas físicas. O sentimento real, aquele que permanecia no coração, era o que mais lhe faltava.
“Eu não consigo sorrir do jeito que você sorri.”
Ele podia sentir a respiração de Xavier contra sua pele.
“Ou chorar como você.”
Ele odiava contato físico. Ele detestava isso. Mas, novamente, os dedos em seu pulso pareciam tão reconfortantes. Por que parecia tão familiar? O calor, o conforto.
“Ou rir como você.”
Ele podia dizer que Xavier estava piscando, como sempre fazia quando tentava entender alguma coisa.
“Por que você quer tanto ser como eu?”
“Porque, Xav, você é tudo o que eu não sou.”
Xavier riu novamente e naquele ponto Alex sentiu uma leve vontade de beliscar o garoto.
“Você é bobo, Alex.” Disse Xavier. “Só porque eu posso sorrir e rir não significa que eu posso ser tudo o que você não é. Outras pessoas podem chorar e rir muito bem. Por que você não é como qualquer outra pessoa?”
“Como quem?”
“Como Percy? Ele parece legal e otimista. Viu? Totalmente o oposto de você.”
Alex bufou. Percy não, certamente não ele. Percy era irritante. Xavier ria e o irritava, mas definitivamente havia algo mais em Percy que ele simplesmente não suportava. Além disso, Percy era—
“Não, o Percy não.”
“Por que não, então?”
“Porque ele é estranho e irritante.”
Mas ao lado de Percy havia Bianca. Por que a garota continuava olhando para ele daquele jeito? A garota que Percy beijou no elevador. Deus sabe o que mais eles poderiam estar fazendo naquele elevador além de beijarem. Ele também tinha feito coisas lá, quando ainda se aventurava em boates e em noites regadas de bebida, trazendo varias garotas diferentes em seu braço.
Mas por que ele estava pensando nisso agora? Gemendo, Alex se mexeu e deitou de bruços dessa vez, enterrando o rosto na almofada. Ele não conseguiria dormir, ele sabia disso.
“Alex?”
Alex resmungou, fazendo ruídos incoerentes como resposta. Ele esperou que Xavier falasse, fizesse perguntas ou algo assim. Em vez disso, o garoto ficou quieto. Ele o deixou em paz, suspirando contra o colchão.
“Você disse que não consegue sentir nada, certo?” Disse Xavier enfim depois de alguns momentos, a voz baixa e abafada. Havia uma sugestão de algo mais no tom, mas Alex ignorou.
Ele não precisava responder a isso. Ele não precisava repetir pela segunda vez como se sentia vazio. Os dedos de Xavier brincavam com a ponta do curativo em seu pulso esquerdo enquanto falava. Ele deixou Xavier fazer o que queria, seus dedos deslizando por trás do tecido e puxando o curativo para baixo, afrouxando-o contra seu pulso.
“Vou tentar uma coisa, ok?”
E ele pensou, como Xavier poderia fazer isso? Sentir não era algo que você pudesse fazer facilmente, e o garoto não poderia fazê-lo sentir tão de repente, não é? Foi quando Xavier fez mais do que apenas acariciar a pele. Ele levou a mão mais perto, em direção ao rosto. A principio Alex não fez muito e apenas deixou o garoto agir, foi quando sentiu o hálito quente em sua pele e os lábios de Xavier em seu pulso.
“O que você está fazendo?” Disse Alex, sacudindo a cabeça, olhando para Xavier.
Os lábios do garoto estavam em seu pulso. Ele podia senti-lo beijando suas cicatrizes suavemente antes de chupar lentamente do lado. Ele foi do pulso para a palma e o dedo antes de Xavier colocar o dedo médio e o indicador entre os lábios, chupando-os lentamente. Sua língua contornava a ponta de seus dedos, o fazendo estremecer com um nó na garganta. Ele rapidamente afastou o dedo, o corpo virado para Xavier.
“O que você está—”
Ele não conseguiu terminar a frase quando Xavier se moveu em sua direção, prendendo-o o sofá, com as mãos ao lado de sua cabeça e os joelhos afastados. Estava muito escuro para que ele distinguisse a expressão do garoto.
“Estou te ajudando, Alex.” Sussurrou Xavier em seu ouvido, a voz baixa e profunda.
