Insensível.
14 Capítulo 14.
As duas equipes logo entraram em ação após o término do jogo entre Kaijo e Shutoku, sem perder tempo. Como era de se esperar, a escola liderada por Shintaro Midorima garantiu o terceiro lugar, juntamente aos seus colegas.
— Ei. — Disse Murasakibara, sentado próximo de Aomine e Momoi. — Aquela não é a…
— Huryome. — Completou Daiki. — Parece que ela voltou. — Observou a azulada ao entrar com a equipe Seirin e se sentar ao lado da treinadora no banco de reservas.
— HIKA! HIKA! — Gritava Momoi, tentando chamar a atenção da amiga.
— Satsuki, por favor! Não faça tanto escândalo.
— Deixe-me, Dai! Já faz tanto tempo que não a vejo!
Hikari percebeu seu apelido planando pelas cadeiras acima de onde estava. Ela procurou, até encontrar os antigos amigos. Se levantou e os cumprimentou com um sorriso suave.
— Ela nos viu, ela nos viu! — Pulou a garota de cabelos rosa, extasiada.
— Ótimo, agora sente-se! — Finalmente conseguiu Aomine fazê-la se acalmar.
— O que será que ela está fazendo aqui, Mine-chin? — Perguntou o rapaz de cabelos roxos, abrindo o primeiro pacote de batatas da pilha.
— Não tenho certeza, mas tenho a sensação de que tem algo a ver com ele. — Respondeu, olhando na direção de Akashi.
“Antes do início da partida, vamos apresentar as equipes.”, emitiu, o locutor.
“Em uniforme preto, a escola Seirin. A treinadora é Aida Riko.”
— Riko, você é demais! — Exclamou Hikari, impressionada.
— Eu? Imagina! — Ela respondeu com um sorriso, um pouco convencida.
— Ela não deixa passar um elogio, não é? — Sussurrou Shinji Koganei.
— Não fale tão alto! — Repreendeu Koichi Kawahara. — Depois acaba sobrando para nós!
— Estou ouvindo muitos sussurros… — A treinadora virou-se para eles.
— N-Não é nada! — Desculparam-se os meninos, em um instante.
“Agora, a escalação inicial. Número 11, Kuroko Tetsuya.”
— Ali está ele! — Exclamou alguém na plateia, empolgado. — O sexto homem, o fantasma!
— Ora, ora. Todo mundo está de olho nele. — Shoichi Imayoshi, líder da equipe Touou, observou.
— Não é estranho todos notarem o Kuroko? — Pensou Koganei.
“Número 10, Kagami Taiga. Número 07, Kiyoshi Teppei. Número 05, Izuki Shun. E, complementando o time, número 04, o capitão, Junpei Hyuga.”
— Vamos lá, Seirin! — Torceu Hikari, erguendo o cartaz que fez.
“De uniforme branco, a escola Rakuzan.”, as apresentações continuaram.
“O técnico é Eiji Shirogane. Eles começarão com os seguintes jogadores: número 08, Nebuya Eikichi. Número 07, Hayama Kotaro. Número 06, Mibuchi Reo…”
— Os reis sem coroa. — Analisou Yoshinori, jogador da Touou. — Eles são tão bons quanto Kiyoshi e Hanamiya?
— Espero que sejam. — Respondeu Imayoshi. — Agora que estão na Rakuzan, não seria surpreendente se estiverem mais fortes.
“Número 05, Mayuzumi Chihiro.”
— Ele é o único novato da Rakuzan… — Kawahara observou.
— Ele parecia bem forte no aquecimento. — Hiroshi Fukuda acrescentou.
— De alguma forma, olhar para esse garoto me causa uma sensação estranha. — Refletiu Hikari. — Por quê?
“E para completar o time, número 04, o capitão, Akashi Seijuro.”
— Ali está ele. — Murasakibara disse, observando seu antigo capitão do ensino fundamental.
— A competição está ficando séria. — Respondeu Aomine.
“A final da Copa de Inverno, entre as escolas Seirin e Rakuzan, começará.”
Terminou, o locutor.
* * * * * *
Se alguém esperava uma partida tranquila, para ser apreciada lentamente, com certeza teve uma grande surpresa. Após a disputa pela bola inicial, onde Kagami saiu vitorioso, Seirin tentou marcar o primeiro ponto com Hyuga. No entanto, um passe mais forte de Kuroko, não o permitiu pontuar.
Durante um contra-ataque, Rakuzan visou marcar primeiro, porém Nebuya foi impedido pelo habilidoso adversário.
