Insensível.

15 Capítulo 15.


O terceiro período era caracterizado pela falta de força. Não parecia haver saída.

A vitória da Rakuzan era inquestionável.

No entanto, Akashi não demonstrava contentamento. Seu desejo era derrotar a Seirin de todas as maneiras possíveis.

Junpei, sem dúvida um dos pilares da equipe, cometeu mais uma falta. Reo simulou o arremesso e ele caiu na armadilha.

Além disso, em um momento de amargura, não queria aceitar ou acreditar na situação em que a equipe se encontrava. Desorientado pela própria fragilidade, discordou da decisão do árbitro. Duas faltas seguidas, totalizando exatamente quatro. Se cometesse mais uma, poderia ser afastado da final. A técnica não teve escolha senão substituí-lo.

O espírito da Seirin estava desaparecendo gradualmente. Eles já não tinham mais vontade de lutar? Era assim que tudo terminaria?

Hikari percebeu abandonar a esperança novamente. Durante um tempo, todos pareciam desanimados.

Kuroko, desolado, permitiu que as lágrimas de frustração escorressem.

“— Eu quero vencer”, murmurou.

A amiga lançou um olhar na direção dele, relembrando o que havia acontecido no último jogo da equipe Teiko: Tetsuya chorara da mesma forma, e ela não conseguira intervir. Apenas lamentara por ele. Agora, encontrava-se ao seu lado, mas sentindo-se igualmente impotente. Será que não podia fazer nada novamente?

No entanto, ele se ergueu, ainda carregando consigo toda a motivação que restava.

“— Eu quero vencer. Mesmo que pareça impossível, quero que nos tornemos os melhores do Japão!”, exclamou, enquanto todos o observavam.

Huryome pensou que a determinação era algo intangível, mas naquele momento, foi tocada por esse sentimento. Por que ela estava ali, afinal?

Por mais que tentasse afastar as lembranças, a própria determinação a trouxera de volta. Ela buscava preencher um vazio dentro de si, acreditando que isso só seria possível ao demonstrar mais habilidade e superioridade.

“— Existem outras maneiras mais inteligentes de demonstrar força.”, ponderou mais uma vez.

Quando é que começou a priorizar os interesses superficiais acima de tudo o resto?

A sua força não se encontrava na superioridade, não precisava provar nada a ninguém. A força que desejava mostrar manifestava-se no apoio aos novos amigos. Mantendo a determinação que sempre a caracterizou. Ela precisava ser corajosa por eles, não só por si. Hikari percebeu que isso se tornara um desejo egoísta. No entanto, agora, acima de tudo, desejava estar ao lado deles, independentemente do resultado.

— Técnica, por favor. — Disse Kuroko.

Ele queria participar da disputa, mesmo que ainda não tivesse se recuperado totalmente da sua ausência. Riko simplesmente consentiu.

— Tetsuya. — Antes de o garoto entrar, a azulada o chamou, segurando a barra de sua camiseta. — Confio em você. — Huryome exibiu um semblante tranquilo. Seus olhos brilhavam ainda mais intensamente do que antes, e todos notaram esse detalhe. — Seirin, vamos lutar juntos! Cada um aqui tem habilidades únicas que, quando combinadas, fortalecem a equipe. Por favor, não deixem de acreditar.

* * * * * *

O jogo recomeçou, e Kuroko marcava diretamente o seu oponente aprimorado: o homem fantasma da Rakuzan.

Na primeira tentativa, Tetsuya não conseguiu detê-lo. Na segunda, o garoto de cabelos azul-claros adotou uma abordagem diferente: deixou-o passar para que ele pudesse arremessar livremente, sem interferências. Estariam subestimando Mayuzumi?

Ao considerar isso, o oponente ficou irritado e marcou mais cestas consecutivas para mostrar seu poder.

— Vou repetir, antigo sexto membro: você não pode me vencer. — Afirmou ele com convicção.

Kuroko apenas o encarou e foi em uma jogada que respondeu a ele.

Desapareceu diante dos olhos de Chihiro, surpreendendo a todos, inclusive os membros da Rakuzan que viram seu lance ser interrompido, e, no contra-ataque, Taiga marcou para a Seirin.

— Muito bem, Kagami e Kuroko! — Vibrou Izuki animado.

O banco de reservas também se agitou, sentindo a perseverança ressurgir.

— Agora ninguém pode detê-los. — Disse Hikari, sorrindo ao observar os dois.