Ele não conseguiu entender o que o garoto queria dizer. Ele pensou em perguntar de novo, empurrar Xavier do sofá, mas Xavier se apertou contra ele fazendo sua voz ficar presa entre os dentes.
“Merda.”
Suas pernas pareciam fracas e com Xavier prendendo-o, ele encontrou sua mão contra a camisa do garoto. Ele deveria estar empurrando o garoto, dando-lhe um sermão sobre sexo ou algo assim. Ele não deveria estar pensando em como seu corpo começou a ficar quente ou em quão firme o braço de Xavier estava sob seu aperto. Ele não deveria estar pensando sobre a tensão que estava crescendo em seu estomago e como ele começou a se sentir endurecendo. Ele certamente nem deveria estar pensando em Percy e Bianca, a cena de ontem piscando em sua mente. Acima de tudo, ele deveria estar movendo seu próprio quadril, empurrando-o para cima, tentando obter a fricção de que precisava desesperadamente.
Isso não era sentimento, era compensar a privação. Era o mesmo que matar a sede depois de dias em um deserto escaldante. Era o mesmo que adormecer depois de três noites de pesadelos constantes. Isso não era sentimento. Isso foi — assim como o beliscão — reação aos sentidos físicos. Isso era—
Os lábios de Xavier se juntaram aos dele, deixando escapar um suspiro tremulo.
“Eu vou te ajudar a sentir, Alex.” Ele disse, parando por um momento. Ele podia sentir a respiração de Xavier contra a dele, e poderia facilmente fechar aquela pequena lacuna com um puxão de seus lábios. “E você vai me fizer quando finalmente fizer isso.”
Ele pensou que Xavier faria isso por ele, encostando seus lábios juntos em uma confusão quente até que as línguas tomassem conta e a consciência sangrasse de sua mente. Não, o garoto puxou a cabeça e foi em direção ao pulso esquerdo, segurando-os gentilmente e dando um beijo suave em suas cicatrizes.
“Sente isso?” Sussurrou Xavier, antes de mover os lábios em direção ao cotovelo interno, plantando uma trilha de beijos suaves contra a pele. No momento em que parou em seu ombro, o garoto puxou seu corpo ligeiramente para cima, apenas para erguer a camisa de Alex sobre a cabeça e joga-la de lado. Ele continuou de onde parou, deixando uma trilha de beijos do ombro de Alex, passando por sua omoplata e em direção ao pescoço, o tempo todo movendo seus quadris em direção aos de Alex em um ritmo lento. Ele tomou o pescoço de Alex, beijos suaves contra a sua pele.
“Ou isso?” Ele sussurrou novamente.
Xavier passou ao lado da mandíbula de Alex antes de beija-lo bem naquele ponto atrás de sua orelha, sugando a pele lentamente, os quadris ainda contra os dele.
“Ou isso?”
Xavier empurrou rápido por um segundo, profundo o suficiente para que os gemidos que Alex segurava em sua garganta conseguissem escapar de seus lábios.
“Ou isso?”
Xavier juntou seus lábios, uma mão segurando a mandíbula de Alex enquanto a outra ainda segurava seu pulso esquerdo com firmeza. O mundo de Alex estava pegando fogo, tudo saindo de si em uma série de ruídos excitados. Ele pensou que seria facilmente uma confusão de línguas, mas Xavier o beijou suavemente, muito suavemente para um Alex já sem camisa e com uma ereção queimando em suas calças. Todo lugar que Xavier tocava queimava. O rastro de beijos que ele deixou por toda a sua pele parecia rastros de fogo, a língua dele agora invadindo a sua, enviando espasmos por todo seu corpo, lambendo e consumindo o oxigênio de seus pulmões.
Xavier era apenas um garoto que ele mal conhecia. Um garoto que chegou ao seu apartamento sangrando e chorando. Um garoto cuja língua cruzava a sua e cujas mãos seguravam seu braço com tanta força que doía.
No entanto, por mais que doesse, ele podia se sentir perdendo a consciência.
Esse foi o momento em que Alex perdeu tudo. Ele rosnou contra a boca de Xavier. Tudo era fogo e como um incendiário ele conseguia o suficiente. Ele havia deixado cair o isqueiro e agora tudo o que queria fazer era se encharcar de gasolina e deixar o fogo consumi-lo. Ele queria sentir o calo de Xavier o queimando cada vez mais.
