Insomnia
11 Treinamento
Notas iniciais
Era o terceiro dia de treinamento e entediada, a jovem híbrida dos cabelos cor-de-rosa tentava apenas desviar dos golpes da morena cujas pupilas estavam em um tom assustadoramente vermelho e atacava com ferocidade.
– O que você pensa que está fazendo? — perguntou Shizune impaciente, odiava fazer aquele trabalho de babá e começava a duvidar da capacidade daquela mestiça na qual seu líder apostara todas as fichas de que seria uma boa Guerreira na luta contra a Raíz.
– Estou fazendo o que você me mandou fazer, treinando! — respondeu a Haruno revirando os olhos sentindo-se de saco cheio daquilo tudo.
Não tinha a menor vontade de se esforçar pra lutar por uma causa que não era sua. Sakura estava fazendo aquilo apenas por obediência para evitar ser morta, mas não sentia a menor vontade de lutar para ajudar aqueles vampiros e por isso não se esforçava naquele treinamento com aquela vampira assustadora e arrogante que era aquela Shizune.
– Não está fazendo direito. Eu disse pra desviar e atacar também! Ou você além de tudo é surda? — ralhou a morna em um tom de voz que podia muito bem ser o que um sargento usaria com um soldado. A rosada odiava que alguém se dirigisse a ela naquele tom, pois detestava pessoas autoritárias. Não estava acostumada com aquele tipo de tratamento e sua vontade era de ir embora pra casa.
"Não, eu não estou surda, só estou de saco cheio dessa merda de treinamento. Não tenho nada haver com isso e só fiz essa maldita viagem achando que ia estudar e conhecer um lugar novo." pensou a Haruno.
– Já Chega! Se acha que não tem nada haver com essa merda, então você precisa ver uma coisa. — Shizune de repente parou fitando a híbrida como se pudesse enxergar sua alma e Sakura teve a impressão de que a morena realmente podia fazer isso quando ficava com seus olhos em tom vermelho.
– Perdão, mas o que há com você? Por acaso vampiros também têm o poder de ler pensamentos? — perguntou a Haruno assustada com o fato de que Shizune sabia exatamente o que ela estava pensando e isso era algo que a incomodava.
Uma sensação de pânico se apossou do coração da rosada devido a impressão de que nem ao menos seus pensamentos estavam seguros. Nem mesmo sua mente teria privacidade agora?
– Eu não poderia ler os seus pensamentos se você se dedicasse ao seu treinamento e aprendesse a fechar sua mente, mas sim eu posso sentir suas emoções e captar algumas coisas do que você pensa. Somos sensíveis a telepatia. Agora chega de conversa fiada, o treinamento está suspenso por hoje mas antes você vai me acompanhar pois como disse, tem uma coisa que você precisa ver. — falou a morena entregando um roupão negro para Sakura e vestindo um ela mesma.
Em silêncio, a híbrida seguiu a morena até o elevador onde apertou descendo até o térreo. O complexo onde viviam os vampiros do clã Uchiha era um prédio imenso que para os humanos parecia apenas um edifício normal de pessoas endinheiradas fortemente vigiado e protegido por seguranças, mas a verdade era que por dentro o edifício era muito maior do que parecia por fora, como se lá dentro houvesse um verdadeiro mundo com salas de luta e apartamento de diversas famílias que faziam parte do Clã Uchiha.
Haviam também outros edifícios vizinhos de clãs aliados aos Uchiha, como por exemplo o Clã Hyuga, cada um com vampiros que também trabalhavam para si e os vizinhos humanos de outros prédios daquela área jamais desconfiavam do que acontecia no interior daqueles imensos arranha-céus.
O elevador desceu até o subsolo, lugar onde Sakura jamais havia estado desde que chegara naquele lugar e sentiu um arrepio percorrendo sua espinha devido ao medo de que a vampira a estivesse levando para alguma espécie de sala de castigo. Será que eles torturavam pessoas lá embaixo?
O medo logo se dissipou quando Sakura pôs o pé pra fora do elevador e para sua surpresa notou que estava em uma espécie de cemitério subterrâneo diferente de qualquer coisa que já havia visto antes na vida. O local era feito com cimento, não havia um gramado já que seria difícil cultivar plantas no subsolo, mas haviam lápides feitas de cimento com fotos de vampiros que já partiram, bancos como os que haviam em praças e as paredes eram decoradas com quadros de vampiros que Sakura imaginou serem importantes para aquele clã.