— Como Kuroko conseguiu desaparecer diante dos olhos de Mayuzumi? — Perguntou Takao que, junto a equipe da Shutoku, assistia ao jogo do espaço acima das arquibancadas. — Será que ele está voltando à sua habilidade de ficar imperceptível?

— Não. — Respondeu, Midorima.

Quando a bola voltou para o fantasma da Rakuzan, pode-se perceber:

— Lá está ele! O número cinco da Rakuzan, Mayuzumi! É um confronto direto! — Exclamou um espectador.

— Cópia. — Continuou o craque da Shutoku. — Ele fez Mayuzumi se destacar mais do que ele mesmo. Por isso, o deixou passar.

— Quando uma luz mais intensa surge, uma luz fraca é ofuscada. — Refletiu a jovem de cabelos azul-marinho. — No entanto, Kuroko sempre será o original.

A faísca da esperança: Seirin iniciou sua batalha pela vitória.

Em um passe mal feito, Kotaro tentou pontuar, mas a bola acertou a trave. Kiyoshi a recuperou, driblando até mesmo Nebuya. Como prever de onde viria a interceptação, se Kuroko começou a desaparecer de novo? Uma grande pressão foi sentida pela Rakuzan.

Mas ainda havia o fato de que ninguém conseguia parar Akashi.

No entanto, Kagami Taiga encontrou em Tetsuya a motivação para lutar pelos amigos. Com isso, ele entrou no Zona novamente, com uma pequena diferença: ele estava ainda mais mergulhado que da última vez.

— Kagami não conseguirá vencer Sei. — Afirmou Reo. — Vocês não se lembram do resultado do primeiro quarto?

Taiga confiou plenamente em seus instintos ao se afastar, permitindo que Seijuro tivesse liberdade para tentar um arremesso de três pontos, se quisesse. No entanto, ao mencionar a jogada, Kagami respondeu prontamente: ele conseguiria bloquear, não importando onde estivesse.

O jogador número quatro da escola de uniforme branco se viu sem escolha: ele não arriscaria em uma jogada tola. Ele fez uma jogada com Chihiro, que conseguiu realizar um de seus passes ilusórios, e Nebuya marcou pontos.

— Akashi passou porque não tinha outra opção? Ele estava com receio? — Pensou Hikari, enquanto observava o número dez. — Kagami poderia interrompê-lo daquele ponto?

Mayuzumi tinha como objetivo voltar para as sombras.

Todos os jogadores da Rakuzan estavam marcados, ele não teria como passar. No entanto, por puro instinto e sentindo-se subestimado, mesmo após descobrir o plano de Tetsuya, ele arriscou uma jogada na tentativa de aumentar a pontuação de sua equipe; porém, ao tentar, Taiga bloqueou seu arremesso.

Chihiro acabou falhando.

— Voltar à escuridão não é tão simples quanto parece. — Ryota afirmou enquanto acompanhava o jogo com seu time. — É necessário ter um controle emocional firme para conter o instinto. O recém-chegado pode ser mais talentoso, mas há algo em que ele nunca superará o Kurokocchi: a história dele como sexto jogador e a determinação de vencer pela equipe.

— Ainda há esperança. — Ponderou Hikari, observando a dupla habilidosa. — Enquanto Tetsuya e Taiga permanecerem fortes, a Seirin nunca desistirá.

* * * * * *

O técnico da Rakuzan decidiu intervir, chamando um tempo.

Eles precisavam se reorganizar, no entanto, Mayuzumi cometeu uma série de erros que o colocaram na situação atual, o que levou seus próprios colegas a se tornarem hostis. “— Ele não está mais funcionando, seria melhor substituí-lo.”, ouviu em silêncio.

— Como eles disseram, você errou. — Akashi começou, olhando friamente para o número cinco. — Substituí-lo seria a escolha óbvia, mas ainda precisamos da sua força. Conto com você para ajudar a Rakuzan a vencer.

Com o reinício do jogo, foi surpreendente ver o retorno do fantasma adversário, mesmo sabendo que ele não poderia executar jogadas como antes. No entanto, em outro embate com Kagami, Akashi parecia tranquilo.

Chihiro entrou no campo de visão, fazendo Taiga desviar o olhar de Seijuro e, de repente, a bola sumiu das mãos do capitão da Rakuzan. Reo havia feito uma cesta, mas como?

— Essa foi a sobrecarga da finta fantasma do Mayuzumi? — Questionou Izuki, surpreso.

— Não, é um pouco diferente. — Respondeu Kuroko. — Mayuzumi simplesmente não fez nada. Como ele tem a atenção para ele, Akashi aproveitou isso para distrair Kagami.