Nenhuma das equipes estava disposta a ceder. Entretanto, movido pela determinação de lutar por seus amigos, Kagami surpreendeu a todos ao se aproximar da cesta. Mesmo com Akashi tentando bloqueá-lo, ele saltou ousadamente.
O número dez refletiu sobre as histórias compartilhadas em seu apartamento. Ele buscava uma resposta. O que faria se fosse Kuroko? Como se sentiria no lugar de Hikari?
Independentemente disso, seu único desejo era vencer aquela partida ao lado de seus companheiros. O ruivo executou a Enterrada Meteoro. No entanto, aquele movimento só era utilizado por ele quando…
— Será que isso é um problema? — Questionou Yoshinori. — O Astral consome muita energia, não é? Ele durará até o final do jogo?
— Claro que não. — Respondeu prontamente Aomine. — Imagine encher uma banheira com água quente.
— Uma banheira? — O companheiro de equipe tentou imaginar.
— Entrar no Astral é como tirar a tampa. A água simplesmente some diante dos seus olhos. — Explicou.
— É tão simples… Ele acha que sou burro? — Yoshinori questionou, após a explicação.
— Não, talvez ele goste de você. Imayoshi provocou.
Mesmo com a explicação limitada, Aomine estava correto. Se não fizessem nada, Kagami estaria esgotado antes mesmo do intervalo do primeiro quarto. Com sua força e velocidade, a estrela jogava tanto na defesa quanto no ataque.
— Kuroko. Disse Riko, após o apito soar. — Você está fora, por enquanto. — Mitobe entrará para auxiliar na defesa. Sinto muito, mas você não está sendo eficaz agora… — Concluiu a treinadora.
— Vão substituí-lo assim tão rápido? — Exclamou um torcedor, chamando a atenção de Koganei. — Gostaria de vê-lo jogar mais!
— Está tudo bem, Tetsuya! — Hikari o recebeu. — Você logo mostrará todo seu potencial.
— Sim. — Respondeu, enxugando o suor do rosto.
Com Taiga agora focado somente no ataque, a Seirin abriu uma grande vantagem contra a Rakuzan: o placar indicava 11 a 2.
— Droga! Ele fica mais poderoso que Midorima quando está no Astral — Nebuya gritou.
— Não conseguimos nem tocá-lo. — Mibuchi complementou.
— Vamos manter o ataque como está. — O capitão afirmou. — Na defesa, Kotaro, vamos trocar. Cuidarei do Kagami.
A competição prometia ser intensa: Seijuro enfrentaria Taiga mano a mano.
— Ele não terá muitas opções… — Hikari observou. — Ele tentará parar Kagami com o Olho do Imperador.
Ao receber a bola, Kagami encarou Akashi por um momento. O duelo entre os craques estava armado, quem decidiria?
Ambos executaram seus movimentos. O da escola Seirin passou facilmente.
— Ele conseguiu! — Exclamaram os reservas da Seirin. — Passou por Akashi!
No entanto, ao saltar, a garota de cabelos azul-marinho notou.
— Droga. — Ela lamentou.
Ao tentar marcar, a bola atingiu o aro. Kagami errou pela primeira vez naquele quarto do jogo.
— Vencer o Olho do Imperador? — Akashi começou. — Não me subestime. Apenas permiti que você passasse.
Seijuro conseguiu parar Taiga, mesmo ele estando no Astral. Esse era apenas o início dos problemas da Seirin.
* * * * * *
O ás da escola de uniforme preto estava caído no chão, vítima do implacável movimento de Akashi. Depois que o jogo recomeçou, Rakuzan dominou a bola.
Na tentativa de bloquear, Kagami sofreu as consequências. Por sorte, Rinnosuke Mitobe estava lá para auxiliar na defesa, sendo fundamental para trazer Kagami de volta ao jogo. Todos os jogadores da Seirin, novatos ou veteranos, se esforçavam, trazendo uma sensação de alívio.
Kagami saiu do Astral por sua própria vontade. Era hora de Kuroko mostrar como poderia ajudar seus amigos. No entanto, era evidente que todos notavam a presença do garoto. Todos o admiravam, mesmo ele tendo carregado por muito tempo o título de: o sexto membro fantasma.
— Algum problema, Hikari? — Perguntou Riko, ao percebê-la imersa em pensamentos.
— Nada em especial… Apenas observando algumas coisas. — Respondeu-lhe.
