Insomnia
6 Danceteria - Parte II
Notas iniciais
A jovem dos cabelos rosados dançava ao lado de Temari e Matsuri, quando de repente três rapazes se aproximaram puxando-as para uma dança. Os três também pareciam ser um grupo de amigos com vontade de aproveitar a noite e paquerar um pouco as meninas. Eram todos bonitos, Sakura constatou, então estaria no lucro naquela noite.
O que havia se aproximado dela enlaçando-a pela cintura e acompanhando seus movimentos de dança tinha cabelos alaranjados, era forte tendo um peitoral bem definido e belos olhos cor de canela.
– Oi, tudo bem, qual é o seu nome? — perguntou o homem.
– Sakura, e o seu? — a Haruno fez a típica pergunta que costumava ser a primeira coisa que se fazia quando estava conhecendo alguém em uma boate.
– Sakura, que nome lindo! É nome de uma flor. Eu sou Ichigo. E aí, tá afim de conversar um pouco? — Ichigo fez a pergunta.
A Haruno sabia que na verdade aquele "conversar" significava trocar uns beijos e amassos em algum canto daquela boate, por isso olhou para os lados e logo percebeu que Temari e Matsuri já estavam encostadas na parede com seus respectivos ficantes. O correto lhe pareceu ser fazer o mesmo, como uma forma de ficar perto daquelas que seriam suas novas amigas, então balançou a cabeça afirmativamente, seguindo Ichigo para o mesmo canto onde estavam os outros dois casais.
Logo o jovem afastava uma mecha do cabelo rosado do rosto de Sakura, colocando-a atrás de sua orelha enquanto fitava aqueles belos olhos cor de jade.
– Nossa, você tem olhos lindos, sabia? — elogiou o ficante.
– Obrigada. — ela agredeceu o elogio sentindo as faces corando um pouco, mas certamente ele não teria percebido, porque a boate estava escura iluminada apenas pelas luzes coloridas.
No segundo seguinte Ichigo aproximava o rosto da moça e capturava-lhe os lábios abrindo passagem com a língua que Sakura aceitou bem enquanto o enlaçava pelo pescoço. Ichigo beijava bem, mas por alguns momentos esqueceu-se que era ele e imaginou que era Sasori quem estava beijando, o que a fez aprofundar o beijo com desejo, devido a saudade.
Afastaram-se apenas para pegar um pouco de ar após aquele beijo, mas então ela encarou o rosto do jovem que havia acabado de beijar, vendo que em nada ele se parecia com Sasori. Sentiu calor e uma necessidade de sair um pouco dali, pois de repente não estava mais tão a vontade com aquele homem, pelo menos não por aquele momento. Na verdade sentia um mal estar em seu corpo que não foi causado exatamente pelo beijo, mas era como se o barulho e todas aquelas pessoas por perto a desestabilizassem.
– Tudo bem? — Ichigo perguntou.
– Tudo, mas acho que preciso ir ao toillette. Volto logo. — disse a Haruno, dando uma desculpa de última hora para se afastar um pouco dali.
– Eu vou estar esperando, Sakura. — disse Ichigo, mas ela sabia que era mentira.
Antes de começar a namorar Sasori, chegou a frequentar algumas boates com suas amigas e festas daquele tipo. Sabia muito bem que quando uma ficante se afastava na boate, os homens começavam a olhar para os lados e se aparecesse alguma outra que interessasse ou que simplesmente lhes desse mole, simplesmente eles sumiam do local onde haviam prometido esperar pela primeira.
A idéia não a chateava, porque era assim que as coisas funcionavam nesses lugares, ela mesma já havia beijado várias bocas em boates, chegando até mesmo a competir com suas amigas quem ficava com mais garotos. Não tinha vergonha de dizer isso, pois era algo que quase todas as jovens faziam quando não estavam namorando sério com ninguém.
Atravessando a boate com dificuldade, logo chegou ao toilette onde se olhou no espelho. A maquiagem disfarçava, mas ela sabia que no fundo estava péssima. Fora uma má idéia no final das contas aceitar o convite de Temari para ir até aquele local. Ela se perguntava o que estaria acontecendo consigo. Será que havia estado tão abalada com o término do namoro assim? Era verdade que estava muito triste com o fim do relacionamento, porque ainda gostava de Sasori, mas seria normal ficar naquele estado?