Pensar que Seijuro valorizava o potencial ou motivação de alguém era besteira. Ele não tinha mais expectativas em relação à Chihiro.

— Akashi está simplesmente o manipulando. — Expôs, Hikari. — Parece que ele é apenas uma ferramenta para passar a bola e desestabilizar o Kagami. Mayuzumi está sendo de certa forma punido por seus erros, na concepção deles. Deve ser terrível.

* * * * * *

— Insensível… — Murmurou Huryome, perdida em pensamentos.

— Hm? — Riko a olhou. — Disse alguma coisa, Hikari?

— Ah? — A garota azulada dirigiu-se à técnica. — Desculpe, eu só estava pensando alto… — Sorriu levemente ao voltar sua atenção para o jogo. — Não gosto da forma como Akashi está utilizando Mayuzumi, mesmo que ele seja do time adversário.

Aida a compreendeu.

— Eu também não. — Concordou. — Ele estava sendo usado apenas para distrair Kagami. É como se ele não fosse essencial para a equipe.

— Mayuzumi deve estar bastante deslocado. — Concluiu Hikari, observando Akashi. — Uma decisão que estaria bem distante do primeiro Akashi que conheci. — Pensou.

Não apenas Chihiro estava em uma situação desagradável, mas também Hayama Kotaro, que estava sendo marcado por Shun. No início, o jogador loiro não viu motivo para utilizar seu Drible Relâmpago com mais intensidade do que três dedos.

Até que o número cinco da equipe Seirin o provocou.

Assim, ele decidiu aplicar quatro dedos para dar mais força à bola, porém, com a visão aguçada de Izuki, ele foi bloqueado.

Diante disso, foi necessário usar toda a mão e essa mudança o deixou excessivamente confiante. Quem poderia dizer o que poderia acontecer se ele começasse a errar? Por outro lado, o obstáculo não representou dificuldade para Izuki. Ele ficou contente por ter se esforçado ao máximo, mesmo que Kotaro tenha conseguido passar duas vezes e fazer pontos para Rakuzan.

Contudo, no terceiro drible do adversário, Shun finalmente o deteve, juntamente com Kuroko e Kagami. No contra-ataque, o jogador número cinco teve sucesso, contribuindo com pontos para a equipe Seirin.

— Ele encontrou uma forma de parar o Hayama. — Afirmou Riko, aliviada. — Mas não podemos baixar a guarda agora.

— Olhem! — Kawara exclamou. — Akashi está se aproximando do Kagami!

Kagami estava afundando mais no Astral, mas ainda não conseguia bloquear Akashi totalmente. Mesmo tentando se concentrar, sua defesa na área de três pontos enfraqueceu, permitindo que o capitão pontuasse.

— Fraco. — Expressou Seijuro, atraindo a atenção de Taiga. — Você está tão imerso no Astral que relaxou sua defesa. Precisa ser extremamente cuidadoso se quiser me deter. — O número quatro retornou à sua posição. — É só questão de tempo. Você ficará sem forças em algum momento.

Chegou a vez de Reo ficar apreensivo com um membro da Seirin. Shinji Koganei, apesar de sua aparência inocente, possuía um instinto selvagem. Como se fosse… Um gatinho?

O fato era que na Rakuzan havia integrantes cometendo erros, o que exigia cestas de três pontos para ampliar a vantagem. A solução foi confiar no ala-armador para isso. No entanto, Koganei estava atento. Mibuchi notou que seu oponente se afastou ao tentar o arremesso Terra. Surpreso, ele se questionou como Shinji poderia ter sabido disso.

Sem alternativa, Mibuchi tentou mudar sua estratégia, mas demorou a agir e errou o arremesso, mostrando que não se pode menosprezar os jogadores da Seirin.

O jogador número seis da Rakuzan não suportou a ousadia e usou seu arremesso mais astuto. Parecia que o jogo terminaria ali, até que Koganei se moveu e saltou, surpreendendo o adversário e quase impedindo o ponto.

Essa jogada influenciou Hyuga. Mesmo com quatro faltas, o capitão estava determinado a retornar à quadra.

* * * * * *

O som que indicava o início do último quarto era aguardado ansiosamente por aqueles que se divertiam assistindo a um jogo tão emocionante.

A plateia estava animada, enquanto os jogadores demonstravam suas emoções à flor da pele. Mesmo com a diferença de vinte pontos, sabiam que muita coisa poderia mudar em apenas dez minutos.