Haviam algumas estátuas também e no centro um belo chafariz. As estátuas eram muito bonitas e eram o que fazia o cemitério não se tornar um lugar feio e sim ter certa beleza.
– Um cemitério? — foi mais uma afirmação do que uma pergunta e a Haruno estava admirada com aquele local, pois jamais passou por sua cabeça que pudesse haver um cemitério
– Também precisamos de um lugar para honrar nossos mortos. Mesmo não que embaixo nessas lápides estejam enterradas apenas cinzas, pois vampiros depois que morrem não têm mais exatamente um corpo. É recomfortante para os de nós ter um lugar para chorar pelos pais, amigos, filhos e companheiros que já partiram. — explicou Shizune.
Os olhos cor-de-jade de repente pousaram sobre uma mulher que estava sentada em um dos bancos do cemitério de frente pra uma lápide ao lado de um carrinho de bebê. A mulher chorava e tinha um lenço em seu colo. Sua aparência era a de alguém que estava completamente desolada.
– Eu pensei que fôssemos mais resistentes e... — não terminou a frase, calou-se pois agora percebia que vampiros não eram exatamente imortais como pensava.
– Você pensou que éramos imortais não é? — perguntou Shizune estudando a expressão da híbrida. — Bem, nós vivemos por muitos anos, séculos pra dizer a verdade. Alguns de nós chegam aos milênios, mas envelhecemos como todos os seres de outras espécies só que nosso envelhecimento é muito lento. O problema é que são poucos os vampiros que morrem de velhice, a maioria perde seus entes queridos para a Guerra. Esse é o caso daquela vampira ali. Se chama Kurenai e o marido dela morreu na última luta sem nem ao menos ter chegado a conhecer seu filho recém-nascido. Foi uma pena, principalmente porque nascimentos são muito raros dentre os de nossa espécie. Nosso índice de fertilidade é muito baixo e é por isso que estamos desaparecendo. Sei o que você pensa sobre criaturas como nós, mas não somos ruins, rosadinha. Na verdade somos muito mais parecidos com vocês humanos do que imagina. Nós também amamos, nos casamos, formamos nossas famílias e vivemos exatamente como vocês. A dor que sentimos quando perdemos um ser amado é exatamente igual a dos humanos. Aproxime-se, quero que conheça o bebê. — ordenou Shizune empurrando a Haruno pra frente para que ela se aproximasse de Kurenai e da criança que estava no carrinho.
Assim que viu Shizune e a híbrida se aproximando, Kurenai levantou-se para cumprimentá-las.
– Shizune, tudo bem? Essa é a híbrida nova? — perguntou a jovem mãe, mas sua voz era doce e ao mesmo tempo triste. Sakura não pôde deixar de pensar que ela se parecia com uma mulher comum que havia perdido seu companheiro apesar do brilho especial e beleza sobrenatural que havia nela indicando que era uma vampira.
– Tudo, muito trabalho. Essa é Sakura, a nova híbrida. Sakura, essa é Yuuhi Kurenai e esse é seu filho. — apresentou Shizune.
A rosada olhou dentro do carrinho e viu um belo bebê moreno com bochechas rosadas extremamente fofo que se parecia muito com um bebê humano. Sempre gostou de bebês pequenos e sentiu vontade de segurá-lo no colo.
– Pode pegá-lo um pouco se quiser. — ofereceu Kurenai e a rosada retirou cuidadosamente o pequeno do carrinho sem deixar de pensar que ele era um pouco pesadinho.
O pequeno bebê deu um sorriso, pareceu gostar da Haruno e Sakura brincou com ele por algum tempo antes de entregá-lo de volta para a mãe.
– Bom, temos que ir agora. Sakura precisa se alimentar um pouco. Nos vemos mais tarde e você também deve descansar um pouco, Kurenai. Sasuke e eu faremos o possível para que a perda do Asuma não seja em vão. — disse a morena com voz encorajadora.
Quando saíram dali, Shizune teve a certeza de que havia cumprido seu objetivo com aquela visita. Tivera que apelar para o lado humano que havia no interior da rosada para que ela entendesse a necessidade de fazer parte daquela luta, por mais que detestasse sentimentalismos e tinha acertado em cheio.
Ao ver aquela viúva com aquela criança que jamais conheceria o pai, Sakura pensou em sua própria mãe e ela mesma que haviam estado na mesma situação anos atrás. Ela sabia como a perda de um ente querido poderia afetar alguém e agora estava disposta a luta para evitar que outra família passasse por aquilo novamente, independente de ser uma família de humanos ou de vampiros.
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