Inside

1 Prólogo


Notas iniciais
Eu realmente espero que vocês gostem.

Um ano antes

Sempre pensei sobre música.

A forma como é composta, sua estrutura, as notas melodiosas, dos tons graves aos agudos, vozes femininas e masculinas, bandas, todas tão diferentes, mas o talento tão grande.

Meu pai é músico. Ninguém fora da Louisiana deve conhecê-lo, mas ele é bem famoso aqui no estado. Ele costumava me levar nas viagens quando eu não estava em semana de provas, pois sabia do meu amor pela música.

– Você vai ser alguém nessa vida, Court — ele dizia. — Eu aposto todas as minhas fichas em você, narizinho pequeno.

Eu sempre ria. Courtney significava, segundo meu pai, nariz pequeno. Meu nome deveria ser Melodie, Nicole ou alguma coisa do tipo, mas meu pai me contou que quando viu meu nariz tão pequeno decidiu mudar meu nome. Nunca soube como minha mãe aceitou trocar. Bom, nunca soube muitas coisas sobre ela, afinal.

Where All Maps End do The Lower 48 tocava animadamente no rádio. Davina, no banco do passageiro, aumentou o volume e começou a estalar os dedos enquanto meu pai batucava no volante.

A janela estava aberta, aquela música gostosa de se ouvir tocando, o vento batendo... Um ótimo dia para se viajar em família.

Então tudo aconteceu. Eu não conseguia acreditar quando vi. As bordas da minha visão ficaram turvas e eu tive que me apoiar na cômoda do quarto para não desmoronar.

Mas desmoronei.

As lágrimas encheram meus olhos e eu as deixei cair enquanto segurava um grito que tentava emergir. Era como se eu fosse uma taça frágil de vidro que caiu no chão e se quebrou em vários e vários pedaços. Senti bile na minha boca e vontade de vomitar diante do sangue. Tudo parecia girar e eu estava a ponto de desmaiar.

Não consegui segurar. Gritei.

Minha mãe veio dois dias depois, apenas para o enterro. Eu pensei que o pior já tinha passado, mas foi aí que o verdadeiro inferno começou.

Notas finais
E aí?