Decidiu sair daquele toillette e pegar uma bebida, pois não queria acabar com a noite das meninas que não tinham nada haver com seu mal estar. Passou pela porta e dirigiu-se ao bar, pedindo ao garçom uma bebida. Escolheu uma caipirinha de vodka, pra ver se lhe dava um pouco mais de ânimo, torcendo para que não ficasse emotiva por causa do alcool. Já presenciara suas amigas algumas vezes após beber até não poder mais passar o vexame de pegar o celular e ligar para seus ex-namorados, arrependendo-se no dia seguinte como sempre, por isso sempre tivera que tomar os celulares das meninas enquanto elas estavam bêbadas para devolvê-las apenas quando tivessem voltado ao normal.
Um outro cara sentou-se ao seu lado enquanto ela terminava a bebida, mas não deu atenção a esse, pois ele não havia lhe chamado a atenção. Não tinha nenhum atrativo físico que lhe fizesse ter vontade de ficar com ele naquela noite, então decidiu sair do balcão, pedindo antes mais uma caipirinha para tomar enquanto não encontrava as meninas, se perguntando se elas ainda estariam ficando com aqueles caras ou se teriam se cansado deles e estavam procurando-a.
Enquanto caminhava, sentiu a sensação de que estava sendo observada, então olhou ao seu redor, mas era impossível dizer quem era seu observador, no meio de tanta gente. Decidiu voltar pelo caminho que ficava próximo ao toillete, quando de repente notou um homem parado encostado em uma parede, olhando diretamente para ela.
O homem era muito bonito, era alto, forte, usava roupas caras e tinha uma pele muito branca. Os cabelos eram negros e tinham um corte que ela achou bonito, mas o que a intrigou, foi quando sustentou seu olhar, pois inicialmente pensara ter visto que ele tinha olhos negros, mas depois teve a impressão de que eles piscaram em um tom de vermelho, como sangue e de um jeito tão brilhante que ela sentiu-se congelando de medo, ficando parada sem reação tamanho o susto.
Os lábios do homem se abriram em um sorriso, revelando dentes muito brancos, o sorriso dele transmitia deboche e sensualidade. A Haruno sentiu medo, pois por mais que ele fosse bonito e atraente ao ponto de fazer com que um frio lhe subisse pela espinha, aqueles olhos vermelhos demoníacos a assustavam.
– Sakura! O que você tá fazendo aqui? Agente te procurou por toda a parte! — disse Temari parando de frente para Sakura, de forma que ela não conseguia mais enxergar o homem.
– Eu, fui pegar uma bebida, mas olha aquele homem ali, que estranho, os olhos dele são vermelhos! — falou, tentando esticar o pescoço para olhar por cima do ombro da loira.
Temari e Matsuri viraram-se para a direção onde Sakura estava apontando, mas para a surpresa da rosada, não havia mais ninguém ali. A parede estava completamente vazia.
– Que homem? — Matsuri perguntou.
– Ele estava ali, faz poucos segundos. Não é possível que tenha desaparecido tão rápido. Estava olhando pra mim! — explicou Sakura, tentando ver se conseguia enxergá-lo no meio da multidão.
– Ah, deixa pra lá, Sakura. Tem muitos outros homens bonitos nessa festa. Cadê aquele com quem você estava ficando? — perguntou Temari.
– Não sei, mas não é isso, é que eu juro que vi que os olhos do homem que estavam parados ali eram vermelhos, iguais os de filmes de terror. É sério! — insistiu a Haruno.
As meninas olharam para o copo na mão de Sakura e pensaram que talvez ela fosse fraca para bebida, mas não quiseram dizer nada para não ofendê-la.
– Ah Sakura, vai ver é o efeito das luzes. Acontece, deve ter sido impressão sua. Vamos, adoro essa música! — disse Temari puxando as duas para a pista de dança.
Notas finais
Beijinhos
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