Kotaro aproveitou a oportunidade contra Kagami, agora que a intensidade do Astral havia diminuído, e com seu Drible Relâmpago, marcou pontos. Chegou a hora da Seirin contra-atacar, mas Kuroko estava encontrando dificuldades em se livrar da defesa adversária.
— Algo não está certo. — Comentou Huryome. — É como se eles estivessem…
— Técnica! — Exclamou Koki Furihata ao se levantar. — Eu acho que…
Todavia, antes que a técnica pudesse agir, o passe do rapaz de cabelos azul-claros foi interceptado. A ausência dele se tornou perceptível?
— Estou cansado de presenciar essa bobagem. — Afirmou Akashi, levando Kuroko a encará-lo. — Como você pôde abandonar sua especialidade? Quando descobriu seu estilo atual, no ensino fundamental, implementou variações de passes, porém jamais permiti que você arremessasse ou driblasse. Sabe por quê? Eu sabia que isso faria você perder sua característica única. A Infiltração Invisível, o Arremesso Fantasma… Como um jogador com movimentos tão extravagantes não se destacaria? O golpe final foi aquela cesta decisiva, na semifinal.
— A última cesta contra a Kaijo… — Recordou Hikari.
— Quando aprendeu a se destacar, deixou de ser uma sombra e abandonou a identidade de homem fantasma. Agora, você vale menos do que um jogador comum. E você nem percebeu, até agora.
— Tetsuya… — Hikari estava chocada.
— Tampouco ela. — Continuou Akashi, fixando o olhar na garota. — Mesmo após tê-lo ajudado, não conseguiu antecipar as consequências que isso poderia acarretar. — Ele encarou o adversário mais uma vez. — Acreditam que apoiar um ao outro é suficiente? Vocês me desapontam.
O apito soou, indicando uma substituição. Kuroko voltou para o banco, dando lugar a Satoshi Tsuchida. O número onze sentou ao lado da amiga, que se encontrava sem palavras naquele momento.
— Em breve estará de volta, Kuroko. Não desista. — Disse a treinadora. — Faltam apenas três minutos para o final do primeiro quarto. — Ela prosseguiu. — Daremos tudo o que temos. Vá e deixe o destruírem. Lute mais uma vez, para podermos vencer.
Satoshi já havia transmitido a mensagem aos colegas.
Estavam cientes de que o fantasma não poderia recuperar sua força sendo simplesmente removido do jogo. Precisavam encontrar uma maneira de reativá-lo, juntos.
O primeiro quarto terminou, ainda em empate. Nenhum dos dois times desistiria tão fácil assim.
* * * * * *
— Satsuki. — Aomine chamou, observando o início do segundo quarto. — Como é o número cinco da Rakuzan?
— Deixa eu ver… — Momoi procurou o papel com os dados do jogador na bolsa.
— Por que está interessado nele, Mine-chin? — Perguntou Murasakibara. — Ele me parece tão fraco…
— Aqui! — Finalmente, a garota encontrou. — Chihiro Mayuzumi. Terceiro ano, ala-pivô. Sua velocidade, força e técnica são todas de nível C. Ele não possui forças ou fraquezas específicas. Tornou-se titular no terceiro ano, logo após Akashi se juntar ao time. Antes disso, ele nem estava no time principal.
— Sério? — Aomine respondeu. — Parece alguém que eu conheço.
Naquele momento, Seijuro estava com a bola. Marcado por Shun Izuki, ele não hesitou em passar, mas para quem? Ele simplesmente lançou em direção ao nada.
— O passe do Akashi foi ruim? — Pensou Izuki.
— Talvez ele tenha errado!? — Furihata exclamou, um tanto contente.
— Jamais o vi errar. — observou Huryome. — No entanto, qual será a intenção por trás desse passe tão inesperado?
E quando todos esperavam que Teppei Kiyoshi, o mais próximo, pegasse a bola, algo surpreendente aconteceu. Kuroko, que estava no banco, foi o primeiro a perceber e, incrédulo, se levantou.
Mayuzumi desapareceu diante dos olhares de todos, utilizando sua técnica de drible Finta Fantasma.
— Não pode ser! Ele é como o Kuroko? — Exclamou Izuki, confuso.
— Ele é um pouco diferente. — Respondeu o número 04 da Rakuzan. — É como o Tetsuya, mas com bases mais sólidas. Tetsuya é o modelo antigo. Chihiro Mayuzumi é o novo homem fantasma.
— Então era essa a sensação estranha que senti antes… — Refletiu Hikari, preocupada. — Akashi não apenas encontrou alguém similar a Kuroko, como também aprimorou todos os seus aspectos… Como poderemos lidar com isso, afinal?