A energia da equipe Seirin voltou com a presença do capitão, era evidente. Todos os jogadores estavam focados em suas tarefas e determinados a diminuir a vantagem adversária.

Reo esperava que, com quatro faltas, Junpei diminuísse o ritmo, porém a realidade foi completamente oposta. Hyuga não se intimidou, mesmo após ter recebido um “empurrãozinho” nas costas de Riko anteriormente. Ele arremessou com toda a sua inteligência, e os arremessos de três pontos voltaram a brilhar.

Agora era a vez de Mibuchi mostrar sua habilidade.

Ele planejou fingir um arremesso céu para então mudar para um arremesso terra, esperando que Hyuga cometesse a falta decisiva e fosse eliminado do jogo nos minutos finais. Às vezes, a arrogância pode levar a consequências inesperadas.

Junpei agiu rápido e impediu Mibuchi de executar seu plano. Ao finalizar o arremesso, ele errou. As falhas de Reo estavam apenas começando.

Em uma última tentativa de vencer, Reo fez a jogada vazia. Mas, Hyuga carregava as esperanças de Riko, Seirin e todos que os apoiavam em suas costas. Ele bloqueou completamente o arremesso mais forte de Mibuchi.

— Ele… Conseguiu!. — Exclamou Aida, extasiada.

— Ele parou o Mibuchi. — Complementou Hikari.

Enquanto Teppei lidava com Eikichi, Hyuga e Riko notaram algo preocupante: o joelho lesionado estava incomodando Kiyoshi novamente.

— Riko, por que o Kiyoshi está com faixas no joelho? — Perguntou Hikari, curiosa.

— Ele está lesionado. — Respondeu a treinadora com apreensão. — Ele não jogaria se tivesse optado por fazer uma cirurgia. Mesmo com o tratamento intensivo, ele não está no seu melhor momento. — Ela suspirou.

— Sério!? — Surpreendeu-se Hikari ao observá-lo. — Imagino que enfrentar Nebuya não esteja sendo fácil para ele.

— De qualquer forma… Eu confio no Teppei. — Concluiu Aida.

Ouvindo o encorajamento de seu capitão, Kiyoshi já tinha tomado sua decisão. Ele pegaria o rebote, enfrentaria Nebuya de qualquer maneira e finalmente venceria aquela batalha. E, de fato, ele conseguiu.

Eikichi, a muralha, mostrou fraqueza pela primeira vez.

Os erros do Rakuzan se acumulavam enquanto o time se desfazia lentamente. Eles se afastavam da lógica, deixando as emoções dominá-los. O instinto de vencer estava em primeiro lugar, no entanto, estavam sendo lentamente dominados em suas habilidades individuais.

* * * * * *

À medida que o tempo passava, a equipe da Seirin via-se se aproximando cada vez mais do Rakuzan no placar. Estavam a apenas algumas cestas de empatar o jogo ou, quem sabe, garantir a vitória.

Um silêncio profundo envolvia Akashi. Embora ele tivesse confiado nos seus três reis sem coroa, os erros cometidos naqueles momentos começaram a irritá-lo. Sentia a necessidade de expressar sua frustração, mas Kagami não permitia.

O talentoso jogador da Seirin estava pressionando-o, tornando a situação cada vez mais incômoda. A equipe do Rakuzan estava enfrentando dificuldades, e essa era a primeira motivação.

Quando Seijuro começou uma jogada, lançando a bola para o outro lado da quadra e permanecendo imóvel ao ver a equipe ceder sob sua própria cesta, era evidente que algo incomum estava acontecendo.

Buscar a vitória acima de tudo, sem se importar com os companheiros de time, era a segunda motivação.

E assim, o capitão os abandonou; perdeu a fé em sua própria equipe, mas não em si, decidindo enfrentar a Seirin sozinho.

— Estou com um pressentimento ruim… — Comentou Hikari, observando Akashi, imóvel e solitário embaixo da cesta.

Taiga pegou a bola de basquete e partiu em direção ao ponto que precisava marcar. Era ele contra Seijuro.

Saltou alto, determinado a fazer o Arremesso Meteoro, acreditando que o capitão do Rakuzan seria incapaz de detê-lo. Porém, estava sendo ingênuo.
Todos ficaram paralisados quando Akashi simplesmente ergueu o braço, tirando a bola de Kagami como se fosse um simples jogo de criança.

— Demonstrarei minha superioridade a todos. — Declarou.

E no momento em que seus olhos de cores diferentes reluziram, todos souberam. Akashi havia adentrado o Astral.