Inside My Arms
5 What do you want to know?
Notas iniciais
– Hey – eu a abracei e ela desabou, começou a chorar – vai ficar tudo bem – eu disse fazendo um carinho no seu cabelo.
– O que vai ficar bem Harry? Não tem nada pra ficar bem – ela disse entre soluços;
– Você vai ficar bem;
– Como? – ela me soltou – o único meio que eu tinha de me sustentar me assusta, eu não quero continuar com isso — Eu fechei a porta do quarto e ela se sentou na cama, eu peguei uma cadeira e sentei de frente para ela.
– Pode falar – eu disse a encarando.
– Você não vai querer saber Harry – ela mordeu o lábio de novo, percebi que ela tinha essa mania.
– Eu quero saber, eu não sei nada e te ver chorando esta acabando comigo – ela me encarou.
– As únicas vezes que conversamos foi porque você me viu chorando – ela sorriu – isso parece um dejavú – eu sorri.
– E você estava chorando pelo mesmo motivo, eu acho – ela sorriu fraco – você já conversou comigo uma vez, não deve ser tão difícil.
– Não é algo que eu devo contar para alguém Harry.
– Se esta te deixando triste é sim.
– Teimoso você – ela disse, eu sorri.
– Você que não quer me contar, saiba que eu não desisto tão fácil – ela sorriu.
– O que você quer saber? – eu sorri.
– Temos uma evolução! Que tipo de sustento você tinha? – ela mordeu o lábio.
– Harry – eu a interrompi.
– Pode teimar o quanto quiser, eu não vou desistir – ele suspirou.
– Quando eu deixei de ser vizinha de vocês, eu fui morar em um lugar meio horrível, perto da casa dos amigos do meu pai – ela pareceu distante – ele simplesmente parou de ligar pra mim, não que ele tenha se importado alguma vez, mas ele pagava a escola, me dava tudo o que eu precisava, mas ele simplesmente parou. Ele se viciou em álcool, eu nunca descobri se tinha algo mais do que álcool, mas eu o vi inúmeras vezes em estados que me deram certeza de que ele era um viciado. Eu tive que sair da escola que eu freqüentava, com Gemma e ir para uma perto da casa que tínhamos, se é que da pra chamar aquilo de escola. Meu pai passou por vários comas alcoólicos, mas nenhum que o assustou o suficiente para parar de beber. Em um deles, ele ficou incapacitado de trabalhar, ele não tinha mais como sustentar o vicio dele, nem sustentar ele mesmo, muito menos me sustentar. Eu tinha 13 anos, não tinha como trabalhar ou algo do tipo. Então ele me vendeu pra os amigos dele – ela me encarou e percebeu o meu susto, parou de falar.
– Te vendeu? Como assim te vendeu? – ela puxou as pernas para perto do rosto, fazendo uma cara estranha.
– Uma noite comigo e ele ganhava dinheiro dos caras – eu já estava assustado, depois que ela disse aquilo eu podia cair da cadeira.
– Ele te forçava a – ela não me deixou terminar.
– Não diga, por favor – ela quase gritou – sim. Eu tinha 13 anos, todos eles eram bem mais fortes que eu – ela disse encarando o chão, com os olhos arregalados – quanto mais eu tentava fugir, pior aquilo ficava. Um ano depois eu já nem tentava fugir ou encontrar outro emprego, qualquer outro emprego nunca renderia tanto quanto aquele para o meu pai. – parecia que ela não estava percebendo que eu estava ali, encarava o chão, assustada – primeiro era só com os amigos dele, mas eu acho que o dinheiro não foi o bastante. Cada cara que passava na rua ele apresentava pra mim, como se eu quisesse conhecer. Eu pedia todos os dias para que o sol nunca saísse, para que a noite nunca chegasse. Quando eu fiz 18 – ela deu um sorriso, limpando as lagrimas que escorriam livremente pelo rosto dela – eu pensei que tudo mudaria, eu queria fazer tudo, menos aquilo que ele me obrigava. Quando eu sai de casa, ele tentou se matar inúmeras vezes, ele pediu para que eu voltasse para casa, prometendo que eu não precisaria fazer mais aquilo caso não quisesse. Eu fui tão idiota que acabei acreditando, e é claro que nada mudou. Uma semana depois que eu voltei pra casa, eu não sai mais, só quando ele saia junto, ou quando algum homem exigia que fosse na casa dele – ela tampou o rosto – eu não entendo o que todos aqueles caras viam em mim, eu não sabia o que fazer, eu não fazia nada, eu ficava parada e quase sempre chorando, nada sexy, nada que justificasse o fato de serem obcecados por mim. – eu entendia aqueles caras, ela tinha o corpo mais perfeito do mundo, afastei esse pensamento idiota — Todo o dinheiro que ele ganhava gastava em bebida ou comprava coisas para mim, eu não conseguia sequer tocar nelas, eu nunca quis aquele dinheiro, nunca quis ter que fazer o que eu fazia para ganhar aquilo, eu sinto nojo disso – ela disse e me encarou.
– Porque você nunca conversou com Gemma sobre isso – ela sorriu fraco.
– Toda vez que eu me encontrava com Gemma meu pai estava junto, como eu iria falar – ela limpou as lagrimas.
– Por quanto tempo isso aconteceu?
– Até o dia que ele morreu de coma alcoólico, ou seja, alguns dias atrás – eu a encarei.
– Desde os 13 anos até hoje – eu disse, ela assentiu, olhando pro chão – você não tentou fugir depois de fazer 18, você podia viver em qualquer lugar – ela sorriu.
– Claro que eu tentei, eu acho que umas 5 vezes em noites seguidas, depois eu desisti – eu a encarei, ela colocou a mão no rosto – as punições todas as vezes que eu fugia eram horríveis, acho que não sobreviria há mais uma – eu sentei na cama ao lado dela.
– Punições – eu disse a encarando, ela se afastou um pouco.
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