Contudo, ao olhar para seu amigo ao lado, surpreendeu-se. Ele encarava Mayuzumi à medida que o outro o afrontava. Mas, não era só isso: Kuroko estava o examinando.
[ Escola Teiko, ensino fundamental. ]
— Muito bem, Tetsuya. Você pode começar agora. — A garota de cabelos azulados disse, puxando uma cadeira para sentar diante do rapaz.
— O que exatamente devo fazer? — Ele perguntou, desorientado.
— Bem, basicamente, estudar-me. Veja-me além da casca.
— Você quer ser comparada a uma árvore?
A garota suspirou, um pouco desanimada.
— Achei a metáfora tão apropriada…
— Está tudo bem, eu entendo que você não gosta quando as pessoas duvidam de suas habilidades, não apenas as físicas.
Ela o fitou.
— Sua determinação é uma coisa que ninguém pode te tirar, e ela faz com que os seus olhos brilhem ainda mais quando está inclinada a ensinar alguém ou ensinar algo a si própria.
— Quando você…
— Seus olhos já estavam brilhando quando chegou aqui, Hikari.
Um silêncio pairou na sala por alguns instantes.
— Falei algo de errado? — Perguntou o Kuroko.
— Não. — Sorriu. — Você aprendeu, Tetsuya. Acredito que observa as pessoas de um jeito muito melhor que o meu.
[ Tempo atual. ]
Alguns aspectos permaneciam inalterados, no entanto, houve melhorias significativas.
Ela voltou sua atenção para a competição, pois não queria ficar inativa e desejava contribuir de alguma forma. Ela também começou a analisar a situação.
* * * * * *
A equipe da Rakuzan ampliou a vantagem: abriram sete pontos de diferença em relação à Seirin. O jogo estava tomando um rumo perigoso para o time de uniforme preto, caso não agissem com rapidez. Foi nesse momento que ele entrou em cena:
— Vamos, Furihata! — Huryome ergueu a placa de torcida enquanto o calouro entrava em quadra.
— E-Eu não tenho t-tanta certeza disso… — Disse o garoto, tremendo de nervosismo.
— Será que é ele quem vai marcar o Akashi? — Murasakibara ficou espantado. — O que eles pensam que estão fazendo?
— Parece um chihuahua enfrentando um leão… — Comentou Aomine, ainda mais surpreso.
— Ele é tão frágil que sequer sabe como agir. — Pensou Akashi, diante de seu oponente.
Quando o apito soou na quadra, dando início à partida após a substituição, Furihata avançou em direção a Akashi, tentando marcá-lo. Apesar da tentativa, o de cabelo cor-de-rosa facilmente driblou e o ultrapassou.
No entanto, Akashi não percebeu que Kagami também estava marcando-o. A partir daquele ponto, ele não tinha como usar seu movimento. Estava impedido de usar sua jogada mais forte.
— Muito bem, Furi! Vamos, Kagami! — Os reservas da equipe torciam.
— Vejam só. — Refletiu Seijuro, olhando de relance para a garota de cabelos azul-marinho. Ela conhecia os detalhes de sua habilidade, inclusive como neutralizá-la por um tempo. — Sua influência finalmente se manifestou no basquete deles.
[ Minutos atrás. ]
— Riko. Talvez tenha um jeito de parar o movimento do Akashi, ao menos por um tempinho. — Disse Huryome, aproximando-se.
— Como? — A técnica olhou para ela.
— Atraindo-o para dentro. Ele não consegue executar seu movimento com precisão se não conseguir desequilibrar o oponente. Ou seja, ele precisa de espaço para isso acontecer.
Riko começou a compreender, enquanto o restante do banco prestava atenção na explicação.
— Uma vez que ele entra na área de três, não há como realizar o quebra-tornozelo.
— Entendi! Perfeito, podemos tentar!
— No entanto… Precisamos de alguém para parar o Mayuzumi. Só assim, o Kagami poderá confrontar o Akashi diretamente. — Prosseguiu Huryome.
— Sei quem pode fazer isso. — Afirmou Aida, mirando Furihata.
— E-Eu? — A ansiedade se mostrou pelos tremeliques.
— Ele!? — A azulada exprimiu, admirada.
— Tudo bem, Hikari. — Assegurou, Kuroko. — Furihata é ótimo.
Ela trocou olhares com o amigo e assentiu.
— Furihata, dê o seu melhor! Você consegue! — Ela torceu pelo número doze.
