Inside The Blue Box
12 Capítulo 11
Enquanto Thomas ia embora, emburrado e chateado, a Doutor e Jack corriam pelos corredores e escadas do antigo prédio, em busca do quadro de energia do lugar. Parecia impossível achar a sala onde o quadro de energia ficava. A Doutor começou a suar, sua testa praticamente pingava tamanho o esforço que fazia. Aquele corpinho pequeno certamente não era nem um pouco atlético.
Jack a estimulava, dizendo pra correr mais rápido porque ele achava que não estavam muito longe da sala onde outrora ficavam os seguranças do prédio. E ele estava certo, no final das contas. Minutos depois os dois estavam abrigados dentro da antiga sala de segurança. O lugar era um tanto quanto macabro. As telas apagadas e com teias de aranhas entre elas. As cadeiras estavam no mesmo lugar que foram deixada há muitos anos, quando os dois seguranças que ali trabalhavam foram embora depois de seu último turno. As lâmpadas não funcionavam, mas a energia elétrica ainda estava alimentando o prédio.
Enquanto a Doutor fazia uma inspeção minuciosa na sala, Jack trabalhava no painel de energia, cortando alguns fios, desplugando outros e plugando-os em outros lugares. Era uma fiação realmente complicada, mas por sorte ele entendia bastante de quadros de eletricidade. Quando ele achou que tudo estava pronto, ele plugou um pequeno equipamento ao painel (equipamento que faz com a Doutor erguesse suas sobrancelhas e se perguntasse que diabos era aquilo). No equipamento, que era basicamente parecido com um relógio de bolso mas com marcador digital, os números "237" eram exibidos na pequena tela amarelada. Ao ver a expressão no rosto da moça, Jack sorriu e afastou-se do painel, visivelmente satisfeito com seu trabalho.
— Eu basicamente transformei isso em uma bomba relógio — explicou, gesticulando em direção ao pequeno relógio que tiquetaqueava no escuro. Ela saiu da sala e puxou a moça com ele, preocupado com seu estado mental. Ela parecia lerda demais se comparada com suas outras regenerações. — Você está legal? — perguntou, colocando as mãos sobre os ombros da menor.
— Sim! Ótima! — A Doutor pareceu se recuperar rapidamente de seu transe momentâneo. — Bem, vamos correr então. — Se aquilo era uma bomba relógio, então agora eles tinham menos do que dois minutos pra deixar o prédio e se afastarem o máximo possível antes que tudo explodisse. Ela só esperava que conseguissem sair dali a tempo e que não tivesse mais ninguém no prédio além dos cybermen.
Ela e Jack correram pelo prédio. Desceram inúmeras escadas (a menina caiu bastante, ainda não conseguira se adaptar aos novos sapatos) e Jack sempre xingava enquanto ajudava a moça a se levantar. Como esperado, eles demoraram muito pra encontrar a saída, e a Doutor apenas queria que todos os cybermen ainda estivessem lá dentro. Como se em resposta aos seus pensamentos, Jack voltou a consultar o tablet e um sorriso satisfeito surgiu em seus lábios.
— Todos estão lá dentro. Todos. Vai ficar tudo bem. — Ele sorriu e beijou a Doutor na bochecha, e logo os dois estavam correndo pra longe dali.
Enquanto caminhava até a lanchonete, Thomas só conseguia pensar em como tinha sido idiota por abandonar a Doutor. E não pensava isso só pelo fato de que viajar com ela seria interessante, e por causa de todos os planetas que não iria conhecer. Ele estava preocupado com ela. Gostaria de ter notícias, saber se ela estava bem e viva.
Era estranho se sentir dessa forma por uma mulher que costumava ser um homem. Mas ela não se parecia em nada com um homem, nem mesmo parecia ter reflexos de suas encarnações (ele não sabia como chamar a mudança de corpo pela qual ela passava) passadas. E deveria admitir que tudo o que desejava no momento era correr até o prédio onde ela provavelmente ainda estava, abraçá-la e beijá-la, mesmo que isso lhe causasse alguns hematomas no rosto depois dos tapas e socos que receberia dela. Mas isso não parecia importar. Suportaria qualquer tapa e soco, ou até mesmo descargas elétricas, se pudesse estar com ela outra vez.
Ele conseguiu ouvir, mesmo de longe, o barulho de uma explosão. Olhou pra trás, a fumaça e o clarão provocados pelo fogo vinham exatamente da direção onde o prédio ficava. Será que ela estava bem? Será que tinha escapado da explosão? Ele rezava mentalmente, pedindo pra Deus (ou qualquer outra entidade com poder) que ajudasse a Doutor e não deixasse que nada de ruim lhe acontecesse. Sentia-se extremamente gay ao rezar e pedir que ela ficasse bem, mas ele não sabia o que fazer e aquilo parecia apropriado. Mesmo que ela não fosse humana como ele.
Resolveu que não pararia na lanchonete. Não havia motivos pra ficar ali. Não queria se decepcionar pois sabia que a menina não viria ao seu encontro. Passou pela casa de Marty, pegou suas coisas que ainda estavam ali, e sob os protestos dos amigos que imploravam por informações, ele foi embora, prometendo que depois contaria todos os detalhes.
Quando chegou em casa, ele sentia o peso da depressão sobre ele, como se fosse uma nuvem seguindo-o desde a casa de Marty. Aquilo era horrível (e gay). Como ele poderia estar triste por alguém que nem mesmo conhecia direito? Mas disse para si mesmo que só estava daquele jeito por causa das viagens que perderia, ajeitou sua postura e abriu a porta. Porta que, por sinal, já estava aberta. Thomas ficou apreensivo. Deixou a mochila no hall de entrada, tomando o cuidado de depositá-la no chão sem fazer barulho. O taco de baseball estava ali atrás da porta junto com um guarda-chuva amarelo que ele nunca usava. Pegou o taco, empunhando-o como uma arma, pronto pra se defender caso algum ladrão estivesse ali.
Caminhou silenciosamente até a sala, mas para sua surpresa não encontrou nenhum ladrão ali. E sim uma mulher baixinha e branquela, sentada em sua poltrona com um gato no colo.
— Eu roubei salgadinhos da sua despensa. Espero que não se importe — informou a Doutor, em forma de saudação.
Fale com o autor