Insomnia
1 Prólogo
Notas iniciais
A Janela estava aberta e um vento fresco adentrava o quarto comum de adolescente, com cortinas cor-de-rosa com detalhes em flores de cerejeira, pois combinavam exatamente com a dona do quarto.
Uma fraca luz vinda do abajur que estava ligado era a única claridade que podia ser vista naquela casa.
O Bairro Konoha sempre foi um Bairro tranquilo, de classe média e era um dia da semana como outro qualquer. Uma simples Madrugada de Terça-Feira onde todos os habitantes dormiam o sono dos justos, recobrando as energias para que no dia seguinte pudessem cumprir suas obrigações logo pela manhã.
Os mais velhos descansavam para ir trabalhar no dia seguinte e os mais jovens preparavam-se para ir á escola.
Esta regra não mudava no apartamento dos Haruno, que apesar de serem uma família um pouco diferente das outras devido ao fato de que era composta apenas por uma mãe solteira e uma filha adolescente, tinha a mesma rotina que todas as outras famílias daquele bairro.
Mas no interior do quarto decorado com cortinas com estampas de cerejeiras, a rotina mudava naquela Madrugada quente de Primavera, onde as flores começavam a desabrochar nas poucas árvores que haviam na rua presas ao asfalto duro em um cenário tão tipicamente urbano dando cor ás ruas acinzentadas e perfumando o interior daqueles apartamentos tão sem cores.
Em meio áquela escuridão que não beirava o breu apenas por causa da luz amarelada do abajur cor-de-rosa que enfeitava aquele quarto de menina, dois pares de jades se abriram e as pupilas se dilataram para se adequar á tão pouca luz.
Aquilo não costumava acontecer, Haruno Sakura só lembrava-se de que havia se deitado cedo após o jantar, como fazia todas as noites assim que sua mãe chegava do trabalho. Sua rotina era algo já automático, que ela não tinha o menor desejo de mudar, pois gostava da vida que levava.
Todos os dias acordava de manhã ao ouvir seu celular despertando com sua música favorita, depois fazia sua higiente matinal, vestia o desagradável uniforme que, assim como todas as outras meninas do colégio, Sakura odiava por não ser aquele modelo comum de algumas escolas públicas onde as alunas vestiam saias pregueadas com camisas brancas de botão que considerava tão sensual e fofo no estilo colegial, mas sim uma calça jeans comum com uma blusa de malha com o emblema do colégio. Nada de saias curtas para mostrar as belas pernas como a maioria das meninas do Instituto Senju sonhavam. Mas, apesar dos uniformes tão sem graça sendo iguais tanto para meninos quanto para meninas, a jovem Haruno tinha que admitir que o Instituto era uma excelente escola e gostava de lá, pois tinha amizades verdadeiras que valorizava muito naquele local.
Todos os dias sentava-se sempre com as mesmas pessoas: Yamanaka Ino e Mitarashi Tenten, suas melhores amigas de longa data que Sakura conheceu no primeiro dia de aula no Instituto Senju. Aquela escola não era como as escolas em que se costuma ver onde os alunos se dividem nas famosas "panelinhas" onde os chamados populares governam sobre os excluídos e os não-populares. No Instituto Senju, todos na turma se davam bem e falavam com todos os colegas. Amizades verdadeiras e pessoas de caráter eram formadas ali, pois sua diretora, a famosa Senju Tsunade não permitia nenhuma forma de exclusão ou de bullyng dentro de sua escola, uma vez que seu intento sempre foi formar pessoas com espírituo de solidariedade, humanidade e consciência.
Todos os dias depois da primeira aula, onde Sakura trocava bilhetinhos com suas amigas, elas se juntavam ao resto da turma durante o recreio e ás vezes participavam de alguns jogos entre si, como "verdade ou consequência" ou até mesmo a famosa "brincadeira do compasso", mas que não assustava a jovem Haruno pelo fato de que nunca houve nenhuma manifestação sobrenatural durante o jogo, sendo sempre um dos colegas que manipulava a resposta do compasso de brincadeira.
Então o sinal tocava indicando o final do intervalo e os alunos voltavam para suas salas de aula para mais tarde tocar de novo indicando que as aulas do dia haviam terminado. A Haruno dessa vez despedia-se das amigas e sempre encontrava seu namorado Sasori que estudava em uma escola no bairro Suna chamada Colégio Akastuki que era justamente o oposto do Instituto Senju, mas Sasori não se importava com popularidade e afins.
O casal de namorados parava durante alguns minutos para trocar alguns beijos e em seguida seguiam juntos para o prédio onde moravam, mas em andares diferentes. Apesar da vontade, Sakura não se atrevia a levar o namorado para dentro de seu apartamento, pois os vizinhos eram fofoqueiros que certamente contariam para sua mãe, que não exitaria em brigar com a filha, não porque não confiasse em Sakura, mas porque sabia que os comentários dos outros eram maldosos principalmente por Sakura ser filha de mãe solteira.