[ Tempo atual. ]
Embora Taiga estando livre para afrontá-lo, Seijuro passou por ele. Foi surpreendente ver como ele driblava facilmente o craque da Seirin, apesar de seu enorme potencial já ser conhecido. Kagami tentou interceptá-lo e até encostou na bola de basquete, mas a Rakuzan marcou um ponto sem resistência.
— Você vai precisar de mais do que isso para me vencer, Huryome. — Akashi ponderou, encarando a garota no banco de reservas.
— Isso ainda não acabou, Akashi. — Ela refletiu ao ver o número quatro retornar à sua posição.
Por sua vez, Mayuzumi subestimou o novato. Achou que seu adversário era fraco demais e decidiu apenas apoiar os companheiros de equipe em quadra. Desistir de marcá-lo foi uma falha terrível. Inesperadamente, Koki recebeu a bola e fez a cesta com sucesso.
— Ele conseguiu! Muito bem, Furihata! — Hikari exclamou, feliz.
— É isso aí! Vamos atrás deles! — O restante da equipe falava.
Riko tinha um sorriso no rosto. Conhecia as habilidades de cada integrante do time.
O técnico da Rakuzan pediu um tempo após aquela jogada.
* * * * * *
O breve intervalo chegou ao fim e trouxe consigo uma surpresa: Koki estava sem energia e não poderia mais voltar para o jogo. Seijuro estava farto daquilo e usara sua habilidade nele.
Enfrentar Akashi Seijuro significava lidar com as consequências desse confronto.
O garoto desanimado sentou-se no banco com a toalha cobrindo a cabeça. As lágrimas logo começaram a cair.
— Kuroko, eu não pude fazer nada. — Murmurou Furihata para seu amigo enquanto chorava. — É tão frustrante… Quero ser mais forte para lutar ao lado de vocês.
— Sim, eu também. — O garoto suspirou, demonstrando sua infelicidade em igual medida.
Hikari limitou-se a observá-los. Ela conhecia bem aquele sentimento: a genuína sensação de impotência. Certa vez, em meio à dor, ela afirmou: "— Queria ser mais forte."
“— Existem outras maneiras mais inteligentes de demonstrar força”, recordou de súbito, e se flagrou fitando o capitão da Rakuzan, naquele instante.
* * * * * *
Um embate entre Hyuga Junpei e Mibuchi Reo iniciou. Três pontos eram marcados, três eram cedidos; os alas-armadores estavam cheios de energia naquela fase do jogo. Contudo, apenas um seria o vencedor, e naquele instante, Reo parecia ter mais vantagem.
O número seis da Rakuzan tinha em mãos três diferentes tipos de arremesso: céu, terra e vazio.
Hyuga se via diante de uma difícil escolha, já que uma opção envolvia evitar o oponente e marcar (céu), outra consistia em marcar o oponente enquanto atacava (terra) e a terceira (vazio) simplesmente impedia o adversário de se mover rapidamente.
Junpei já começava a questionar suas habilidades. Ao tentar realizar um bloqueio, imaginando ser o céu ou talvez o vazio, ele saltou com Mibuchi, mas acabou cometendo falta. Como penalidade, a Rakuzan conquistou quatro pontos.
Não apenas o capitão da Seirin estava em apuros, mas também Kiyoshi Teppei, que enfrentava Nebuya Eikichi diretamente. O jogador número oito da equipe de branco era verdadeiramente uma muralha. Teppei não conseguia empurrá-lo para longe ou bloqueá-lo devido à sua incrível resistência. Entretanto, a contenda entre os reis não era apenas a disputa do momento. Havia uma história ali: ambos já haviam se enfrentado, onde Nebuya saiu derrotado por Kiyoshi.
Sem dúvida, aquela ocasião nunca foi esquecida por ele, refletindo na situação atual. Eikichi, conhecido como a "Força de Hércules", e Teppei, o "Coração de Ferro", demonstravam uma determinação inabalável.
Apesar disso, o time da Seirin mal conseguia superar a força da Rakuzan.
Taiga permitia a pressão de Kotaro, que com seus dribles velozes rompiam facilmente a defesa e pontuava.
Shun lutava exausto contra os ataques de Seijuro e Hiroshi Fukuda, substituto de Furihata, não conseguia acompanhar o ritmo.
Além disso, em um lance inesperado, Akashi saltou tão alto quanto qualquer outro jogador, superou-o por alguns centímetros e completou uma ponte aérea, o que parecia impossível para ele. O segundo quarto chegou ao fim.
A pontuação mostrava 62 para Rakuzan e 37 para Seirin.
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