Inside The Blue Box
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Thomas continuou sentado encarando o monte de pratinhos e copos sujos que a morena deixara pra trás. Ainda se perguntava se deveria continuar ali ou ir atrás dela. É claro que aquela era uma oportunidade única em sua vida, mas Thomas já não pensava que o Doutor, ou melhor, A Doutor, fosse tão interessante quanto ele pensara. Talvez até fosse quando ainda era homem. Mas como mulher, ela era insuportável e infantil. "Ela passou centenas de anos sendo homem. Imagine acordar um dia e ter um par de seios", dizia a vozinha irritante em sua cabeça. Thomas bufou, dando-se por vencido e levantou-se num pulo. Ele correu atrás da menina, atrapalhando-se com os cadarços dos tênis.
— ESPERA! — gritou, a voz soando de forma engraçada devido ao esforço que fizera ao correr. Thomas não era exatamente o tipo de pessoa que gostava de se exercitar. Na verdade, o único tipo de exercício físico que fazia era sexo, e nem isso estava fazendo nesses últimos quinze meses. Finalmente alcançou a moça, que parecia mais divertida depois de ter comido. — Pra onde você vai? — perguntou, tentando recuperar o fôlego. Ele não esperava que ela fosse responder, mas seria rude se ela pelo menos não olhasse pra ele.
— Bem... — começou a dizer, os dedos passeando pelas roupas que eram grandes demais pra ela. — Eu estava pensando em ir para Nova Iorque, mas... Não sei. Talvez eu acabe visitando a América e comendo um hambúrguer. — Apesar de ter acabado de comer, a menina sentia que ainda poderia comer um caminhão de batatas fritas.
Tom queria ir com ela. Apesar de achá-la extremamente irritante, não queria separar-se dela. Pensar naquilo transmitia sensações estranhas por seu corpo e estomago, e ele não queria mesmo pensar na expressão "borboletas na barriga". Ele não sabia se ela queria sua companhia, e pelo jeito que as coisas estavam, provavelmente ele seria rejeitado.
— Você pode vir comigo. Sei que está pensando nisso — ela disse, e era possível ouvir o sorriso em sua voz.
Ela sabia? Como ela poderia saber? Será que ela podia ler sua mente? Thomas não conseguia se lembrar de alguma história que dissesse que o Doutor podia ler mentes. Provavelmente ela podia, já que nada parecia ser impossível para o lendário Doutor.
— Você vem ou não? — a voz feminina agora soava irritada, e Thomas apresou-se a responder que queria sim acompanhá-la. — Mas é só uma viagem, e depois você volta pra casa, entendido?
Ele entendera sim. Mas faria de tudo pra que aquela não fosse sua única viagem com ela.
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