Alex agarrou Xavier com as duas mãos, libertando seu pulso esquerdo e puxando os quadris do garoto para baixo em direção a sua ereção crescente, morrendo de vontade de contato. O garoto aparentemente teve a mesma ideia, pois os beijos suaves se transformaram em línguas correndo descuidadamente. Xavier acelerou o passo, as mãos se aventurando pela figura esguia de Alex antes que ela parasse em seus quadris.
Os dedos do garoto se atrapalharam com o zíper, abrindo-o com um movimento rápido junto com sua cueca. Xavier não disse uma palavra, ele simplesmente o virou e Alex entendeu a ideia. Ele se virou, joelhos e cotovelos se apoiando no sofá.
Eles não falaram mais uma palavra. Levou apenas Xavier agarrar seu pulso esquerdo novamente e sentir Alex relaxando sob seu toque para empurrar seu dedo indicador e médio lentamente. Alex grunhiu no sofá, os dedos arranhando a textura áspera. Foi dor. Estava deixando-o em chamas. No entanto, era exatamente isso que ele estava pedindo. Ele agradeceu ao garoto por não ter parado, mesmo com todo o seu corpo tenso em torno de seus dedos. O aperto de Xavier em seu pulso esquerdo ficava mais forte a cada segundo, ele não ficaria surpreso ao encontrar seu ferimento sangrando novamente.
Xavier trabalhou seus dedos dentro dele, movendo-se lentamente. Quando Xavier sentiu-se relaxado, o garoto bombeou o dedo para dentro e para fora, a princípio em um ritmo baixo horrivelmente agonizante, o tempo todo procurando por aquele ponto que levaria Alex ao limite.
Xavier finalmente encontrou o que estava procurando e Alex se viu gaguejando um gemido. Xavier tirou o dedo apenas para adicionar um terceiro e bateu no mesmo ponto doce repetidamente. Seu próprio pênis já estava vazando e Xavier não arriscaria Alex gozar tão cedo, pois ele tirou os dedos, apenas para alinhar seu próprio pênis agora contra sua entrada.
Era diferente de meros dedos. Doeu ainda mais, seu corpo esticado e cheio. Ele era masoquista, provavelmente, porque parecia sublime ao mesmo tempo e ele ainda teve tempo de registrá-lo.
“Deus, você é tão perfeito, Alex...” Ele ouviu Xavier gemer.
“Eu nunca fiz isso antes,” Alex respondeu, sua voz rouca. Foram as primeiras sílabas que ele proferiu além de gemidos.
Ele não precisava ver, mas sabia que Xavier estava sorrindo. Ele sentiu o garoto se mover dentro dele lentamente, dando uma estocada experimental para ver se Alex sentia a dor ou não. Nesse ponto, com dor ou sem dor, ele realmente não se importava. Ele estava sentindo tudo. A dor, o prazer, ambos combinados, e ele certamente não deixaria o fogo morrer ainda.
“Claro que sim, Alex.” Xavier disse, sussurrando.
Ele ergueu a sobrancelha contra o sofá, querendo questionar o que Xavier quis dizer com isso, quando o garoto tirou seu membro todo o caminho, menos a ponta antes de se jogar de volta dentro de Alex com força. Alex gritou, palavras e frases logo esquecidas.
Xavier começou a se mover em um ritmo lento. Sua mão direita estava na cintura de Alex, a outra segurava seu outro pulso esquerdo, acariciando-os lentamente. O gesto foi estranho, mas ele certamente não era de reclamar quando Xavier encontrou aquele ponto novamente dentro dele. Um impulso rápido e ele estava vendo estrelas. Xavier balançava os quadris implacavelmente e Alex acompanhava, tentando se enterrar mais fundo, balançando junto com o garoto. Ele abriu ainda mais as pernas, tentando colocar Xavier mais fundo em si mesmo e tudo começou a ficar branco com os ruídos.
Ele estava despejando gasolina. Ele estava se incendiando. O nome de Xavier saiu de seus lábios em uma sinfonia de gemidos e palavrões. Ele podia ouvir tudo. Os grunhidos, o som da pele batendo uma contra a outra, o gemido desavergonhado que enchia o apartamento vazio. E ao mesmo tempo ele podia sentir tudo. Os dedos ainda acariciando seu pulso esquerdo mesmo sob as estocadas implacáveis, a mão que antes estava em sua cintura, aventurando-se em seu membro vazando, até o calor que era a pele de Xavier contra a sua. Não era como ele queria que fosse. Não era feliz, não era triste e claramente não era amor. Mas Xavier estava lá e ele o fez sentir. Seu peito não parecia mais oco. Não havia vento passando através dele. Em vez disso, eles estavam ardendo em chamas.