Infelizmente, apesar de o mundo estar evoluindo, ainda haviam pessoas preconceituosas na sociedade. A jovem Haruno não se importava com o que os outros pensavam, sabia que ninguém além de sua mãe pagava suas contas, mas não queria arranjar motivos para brigar com sua mãe e principalmente: odiaria que Haruno Sayuri contratasse de novo uma pessoa para vigiá-la como quando ela era criança enquanto saía para trabalhar.
Sakura gostava de ficar em casa sozinha durante o dia e quando queria encontrar-se com Sasori, tinha a opção de descer para o playground ou ir para outro local fora do prédio quando estavam com vontade de esquentar as coisas entre eles.
Geralmente frequentavam um motel em um Bairro mais afastado dali e para tal, Sasori costumava pegar o carro de seu pai emprestado, mas isso só faziam nos finais de semana, pois durante a semana, geralmente Sasori depois que voltava da escola tornava a sair, pois gostava de andar de skate com seus amigos e Sakura após descansar ia para suas aulas de ballet.
Ela sabia que não levava o menor jeito para ser bailarina, mas gostava das aulas e elas lhe davam uma postura elegante que muitas garotas invejavam.
Depois de voltar das aulas de ballet clássico, a jovem preparava o jantar e aguardava que sua mãe chegasse do trabalho para jantarem juntas e contar como havia sido seu dia.
Quando estava em semanas de provas, invés de ir para as aulas de ballet, Sakura passava suas tardes estudando, pois estava em ano de vestibular e embora não soubesse bem o que queria fazer, precisava passar para alguma coisa.
Ela não era uma jovem rebelde, faria dezoito anos naquela mesma semana e sua vida era absolutamente normal, como a da maioria das adolescentes e poderia ser julgada como sortuda. Ela mesma sabia disso. Sua vida podia ser considerada até mesmo perfeita: uma mãe dedicada, liberdade, amigas,uma escola boa, um namorado e condição financeira boa embora não fosse rica. A maioria dos jovens não tinha nem metade dessas coisas e Sakura não era metida por ter tudo isso, sabia agradecer todos os dias pelas maravilhas que a vida havia lhe oferecido.
Era verdade que ela não tinha um pai, mas conhecia a história triste de seus pais e sua mãe ainda guardava uma foto do homem que a havia engravidado. Haruno Sayuri fora mãe cedo, quando ainda estava no segundo ano do Ensino Médio e o escândalo foi que ela não havia engravidado de um homem de sua idade, mas sim de um homem bem mais velho que conhecera na rua. Seus pais nunca aceitaram aquele namoro, mas a moça continuou vendo o homem ás escondidas. Infelizmente durou pouco, pois um dia a jovem namorada marcou de se encontrar com ele em um beco, mas ao chegar lá, encontrou o homem morto com uma estranha arma cravada em seu peito justamente no dia em que fora contar que estava grávida.
Os pais da adolescente a princípio exigiram que ela fizesse um aborto, mas Sayuri não pôde fazer isso, ainda mais depois de saber que o namorado estava morto e que aquela criança seria a única lembrança que teria de seu primeiro amor.
Fugiu de casa para poder ter Sakura, mas depois que a filha nasceu, os pais aceitaram numa boa e ajudaram a jovem a cuidar do bebê até que ela se formasse.
Depois, Sayuri arranjou um emprego e teve que se mudar para longe da família levando apenas a filha que já era uma criança um pouco maior e não necessitava mais de tantos cuidados.
Esse foi o único drama da vida da Haruno até aquele momento: não ter conhecido o pai que foi assassinado. Imaginava que se o conhecesse talvez ele tivesse sido uma pessoa legal, mas não contava com isso.
Sakura ás vezes se perguntava o motivo da mãe nunca ter arranjado um namorado, mas sentia-se feliz com isso, pois pensava que um homem na casa tiraria sua privacidade. As coisas eram boas enquanto eram apenas mãe e filha morando juntas.
Naquela noite, Sakura ficou frustrada ao acordar naquela madrugada sem qualquer motivo aparente, pois no dia seguinte teria uma prova complicada de Álgebra, materia essa que detestava. Primeiro virou de um lado para o outro pra ver se coneseguia pegar no sono, mas não adiantava, só coneseguia suar molhando os lençóis.
Diziam que pessoas que sofrem de insônia têm algum tipo de preocupação e por isso não conseguem dormir durante a noite, mas não era o caso da Haruno, ela não tinha com o que se preocupar, nem mesmo a prova complicada, pois embora álgebra não fosse seu forte, precisava de poucos pontos para passar de ano. Talvez estivesse preocupada com o fato de que o vestibular estava chegando e ela não sabia ainda o que queria fazer, nenhuma profissão lhe agradava. O que desejava mesmo era fazer uma viagem de Intercâmbio quando terminasse a escola.
Levantou-se ao ver que não conseguiria dormir mais e decidiu sentar-se perto da janela para aproveitar o ar fresco enquanto dava mais uma lida na matéria da prova.
Notas finais
Mas agora as coisas vão mudar na vida da Sakura.
Beijos
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