Insegurança

1 dilacerar


Todo dia uma visita

com uma feição diferente,

às vezes uma tristeza esquisita,

outras um grande desmazelo

de mim comigo, apenas meu eu sente.

Em todas elas parece um apelo

"se enxergue mais" tudo em mim grita,

parece que todo meu ser consente

que o que falta não é nada, só vida.

Uma ânsia de sair todo dia

viver cada segundo desesperadamente,

todo átomo meu ouvia

esse despertar calado

do coração que sentia

toda noite um desagrado.

A cada segundo uma vontade diferente.

Minha imagem é um vazio descontrolado,

não mostra meu coração transcendente.

Às vezes uma súbita vontade de mudar,

querer ser igual,

mas numa consciência a raiar

deixo disso, não largo meu eu pelo banal.

No fim do texto ou das contas

ainda fico a indagar:

quem sou eu da cabeça às pontas?

Essa pergunta me parece dilacerar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.