Ele estava vivo.
“Você é real.” ele se ouviu gemer no sofá. “Xavier, você é real.”
O garoto parou seu impulso apenas para girá-lo e juntar seus lábios novamente. Alex percebeu que Xavier ainda estava de camisa e seus dedos dispararam por baixo do tecido, puxando-os para longe da cabeça do garoto enquanto eles se lembravam de respirar.
"O que você disse?" Xavier sussurrou na frente de seus lábios.
Ele podia fazer mais do que apenas sentir. Ele podia ver a luz entrando lentamente pela cortina enquanto o sol nascia, dando a ilusão de fogo queimando dentro da sala. Mas mais do que isso, ele podia ver o rosto de Xavier na frente dele e pensou em como ele estava lindo. Xavier Sharpe estava na frente dele, transando com ele implacavelmente e ele era tão real quanto seus pesadelos podiam ser. Ele era tão real quanto aquele sorriso suave na frente da boate. Ele era tão real quanto os minúsculos gemidos de Percy e Bianca que enchiam o pequeno elevador.
“Você é real pra caralho, Xavier.”
Xavier ergueu as pernas de Alex em direção aos seus ombros. A nova posição deu a Xavier força para se enterrar mais fundo e ele entrou ainda mais. Alex nem se importou quando arranhou a pele de Xavier, deixando marcas nos braços e ombros do garoto.
Seus impulsos eram erráticos agora, algo como ritmo esquecido. As estocadas de Xavier foram ficando mais rápidas e profundas a cada segundo, os grunhidos que o garoto segurava se transformaram em gemidos do nome de Alex. Xavier ainda estava bombeando seu próprio membro e Alex sabia que ele estava perto. O garoto correu os lábios em direção ao pescoço dele novamente, chupando e beijando antes que demorasse em suas orelhas.
“Sente isso agora, Alex?”
E Alex sentia. Ele sentia tudo. Ele finalmente gozou em uma série de confusão quente ao ouvir as palavras, o nome de Xavier deixando seus lábios como um pecado. Xavier gozou logo depois, empurrando mais algumas vezes enquanto Alex cavalgava em seu orgasmo, o corpo se contraindo e seus nervos acabando queimando. Ele gozou dentro de Alex.
Eles explodiram como uma estrela, alto, brilhante e destruindo tudo em seu caminho. O fogo deles era brilhante e por um momento Alex não conseguiu ver nada além de uma luz ofuscante. Ele não conseguia ouvir nada além de suas próprias respirações pesadas e batidas fortes. Ele não conseguia sentir nada além do colapso de Xavier ao lado dele, a pele quente.
Seu corpo estava sensível, todos os nervos em seu corpo estavam se contraindo. Ele estava mais sensível, um simples toque poderia fazê-lo cair, queimando sua pele em carne viva. E ainda assim ele certamente não conseguia sentir nada real além dos dedos de Xavier, acariciando seu pulso esquerdo novamente depois disso.
“Você é real...” Ele se ouviu grunhindo através de suas respirações trêmulas, repetindo as palavras.
Ele se virou para ver Xavier ao lado dele, estranhamente sorrindo, corpo encharcado de suor. Ele estava sendo um pirralho atrevido, provavelmente orgulhoso do que fez, de como conseguiu provar que estava errado, de como fez Alex admitir sua derrota.
Ele não estava se sentindo do jeito que queria. Não era tristeza ou felicidade. Não era uma borboleta vibrando em seu estômago ou uma sacudida em seu coração. Talvez ele não precisasse de todos eles. Não foi realmente um mero sentido físico que ele passou hoje. Naquele dia foi Xavier que ele sentiu, e transcendeu qualquer sentimento que ele pudesse esperar alcançar. Ele percebeu que era melhor, sabia e acreditava que era mais do que isso.
Naquele dia ele estava vivo.
“Eu sou real, Alex.” Xavier sussurrou de volta para ele, sorrindo.
E ele certamente era.
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